— Eu não sei o que você fez com ela, Draco, mas foi bem feito — Carla falou quando as aulas voltaram, ela estava encostada a parede da entra do Castelo, Draco me ajudava com minha mala.

— Do que você está falando? — ele perguntou sem entender nada.

— Ela ter esquecido o Neville o tempo que ficou com você...

— Agnes!

— Mas que cace... O que você está fazendo aqui? — Carla olhou assustada para Neville que saia correndo do Castelo.

— Precisa de algo? — perguntei parando para respirar, vários alunos passavam por nós correndo. Mari parou e nos cumprimentou, cumprimentou Neville como se ele ainda fosse seu professor.

Leo terminou de subir correndo e carregando a mala como se fosse a coisa mais leve do mundo, deu um beijo em Carla e então nos cumprimentou.

— Uou! — Neville riu — Desde quando os dois estão juntos?

— Desde o fim de tudo — falei rindo — O fim para uns o inicio para outros, acontece. Você quer alguma coisa, senhor Longbottom? — ele me olhou parecendo não entender aquele tratamento, até Carla e Draco me olharam tentando entender a forma com a qual acabara de me referir a Neville.

— Ahm... Nossa! — ele deu um riso abafado — O senhor Filipe disse que quando chegasse você poderia me ajudar com algumas plantas e com a nova organização da estufa.

— Ah, ta, claro — eu ri desajeitada — Só vou levar minhas coisas para o quarto e já te encontro na estufa.

— Eu levo para você — Draco tomou a mala da minha mão e sorriu para mim — Assim você não perde tempo.

Ele e Carla foram par ao quarto, olhei Neville, droga, eu não queria ficar sozinha com ele.

Professor Filipe me dissera em uma carta que Neville e Ruth ficariam ali por mais algum tempo e provavelmente nossas aulas voltariam e eles ainda estariam aqui. Eu gostei e ao mesmo tempo odiei de saber disso, mas agradeci que Draco pedira para Luna para ele ficar mais tempo comigo, o que me ajudou muito em me distrair.

— Então... — eu o olhei enquanto atravessávamos o Castelo, fazia um frio gostoso e eu usava uma jaqueta com bolsos. Peru dormia na touca. — Você e o Malfoy têm alguma coisa? — ele parecia desajeitado.

— Não... Quer dizer, não sei — eu ri — Eu gosto dele — Neville me olhou e me dei conta da besteira que estava fazendo — Ele me apoiou depois de tudo, sabe — ele ficou desconcertado, acho melhor me calar, mas a merda já ta feita mesmo — Ele foi na fazenda me ver nas férias, passou o Natal e o Ano Novo comigo.

— Parece que ficaram bem próximos. — ele comentou com um leve sorriso no final.

— Depois da luta não tive muito alguém por perto que entendesse tudo — dei de ombros — A Carla estava com os Weasley, Nyack estava treinando com o time do Krum, me sobrou o Draco — ele fez um 'hum' de fundo de garganta.

Abri a porta da estufa. Peru se mexeu na touca, eu o tirei dali e o coloquei na mesa, a estufa não era fria.

— Então, do que precisa? — perguntei apoiando na mesa e o encarando. Ele olhava em volta buscando por algo.

— Filipe é bem mais organizado do que eu.

— Oh, se é. — eu ri e ele riu junto. Ficar ali parado com ele trazia muitas lembranças. Balancei minha cabeça tentando afastá-las e por alguma razão me veio invadindo tudo a cena da estufa como enfermaria improvisada, apertei a mesa sem perceber.

— Tudo bem? — ele pareceu preocupado.

— Tudo sim, só lembrei de umas coisas ruins — sorri desajeitada. — Enfim... Vão ficar quanto tempo? — fui até os instrumentos que ele poderia estar procurando — Meu avô agora é um fornecedor oficial de esterco para nós.

— Sério? Isso deve ter sido ótimo para ele.

— Mais ou menos, como pagamento da primeira remessa mandaram um Bezerro-Apaixonado.

— Isso é bom, não é?

— Se você gosta das coisas mágicas é sim, mas se as repudia como é o caso dele, não, não é bom. Ele ameaçou fazer um churrasco do bicho caso alguém não fosse pegá-lo.

— E ai? — Neville riu, ele sabia que meu avô seria capaz de fazer isso mesmo.

— Mandaram para minha avó. — ele riu.

— Vou precisar dessa pá — ele passou o braço pelo meu ombro e a pegou. Prendi minha respiração e fechei os olhos, droga. — E... — ele rodou buscando algo — um saco de esterco.

— Ali — apontei o outro armário — Ele deixa tudo guardado.

— Isso dá muito trabalho. — ele riu pegando o saco. — Estamos trocando umas plantas de vaso, quer ajudar?

— Quando você diz estamos, é você e a Ruth? — ele confirmou — Ah, não, obrigada. Bom, se for só isso eu já vou indo.

Eu ia sair, ele em parou, o olhei e percebi que minhas bochechas deviam estar muito vermelhas.

— Precisa de algo mais? — perguntei gaguejando um pouco.

— Eu... Eu sinto muito — eu não o entendi, Peru voou até mim e pousou em minha cabeça.

— Pelo quê?

— Por nós.

— Por nós? — eu me ajeitei para poder olhá-lo melhor — Olha, senhor... — ele fechou os olhos — Neville, você teve que seguir sua vida, eu entendo isso. Você não podia ficar preso a mim que estava a um oceano de distância.

— Não, não... Eu podia. Eu realmente deveria ter ficado.

— Eu não estou entendendo.

— Agnes, eu... — a porta da estufa abriu, Ruth e o professor Filipe entraram, nos afastamos rápido, Neville pegava as coisas na mesa. Eu o observava tentando entender o que ele queria dizer e não pode terminar, eu queria muito saber o que ele tinha para dizer. Mas me contentei em ajudar Filipe pegar os outros instrumentos e ajudá-los a levar até a sala do professor.

Logo depois fui para meu quarto, Carla estava na sala do dormitório com Leo, os dois me olharam curiosos, segui direto para o quarto, Draco estava deitado na minha cama, ao me ver entrar ele se sentou e logo lançou a pergunta:

— E como foi com o Longbottom? — ele tinha um sorriso que insinuava muita coisa. Eu respondi com um som gutural que o fez rir, contei o evento para ele e para Carla que subiu pouco depois de mim.

Os dois me ouviam com atenção enquanto eu reclamava. Carla ria de mim e Draco falava que teriamos outras oportunidades para nos falarmos, mas eu duvido que vá ocorrer. Ruth vai querer ficar com Neville enquanto as aulas estiverem correndo, além de mim outros alunos foram falar com ele, então ela não vai correr o risco de perder o namorado para alguma aluna.

Fomos jantar, Draco falava algo sobre Quadribol com Leo e Carla, e eu, claro, estava completamente por fora do que diziam, eu só sabia as noticias sobre Nyack e nem isso direito. Falavam algo sobre as classificações para a Copa e sobre a possível convocação de Nyack.

— Ele está tão bem assim? — perguntei enquanto pegava algumas coisas na mesa e enchia meu prato.

— Tão bem? — Leo riu — Aquele cara está derrubando tudo.

— Mas não é muito cedo para convocá-lo?

— Ag, isso aqui não é futebol — Carla falou e eu a encarei tentando entender — Quadribol é muito arriscado para você perder a oportunidade de ter um bom jogador em sua seleção.

— Entendi, eu acho. — falei e observei Neville entrar acompanhado por Ruth, os dois seguiram para a mesa dos professores.

No dia seguinte já teria aula, minha primeira aula seria do outro lado do castelo e eu não era a pessoa mais animada para assisti-la. Levantei com Carla, esperamos Leo para tomarmos café. Neville já estava lá, mas para minha surpresa sozinho.

— Você devia falar com ele — Leo falou, eu o encarei — Poxa, Ag, você mesma disse que teriam de seguir suas vidas, ele fez isso.

— Eu sei, Leo, eu sei! — falei e empurrei meu prato com alguns pães para longe — Mas não é tão fácil assim para mim. — ele riu — Não ria de mim — taquei um pedacinho de pão nele, ele riu ainda mais.

Eu realmente queria ir lá, mas me contive.

Draco se jogou ao meu lado com sono e repetiu o que Leo disse, eu encarei os dois e ainda ouvi uma terceira vez vindo de Carla. Eu deixei os três para trás. Entrei na minha sala de aula. Nesse ano meu horário e o de Carla estavam um pouco diferentes, eu focava mais em Herbologia e Criaturas Mágicas enquanto ela focava em Poções e Feitiços, ela dizia que eram úteis par ao trabalho com Jorge, eu não entendia ao certo porque, mas se a ajudaria quem sou eu para impedi-la. Os pais dela que não gostavam em nada desse trabalho e ela sempre os convencia com a seguinte frase: ele é irmão do Ronald Weasley um dos caras que vocês mais admiram, por que é errado eu trabalhar com ele? Eles se calavam. Era engraçado ver a discussão se encerrar com ela vitoriosa, independente das infinitas vezes que isso ocorresse.

Depois das minhas aulas encontrei o professor Filipe na estufa, ele separava as plantas para as aulas do primeiro ano, eu o ajudei como de costume.

— Quer dar essa aula? — eu o encarei.

— O senhor está brincando, né?

— Não, estou falando muito sério — eu sorri — Por mim, Agnes, eu já daria o seu certificado agora mesmo. Mas sabe que tem toda a legislação, não posso fazer isso, mas posso te treinar para me substituir.

— Obrigada! — eu o abracei — Obrigada, mesmo! Eu vou... Nossa! — eu não conseguia parar de rir — Eu vou estudar os tópicos que o senhor planejou dar.

— Acho bom já aproveitar essa noite para preparar as aulas do resto da semana.

— Sério? — ele confirmou, eu não me aguentava de tamanha alegria.

Peguei um dos meus livros, vi os tópicos do professor e comecei a organizar um cronograma, ele ia apenas explicar a utilidade em poções de algumas plantas, nada muito aprofundado. Anotei tudo e fiquei ali esperando dar o horário da aula.

Os alunos se amontoavam de fora, a conversa aumentava e eu não aguentava de ansiedade. O professor ria de mim, ele foi até lá fora, deu uma tossida que foi suficiente para todos o olharem em silêncio.

— Gostaria que vocês respeitassem e ajudassem minha assistente — todos me olharam — Hoje ela irá dar a aula a vocês, para quem sabe em um futuro próximo ela possa me substituir.

Minhas mãos suavam, eu comecei meio gaguejando, mas consegui engatar e seguir bem a aula, mostrei algumas plantas, mostrei outras, algumas eu até preparei as poções na frente deles. Pareceram gostar bastante da aula. Quando finalmente acabei e as crianças sairam eu senti que era aquilo que eu queria, ainda mais que ali eu poderia continuar minhas pesquisas, não sairia em campo para encontrar coisas novas, mas poderia descobrir coisas novas com as já descobertas e catalogadas.

Quando todas sairam ouvi palmas ao fundo e meu coração acelerou.

— Eu sabia que seria uma boa professora — Neville sorriu para mim e o professor Filipe.

— Obrigada — sorri desajeitada — Isso foi muito bom — olhei os dois — Entendi porque não querem largar isso.

— Neville? — Ruth entrou — Eu te procurei em todos os lugares — ela falou, estava cansada, então eu não duvidava que tivesse.

— Uma dica — ela me olhou — Se ele sumir pode ter certeza que ele estará aqui — eu ri — Ele adora as estufas.

— Você tem razão — ela sorriu — Agnes, não é? — confirmei — O professor Filipe e até o Neville me falaram muito bem de você — ela me analisava e encarou Peru no alto da minha cabeça — E esse deve ser o Peru — ela apontou para o alto da minha cabeça — ouvi muito sobre ele também, principalmente durante a batalha contra Morfino. — ela deu um riso, mas eu perdi o meu. Eu lembrava das coisas que Morfino tinha feito meu corpo fazer, a péssima pessoa que fui enquanto ele estava no controle. Fitei o chão por alguns instantes.

— Com licença, eu já vou par ao meu quarto — olhei o professor — o snehor vai precisar de mim?

— Não, está tudo bem — ele sorriu — Pode ir descansar, se eu precisar peço alguém te chamar. Obrigada.

— Eu quem agradeço — sorri para ele e passei pelo casal a porta.

— Eu disse algo errado? — ouvi Ruth perguntando, mas não pude ouvir a resposta, apesar de eu saber o que devem ter respondido, ela não disse nada errado, eu que estou sensível sempre evitando falar da batalha. Tenho que parar com isso, tenho que aceitar que aquela não era eu e sim Morfino, mas é difícil saber que vi tudo ocorrendo e não tive como reagir que não fui forte para isso.

Me larguei na biblioteca, peguei alguns livros e comecei a anotar coisas relacionadas aos tópicos de aula que eu lembrava ter tido, se o professor Filipe estivesse falando sério então eu poderia dar outras aulas e eu queria estar pronta para isso. Eu anotava freneticamente sem parar.

— Sabia que te encontraria aqui — olhei Draco — Neville me contou sobre a estufa, meus parabéns — eu sorri desajeitada.

— Você e o Neville se falando, isso é novo para mim.

— Pois é, ele também me contou da sua reação sobre a batalha, você tem que superar isso, Ag.

— Eu sei, Draco e você é a melhor pessoa de quem ouvir conselhos sobre isso. Mas eu não consigo. É mais forte do que eu, as coisas que eu fiz foram ruins, prejudiquei muita gente.

— Você não, Morfino fez isso — eu suspirei — E não venha com essa de suspirinho, você estava indo bem superando tudo isso, agora o você o encontra e tem essa recaída? Essa não é a Agnes que eu conheço e quero aquela menina forte e divertida de volta.

— Eu vou tentar — suspirei novamente- Agora com essa coisa de dar aulas vez e outra acho que vou ocupar minha mente.

— Isso mesmo — ele sorriu — Vamos ver um treino? O Leo está se destacando bastante, talvez se ele continuar assim, possa ir para a seleção sem nem mesmo ter se formado.

— E pode isso? — eu fechava os livros com as folhas dentro, levei para a bibliotecária que anotou meu nome no meio de outros e outros muitos meus.

— Se precisarem de alguém e só tiver ele se destacando pode sim.

Fomos ver o treino.