Aquela noite, depois de ver o corpo de Natsu, eu simplesmente queria vê-lo de novo, não, não sou uma tarada ou maníaca por peitorais, é diferente, eu me senti envergonhada é claro, mas ao mesmo tempo senti um elo de confiança e amizade muito forte naquele momento, entende?

Ele me viu seminua e eu também o vi, ficamos de certa forma expostos um ao outro, claro crianças, não façam isso em casa, é errado, mas vocês me entendem?

Enfim, naquela noite eu queria vê-lo de novo, pra lhe dizer que estávamos bem, mas também estava com medo de vê-lo e ele dizer que foi um acidente e que aquilo nunca mais iria acontecer, poxa, eu ficaria chateada, afinal, não foi nada demais, se fosse um garoto da cidade grande, de onde eu vim, iria se aproveitar da situação, bater uma foto, divulgar na internet e dizer que estava me pegando. O mundo é um lugar muito sujo, você precisa ter muito cuidado onde pisa, a lama respinga longe, sei do que estou falando. Mas voltando ao assunto, Natsu era diferente nesse sentido, tipo ele é um homem e deve ter gostado do que viu, mas ele guardou pra ele e ainda pediu desculpas, pois realmente foi um acidente e ele não vai falar pra ninguém, assim espero.

Toc toc toc...

—Lucy? A janta está pronta, estamos te esperando. – meu pai grita do outro lado da porta de meu quarto.

—Ok.. – fui até a porta e a abri, dando de cara com meu pai esperando.

—Como foi o seu dia? – ele perguntou sorrindo e me indicando o caminho até a cozinha.

—Foi legal, conheci mais algumas pessoas e aprendi um monte de coisas da fazenda. – respondi sem delongas.

—Que bom, fico feliz. – Jude exclama se sentando e indicando a cadeira em sua frente.

Olhei para o lado e Natsu estava lá, nem me olhou, acho que estava envergonhado.

—Tudo bem? – perguntei puxando assunto.

—Ahm... sim estou bem... – ele levantou o rosto rapidamente e com a mesma velocidade se pôs a comer.

—Ok. – sorri disfarçada e então comecei a comer também.

—O que houve com vocês dois? – meu pai perguntou.

—Nada. – respondemos em uníssono.

—Hum... – Foi o som que meu pai fez. – Lucy, será que você podia nos contar um pouco sobre você e sua vida na cidade grande.

—Ahm... – olhei para Natsu e vi que ele também se interessou, bem eu não podia ficar fugindo pra sempre, uma ora ou outra teria que contar a meu pai como era minha vida. – Era não é exatamente uma cidade tão grande, mas obviamente é bem maior do que Magnólia, tinha muitos lugares que eu gostava de ir e tudo mais, mas basicamente, eu acordava, me arrumava pra ir a escola, chamava a mamãe...

Quando toquei nesse assunto, uma tristeza enorme invadiu meu peito, eu tinha ânsia, reparei que não estava pronta pra falar dela, então pulei essa parte.

—Bem, chegava sempre atrasada no colégio, eu tinha três amigos, Levy, Gageel e Juvia, eles foram meus únicos amigos desde que me lembro. – contei sobre eles e Natsu estava maravilhado, pois neste mesmo dia ele me contou sobre os seus amigos. – A tarde eu trabalhava na lanchonete Aquarius, era auxiliar de cozinha, e lá eu fiz muitas amizades também...

—Então vem daí seus dotes culinários? – meu pai sorriu.

—Pode se dizer que sim. – respondi sorrindo de volta. – Aprendi muita coisa com o senhor Bigududo.

—Quem? – Natsu pediu achando graça.

—É o apelido dele. – comentei.

—E namorado? – Jude pediu curioso, Natsu se remexeu na cadeira, não passando despercebido nem por mim e nem por meu pai.

—Ahm... – eu não queria falar sobre isso, mas. – Eu gostava de alguém...

—Gostava? — Natsu perguntou. – Quer dizer que não gosta mais?

—Não é bem isso... – eu tentei explicar. – Eu sempre gostei desse menino, desde pequena, mas nunca conversamos.

—Então nunca namorou? – Jude pediu.

—Não, eu só... – olhei pra baixo. – Não ia dar certo a distância não é?

—É complicado. – papai exclamou.

Natsu estava me olhando intrigado, percebi que ele estava um pouco desconfortável ao tocar neste assunto, eu queria questioná-lo sobre isso, mas achei melhor não.

—Eu gostaria de conhecer esse rapaz um dia. – papai comentou. – E é claro todos os seus outros amigos, quem fez parte de sua vida, queria agradecê-los.

Olhei para ele e vi seus olhos lacrimejarem por um instante, eu queria levantar da cadeira e ir até ele abraça-lo, mas ao mesmo tempo estava em dúvida se podia acreditar em suas palavras.

—Eu vou indo pra cama. – Natsu exclamou, ele se levantou e foi até a pia lavar a louça, eu não o impedi, ele estava estranho novamente. – Eu te chamo pra tomar café e ir pra escola, tudo bem?

—Sim, obrigada. – eu agradeci sorrindo pra ele, então ele deu as costas e estava indo em direção ao seu quarto, mas eu o chamei. – Hey Natsu.

Ele parou e olhou pra mim.

—Obrigada pelo dia, me diverti muito. – falei sorrindo. – Eu adorei.

Seus olhos brilharam por um instante e então ele sorriu assentindo e logo seguiu seu caminho.

—O que houve entre vocês? – meu pai pediu erguendo uma sobrancelha para mim.

—Por que acha que aconteceu algo? – minha vez de levantar a sobrancelha.

—Vocês se olham cada pouco e Natsu tem estado estranho desde que você está aqui. – ele olhou pra mim cautelosamente. – Não que você aqui seja uma coisa ruim, não estou reclamando, mas que ele mudou, mudou.

Olhei para o corredor vazio, onde Natsu caminhava a poucos instantes atrás. Sinceramente pai, eu também não sei.

—Eu não sei pai, mas vou tentar descobrir está bem? – falei a ele, e neste momento ele paralisou e de seus olhos lágrimas começaram a surgir e a escorrer por seu rosto.

—Você.... você me chamou de pai... – ele disse entre os soluços.

—Ah... – eu nem havia percebido, mas saiu, fazer o que. – Desculpe se o magoei...

—Oh, não, faz tempo que não me sinto.... tão feliz... – ele comentou e colocou sua mão direita no rosto, segurando o nariz, tentando amenizar o choro.

—Tudo bem... – eu não sabia o que dizer, então apenas esperei que ele se acalma-se.

—Desculpe. – ele pediu limpando seu rosto.

—Sem problemas. – sorri e assim me levantei da mesa. – Boa noite.

—Boa noite querida, durma bem. – ele desejou.

—Igualmente. – sorri e fui até meu quarto. Deitei e peguei o porta retrato dos meus amigos e de minha mãe, as lágrimas vieram, deixei que rolassem.

Os pensamentos eram muitos, meu pai chorando de emoção, Natsu estranho, a nova escola, a saudade de minha antiga vida e de meus amigos, a curiosidade de saber como eles estão, eram tantas emoções que meu cérebro desistiu de pensar naquilo e me levou ao sono, e adormeci rápido.

Toc toc toc.

Novamente esse som maldito que não me deixava dormir.

Levantei, dessa vez mesmo sonolenta conferi se eu estava de sutiã e roupas mais adequadas, então fui abrir a porta.

Abri e Natsu estava de costas, provavelmente pra evitar que acontecesse o mesmo de ontem.

—Bom dia. – falei.

—Bom dia, estou esperando você na cozinha, precisamos sair daqui vinte minutos. – ele disse e foi para a cozinha, nem me olhou, era cavalheirismo ou birra?

Enfim, fechei a porta e me arrumei, mesmo não tendo sinal algum por aqui, levei meu celular junto, verifiquei se todos os matérias estavam na minha antiga mochila e pronto.

Fui até a cozinha e me sentei ao lado de Natsu, meu pai não estava por ali.

—Então, você está bem? – perguntei a ele.

—Estou... – ele olhou pra mim diferente de antes, parecia aborrecido.

—Fiz algo pra você? – perguntei insistindo no problema.

—Por que acha que tenho alguma coisa? – ele pediu olhando pra mim.

—Por que você está estranho, parece chateado com alguma coisa. – respondi obviamente.

—Já disse, estou bem. – ele respondeu um pouco frio e deixando claro pra mim que não queria papo.

—Ok. – respondi e não conversamos mais durante o café da manhã.

Escovei os dentes depois e esperei pelo senhor zangadinho na varanda da casa, então ele apareceu, com uma calça jeans, camiseta vermelha e botas por baixo da calça, quando ele me viu parou para me analisar, pois estranhamente eu estava com as mesmas vestes, camiseta vermelha, jeans e bota.

—Está me copiando senhor? – perguntei rindo.

Ele não respondeu e foi buscar o cavalo.

O observei brava, agora estava me ignorando? Eu iria mostrar pra ele quem ia ignorar quem.

Me pus a caminhar em direção ao portão e pela estrada que eu conhecia já, o caminho para a vila, fui indo a pé.

Logo ouço a cavalgada e ele aparece na minha frente, impedindo-me de continuar meu trajeto.

—O que está fazendo? – ele perguntou estressado.

—Está falando comigo agora? – perguntei mostrando que estava brava com ele.

—O que? – ele exclamou. – Monte no cavalo.

—Não. – respondi cruzando os braços.

—Pare de fazer birra e suba no cavalo. – ele pediu novamente.

—Não. – respondi olhando seriamente em seus olhos.

—Vai a pé pra escola? – ele pediu rindo.

—Prefiro. – respondi.

—Sabe que vai chegar só a noite né? – ele pediu.

—Não, mas pelo menos verei você encrencado. – exclamei e passei por ele.

—Qual é Lucy? – ele veio ao meu lado cavalgando.

—O que? – parei e olhei pra ele brava.

Ele arregala os olhos assustado.

—Você é um idiota sabia? – exclamei. – O que eu fiz de errado, uma hora você está todo sorrindo, um cara muito legal e outra fica emburradinho, resmungando pelos cantos, me ignora e age como idiota. Desculpa Natsu, mas que eu saiba só mulher tem tpm.

Ele ficou em silêncio e olhou pra baixo, talvez eu o tenha magoado, mas poxa, ninguém mandou ser babaca.

Voltei a caminhar e então escutei novamente o som das patas e ele se atravessou com o cavalo em minha frente novamente, então ele desceu do cavalo e deu um passo a frente ficando a poucos centímetros de mim.

Pude sentir sua respiração quente e escutar as batidas rítmicas de seu coração.

Eu tentei recuar um passo, mas ele me impediu segurando minha mão e me puxando para mais perto de si. Então seus braços enlaçaram meu corpo e eu me vi num dos abraços mais quentes que já senti.

—Desculpa. – ele sussurrou.

Fechei os olhos e o abracei de volta, o que estava acontecendo com você Natsu?

Ficamos abraçados um tempo e então ele soltou, e me olhou com medo que eu ainda o reprovasse.

—O que houve? – perguntei mais uma vez.

—Eu... eu acho que estou apaixonado. – ele respondeu ficando vermelho.

—Isso não é uma coisa boa? – perguntei pensando se seria a albina.

—É maravilhoso sentir isso, mas eu não poderia ficar com ela. – ele confessou, olhando pra baixo desanimado. – Eu não sou ninguém Lucy, sou um órfão que não tem terra e nem gado, como um pai iria aceitar que sua filha ficasse com alguém como eu?

—Natsu. – o chamei, e com as minhas mãos segurei as suas. – Um pai que realmente se importa com a felicidade da filha, não iria se importar com essa bobagem, afinal os homens mais honestos e bondosos são aqueles que lutam pelo que querem, que erguem seu império junto da mulher e não ganham todo o tijolo e cimento dos pais. Entende?

Ele olhou pra mim seriamente, como se analisasse cada detalhe de minhas pálpebras, admito parecia um pouco assustador, mas seus olhos eram tão intensos e cheios de bondade e compreensão, que não pude desviar o olhar, apenas retribui o gesto.

—Acho que estamos atrasados pra escola. – ele finalmente comentou, e percebemos que nossos narizes estavam quase encostados. Meu rosto começou a queimar, devido a vergonha que senti ao perceber que estávamos tão próximos e tão ligados.

Então ele me ajudou a subir no cavalo e disse pra mim segurar firme nele, fiz isso.

Ele puxou as cordinhas e o cavalo entendeu o recado, deu um empinada se assim posso dizer com aquele famoso relinchar de filme, e sim, quase caí, mas foi divertido, depois disso o cavalo ganhou alta velocidade e eu apenas sentia o calor das costas de Natsu e o vento gélido da manhã em meu rosto.

Foi uma aventura em tanto cavalgar com Natsu, chegamos muito rápido na escola, digo, uma pequena construção com poucas salas, e na frente havia um cercadinho muito bonito com alguns jovens e crianças parados conversando entre si.

Natsu guiou o cavalo até o local onde haviam outros e lá amarrou ele, então tirou da mochila uma maça e entregou ao animal. Sorri para aquele pequeno gesto.

—Que sorriso meigo e apaixonante é esse? – uma garota, parecia mais velha, de cabelos castanhos, blusa bem decotada, calça jeans e um litro de bebida na mão veio perto de mim e passou seu braço em volta de meus ombros.

—Ah, essa é a Cana. – Natsu virou pra trás e sorriu. – Cana essa é Lucy, ela é nova por aqui, veio de Era.

—É sua namorada nova? – ela sorriu pra mim e minhas bochechas ficaram vermelhas. – Ai que fofa, uma escolha bem melhor Natsu, amei, vou ficar com ela.

—Hahaha. – Natsu riu e veio atrás de nós.

—Lucy né? – ela olhou pra mim sorrindo como criança.

—Sim. – respondi tímida, aquela mulher parecia um pouco fora de si.

—Hehe, Hey pessoal... – ela gritou quando chegamos perto de um grupinho de pessoas, todos olharam imediatamente para nós e seus olhares caíram sobre mim e neste momento me senti presa a uma parede. – Essa é a Lucy, é nova por aqui.

—Haha. – uma garota de cabelos vermelhos longos sorriu e veio me abraçar, devia ser a tal de Erza que Natsu comentou. – É um prazer enorme Lucy, que nome bonito, me chamo Erza!

—O prazer é todo meu. – falei sorrindo gentilmente, assim ela me largou e passou a apresentar os outros jovens.

—Este é Laxus. – ela apontou para um rapaz muito alto, lembro-me dele, Natsu disse que as vezes ele estava ali com eles e as vezes não, reparei no fone de ouvido e na cicatriz, ele me olhou e apertou minha mão.

—Olá! – ele disse fazendo pouco do caso.

—Oi. – respondi com os mesmo entusiasmo.

—Gostei dela. – Cana comentou ao ver que retribuía todos da mesma forma que me tratavam.

—Este é Jellal. – Erza disse meio sem vontade e revirando os olhos ao apresentar o rapaz de cabelos azuis, ele tinha uma tatuagem vermelha no olho muito legal.

—Eu sei falar meu nome querida Erza. – ele revirou os olhos pra ela e veio até mim apertando minha mão com toda a sua simpatia a mostra. – É um prazer Lucy, se precisar de alguma coisa, informação, trabalhos, companhia ou de ajuda pra matar alguém,, estou disponível.

—Hahahaha, ok, obrigada, é um prazer. – ri de sua recepção e apertei sua mão.

—Que risada mais idiota. – Lisanna apareceu e se escorou em Natsu, que levantou uma sobrancelha pra ela e pegou seu braço e tirou de cima dele.

—Lisanna, você poderia por favor ir com as suas fãs e nos deixar em paz? – Mirajane apareceu do lado dela e sua expressão era de poucos amigos pra caçula. – E só pra deixar resgitrado, o sorriso da Lucy é muito mais cativante do que o seu.

—Ai. – comentei.

—Vendida. – Lisanna comentou e piscou pra Natsu, o mesmo virou o rosto pra mim e ela se emburrou e como ordenado por sua irmã mais velha, foi até suas coleguinhas que estavam cochichando e olhando pra mim.

—Desculpe pelo comportamento de Lisanna, não sei qual foi o erro de fábrica, mas já pedi pro papai mandar pro conserto. – ela revirou os olhos e me abraçou. – Que bom que está aqui, já falei, mas se precisar de alguma coisa é só me avisar.

—Obrigada Mirajane. – falei sorrindo.

—Pode me chamar apenas de Mira, é como os meus amigos me chamam. – ela sorriu e piscou pra mim. Então ela se dirigiu a Cana. – Vim por sua causa, preciso de uma nova sessão.

—Sério? – Cana perguntou. – Mas sua última consulta foi ontem.

—E? – Mira ergueu uma sobrancelha.

—Tudo bem, depois da aula me encontra aqui. – Cana deu de ombros. – Tchau moça, o sinal vai tocar.

—Tchau, boa sorte no seu primeiro dia Lucy. – ela acenou pra mim e foi embora.

—Ok, então você veio de Era? – Erza me perguntou. – Eu também vim de lá.

—Sério? – exclamei surpresa. – que legal.

—Poxa, sei como é estar acostumada com toda aquela tecnologia e de repente, tudo se esvai, e você deve estar sentindo uma falta dos seus amigos não é? – ela perguntou.

—Fazer o que. – respondi. – Estudou em qual colégio lá?

—Não lembro o nome. – ela riu dando de ombros.

—Por que veio pra cá? – Jellal perguntou.

—Ahm... – eu não queria falar sobre isso, senão eles iriam ficar com pena de mim e não era disso que eu precisava.

—Acho que ela não quer conversar sobre isso pessoal. – Cana disse e piscou pra mim.

—Desculpe. – Jellal pediu educadamente.

—Tudo bem. – respondi.

Trim trim trim.

Ouvi o som de um sino, devia ser o toque de que Cana estava falando pra ir as salas de aula.

Todos rapidamente pegaram suas mochilas e se dirigiram aos corredores, Natsu percebendo que eu estava perdida, pegou na minha mão e foi me arrastando pelos corredores, minhas bochechas estavam vermelhas e minha barriga embrulhada, eu conhecia esse sentimento, eu me sentia assim quando Gray estava por perto.

Será que...?