Magnólia, minha cidade do interior
8 Meu futuro
De mãos dadas com Natsu, ele me levou até a sala do diretor. Paramos em frente a porta, então ele soltou minha mão e bateu na madeira pedindo permissão para entrar na sala.
—Pode entrar. – uma voz rouca do outro lado falou.Assim Natsu abre a porta e vejo um senhor de cabelos brancos, muito alto, vestindo exageradas vestes e um curioso tapa olho.—Bom dia Diretor. – Natsu cumprimenta, dando passagem para que eu entrasse na sala também.—Olá Natsu, ah esta é a tão famosa Lucy? – o diretor olha pra mim e sorri cautelosamente. – Seja bem vinda a nossa humilde mas excelente escola senhorita Heartphilia.—Bom dia senhor. – falei sorrindo.—Pois bem, aqui está seu formulário de inscrição. – o diretor me entregou um folha de papel com algumas perguntas, deviam ser alguns dados pessoais. – O advogado de vocês já me enviou o mensageiro pra mim deixar uma vaga pra você, então está tudo certo, pode ir pra sua sala de aula juntamente de Natsu, e só peço que amanhã logo no inicio da aula você traga para mim este formulário que lhe entreguei preenchido, assim posso finalizar seu cadastro nesta escola, tudo bem?—Sim senhor. – respondi séria.—Não sei se Natsu já lhe explicou como funcionam as turmas, mas como você já deve ter notado, Magnólia é um cidade pequena e de poucos habitantes, então temos apenas três turmas, a turma A, de três a oito anos, turma B, de nove a quatorze anos e a turma C, na qual você está matriculada que é de quinze a dezoito anos, conseguimos conciliar bem as matérias, espero que consiga se adequar, qualquer dificuldade eu você venha a apresentar por favor pode vir a diretoria que estudarei seu caso e lhe ajudarei da melhor forma possível.- ele sorriu e mostrou a porta, era um sinal que estávamos dispensados. – Boa aula aos dois.—Obrigada senhor... – agradeci tentando lembrar seu nome, mas ele não havia me dito.—Diretor Hades querida. – ele sorriu.—Hades? Como o deus grego? – perguntei achando o máximo.—Sim. – ele sorriu, mas percebi que estava na hora de parar com as perguntas e ir estudar.—Obrigada diretor. – Natsu agradeceu e abriu a porta da sala, me puxando junto com ele. Quando estávamos no corredor já, Natsu me explicou. – Ele não gosta que o comparem com o deus dos mortos sabe.—Por que não? – perguntei perplexa.—Sei lá, de certo por que ele é o diretor? – Natsu explicou.—Não faz sentido, Hades é um dos deuses mais legais da mitologia grega, e ele, aquele cara tem o nome de um deles, porra ele devia se sentir muito orgulhoso pelo nome. – expliquei indignada.—Ok, deixe isso pra lá, vamos pra sala de aula. – Natsu deu de ombros.Chegando na mesma, Natsu bate na porta e abre ela em seguida, me puxando pra dentro, todos os alunos ali presentes olham pra mim, sorte que haviam já os conhecidos, Erza, Jellal, Cana e Laxus, mas infelizmente esses eram meus novos pesadelos:—Iiiiih, já de mãozinha dada... – Cana grita do fundo da sala, e claro, isso gerou um som de murmúrio e risos na sala, até o professor pedir silêncio.Natsu já vermelho solta minha mão disfarçadamente e vai até sua carteira.—Bem vinda senhorita Heartphilia. – o professor falou sorridente e veio até mim na ponta dos pés, meio dançante. Ele tinha a metade da minha altura, rosto quadrado e gigantesco para seu tamanho, cabelos ruivos e terninho branco. Mas tudo isso até que era normal, o problema foi quando senti o cheiro exagerado da quantidade de perfume que o ser humano usava, minha cabeça que não estava acostumada, deu uma pequena latejada. – Eu sou o professor Ichiya, e estou ao seu dispor.—Ah, de novo não. – Lisanna comentou na carteira do lado de Natsu. – Não se sinta lisonjeada Luce, acredite o professor faz isso com todas as mulheres que ele encontra na vida.—Ah obrigada professor. – ignorei o comentário da albina e sorri para o professor. – Meu nome é Lucy, prometo me esforçar bastante.—Ahhhhh, que encantadora essa menina. – seus olhos brilharam e em seguida ele foi dançando até sua mesa. – Pode sentar-se na frente de Natsu Lucy, tem um lugar vago.—Não tem não. – Lisanna diz jogando sua mochila em cima da mesa solicitada pelo professor.—A vai se enxergar garota. – Erza levanta da mesa onde ela estava, localizada em frente a do professor e vai até onde a mochila da albina tinha sido jogada pela dona. Erza parou em frente, olhou pra Lisanna, pegou a mochila da albina, foi até a janela da sala e jogou os materiais da menina pra fora. – Seu lugar devia ser lá fora.—UUUUUUHUUUUUULLL. – Jellal gritou e sorriu pra ruiva. – Essa garota me mata.—Hahahahahahahaha. – a turma riu do ocorrido.—Erza Scarlet. – o professor a chamou, mas não a xingou. – Sabe que não pode tratar mal os coleguinhas.—Não tratei mal um colega. – Erza voltou a se sentar em seu lugar. – Tratei mal uma mochila.—Hhahahahahahahahahaha. – mais risos da turma.—Eu não acredito nisso. – Lisanna levantou zangada e saiu da sala batendo a porta.—Bem, pode sentar-se Lucy, agora que o lugar está realmente vago. – o professor fez sinal para que eu me dirigir-se ao meu lugar.Quando passei por Erza, ela piscou pra mim e deu um tapinha na minha bunda. Ok, estranho foi, mas foi legal também. Sentei no meu lugar, e observei meus vizinhos, atrás eu tinha Natsu, um bom papo, na frente eu tinha um garoto de cabelos loiros escuros arrepiados, ele lembrava-me muito Loki, meu amigo da lanchonete Aquarius, ele foi uma das pessoas eu riu da Lisanna, então acho que vamos nos dar bem, no meu lado direito, em frente a Lisanna, tinha uma garota loira de cabelos compridos, ela encarava-me com raiva e desprezo, era uma das amigas da albina, ótimo, e do outro lado eu tinha uma janela, com uma vista incrível pra uma imensa plantação de arroz, fantástico.
Admito, eu queria prestar atenção na aula, mas a maior parte do tempo o professor ficava dançando lá na frente e meus olhos eram atraídos para o horizonte, e a imagem da minha antiga sala de aula e de meu último dia nela me vinha na cabeça.Enfim, quando percebi o rapaz que sentava em minha frente estava me encarrando, o professor estava passando matéria no quadro, Lisanna já tinha voltado pra sala e agora estava conversando com a menina loira, e Natsu estava em silêncio, um silêncio muito profundo, olhei pra ele e o mesmo estava ferrado no sono, quando eu fui chama-lo, o garoto da frente me interrompeu.—Natsu sempre faz isso. – disse sorrindo, um sorriso meigo e intimidador. – meu nome é Hibiki.—É um prazer. – falei apertando sua mão que ele ofereceu.—Pelos deuses... – ele deitou sua cabeça sobre a minha mesa. – Você é muito bonita.Não pude deixar de ficar vermelha, é claro.—Obrigada. – falei um pouco sem jeito.—Não tem por que agradecer bela jovem, só me responda com sinceridade. – ele ergueu a cabeça. – Você e Natsu estão namorando?—Ah não. – respondi sincera. – Por que a pergunta?—Queria saber se eu ainda teria alguma chance. – ele disse piscando.—Se eu tenho namorado ou não, não é isso que define se você vai ter uma chance colega. – respondi pra ele e ele arregalou os olhos. – Eu tenho minhas decisões ok? Não preciso de ninguém pra me defender.—Ah... desculpe se a ofendi... eu...—Faz o seguinte: — falei interrompendo as desculpas esfarrapadas dele. – Vira pra frente e presta atenção na aula, vai que você aprende uma cantada melhor.Ele calou-se e se virou pra frente. E não senhoras e senhores, eu não fui grossa e nem estúpida, eu fui muito educada agradecendo o elogio e tudo mais, mas não gosto de ser tratada com objeto, sou uma mulher e tenho o poder das decisões em minhas mãos, sou eu quem decide se alguém tem alguma chance comigo ou não e esse loiro, que estava longe de conseguir alguma coisa.O primeiro horário passou rápido, então o sinal para o intervalo tocou e a turma levantou de seus lugares e se pôs a sair da sala.—Você vem? – Natsu parou em pé ao lado do meu lugar e me estendeu a mão.—Posso ficar com vocês? – perguntei humildemente.—Que pergunta essa? – ele franziu o cenho. – É claro que deve Lucy, todos querem te conhecer melhor e além de ter prometido que cuidaria de você, eu quero você comigo.Minhas bochechas esquentaram e não consegui negar, eu fiquei com vergonha, mas amei seu comentário.Peguei sua mão e levantei da minha cadeira, ficando em frente ao Natsu.—Ahhhh, por que vocês não se beijam logo? – Cana apareceu e ergueu a sobrancelha para nós. Não recebendo uma resposta ela sorriu e passou entre mim e Natsu indo em direção a Erza que ria da gente e fazia sinal para irmos.Natsu e eu nos olhamos e sorrimos, então ele fez sinal com a mão para que eu passasse em sua frente, então fui indo até as meninas.No intervalo os estudantes ficavam no pátio conforme o inicio das aulas, sentei no murinho ao lado de Erza e a mesma me ofereceu bolo de morango, eu agradeci e comi um pedaço, era muito bom, muito bom mesmo, quero ver conseguir fazer melhor que esse, mas eu ia me esforçar.—Então Lucy... – Erza pediu piscando pra Cana. – Você e Natsu moram na mesma casa?—Ahm sim. – respondi sinceramente.—Hummmm. – Cana fez, então veio mais perto de mim e sussurrou para que só eu e Erza escutássemos. – Já rolou algo entre vocês?—Não... – respondi erguendo uma sobrancelha. – Por que todos estão perguntando isso?—Hahaha, sério Lucy? – Erza olhou pra mim indignada. – Nunca vimos Natsu tratar alguém tão bem e muito menos dar a mão pra pessoa...—Ele só está sendo legal comigo por que ele sabe tudo o que passei. – respondi para as meninas.—Sei. – Cana disse, então ela tirou o tarot dela de dentro do bolso da calça e pediu pra mim por a mão em cima. Fiz o que ela pediu e então ela abriu o baralho no muro. – Certo, vejo que você era feliz, então sofreu uma perda muito dolorosa seguida de muitas outras perdas, você está destruída por dentro, acha que nunca mais vai ser feliz, tem preocupação em relação ao seu pai e eu diria e no fundo sabe que quer se aproximar dele novo.Eu estava sem palavras, provavelmente nem eu mesma saberia descrever meus sentimentos como Cana fez agora, meus olhos se encheram de lágrimas e eu rapidamente as limpei antes que alguém fora as duas visse.—Sinto muito Lucy. – Cana disse pondo a mão sobre a minha. – Eu não quis trazer nenhum sentimento negativo, me perdoe.—Tudo bem... – falei sorrindo simplesmente, Erza estava me abraçando forte, agradecia ela, era bom fazer novas amizades.—E se quiser conversar sobre isso eu e Erza estamos aí ok? – Cana disse.—Certamente. – Erza afirmou.—Obrigada meninas. – eu sorri pra elas e sequei minhas lágrimas fujonas.—Bem já que estou com o baralho aberto, quer fazer alguma pergunta? – Cana pediu a mim. – Não se preocupe, não vou cobrar nada de você.—Bem, tenho uma muito importante. — frisei deixando as duas curiosas. – Por que o diretor não gosta do próprio nome?—Fala sério? – Cana pediu rindo.—Agora vê aí, também fiquei curiosa. – Erza confessou.—É a primeira pessoa que eu vejo as cartas que não me pergunta sobre amor ou dinheiro. – Cana ria tirando três cartas do baralho. – Bem, respondendo sua pergunta, a mãe dele o tratava mal, dizia que pra ela era como o deus dos mortos, podia ficar no inferno que ela não ligaria, por isso ela deu esse nome a ele.—Uau.. – expressei, admito, fiquei com dó, me arrependendo de perguntar.—Nossa, que cruel. – Erza falou olhando pra Cana indignada.—É o que diz, bem já que você é uma garota muito criativa, quero ver o que se passa no seu futuro. – Cana disse pra mim embaralhando seu tarot novamente. – podemos?—Pode ué. – respondi simplória.—Vamos lá. – Cana abriu as cartas novamente em cima do muro e então arregalou os olhos e suspirou. – ok, Lucy minha amiga, você vai ter um amor, e vai ser muito feliz com ele, ahm... você vai conseguir se reconciliar com seu pai, mas vai perde-lo de novo, não diz se você vai embora ou se vai morar em outra casa, mas o laço entre vocês vai se romper de novo... e eu vejo uma morte, de alguém que você gosta muito, não diz quem, mas você vai precisar ser forte para superá-la e seguir em frente, eu vejo amizade em seu futuro, você vai ter bons amigos...—Own... – Erza me abraçou e Cana fez um coração juntando as suas duas mãos.Retribui o sorriso e o abraço de Erza, mas no fundo eu queria que um buraco se abrisse a baixo de meus pés e me engolisse, pois a dor e a surpresa que o baralho de Cana previu para mim eram muito intensas, por que justo quando eu começava a pensar em ter um futuro de novo, a vida vinha e simplesmente o tomava de mim?
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