Magnanimorum

2 II - Dois em um


O monstro virou para mim enfurecido. Senti um calafrio. Estava com medo de morrer.

De repente Meg bateu no monstro com o meu taco e ele se virou para ela.

Ela precisa de minha ajuda.

– Meg, onde sua mãe guarda as armas?

– Na gaveta da cômoda do quarto dela! A primeira!

Fui para o quarto de sua mãe e abri a primeira gaveta, estava mesmo lá. Verifiquei se a arma estava carregada e corri para seu quarto.

Me senti nervosa, pois eu nunca atirei em ninguém na minha vida. Mas me decidi que tinha que sobreviver e a Meg também. Atirei no monstro e ele se virou pra mim e com suas mãos grandes me jogou contra a parede. Meg começou a gritar e ele com as mãos perfurou seu coração.

– Meeeeeeeeeeeeeeeeeg!

Ela estava morta. Prometi pra mim mesma que não a deixaria morrer... Fiquei imobilizada por um tempo, mas quando percebi, o monstro estava comendo-a. Ele se virou pra mim com aquela cara repugnante e com a boca cheia de sangue e carne... da Meg. Ele ia me matar de depois me comer que nem fez com ela.

De repente um tiro, sim, um tiro, perfurou a cabeça do monstro. Ele olhou para mim, parecia que estava chorando sangue. E caiu no chão.

– O que a senhorita está fazendo parada aí? — uma voz masculina e, talvez meiga.

Era um garoto loiro, de olhos castanhos escuros e com certeza, bonito, muito bonito. — O quê? O quê tem na minha cara pra você estar me encarando?

– Ah. Ham... Nada. É que eu imaginava que eu ia morrer e virar comida de monstro.

– E você ia. Mas felizmente eu estava passando e ouvi seus gritos. Aliás, o quê você estava fazendo com um red-eye?

– Eu estava com a minha amiga quando esse monstro apareceu. E, red-eye?

– É como eu chamo esses monstros. E a sua amiga?

– ...

– Ela morreu?

– ...

– Ah... Desculpe a indelicadeza. Meus pesames.

– Não, tudo bem. Obrigada.

– Como você se chama? Meu nome é Matt.

– Amélia.

– Amélia... Que nome bonito! Prazer em conhecê-la!

– O mesmo Matt. Mas, me explica sobre essas coisas de red-eye? E sobre esse vírus?

– Ah, sim. O red-eye, ou como os ciêntistas chamam de pessoas com o vírus do tipo C. Eles são grandes, altos e fortes, olhos vermelhos e eles comem humanos. Isso é tudo o que eu sei sobre eles. Esse deve ter se transformado recentemente e não foi contabilizado. Deve ter ficado com fome e foi procurar comida.

– ...

Meg morreu... Morreu por minha causa.

– Amélia, essa é a sua casa?

– Não. Era de Meg. Minha amiga.

– Ah, quer que eu te acompanhe até a sua casa?

– Eu saí de casa.

– E os seus pais?

– Minha mãe está surtando toda hora. Não aguento ela.

– Mas ela é sua mãe.

– Não de verdade.

– Mãe é quem cria, e quem te dá amor. Mesmo não sendo biológica, ela continua sendo sua mãe.

– Não estou com cabeça de voltar para casa. Meg morreu, e sua cabeça ainda está ali. — Apontei para a cabeça dela.

– Nossa... Vamos enterrar pelo menos...

– Okay.

– Mas depois vamos para a sua casa, tá?

– Tá.

Matt pegou a cabeça, ou pelo menos, o resto dela em uma blusa. Peguei as coisas de Meg, as que ela mais gosta, e nossas lembraças junto comigo. Fomos para o quintal da casa e Matt cavou um buraco e colocou. Em seguida eu coloquei os pertences de Meg no buraco.

– Você está chorando?

– ... — É claro que eu estou. Ela era minha única amiga, e eu devia tê-la protegido como uma jóia.

Sentei no chão e Matt ofeceu seus ombros.

[...]

– Você chorou litros né?

– Me deixa. Agora não é hora para brincadeiras.

– Okay. Vamos para a sua casa?

– Não.

– Mas você prometeu.

– Eu não prometi. Eu disse sim.

– Dá na mesma. Vamos.

Matt me ajudou a levantar do chão e eu o guiei para a minha casa. Levamos uns 20 minutos para chegar.

– Pronto. Chegou em casa são e salva. — Disse Matt.

– Sobe comigo?

– Tá bom.

Subimos até meu apartamento. Quando entrei não tinha ninguém.

– Vilma?

– Vilma? Quem é Vilma? — Matt perguntou desengonçado.

– É a minha mãe.

– E você não chama ela de mãe?

– Não.

Vi um pedaço de papel na mesa e peguei.

"Amélia, quero primeiramente dizer que eu te amo. Eu sei que estou pertubando, até por isso você saiu de casa. Você era meu único motivo de estar viva. Desculpa. Resolvi sair desse mundo cruél e dessa tristeza que vivia no meu coração. — Vilma"

– O que é isso? — Matt me perguntou.

– Uma carta... Da Vilma... VILMAAAAAAAAA, VILMAAAAAAAAAA!

– Pera...

– ME AJUDA A ENCONTRAR ELA!

– Tá. MÃE DA AMÉLIAAAAAAAAAAA, CADÊ VOCÊ?!

– VILMAAAAAAAAAAAAA, VILMAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Fui para procurar no banheiro mas, ele estava trancado... Ah não! Tentei abrir chutando, só que não deu certo. Pedi ajuda pro Matt e ele quebrou a porta. Vilma estava no chuveiro. Estava coberta de sangue. Tinha medicamentos para todo o lado.

Perdi. Perdi tudo. Perdi a Meg. Perdi a Vilma. Perdi tudo. Não tenho mais razão para viver também.

– Ela se matou. — disse Matt.

[...]

– Você chorou litros denovo.

– E daí? Me deixa.

– E agora?

– Não sei.

– Quer vir morar comigo?

– Não.

– Por que?

– Eu nem te conheço.

– Mas podemos nos conhecer melhor.

– E se você for um cara mau?

– Eu não sou um cara mau. Tenho cara de mau?

– Não. Mas mesmo assim, não.

– Ah, não. Você não vai ser matar também né?

– Talvez.

– Não. Agora que eu te conheci, não largo mais.

Encarei Matt, ele estava sendo teimoso. Nós nos conhecemos por um dia e ele já acha que é meu amigo.

– Eu não quero mais viver em um mundo infestado de feras.

– Nós vamos sobreviver! As únicas coisas que precisamos é de um esconderijo e suprimentos.

Vamos ver o que vai dar... Não custa tentar.

– Okay.

– Isso! Bem vamos sair daqui primeiro... E enterrar a sua mãe.

Matt pegou a minha mãe com ajuda de uma maca e a levamos de noite para o quintal da casa de Meg. Matt cavou um novo buraco, só que maior. Enterramos-a com alguns pertences dela. E novamente, chorei, muito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.