Algo parecia me sufocar, meu corpo estava cansado de lutar, abri meus olhos depois de muito esforço, eu sentia cada centímetro do meu corpo doer e arder. Eu queria chorar por isso, mas até o choro parecia que me machucaria ainda mais. Dei um longo e dolorido suspiro, alguém parou ao meu lado, me esforcei para olhar a pessoa.

— Que bom que acordou — a enfermeira falou e sorriu doce — Eles estavam muito preocupados — eu não conseguia dizer uma palavra que fosse.

— Carla...

— Ela está lá fora — ela deu um riso — Não pensei que fosse perguntar primeiro por ela — eu tentei me lembrar de algo, mas tudo parecia dar muito trabalho e me cansar — Não se esforce, vou comunicá-la que acordou e que está bem.

Mexi a cabeça de forma positiva, mas tudo doeu, a vi sair e então voltei a dormir.

Dormindo eu me lembrava, lembrava das cordas me prendendo, lembrava de Draco e Neville brigando, mas não tinha tanta certeza pelo que brigavam, mas por alguma razão eu me coloquei entre eles. Alguém me empurrou e logo me soltei, eu estava livre e eu segurei quem me prendia, o coloquei a minha frente, ele já parecia fraco e parecia que mesmo que eu não fizesse isso ele teria morrido em pouco tempo. Algo o atingiu e ele se fez poeira.

Eu estava fraca para lutar.

Abri meus olhos sentindo novamente a falta de ar, mas agora me sentia melhor. Observei Peru deitado na cabeceira da cama, ele dormia como sempre. Me esforcei para conseguir me sentar, eu tinha machucados nos pulsos e pareciam ainda sangrar, levantei a camiseta e encontrei os mesmo ferimentos ali. O pássaro azul acordou e voou até mim. Ouvi passos acelerados pela enfermaria e alguém pulou em meus ombros e parecia estar chorando.

— Não acredito que você está chorando — falei rindo e olhando Carla.

— Cala a boca! — ela brigou comigo e não me soltou — Fiquei tão preocupada.

— Eu também — a abracei.

— Nada de muita emoção, mocinhas — olhamos a enfermeira — Vou fazer uns últimos exames e você poderá sair.

Carla desceu da cama e observou a enfermeira verificar meus pontos vitais, dar uma checada nos machucados e então me liberou. Eu tinha certa dificuldade de me locomover. Minha melhor amiga me apoiou, Peru estava deitado no alto da minha cabeça. Saímos do setor da enfermaria, andamos pelo Castelo. Eu não tive muito tempo de pensar, apenas senti duas pessoas me atingindo e me abraçando. Eu os abracei, Carla sorria nos observando, eu não tinha muita certeza de como me mexer sem me machucar, então esperei que eles se afastassem o que levou bastante tempo.

— Como se sente? — Draco perguntou me arrancando dos braços de Neville e me analisando.

— Bem — olhei o professor, ele nos observava tinha algo em seu olhar que eu não entendia — Estou um pouco dolorida, mas bem.

Me soltei de Draco e olhei os dois.

— Vocês foram corajosos — eles sorriram.

Dei dois longos passos e desengonçados, abracei Neville, meus olhos estavam cheios de lágrimas, ele ficou alguns segundos sem ação. Me abraçou com cuidado. Eu me sentia como uma criança amedrontada.

— Obrigada — ele olhou Draco e Carla que não entenderam — Obrigada por não ter desistido de mim.

Ele apoiou a cabeça no alto da minha.

— Eu nunca desistiria — eu o abracei ainda mais forte. Ele tirou meus braços de envolta de seu corpo, entrelaçou nossos dedos e com uma das mãos limpou minhas lágrimas — E nunca vou desistir — eu dei um riso desengonçado — Mas preciso ter certeza de que é você mesma.

— O que você está falando, Longbottom? — Draco perguntou bravo — É claro que é ela, olha o pássaro, ele não se enganaria.

— Será? — Neville me olhou e eu ri.

— Se você mantiver aquela maldita comedora de pássaros teremos de repensar sobre nosso relacionamento — Carla e Draco trocaram olharam um par ao outro sem entender nada, eu ri e Neville também, ele segurou meu rosto com firmeza e me deu um longo beijo, o beijo que eu tanto sentira falta.

— Com certeza é você- eu ri — E vou continuar com aquela planta — ele riu e eu o abracei ainda mais forte.

— Não quero acabar com esse momento emocionando — olhamos Leo — Mas a Diretora pediu para eu te levar até a sala dela. Disse que tem pessoas que querem te encontrar.

Entrelacei meus dedos aos de Neville e fui falar com a Diretora, os outros três nos seguiam tentando entender a lógica da comedora de pássaros. Paramos de fora da sala da Diretora, eu bati e entrei com Neville, eu segurava firme seus dedos nos meus, ele me observou conforme meus pais e minha avó surgiam a nossa frente. Os três nos encararam, a Diretora sorriu, Raoni estava com ela e pareceu aliviado ao ver Peru em minha cabeça.

Me soltei de Neville e corri até meus pais, eles me abraçaram com força, minha mão verificava cada centímetro do meu corpo para ter certeza que não tinha um resto de Morfino em mim.

— Eu chamei todos aqui – a Diretora observou a todos nós – Porque acho que a Agnes merece passar um período com vocês, depois de tudo pelo que ela passou.

— Isso seria ótimo – minha avó me olhou e sorriu.

— Eu não quero – todos me olharam – Eu entendo que todos queiram que eu descanse, mas não quero descansar, quero completa ro ano letivo e depois curtir minhas férias.

— E as matérias que você perdeu? – meu pai perguntou preocupado – Como farão? – olhou a Diretora.

— Ela pode receber reforço – Olhou Neville.

— Na verdade... Eu não perdi as aulas. – todos me olharam curiosos – De alguma forma enquanto ele controlava meu corpo e fazia tudo o que fez – eu respirei lembrando de algumas coisas – Eu ainda estava viva lá, eu via tudo o que ele via e ouvia tudo o que ele ouvia, sentia, infelizmente, o que ele sentia – olhei Neville – Então não perdi matéria.- dei de ombros.

— Tem certeza de que não quer ir para casa descansar? – minha mãe veio até mim e segurou minhas mãos com força – Pode ser bom até para você ir bem nas provas finais.

— Não, mãe, tenho certeza que quero continuar por aqui.

— Então, tudo bem – ela me abraçou. Olhou Neville – Acho bom você cuidar da minha menininha – ela pegou a mão dele e a colocou sobre a minha – SE algo acontecer com ela juro que arranco seus olhos com uma colher.

— Eu acredito – Neville riu e me olhou – Vou cuidar dela, não se preocupe.

Eu ri.

— Então, já que não vamos te fazer mudar de ideia acho melhor irmos – meu pai me abraçou – Se cuida.

— Você também – eu o abracei bem forte.

Fui com eles até o portal, os vi sumindo. Voltei para a escola. Luna me encontrou pelos corredores me deu um longo e preocupado abraço, me levou para falar com os outros, todos me abraçavam e riam por eu ter lhes dado tanta preocupação. Nyack foi o último que eu encontrei e só o vi no salão na hora do jantar. Ele veio até mim correndo, eu o abracei com força, ele estava bem e eu estava feliz por isso, ele me ajudara a manter o foco enquanto estava presa e me deu algumas informações importantes. E ele ter ficado bem sem se machucar me deixava bem feliz.

Depois do jantar fui dar uma volta pela estufa, poder respirar ar puro depois de tanto tempo presa em mim mesma era muito bom. Peru não saia de perto de mim e eu tinha sentido falta dele, sentia falta da sua companhia, até mesmo da sua companhia quando eu queria ficar sozinha.

Entrei na estufa, as plantas estavam de volta aos seus lugares. Meu avô tinha mandado mais esterco e observei que não tinha sido aplicado as plantas. Coloquei uma das luvas e peguei o pacote de cocô, algo se mexeu ao fundo, olhei a comedora de pássaro, ela se mexia na minha direção. Peru se agitou.

— Pode ir lá para fora, vou cuidar dela. – ele me encarou – Eu sei que ela come pássaros, mas se ele gosta dela o que eu posso fazer? – ele me deu as costas e voou para fora.

Peguei o pacote de esterco, levei até perto da planta, ela se mexia incomodada.

— Não sei o que ele viu em você – falei usando uma pá para colocar o produto de cheiro ruim na terra – mas se ele gosta de você vou me esforçar e cuidar um pouquinho da sua saúde.

— É bom ver que estão se dando bem – olhei para a entrada, Neville estava com Peru no ombro – Já estava pensando em devolvê-la.

— Não, acho que não vai precisar – me levantei e passei o braço na testa – Podemos nos dar bem.

— Isso é bom de ouvir – ele parou a minha frente e perdeu um pouco do sorriso, percebi que ele tinha algo para falar, peguei a mão dele, ele riu – Melhor sentarmos.

Ele me guiou até a mesa, Peru pousou entre nós dois, Neville segurava minha mão sobre a mesa, ele acariciava minha mão com o polegar.

— Eu vou precisar voltar – eu apertei sal mão, ele me olhou meio dolorido – Eu fiquei tempo demais aqui. No próximo ano não posso lecionar aqui.

— Então, vai voltar para Hogwarts?

— Preciso voltar.

Apertei a mão dele e sorri.

— Eu entendo, não se preocupe. – ele me olhou sério.

— Vem comigo.

— Quê?

— Vem comigo, conclua seus estudos em Hogwarts. – eu ri.

— Eu não posso ir para lá – ele pareceu não entender – E não quero. Seria ótimo continuar ao seu lado e tudo o mais, mas não vou para Hogwarts, aqui vou conseguir ótimas indicações para a área Herbológica depois que concluir os estudos, você sabe bem disso – ele confirmou.

— Tem certeza? – confirmei.

— Quando você vai? – perguntei percebendo minha voz falar.

— Depois das provas – eu suspirei.

— Certo – eu o beijei, ele me encarou – Vamos aproveitar esse nosso tempo que nos resta.