— Ag! Ag! Ag! — eu levantei num pulo quando jogaram água em mim, olhei em volta assustada. Leonardo estava com um copo na mão e me olhava com mesmo olhar preocupado de Carla, ela estava com as mãos no meu ombro. — Ag, está tudo bem? — ela perguntou preocupada.

— Est... Eu não... — olhei Leonardo e um amargor subiu pela minha garganta — O que ele faz aqui?

— Eu pedia a ajuda dele depois que tentei te acordar e você continuava gritando. Todo mundo estava muito assustado com você.

— Gritando? — eu lembrei e meu corpo estremeceu. — Foi horrível — eu encolhi meu corpo — Tinha muita dor, muito sofrimento... Ca, eu estou com medo.

— Agnes, foi só um sonho. — Leonardo se sentou na minha cama, ele olhou em volta — Cadê o seu pássaro?

Olhei em volta.

— Peru! Peru! — eu levantei num pulo e parei.

— Agnes! — Carla em olhava assustada, eu olhei os dois que estavam no meu quarto — Sua perna...

— Estou vendo... — eu comecei a tremer — O que aconteceu? — olhei Leonardo, ele me olhava com os olhos arregalados.

Peru entrou voando, parecia assustado, pousou na minha cama e ficou nos observando, eu estava tremendo assustada. O que era aquilo na minha perna? Por que ela estava daquele jeito, por que Peru tinha sumido...

— Agnes? — olhamos para a porta assustados.

— Professor! — Leonardo desceu correndo até a entrada do quarto, abriu a porta para ele.

— Ele não pode me ver nesse estado- falei olhando aterrorizada para Carla.

— Você diz machucada ou só de calcinha?

— O que você acha? — perguntei brava.

Olhei em volta, mas me movimentar doia muito, peguei a calça e a vesti com dificuldade e coma ajuda de Carla que estava tão espantada quanto eu. Nós duas nos olhavamos tentando encontrar uma resposta par ao que tinha ocorrido.

— Peru, vem. — ele pulou no meu ombro — Você me ajuda?

Carla me apoiou para conseguir ir até a sala. Quando chegamos o professor me olhou surpreso. Carla me olhou e segurou um grito, levei a mão até meu rosto estava dolorido.

— Que droga é isso? — Leonardo perguntou e olhou o professor.

— Eu não sei... — ele me analisou — Precisamos levá-la até a enfermaria — ele fechou os olhos com força — Vou ver se encontro algo que possa ajudar.

— Vem! — Leonardo abaixou o corpo para eu subir nas costas dele.

— não vou subir nas suas costas — falei e olhei Carla — Eu consigo ir sozinha.

Me afastei dela que me olhava preocupada. Eu quase caí e Leonardo me segurou.

— Eu sou o Monitor responsável pelo dormitório, então eu vou te levar para a enfermaria.

— Eu acho que...

Desmaiei.

Acordei na enfermaria, olhei em volta, uma mancha azul acima da minha cabeça.

— Peru... — ele deu uma leve bicada na minha testa.

Tentei sentar, tudo doeu. Levantei a cabeça, olhei em volta tinha mais um corpo ao lado o meu, eu parecia conhecer aquele corpo.

— Nyack? — ele me olhou — O que aconteceu? — franzi o cenho.

— Eles estão vindo — eu não entendi o que ele quis dizer e nem tive tempo de perguntar.

A enfermeira entrou carregando uma poção em mãos, ela deu primeiro par a Nyack e aquilo pareceu queimar. Ela veio até mim e me deu um copo e não só parecia, aquilo queimou como se eu bebesse lava. Peru me observava atento, me perguntei como ele conseguiu chamar o professor e como sabia com quem falar.

— O que aconteceu com a gente? — perguntei para a enfermeira, deduzi que o mesmo que acontecera comigo tinha ocorrido com Nyack já que bebemos a mesma coisa.

— Uma maldição — ela falou — A Direto está muito preocupado, é apenas o segundo dia de aula e algo ruim já está ocorrendo — ela suspirou cansada.

— Não pode ter sido um surto? — ela me olhou sem entender — Sabe temos sangue trouxa, pode ser algo...

— Ah, não, não, não tem nada com isso.

— Então o que é? — Nyack falou se sentando a cama.

— Não sabemos ainda, mas vamos descobrir, não se preocupem.

— E o que era isso que nos deu?

— Uma poção para amenizar a dor — ela se levantou, eu me sentei. — Podem se trocar.

Minhas pernas estavam enfaixadas e reparei que as de Nyack também, tinhamos feito a mesma coisa seja o que tenhamos feito. Coloquei a camisa, Peru pousou no meu ombro depois que eu prendi meu cabelo em um rabo de cavalo.

— VocÊ também estava com as pernas machucadas? — ele perguntou — Como se você mesmo que tivesse as arranhado.

— Estava — falei, nós dois mancavamos e provavelmente era uma cena muito engraçada de se ver. — Seu rosto não parece ter...

— Despelado — ele falou rindo — Mas despelou também. Foi uma poção que nos deram que fez voltar ao normal.

— Você conseguiu ficar consciente?

— Só acordei quando chegaram com você, sua amiga e aquele mala do Leonardo são muito barulhentos. — eu ri — Como o professor ficou sabendo?

— Não tenho certeza, mas o Peru — ele levantou uma sobrancelha — ele — apontei para meu ombro, ele riu — chamou o professor, quando acordei, conseguiram me acordar o professor já estava na porta do dormitório.

— Eu vim sozinho — eu o observei — Acordei com um copo de água na cara e não pensei muito, esperei voltarem a dormir e vim correndo.

— E como vai ser com as crianças? — ele olhou para frente observando o movimento — Será que somos seguros para eles?

— A Diretora não nos impediu de frequentar as aulas, então, talvez sejamos. — confirmei.

— Agnes! — olhei quem me chamava, Nyack seguiu meu olhar, Leonardo estava junto de alguns amigos.

— Ahm... Boa aula, Agnes- ele falou se despedindo e se afastando.

— Para você também.

Leonardo veio até mim.

— O que aquele idiota estava fazendo com você?

— Não te interessa — falei — Ah! Obrigada por me levar até a enfermaria.

— Não foi nada só fiz meu trabalho de...

— Eu sei, eu sei. Agora eu tenho de ir, preciso passar no quarto e pegar meu material.

— Se cuida.

— Idiota! — reclamei depois que estava sozinha — Até entendo que deveria estar grata por ele ter me ajudado me levando até a enfermaria, mas ele não me desce, sem falar que ele é um preconceituoso idiota. Argh, que nojo daquele cara. Como pode alguém ainda chamar os outros de sangue ruim, Peru? Provavelmente ele teria me deixado morrer se soubesse que sou mestiça, não teria? — Peru se mexeu me respondendo, mas não entendi o que ele disse.

O quarto estava vazio, peguei minha mochila os dois livros para devolver para biblioteca, olhei minhas aulas do dia ou pelo menos as que restavam, peguei os livros, folhas e corri para a próxima aula que teria tempo de assistir, infelizmente não era com a Carla, queria mostrar para ela que eu já estava bem novamente.

Depois das aulas fui para o almoço, minhas pernas doiam um pouco, mas nada que fosse de extremo incomodo.

Encontrei com os alunos do terceiro perto do jardim, eles conversavam e quando me viram pareceram surpresos e então entendi que o que aconteceu comigo já tinha corrido a escola, eles acharam que eu não sairia da enfermaria pelos próximos dias.

Eles não paravam de falar nisso durante toda a visita das aulas, eu explicava como eram as matérias e eles logo voltavam a falar que muita gente achou que eu tinha feito para chamar a atenção. Ninguém sabia de Nyack.

Parei de andar um pouco e me apoiei na parede, estava doendo, parecia que tudo rasgava. Sentei no chão um pouco para pegar ar depois que os dispensei. Me levantei com dificuldade e meio me arrastando tentei voltar par ao quarto.

— Agnes! — olhei quem me chamava.

— Professor? — ele se aproximou e sorriu — Aconteceu alguma coisa?

— Que bom que a poção te ajudou — confirmei — Quer ajuda?

— Eu vou aceitar, não estou aguentando andar muito.

Ele riu e me deu o braço de apoio.

— Como o Peru te achou? — perguntei e olhei o pássaro no meu ombro.

— Ele ficou bicando a minha janela até que eu acordei e abri para ele, — o pássaro foi pro alto da minha cabeça e se ajeitou, o professor riu — me começou ame puxar pelo bico, eu só o segui. Ele é um Dedo-Duro bem inteligente, não é?

— As vezes acho que mais do que o normal.

— Para onde você está indo?

— Para o dormitório, preciso descansar um pouco.

Ele me levou até a porta, respondi ao macaco e entrei o agradecendo, lá dentro alguns alunos me olharam estranho, já no meu quarto tirei algumas faixas da minha perna, as marcas ainda estavam ali, tomei um banho e tudo ardia, deitei por cima do cobertor e esperei por Carla, pensei que ela voltaria a tempo de me ajudar a ir par ao salão jantar, mas estava muito enganada. Me arrumei e com Peru voando ao meu lado — nem ele confiava mais em mim — entrei no salão ainda andando bem devagar, sentei a mesa.

— Ai, que ótimo que você está aqui! — Carla me abraçou bem forte — Aquela menina é insuportável. Eu precisava de alguém inteligente do meu lado e com toda certeza aquela menina não é. Mas então, como está se sentindo?

— Bem — falei — Com dor, mas bem.

Um avião de papel bateu em mim, o peguei, Carla curiosa se debruçou em mim e leu: "Como você está?".

— Quem que mandou?

Eu ri, algo já me dizia quem tinha sido. Nyack.

"Bem e você?" dobrei o papel, mas em seguida ele meio que vibrou, olhei curiosa.

"Bem também. Se cuida, você precisa estar inteira para amanhã"

Olhei em volta buscando por ele, mas eu não conseguia vê-lo em lugar algum.

"Você veio para o jantar?"

"Sim"

"Não te vi em lugar algum"

"Não gosto de ficar muito no meio"

Não nos falamos mais, mas por alguma razão eu continuei com aquele papel no bolso, como se fossemos nos falar por muito tempo, mas eu sabia que não aconteceria, já que não tinhamos intimidade para falar de nada além dos novatos de que tinhamos de tomar conta.

Eu fui adormecendo aos poucos em cima das minha anotações das aulas do dia.