Magic

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá pessoal! Passando pra deixar mais uma fic de Kuroshitsuji, dessa vez com temática de natal... Espero que gostem!

Magic

A árvore de natal brilhava acesa em uma das salas da mansão. Natal... Talvez a época mais triste do ano para aquele garoto que agora a observava. Do que adiantava ter todos os brinquedos que queria se não tinha para quem dá-los de presente? De que lhe servia o natal se não tinha com quem compartilhar as alegrias que eram próprias da data? Não sabia se responder. Era doloroso. Pouco queria além de pessoas para quem pedir um abraço nessas datas.. Não lhe importavam os brinquedos ou o fato de ser dono de todos eles antes mesmo de ganha-los. Só queria algo não-material para se apegar...

— Tudo o que eu realmente queria agora era abraçar alguém...

Sussurrou temeroso, olhando para a estrela que brilhava esplendorosa no topo da árvore. Sabia, nada daquela magia da qual todos falavam existia. Era algo que servia apenas para ocupar as mentes ociosas das crianças que começavam a querer descobrir as coisas.

Observou cada detalhe da árvore como se fosse a primeira e última vez que a veria em sua vida.. Cada cor, contorno, forma... Era verdade... aquela magia não existia. Caso existissem algo já teria acontecido.

Desiludido, aproximou-se, tocando os galhos falsos, sentindo o aroma amadeirado, também falso...

— Por que não existe?

Questionou-se baixinho, fechando os olhos por um momento, concentrando se no ambiente a sua volta, tentando inutilmente sentir-se menos triste, menos decepcionado. Nada acontecera, então aquela magia não existia... Sempre duvidara... talvez as coisas que aconteciam todos os anos fossem obras de seu mordomo ou de qualquer outra pessoa...

Em meio a tantos pensamentos, pouco a pouco começou a perceber um som no fundo de tudo, parecia uma voz, um murmuro baixinho, murmuro que parecia de uma pessoa se lamuriando por algo... E... era real.

Abriu seus olhos, começando a procurar ao redor da sala... Olhou para todo e qualquer canto, não deixando passar nenhum detalhe... Nada... Tinha que prestar atenção no som, entender de onde estava vindo...

Abaixou-se, em meio a todos os presentes. O som pareceu mais nítido, mais alto... Seus olhos varreram cada detalhe em meio a tantas coisas, até encontrar algo que definitivamente não era um objeto... Franziu o cenho tentando entender do que se tratava, demorando um pouco, até ver os olhos azuis se abrirem e reconhece-los de imediato.

— Você! O que faz aqui?!

Toda a sua maldade e aspereza em sua voz, mostrando sua indignação. Debaixo de sua árvore, havia um garotinho loiro, um que conhecia bem... E que nunca havia imaginado ver como estava vendo...

— Alois...

Vê-lo chorando assustava um pouco. Algo estava errado. Ele nem mesmo reagira a sua voz. Precisava entender, queria tocá-lo para ver se era realmente real, se aquele era mesmo Alois, se ele realmente estava alí.

De joelhos, adentrou por sob os galhos, indo até ele.

— Alois... Me diga... O que foi?

Sussurrou, de perto, e quando colocou as mãos nos braços dele, numa velocidade considerável, ele apenas o abraçou. Do nada, sem motivos, sem razões... Simplesmente deixou-se levar por seus impulsos abraçando Ciel.

O garoto de cabelos azuis estranhou o fato, porém o acolheu, e pôde ouvi-lo chorar baixinho, por mais um bom tempo, muito tempo. Sua mão acariciava os fios loiros, enquanto tentava acalmá-lo sussurrando uma canção qualquer... Quando as lágrimas cessaram, Ciel pensou que o outro houvesse dormido. Não soube o que fazer, e, segurando-o como se faz com uma criança, deixou-se mudar de posição e acabou por deitar-se sob os galhos, acolhendo-o contra seu corpo.

— Eu não sei por que estava chorando, mas eu também estava com vontade de chorar... Será que você foi meu presente? Da magia que eu tanto duvidei?

Apenas sussurros. Ele estava dormindo, não? Não.

— Eu não sei, mas você foi o meu, Ciel...

O de cabelos azuis se assustou.

— Por que?

— Por que queria abraçar alguém... E mais... queria abraçar você...

Sem mais palavras, Alois levantou seu rosto, olhando dentro dos olhos do outro, e se deixou levar, aproximando-se pouco a pouco, fazendo com que Ciel hesitasse em ficar parado alí, apenas esperando para ver o que aconteceria. Deixou que seus lábios tocassem a face do mesmo, vários beijos, leves, sutis, demorados, em vários lugares muito próximos, até que se deixou colocar uma perna entre as de Ciel e apoiou-se num cotovelo, olhando-o nos olhos como se pedisse permissão...

Aos olhos do garoto de cabelos azuis, aquele anjo estava alí pedindo por atenção com artimanhas das quais não podia mais se defender... Os olhos tão azuis, aparentemente tão puros, os lábios avermelhados... Não pôde, nem mesmo quis, se conter... Sua mão o tocou a nuca, acariciando os cabelos lentamente, enquanto se apoiava — também — em um cotovelo para se aproximar dele...

Face a face agora, podiam sentir a respiração um do outro, e Deus, se prestassem atenção, talvez até mesmo sentissem os batimentos cardíacos do outro... Ciel viu o loiro fechar os olhos pouco a pouco, ansiando, esperando pelo que viria, e então, sorriu, beijando o canto de sua boca, devagar, deixando-se mover, beijando pouco a pouco a boca deliciosamente macia, até deixar-se beijá-lo por completo. Sua mão acariciava os fios loiros enquanto podia sentir a língua dele contra a sua. Estavam se experimentando, e uma sensação muito forte de plenitude acometia ambos. Talvez fosse errado, talvez, mas não podiam negar que era muito bom, que talvez fosse a melhor coisa do ano inteiro... Os lábios de Alois eram doces, e ele sabia muito bem o que estava fazendo, assim como Ciel também sabia...

De lágrimas e desilusões haviam migrado para essa situação, e Ciel se questionava agora o porquê de ter duvidado de tal magia... Porque sim, estar alí com ele, Alois, totalmente ao contrário do que era, não era apenas valioso, era mágico... E o calor que sentia dentro de seu peito parecia compensá-lo por toda a solidão durante toda a sua vida... Era algo incrível, não dava pra explicar, e nem mesmo podia pensar agora... Em sua mente, apenas Alois, o gosto do mesmo, o corpo dele contra o seu... Tudo aquilo estava tomando um curso muito perigoso, errado em sua mente... Já podia se imaginar deixando suas mãos explorarem a pele dele... E aquele pijama macio, tão macio quanto o seu... Deus, estava perdido, mas estava adorando.

Os lábios se afastaram quando sentiram que precisavam respirar.. Olhos se abrindo aos poucos, como se hesitassem, como se tivessem medo daquilo não ser real...

— Ciel... — ele sussurrou, tocando-lhe o rosto. O de cabelos azuis apenas sorriu de canto e retribuiu o toque — Não vai brigar comigo?

Temeroso, Alois até mesmo desviou o olhar da direção do outro.

— Não... Eu não quero fazer isso...

O puxou para mais um beijo. Era muito bom estar com ele, senti-lo, o corpo dele contra o seu, os lábios dele contra os seus... Era como se soubesse que agora não estava mais sozinho. E no fundo, sabia que Alois sentia o mesmo. Só pelo fato dele ter parado de chorar e estar praticamente sorrindo malicioso agora, já demonstrava claramente que se sentia bem. Ciel gostava de vê-lo bem...

Apesar de tudo, sabiam que estar ali era a única coisa boa de todo o sempre... Haviam descoberto algo além do mundo fúnebre dos adultos, e agora, podiam valer-se disso para evitar toda a tristeza...

Ciel o afastou.

— Me dê sua mão...

Pediu. Alois confiou nele e logo, ambos tomavam a direção das escadas, esvanecendo por entre a escuridão, em rumo a qualquer lugar, qualquer lugar onde pudessem continuar juntos, protegendo-se de todo o sofrimento, toda a solidão...

E enquanto isso, a magia do natal se espalhava, deixando todo o seu rastro de boas coisas, boas energias e surpresas agradáveis por onde passava...

Fim!

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