Magia na Floresta
35 Capítulo 35
Carla estava trabalhando nas férias com Jorge e Rony na loja dos irmãos, ela me mandava alguns truques novos que chegavam até a loja. Eu estava com meu avô, aprendendo cada vez mais sobre plantas trouxas e fazendo algumas experiências misturando as mágicas e trouxas para ver no que resultava. Cheguei a criar alguns monstros que meu avô quase teve um ataque do coração. Jorge sempre vinha me visitar com um machado, ele dizia que nunca poderia adivinhar o novo monstro que eu criara. Peru preferia ficar dentro de uma gaiola enquanto eu criava e isso me fazia rir muito.
Meus pais e minha avó financiaram uma estufa para mim para que eu tivesse condições de criar todos os tipos de plantas. O professor Filipe incentivava minha vontade por plantas exóticas e pelos experimentos o que muitas vezes nos fez ter de tirar todos os alunos da sua estufa porque perdemos o controle de uma planta, a área ficou fechada por alguns dias até eu e ele conseguirmos reverter os efeitos. Ele parecia se divertir muito, e falava que queria que eu fosse sua filha, que a dele apenas se preocupava com as leis mágicas e não se divertia.
— Onde você vai? — meu avô perguntou enquanto eu saia com uma mochila nas costas, eram as férias do meio do ano.
— Preciso ir para o Castelo, esqueci uma planta lá.
— Por favor, não é uma das que pode comer minhas vacas, né?
— Não, não é — eu ri.
— Então tudo bem — ele respirou aliviado.
Peguei Peru da gaiola, ele relutou um pouco, mas falei que ele iria poder voar pela escola, ele pulou para o meu ombro. Minha avó deixara um pequeno portal em uma árvore da fazenda, de lá ia para a casa dela e da casa dela conseguia chegar no Castelo.
Eu ia passar quando um grito me fez parar, já fazia mais de seis meses que eu não ouvia aquela voz. Olhei para trás e vi aquele homem de cabelos loiros e olhos cinzas, larguei a mochila perto do portal e saí correndo, pulei nos braços de Draco. Ele me apertou bem forte, o rosto dele se enterrou em meu pescoço enquanto eu não acreditava que ele realmente tinha vindo.
— O que você está fazendo aqui? — eu perguntei descendo do abraço dele, Peru pousou no ombro do loiro que o acariciou.
— Eu falei que viria — ele sorriu — Aonde você estava indo? — ele olhou o portal.
— Ah! — eu ri — Estava indo para a escola — ele franziu o cenho — Esqueci uma planta lá e preciso dela para o novo passo da experiência.
— Eu e o Longbottom falamos para a Luna não alimentar isso em você — ele riu — Ela não escuta ninguém — ele sorriu e olhou a casa do meu avô — Você tem de ir agora?
— Não, agora que você está aqui isso pode esperar.
Entrelacei nossos dedos e o fui puxando para a casa do meu avô. Jorge estava lá reclamando de mim quando eu entrei, ele me olhou e a Draco, depois me olhou novamente.
— Pensei que tivesse ido para o Castelo — meu avô falou sorrindo — É bom vê-lo novamente, Malfoy.
— Digo o mesmo, vovô.
— Eu ia, mas ele foi mais rápido do que eu — eu ri olhando o loiro. — Você deve estar com fome.
— Nem tanto, a Luna me fez comer horrores na Nova Zelândia — ele fez careta — Disse que não me deixaria vir com fome.
— Manda um agradecimento para ela — vovô falou rindo — De qualquer forma já é quase hora do almoço, os dois vão ficar? — ele olhou Draco e Jorge, ambos confirmaram. — Querida, por que não vai mostrar ao Draco o que tem feito?
Eu o puxei para minha estufa, Jorge vinha logo atrás, ele dizia não confiar no Malfoy sozinho comigo. Abri a porta da estufa, estiquei a mão para Jorge, ele pegou o machado que passamos a deixar na estrada, parei Draco e entrei acertando um galho que tentava crescer e pegar uma das vacas que pastava por perto, cortei outro com dificuldade.
— Ei, oxigenado — Jorge jogou um facão para Draco — É bom tomar cuidado.
— Não sou oxigenado — Draco falou e cortou um cipó.
— Você tem é maior de idade, por que não usa um feitiço para parar isso? — Jorge cortou um galho.
— Eu estou praticamente condenado, se fizer isso perco todos os meus direitos.
— Que inútil. — olhei Jorge, ele sempre implicava com o Draco, no começo do ano quando Draco veio passar uma semana comigo meu melhor amigo não parava de perturbá-lo.
— Vocês podiam falar menos e cortar mais — falei acertando bem no tronco e deixando o machado ali, a planta parou.
— O que é isso? — Draco respirou ofegante.
— A Luna me mandou da Rússia — falei rindo — São boas, mas não escutam ninguém. E quando eu coloco hortelã perto delas ficam ainda mais agitadas.
Peguei o pequeno vaso e o coloquei do outro lado da estufa.
— Você vai acabar se matando com essas coisas. — Jorge colocou o machado de lado.
— Então é isso que você tem feito?
— Basicamente — eu sorri para ele e arrumei algumas plantas que a outra tinha derrubado enquanto tentava pegar a vaca — Eu tento ver quais as relações entre as plantas trouxas e as mágicas — eu o olhei e sorri — E tem umas coisas muito legais que descobri.
— É como o trabalho do Longbottom — ele falou e logo me olhou, eu desviei o olhar — Desculpa, eu não queria...
— Não tudo bem — sorri desajeitada e fui até uma planta, a coloquei na minha mesa.
— Isso são rosas? — ele perguntou se aproximando.
— Está aprendendo — sorri orgulhosa dele.
— Ta... Eu estou sobrando. — Jorge reclamou — Se precisar de algo é só gritar e você — ele apontou para Draco com o machado — Eu vou estar na casa, mas se você fizer qualquer coisa eu finco esse machado nas suas costas — ele saiu, Draco o assistiu.
— Ele realmente faria isso? — ele me olhou e eu confirmei o fazendo rir — Você tem uns amigos bem sentimentais.
— Verdade — eu ri e cortei uns galhos da roseira — E o Neville como está? — Draco apoiou na mesa ao meu lado enquanto eu trabalhava, me observou.
— A última vez que falei com ele estava bem.
— E a Ruth? — ele me olhá-lo.
— Você quer realmente falar disso? — eu suspirei, eu não queria.
Na verdade, a forma como fiquei sabendo de Neville e Ruth foi o que mais me machucou. Professor Filipe me levou num feriado a uma reunião de Herbologia, ele dizia que eu deveria acompanhar esses encontros se quisesse ser uma Herbologa, eu o segui sem questionar, seria a oportunidade única de encontrar outros além do meu professor e Neville. Assim que chegamos na reunião nos entregaram um jornal com as principais noticias a serem discutidas e lá estava como manchete, uma foto de Neville e Ruth, ele a abraçava e embaixo dizia em letras garrafais "O Casal das descobertas", a noticia falava como os dois se davam bem tanto quanto casal como quanto pesquisadores, a foto se mexia como todas as desses jornais mágicos, e eu via o olhar que os dois trocavam de orgulho.
Filipe queria que eu fosse falar com os dois, me arrastava até bem perto, mas em nenhum momento eu fui, apenas os assisti de longe. Eu sabia o que tinha falado para Carla e Draco, sei que disse que não o impediria de se relacionar com outra mulher ou outra pessoa. E essas minhas palavras estavam frescas em minha mente, mas vê-lo com ela foi como uma faca ser fincada em meu coração e brincar de dançar sobre ele. Eu não estava preparada para isso.
Conversei com outros da área e falei que queria ser uma profissional, troquei contatos e descobri que todos eram bem hospitaleiros. Conversei com um da China que disse que se eu fosse para suas terras e precisasse de um lugar para ficar poderia entrar em contato que seria um prazer para ele incentivar uma jovem Herbologa.
Luna chegou com Draco já quase ao final da reunião, eu estava quase indo embora, mas pedi par ao professor para vermos as apresentações da Lovegood. Encontrei com Draco na plateia, assistimos a apresentação da loira, eu a cumprimentei e logo saí me esquivando de qualquer um que pudesse tentar me fazer falar com Neville. Eu ia passar pelo portal quando ouvi a voz do meu antigo professor me chamando, eu o ignorei e segui com o professor Filipe quase pisando em seus calcanhares.
Desde então eu via muitas noticias dos dois, realmente estavam evoluindo muito nas pesquisas, pareciam ser os melhores pesquisadores, usavam as estufas de Hogwarts que eram das mais ricas, perdia apenas para a nossa estufa.
— Eles estão bem — Draco falou, eu o olhei — Parece que nesse semestre vão vir para cá.
— Para cá? — ele confirmou — Por quê?
— Porque vocês têm a melhor estufa, deve saber disso.
— Eu sei — falei e coloquei a roseira de volta no lugar. — Que droga! — eu encarei o loiro. Ele riu — Não ria de mim, Malfoy.
— Eu rio, sim! — ele deu a volta na mesa e veio até mim me ajudar a pegar um vaso que estava alto, o colocou na mesa — Você está morrendo de ciúme.
— Não estou não.
— Ag, eu te conheço muito bem, sei que está — peguei um pouco de terra e enchi o vaso.
— É só quê... — eu grunhi brava.
— Você pensou que seria mais fácil — eu o observei — Pensou que seria mais fácil vê-lo com outra. — ele deu um riso mais para si próprio — Sei bem como é isso.
— Falando da Hermione? — ele me olhou e sorriu — Desculpa, me esqueci disso.
— Não, está tudo bem — ele deu de ombros — Olhe para ela agora com o Weasley, tem uma carreira bem sucedida, uma família perfeita. Eu nunca poderia ter dado isso a ela. — eu peguei a mão dele e a apertei — Sem falar que sou um Malfoy, eu destruí tudo, estraguei as vidas deles. Não a culpo por ter tentado me mandar para Azkaban.
— Ei, não fale assim — entrelacei nossos dedos — Sei que fez coisas terríveis, eu estudei um ano inteirinho sobre a vida de vocês. Mas veja o que você fez no último ano — eu sorri para ele — Você salvou o mundo.
— Longbottom fez isso, foi ele quem matou o Morfino.
— Não, Draco, não foi só ele! — ele me observou — Senão fosse você falando comigo enquanto Morfino dormia eu não teria resistido. Você ajudou Neville e ajudou muito.
— Você sempre vai tentar me fazer me sentir melhor, né?
— Claro que vou — ele em abraçou, eu o abracei de volta — Sinto tanto sua falta nesses dias — falei abafada em seu peito.
Ele me apertou ainda mais.
Eu realmente sentia, ele e Carla foram os que mais me apoiaram nos últimos ocorridos da batalha contra Morfino. O Neville sempre me protegeu, mas Draco era o que conversava comigo e me fez bater de frente com a Hermione ao saber par aonde pretendiam mandá-lo. No fundo eu morria de saudades do Neville, mas eu nunca admitiria isso. Ele seguiu a vida dele, eu tenho que seguir a minha também, mas quando penso que faz seis meses apenas tudo volta e eu viro uma confusão de sentimentos.
— Quer companhia para ir ao Castelo? — ele perguntou ainda me segurando.
— Vou aceitar — eu ri sem jeito, mas acho melhor irmos depois do almoço, meu avô vai me matar se partirmos agora.
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