Magickafé
1 Primeiro Dia
Notas iniciais
Tinha acabado de começar o horário de almoço e eu já tinha achado um novo lugar. Me reconheceram no ultimo, bem por isso eu tive que trocar. Eu não me importo se um ou outro funcionário do estabelecimento sabe quem eu sou, mas se toda hora alguém vem pedir autografo, não tem mais como chamar o lugar de comfy zone, ou será que eu estou enganado?
Bem por isso eu fiquei bem feliz por ter achado esse lugar tão rápido. Eu nem sabia que existia esse tipo de local na cidade. Eu talvez esteja sendo apenas ingênuo. É que era quase um maid café. Só que as garotas lá atendem normal, sem os byu-byus que são associados a esse tipo de ambiente.
O Magickafé fica numa rua transversal, de uma rua atrás da avenida principal do bairro. Parece escondido, mas se pensar o quão perto ele tá da avenida, e a escassez desse tipo de estabelecimento por aqui, era de se esperar que mais gente conhecesse. Bom pra mim! Eu já estava a caminho, e com boas expectativas. Eu confio fortemente na pessoa que me indicou esse local.
No caminho eu pensava sobre as cores da magia. Era quase uma felicidade achar um lugar com esse nome sendo que eu sou um entusiasta da magia. Não podia me chamar de magista, ao menos não ainda. Mas eu conhecia um truque ou dois.
E as cores eram um detalhe importante nesse tipo de situação. Como eu queria me portar num ambiente em que eu só quisesse ser deixado em paz? Eu poderia fazer isso de várias maneiras, mas normalmente eu só uso magia verde. Eu irei fazer isso mas pra frente, porque eu quero ser querido pelas pessoas que eu vou ver frequentemente, mas dessa vez eu já queria deixar uma boa primeira impressão. Magia amarela, it is!
A fachada do Magickafé era, e ainda é, bem fofa. Eu comecei a pegar um gosto pelos tons pastéis por volta daquela época, então ela ser clarinha, minimalista e convidativa foi uma primeira impressão bem positiva pra mim.
A porta era de um mogno bonito, entalhada de maneira bonita. Nada até aquele instante tinha me decepcionado. Assim que eu botei a mão na maçaneta e girei um sino fraquinho tocou duas vezes, e as duas garotas que estavam no bacão, conversando entre si com sorrisos leves, se viraram na minha direção.
— Bem vindo ao Magickafé!
Fiquei feliz só pelo fato dos sorrisos das garotas não terem sido desfeitos pela minha presença ali. Chegar num lugar com uma boa atmosfera também fazia parte da avaliação. Passaram.
— Um bom dia pra vocês! Vocês servem chá aqui?
— Pode ter certeza que sim!
— Então pode ter certeza que eu já amei este pedaço de terra!
A garota que falou comigo parecia um pouco mais velha. Aquele clássico rosto de universitária. Então provavelmente ela só estava cansada. É o que as universidades fazem com os jovens de qualquer forma, cansá-los. Eu sou um pouco limitado com cores, mas acho que o cabelo dela era o que se convencionou chamar de acaju, ou caju, ou algo do tipo? Um vermelho bem escuro, de toda forma. O cabelo era cacheado, dava pra ver. mas ela tava com o cabelo preso por um daqueles elásticos fofinhos. Era de um rosa bem clarinho ainda.
A companheira dela, provavelmente, ainda não tinha chegado no estágio de ir pra faculdade, ou resolveu não seguir essa opção. Ela parecia feliz demais pra isso. Uma morena do cabelo bem preto, de um tanto que as luzes do lugar fazia ele brilhar bem forte. Os cachos do cabelo dela não estavam escondidos. Pelo contrário, eram bem volumosos. Uma boa impressão.
Agora eu tinha que fazer a minha. Isso não é magicamente comprovado, mas é como as coisas funcionam pra mim. Tem muito disso na magia, aliás. Eu percebi que eu conseguia fazer com que emanações cromáticas excretassem pelos poros do meu corpo. Parece algo meio nojento falando da maneira certa, mas isso tudo quer dizer que eu emitia uma aura colorida. Tudo na minha cabeça, é claro. É como a magia de verdade funciona.
Essa aura amarela que me cercava tinha o objetivo de me fazer destacar, te me fazer parecer maior e melhor, por uns poucos instantes. Era só uma questão de primeira impressão. A aura transbordava confiança junto com a cor.
— Então me trás um de erva doce, por favor, com uma torta holandesa.
— Pra já! Beija-flor!
— Entendido.
A garota vívida foi atravessou uma porta e a fechou atrás de si. Cozinha provavelmente.
Eu fui me sentar no lugar mais afastado possível do vidro que faz as vezes de vitrine do lugar. Imagina as lanchonetes dos Estados Unidos. É por ai esse vidro. Mas o espaço não era tão grande e só tinha uma fileira de mesas e cadeiras, todas elas encostadas no vidro. Não que eu reclame. Pra um lugar ser minha comfy zone ele não pode ser grande mesmo. De toda forma na mesa do fundo o vidro não chegava.
— Vocês trabalham sozinhas aqui?
— Recentemente, sim. Antes eramos três, e um segurança. Mas ele teve que mudar de cidade, e a outra garota só foi arranjar outra coisa da vida pra fazer.
— Não parece mesmo que esse é um tipo de trabalho definitivo, né?
— Mas apesar disso, eu gosto daqui.
— Então você vai ficar até o fim da sua faculdade?
— Como voc...
— Não se preocupe. Eu não sou nenhum paranormal. Eu só joguei verde. Você tem essa aura de aluna, mas com um rosto de universitária.
— O que isso quer dizer?
— Que você tem muita coisa pra fazer.
— Isso é verdade!
Ainda rindo baixinho a garota ligou o celular e colocou uma playlist de música calma pra tocar no viva voz.
— Se incomoda?
— Pelo contrário. Eu também sou um fã de Lo-Fi.
— Então a nossa convivência pode ser pacífica.
A minha intuição estava certa. Foi uma boa escolha ter vindo aqui.
— Como eu posso te chamar?
— A gente não trabalha com os nossos nomes verdadeiros aqui. O conceito é um café mágico então a gente usa o nome do nosso animal de poder.
— Vocês vão falar com um xamã?
— Uhum! Mas eu não acredito muito nisso! A Beija-flor é mais dessa galera ai.
— Entendi.
— Pode me chamar de Esquilo.
— Um bom animal de poder.
— Também acho. Eles são fofinhos!
— Não é?
Nesse momento a Beija-flor voltou da cozinha com as coisas que eu pedi e se aproximou devagar enquanto a Esquilo ia fazer as coisas dela.
— Então vocês podem me chamar de Coruja. Apesar dos meus olhos pequeninhos.
Eu puxei a beirada dos meus olhos, com um sorriso infantil. Isso é muito magia verde. E pareceu dar certo.
Enquanto a Esquilo foi cuidar da vida dela, limpando o balcão a Beija-flor terminou de servir meu chá e torta holandesa. Mas ela ficou parada por um tempo ainda, de pé na minha frente. Eu já até sabia o que aquilo queria dizer. Ela tinha a faixa de idade certa pra isso.
— Desculpa...
— Sim?
— Você não é o...
— Provavelmente eu sou. Mas senta aqui.
Eu puxei o braço dela bem de leve, fazendo sinal pra esquilo que tava tudo bem, eu só queria falar com a menina. Obviamente ela achou estranho, mas não falou nada.
— Olha! Eu vim aqui procurando um lugar calmo e tranquilo pra eu não fazer nada. Se você puder guardar segredo disso eu ia ficar tão feliz que você não tem nem ideia.
— Mas é você mesmo?
— Ah, se não sou!
Nessa hora eu comecei a sussurrar uma música numa língua estrangeira no ouvido dela. Ela entenderia. Joguei um pouquinho de roxo, só pela diversão de ver o rosto das pessoas depois que os meus lábios desencostam da orelha delas, e a Beija-flor não me decepcionou dessa vez também.
— Promete que é uma coisa que não vai sair da sua boca jamais?
— Prometo.
— Então vai lá trabalhar!
A Beija-flor se levantou na mesma hora. Mas a cara da Esquilo estava muito esquista. Foi ai que a Beija-flor moveu seus lábios formando as palavras: "Eu sou boa de desculpa!"
Ela se provou naquele dia e nos dias que viriam também. Eu fiquei feliz de ter achado o Magickafé!
Notas finais
PARE!
Se você começou a ler por aqui, você está do lado errado. Essa fic não tem sentido de leitura!
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