Magic Mystery Theatre
19 Capítulo 19 - A Solução.
Em sua caminhada nos campus da Academia Arcana, Carlos Castanheira estava sendo seguido por seus discípulos diretos. Porém à medida que outros alunos o reconheciam passaram a segui-lo também. Tanto que acabou se tornando uma espécie de passeata ou romaria.
O professor que foi considerado morto desde início desse relato queria conversar com a sua ex-esposa. Tanto que o Xamã utilizava um saco de ossos que indicavam qual direção deveria tomar. Em pouco tempo, o mestre estava diante da investigadora recostada numa árvore completamente relaxada e mastigando uma haste de capim.
Todas estavam estranhando a atitude de Louise Burker nos últimos dias. A mulher que era um poço de puro estresse, agora estava relaxada e feliz. Não dizia nada e nem perguntava nada. Só fica recostada naquela árvore que foi batizada de “Recanto de Louise” pelo outros alunos da Academia Arcana pela presença constante da investigadora naquele lugar.
Carlos fica de pé diante de sua ex-esposa e começa a sua conversa:
– Lou, o que está fazendo? – pergunta o professor.
A mulher de cabelo rosa olha para o ex-defunto sem nenhuma surpresa e, sorridente, a investigadora se ajeita.
– Oi, Carlos. Que bom vê-lo saudável e bem. – e dá um sorriso largo e simpático.
O coração do professor dispara, pois aquele sorriso que o fez se apaixonar por aquela maluca e apaixonada garota que conheceu no passado. Uma menina forte e inteligente que não tinha medo de nada, nem da sua origem e família. Uma mulher que se transformou depois de casada em esposa dedicada e fiel. Mas algo aconteceu que a fez enlouquecer e pedir divórcio. Carlos sofreu muito, pois ainda a ama.
– Obrigado. Soube que fui “morto”. O que está acontecendo? – pergunta.
– Auditório principal! – foi à resposta da mulher. Aproveite e leve os seus alunos que estão te seguindo como fosse uma coisa de outro mundo. – ela se ergue e beija o rosto do seu ex-marido. Saudades de você. – e pisca o olho.
Em seguida sai dali toda saltitante.
O professor Castanheira sorri e comenta:
– Não mudou nada... A mesma doidinha de sempre. – mas o seu coração dispara, pois estava à mesma Louise do passado e não a maluca paranóica do divórcio.
Quando o ex-defunto olha para trás e constata que há uma multidão o seguindo. Um pouco irritado o Xamã diz:
– Todos! Auditório Principal! Parece que a investigadora descobriu tudo e deve nos dar explicações de tudo que está acontecendo. – e o mesmo faz o que sugeriu a todos.
Depois de uma hora, o auditório principal estava cheio de alunos, funcionários e professores. Aquela turba sonora típica de alta aglomeração de pessoas. Como uma atriz no dia de estréia, Louise estava mais preocupada com a sua aparência do que com o que vai dizer para os presentes. A sua preocupação principal era o seu ex-marido, pois ela quer reconquistá-lo e quer provar isso naquele palco.
A investigadora respira fundo e entra em cena.
– Bom dia a todos! Nossa o teatro está cheio. – e ri. Em primeiro lugar, devo pedir desculpas a todos por minhas ações e incomodá-los em seus afazeres. Acho que educação é muito importante, pois é isso que faz a formação do individuo na sociedade e na sua Vida. – e dá uma pausa.
– Bem, vamos ao que interessa. Gostaria a presença no palco os seguintes senhores e senhoras. O diretor Talude, os professores: Madame Blavatsky, Vladslav Tpish, os funcionários, Túlio Lobo, Vânia Amélia e os alunos, Misaki Meili, Nélia Zalia e Aldo Farpo. – e a investigadora indica o palco principal.
Depois que as pessoas citadas sobem no palco e a investigadora pede que todos fiquem perfilados ao lado e o diretor, um pouco irritado pergunta, em tom autoritário, o que ela está fazendo. Na hora a mulher de cabelos rosa responde:
– Simples, diretor. Estou prendendo todos. Sargento! Pode prendê-los! – ordena.
A surpresa é geral. Indignado, Talude exclama:
– Que insanidade é essa?! Como ousa! Está louca?! – grita.
A investigadora sorri.
– Não, diretor. Estou salvando a sua Vida. Só que devo explicar a todos o que está acontecendo, principalmente a parte que o senhor é um Doppelgänger e os seus companheiros são clones. – e bate no ombro dele.
– O QUE?! Essa foi à coisa mais insana que ouvi em toda a minha Vida. – brada o diretor com ódio.
Um gesto da investigadora faz que os verdadeiros apareçam no palco causando uma comoção na platéia, exceto Vladslav Tpish coisa que será explicada mais tarde o motivo de sua ausência.
– Insano, “diretor”? Nossa... Não sabia que tinha um irmão gêmeo. – debocha a investigadora.
– Incrível como ele conseguiu me capturar... Sou um mago poderosíssimo. – comenta o verdadeiro diretor que fica de frente do seu impostor. Estas criaturas são impressionantes.
A investigadora sorri em tom de triunfo.
– Acho que devo um monte de explicações para todos os presentes... – e respira fundo Louise Burker. No início eu estava apavorada, confusa e perturbada quando descobri que o meu ex-marido, Carlos Castanheira estava morto. Ou pelo menos o corpo dele. Como detetive, cometi o maior erro que poderia cometer um profissional a área. Avaliar uma situação do particular para o geral. Uma indução. Eu induzi que o Carlos Castanheira tinha feito alguma coisa para merecer este tipo de violência. Pois eu estava magoada pelo fato de achar que ele tinha me traído. – e olha para o seu ex-marido.
– Depois Lordanna confessou que tinha me feito uma indução hipnótica para acreditar em uma traição que nunca teria ocorrido. Pude perceber que o meu erro. Parei de induzir e passei a deduzir. Do geral para o particular. Ai tudo ficou muito mais fácil. Percebi que o comportamento de certos alunos, funcionários e professores estavam diferentes. Os depoimentos indicavam isso. Então pude ver que a razão é outra. Não é o Carlos que era o responsável ou vítima de alguma coisa ou de um suposto roubo, mas sim uma conspiração em andamento e alguém está perseguindo e matando os “duplos”. – mais uma pausa para beber água.
– Logo chamei Lordanna para dar um depoimento sobre as suas subordinadas e se havia uma “desaparecida”. – continua a investigadora. E dito e feito. Lordanna contou-me que uma de suas “meninas” tinha desaparecido logo após de ter feito o seu “trabalho” com o diretor. Foi aí que percebi que houve a “troca” entre o Doppelgänger e o original. Esta criatura é famosa em estudos mágicos e por isso que chamado de “Duende”. É o mais bem pago espião de Arton.
– Com licença, Tenente. -diz o verdadeiro diretor. Por que um Doppelgänger e não vários?
– Os seres dessa espécie são solitários por Natureza ainda mais sendo espiões, só que o “Duende” aprendeu mais um truque chamado Clonagem. Ele pode fazer clones dele mesmo, porém os clones só podem se metamorfosear uma vez e para sempre. Por isso que quando morriam não voltavam a sua forma verdadeira. – explica.
– Estranho. Por que o Raschid não percebeu a farsa? –pergunta Carlos Castanheira.
– Eu também achei suspeito, mas o fato de estar preocupado com a Vida do seu amigo foi a “compra” do seu silêncio. Por este motivo que o Doppel não matou ninguém. Caso fosse descoberto poderia usar a Vida do diretor e de todos os “trocados” como moeda de troca. – explica à investigadora.
– Noto que o professor Vladslav Tpish original não está entre os verdadeiros, o que aconteceu? –pergunta um dos professores colega dele.
– O verdadeiro Vladslav Tpish está em Malpetrim, visitando a sua filha, Petra. Mas recebi um comunicado dele anunciando que não poderia comparecer nos próximos meses para ministrar aulas na Academia Arcana. Entre muitas mensagens interceptadas pelos funcionários responsáveis da correspondência, a qual eram clones. – e sorri. O mesmo aconteceu com o professor Carlos Castanheira.
– Mas por que eles estavam aqui ocupando funções importantes dentro da Academia Arcana? Qual seria o interesse deles? – observa o Xamã ex-esposo de Louise.
– Ainda não tenho provas, mas tenho suspeitas. Todavia, sem provas não posso prendê-lo, a menos que o senhor “Duende” resolva revelar quem seja o seu contratante. – diz a investigadora olhando para o falso diretor.
– Não perca o seu tempo. Sabe que não vou revelar nada. A minha reputação profissional está jogo se começar a delatar os meus clientes. – diz o Doppelgänger. Porém, tenho uma pergunta quem seria o responsável pela morte dos meus clones? – pergunta o criminoso.
–Ah! Essa é outra questão muito interessante. E curiosa. A minha descoberta deve a uma questão intrigante que a senhorita Valéria me apresentou. Se não fosse por ela não teria descoberto o assassino. – e a mulher olha para a aluna citada.
– Eu?! Credo! Eu não matei ninguém! – e Valéria tenta se proteger como fosse culpada de alguma coisa.
– Valéria é má, egoísta e inescrupulosa. Um ponto negro num mar branco. Como no Ying-Yang. Eu sei que não matou ninguém e nem se sacrificaria por seus amigos por mais que implorassem. Ao contrário da assassina. Ela achou que o seu grêmio era responsável pela troca dos professores e de alguns alunos de outros grêmios. Por isso que resolveu trair o seu grêmio seguindo de forma “Irônica” a tendência do seu povo. Eu peço que suba ao palco a senhorita Sally Parkers, a líder do Grêmio da Serpente. – pede a investigadora.
Como uma garota que tinha feito algo errado e ia receber a repreensão de sua mãe, a Nagah sobe ao palco lentamente.
– Acabou, querida. – e a mulher de rosa bate no ombro da Nagah.
– Tudo bem. Eu estava matando os clones, pois não acho justo que o grêmio vença olimpíada mágica usando qualquer tipo de recurso escuso. Este pessoal é perigoso e queria que ela descobrisse tudo. –e aponta para a investigadora.
– Infelizmente, não era para isso que os clones estavam sendo usados, senhorita Sally. O real motivo é uma experiência. Uma observação de nossa capacidade de percepção e debelar as adversidades. Um experimento. Este é o real motivo. –a investigadora olha para o Gorila God e o mesmo sorri mordendo uma maçã como tivesse assistindo uma peça de teatro.
– Porém sem provas. Não há como fazer outra coisa senão prendê-los e encerrar investigação. Obrigado a todos. – conclui a investigadora.
O Gorila God começa a bater palmas. No início, solitário e depois todos os presentes no auditório aplaudem. Os brados de “Bravo” e “Obrigado”. Emociona a investigadora. Até o seu ex-marido dá um sorriso de satisfação e uma ponta de orgulho. Lordanna, que estava quieta, sorri ao ser citada como ponto fundamental para a solução do mistério. Lady Esplenda foi abraçar e agradecer por ter sido retirada naquele lugar oculto e pouco iluminado. Era outro plano de existência a qual o grupo estava o mesmo que o suposto Vladslav Tpish enviou a suposta bomba de antimagia.
De repente, a verdadeira Madame Blavatsky segura à mão da investigadora e diz:
– Ainda não terminou. – diz ela com uma voz soturna. Você tem que confortar o seu inimigo que está livre e impune, mas prevejo que vai voltar com o seu marido. –a idosa professora sorri para a investigadora.
– Será? – questiona insegura Louise.
– Eu nunca errei numa previsão. Além do mais, é o seu prêmio por ter me libertado. – e pisca o olho esquerdo.
Louise sorri com esperança no futuro e olha para o seu ex-marido que sorri para ela com aquele encantador brilho que só dois apaixonados possuem.
Todavia...
Uma mão peluda e negra toca em seu ombro.
– Tenente... Sabe jogar xadrez? – pergunta o Gorila God que está sussurrando em seu ouvido. Quero ver o limite de sua inteligência.
Louise entende o que Madame Blavatsky queria dizer.
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