Magic

3 Vínculo


Bem, primeiramente, caso estejam se perguntando por que eu não estou surtando após ter visto um lobo na floresta que — diga-se de passagem — fica perto de minha nova casa. Ora, eu sou uma bruxa adolescente! Nada é normal no mundo da magia, e não, eu não tenho uma varinha ainda; ao contrario do que todos pensavam, os bruxos só podem ter uma varinha quando completam dezesseis anos. Minha prima, Lissa, completará dezesseis anos amanhã, então poderá praticar um nível diferente; eu só faço dezesseis anos na semana que vem.

Enfim, já estava quase chegando em casa, quando algo me fez parar e olhar para trás. Qual foi minha surpresa ao ver que o lobo cor de areia estava parado entre as árvores? Ele havia me seguido!

Olhei para os olhos castanhos do animal, algo não estava certo; o lobo tinha olhos racionai demais. Me aproximei novamente dele, e para minha surpresa ele também veio ao meu encontro.

— Ei, você não pode me seguir a partir daqui. — falei, acariciando a pelagem quentinha do animal. O lobo fez um som que parecia ser de lamento — Minhas tias e minha prima podem ver você aqui.

O lobo tocou a minha testa com o focinho e eu fechei os olhos, lutando contra a vontade de leva-lo para minha casa como animal de estimação; ele era tão fofinho!

— Falo sério, minha bolinha de pelos. — falei carinhosamente. O lobo tombou a cabeça de lado, e emitiu um som que quase me pareceu uma risada.

Continuei acariciando seu pelo por um tempo, até que ele virou sua grande cabeça e lambeu carinhosamente a minha mão. Fiquei surpresa por ele não ter me sujado com baba; sua língua era quente e seca. Abracei seu pescoço.

— Eu sempre gostei muito de lobos. — comentei em voz alta. Dessa vez o animal lambeu meu rosto, parecia feliz — Eu realmente preciso ir agora. — falei me virando — Vamos nos ver depois, tenho certeza, já que você mora na floresta perto da minha casa.

Corri até minha casa e entrei sem olhar para trás. Ouvi vozes abafadas vindo da cozinha; com certeza tia Winona e tia Sarah estavam discutindo.

Subi as escadas e entrei no quarto de Lissa. Ela estava com os olhos pregados em um livro aberto em seu colo, A Seleção, mas estava emburrada.

— Eu não acredito que vamos realmente ficar aqui! — ela rosnou, sem me olhar. La vamos nós de novo com isso...

— Lissa, — a cortei — o que você diria se eu te dissesse que encontrei um lobo na floresta?

— Eu perguntaria se era filhote. — ela respondeu, agora me olhando.

— E se eu dissesse que ele era enorme? — continuei.

— Eu perguntaria qual era a cor. — um leve sorriso se formou nos lábios dela.

— E se eu dissesse que é marrom claro? — sorri.

— Eu diria que nós vamos investigar isso na floresta quando nossas tias forem dormir. — o sorriso de Lissa agora era enorme.