Magia na Floresta
23 Capítulo 23
Draco realmente cuidou de mim, quando ele percebia algum movimento estranho meu ele sempre ficava de olho e duas vezes me tirou do caminho que me levaria até o homem e Carla me arrancou de lá outra vez e Leo me jogou nos ombros outra vez e me realmente me tirou d elá carregada. O trio estava cuidando bem de mim, mas o que eu realmente queria era ter uma resposta, um nome, saber quem era aquele homem.
— Ah, não! Você não vai ficar assim de bico no seu aniversário, Ag. — Carla brigou comigo — Sua mão te chamou para ir a cidade e você fica ai de doce, isso é inaceitavel.
— Eu só quero estudar, me deixa.
— Estudar Criaturas Magicas e Herbologia, para com isso, Luna é uma pessoa legal e você deveria dar a chance de ela te mostrar isso.
— Quem falou em Luna aqui?
— Eu sou sua melhor amiga, você realmente acha que me engana? — eu suspirei.
Eu estava com ciúme, Luna estava com o professor Neville praticamente o tempo inteiro, ela o ajudava durante as aulas a nos dar aula, ela dava dicas de como ele deveria fazer algo, ela o ajudava na estufa, foi estranho chegar lá e encontrá-la usando o outro par de luvas e os dois conversando e se divertindo. Eles tinham assuntos além das plantas e o que eu tinha para oferecer a ele, nada, apenas minha maldição que até pouco tempo não me permitia ficar muito próximo, que ótima companhia eu sou.
— Eu vou ter de chamar o Draco para você sair daqui? — ela cruzou os braços.
— Você sabe que eu não gosto de comemorar meu aniversário.
— Sei, mas sua mãe está se esforçando para se encontrar com você, deveria considerar isso.
Carla tinha razão. Fechei os livros, troquei de roupa e saí.
— Deixa eu fazer uma coisa? — ela se aproximou pelas minhas costas e soltou o coque — Você fica bonita assim.
— Mas e o Peru?
— Ele fica no seu ombro- ela entrelaçou nossos braços e começou a me puxar para fora do quarto, Leo se encontrou com a gente e também se juntou.
Carla me carregou por toda a escola até o portal, respirei fundo e o atravessei, nunca fui muito fã de portais. Saímos no meio da cidade, pessoas passavam em todas as direções e muitas vassouras sobrevoavam. Carla continuava me puxando pelo braço. Paramos de fora de um restaurante, era grande, eu não imaginava que minha mãe tinha preparado algo assim. Ela deu o nome da minha mãe e o homem nos guiou, assim que nos aproximamos da mesa foi impossível eu esconder a surpresa. Minha mãe sorria para mim e estava com meu pai, eu não fazia ideia de como ela tinha conseguido levá-lo, mas ele estava ali e fora ótimo. Minha avó sorria, não tinhamos nos visto desde o ocorrido na casa do meu avô e ele não estava ali, eu já imaginava que ele não fosse aparecer, afinal ele não gosta dessas coisas mágicas. Mas a mesa não acabava só com eles, Rony estava ali com a Hermione, Harry e Gina, até o Draco estava ali e Neville e... Luna.
— Surpresa! — gritaram e eu não pude conter um largo sorriso.
— Eu não... como vocês... Como? — olhei Carla que sorria largamente.
— Bom, sua mãe me contatou e disse que queria reunir seus amigos mais intimos e nesse semestre nós temos sido os mais intimos — eu não podia negar isso — Espero que tenha gostado da surpresa — Carla me deu um beijo na bochecha e foi para a mesa — E eu espero que já tenham pedido algo para comer, estou faminta, convencer a Agnes de vir foi complicado.
— Você não tem muitos amigos da nossa idade, né? — Leo riu — Inclusive, Nyack disse que chegaria um pouco depois, ele estava com problemas em alguma coisa.
— Calma! — meu sorriso sumiu — Ele ficou sozinho? — todos nos olhamos, ninguém parecia ter pensado nisso. — Vocês fiquem aqui, eu vou encontrá-lo.
— Nada disso — Hermione se levantou — É a sua festa, Agnes, você fica, eu o encontro e volto logo — ela deu um beijo em Rony e sumiu pela multidão do centro.
Minha tinha pedido várias porções e batatas fritas que de acordo com ela foi difícil de explicar qual era o ponto correto. Meu pai estava inseguro de estar ali e eu estava surpresa por ele estar, eu nem sabia que trouxas conseguiam chegar ali. Harry me explicou que com um pouco de magia e burlando algumas regras tudo era possível, minha avó aproveitou para me dar vários abraços e dizer várias vezes que eu estava muito magrinha que essa coisa de maldição iria me fazer sumir de tão magra. Draco se divertia com algumas fritas, quando peguei duas e as coloquei como presas de vampiro, Carla e Leo fizeram o mesmo e meu pai tirou uma foto de nós três no alto patamar da maturidade. Luna também nos imitou nos fazendo rir.
Eu já sabia que ela era uma boa pessoa e muito divertida, mas o fato de estar tão próxima de Neville era o que me incomodava, Draco dissera que os dois ficaram próximos depois da guerra, que muitos laços foram reforçados naquele momento e o deles era um dos mais fortes que ele tinha conhecimento. E isso não me ajudava em nada e o Malfoy parecia perceber isso e gostar de me provocar.
— Então, com quais de vocês minha filha está dormindo? — Eu, Carla, minha mãe e minha avó engasgamos com a pergunta, o que fez Harry e Rony rirem e trocarem olhares que apenas melhores amigos conseguem entender.
— Se o senhor me permitir — Luna falou, eu estava com medo do que ela iria falar — ela está dormindo no mesmo quanto que um deles e não com um deles — eu sorri para ela em agradecimento, ela sorriu meiga de volta, mesmo com o ciúme seria impossível não gostar dela, era meiga e inocente com algumas palavras, é o tipo de pessoa que você gostaria de proteger do mundo e nunca diria que já lutou numa guerra.
— Isso não muda o fato de que tem um homem dividindo espaço coma minha filha — ele respondeu parecendo bravo.
— Pai... — ele me olhou — Eles vão pensar que você realmente é mau.
— Mas eu sou.
Minha avó soltou um riso que fez com que rissemos também.
Hermione chegou com Nyack que estava assustado, eu me levantei para falar com ele, assim que ele me abraçou percebi que tinha algo errado 'Ele é pior do que pensamos', eu me afastei e sorri mostrando que tinha entendido, ele sorriu de volta e se sentou ao lado de Leo.
— Estou aguardando a resposta — meu pai falou.
— Do quê? — Hermione perguntou curiosa e sorrindo para o marido.
— Ele quer saber quem está dormindo com a filha dele.
— Oh, isso — ela riu — O Malfoy é essa pessoa. — meu pai olhou o loiro que evitou o contato visual o que me fez rir.
— Malfoy? — minha avó repetiu e ficou pensativa — Malfoy de Lúcio Malfoy?
— Não, Malfoy de Draco Malfoy — Draco se defendeu.
— Draco filho de Lúcio — Luna falou e naquele momento quis tacar uma batata para calar aquela loira, mas não o fiz.
— Você é o Comensal da Morte que matou Dumbledore?
Draco respirou fundo.
— Vó — eu falei séria, ela me olhou — Não precisamos falar sobre isso, principalmente agora, é meu aniversário, quero que todos fiquemos bem.
— Mas querida, ele é perigoso.
— Não, vovó, ele não é perigoso e posso te assegurar isso — eu sorri par ao loiro.
— Ta... Eu não queria que isso ficasse sério assim — meu pai se curvou na mesa e olhou Draco — Eu só ia agradecer por tomar conta da minha menininha. — Draco me olhou surpreso e eu não estava melhor do que ele.
— Menininha? — Carla riu — Menininha! — ela começou a rir com Leo e Nyack.
— Se vocês me zoarem eu sugo as energias de vocês até vocês apagarem e isso não é um blefe. — eles pararam — Acho bom mesmo — eu ri com Draco.
Minha ficava me analisando e percebi que ela reparava em Neville, ele não estava interagindo tanto com o grupo maior e caso Draco estivesse no meio ele nem nos olhava, e isso estava me incomodando muito, eu queria que ele conversasse, até Harry estava conseguindo fazer brincadeiras com o Malfoy, por que o Neville não. Eu me levantei e pedi licença, eu precisava muito ir ao banheiro. Quando saí o encontrei parado de fora, ele me olhou e sorriu, eu fiquei meio desconcertada.
— Algum problema, professor?
— Vim te dar os parabéns.
— Poderia ter feito isso depois.
— Sou meio timido para isso — ele sorriu e me abraçou.
— Obrigada. — ele sorriu.
— Você não veio atrás das aulas de Herbologia...
— Eu sei — suspirei e o olhei meio de canto — Você estava tão envolvido com a Luna que achei melhor não me colocar entre vocês, então o Draco tem me ajudado, claro que não é nada como aprender com você, mas já me ajuda bastante — ele riu, eu parei.
— Algum problema?
— Ele! — olhei em volta — Justo agora e justo aqui, que maldito.
— Calma — Neville me abraçou e isso me remeteu ao sonho, eu não podia controlar, eu estava sugando a energia dele- Ag... nes.
— Para! — eu o empurrei, Neville se afastou quase caindo e fraco, ele me olhou — Desculpa, professor, eu não... Eu preciso sair daqui.
Saí correndo, passei pela mesa, ouvi as pessoas me chamando, mas não dei ouvidos, tapei as orelhas e corri com os olhos fechados, meu corpo estava descontrolado, eu sugava as energias sem diferencias puro-sangue e sangue-ruim, eu apenas sugava o que vinha pela frente e isso não era bom. Meu corpo não respeitava aos meus comandos, eu procurava um portal e só sabia disso porque a voz me chamava de volta para a escola. Corri por vários lugares até que finalmente encontrei um, assim que saí na mata corri pelos corredores da escola em busca do quarto, eu tentei resistir, mas ele me guiava, eu tentei não subir o primeiro degrau, eu estava brava comigo mesma por não resistir aquilo, eu estava brava por não ser forte e não poder defender aqueles que eu mais gostava. Minha mão foi até a varinha, eu a balancei e ia lançar o feitiço quando algo me parou, um feitiço foi lançado em mim e me fez parar. Eu ouvi a voz.
— Impedimenta! — foi o que gritara, a pessoa me fez virar para ela.
— Você podia ter usado coisa melhor par apará-la.
— Desculpa se não penso tão rápido quanto você, Granger.
— Weasley — Rony o corrigiu — Agora é Weasley.
— É que sem ofensas, não consigo olhar para ela e pensar que é um de vocês.
— Sem ofensas não te permite ofender alguém, Malfoy.
— Sinceramente, vocês dois — Hermione subiu até onde eu estava — Finite! — eu voltei a me controlar, olhei par a aporta, eu sentia ele lá dentro, eu o sentia nos chamando. — Como você está?
— Bem — falei — E Nyack?
— Você deve ser a única pessoa que se safa de algo e pergunta pelos outros- Draco sorriu — Ele está bem, seus pais estão com ele na enfermaria.
— E o professor?
— Na estufa com a Luna. — Rony falou, eu devia ter imaginado.
— Vou levá-la até a enfermaria — Hermione falou me guiando pelos ombros.
— É seguro deixar aqueles dois juntos? — perguntei a olhando, ela deu de ombros.
— Draco não mataria o Rony e Rony não teria coragem de matar nem mesmo uma aranha, muito menos uma aranha — ela riu me fazendo rir.
A enfermeira verificou Nyack e constatou que ele não tinha nenhum feitiço, depois ela cuidou de mim, meu pai disse que aquilo tudo era muita loucura para ele e ele não via a hora de poder voltar para casa, minha mãe o acalmava enquanto minha avó o provocava ainda mais. Quando fui liberada os três se despediram e foram embora, eu estava me sentindo mal. Peru estava bem, ele voava em volta da minha cabeça, capturava alguns insetos que eu não sabia como ele enxergava. Pensei em ir até a estufa, mas eu não tinha certeza se era uma boa ideia. Parei de fora da entrada tentando decidir o que fazer quando Neville e Luna sairam de uma vez e se assustaram comigo ali, eu os cumprimentei e ia dando meia volta.
— Você vai gostar disso — Neville me puxou para dentro e junto da Luna me mostrou — Ela me deu uns insetos mágicos polinizadores — eu olhei a loira que nos observava com olhos distantes — eles pousam nas flores e já levam para a terra. Não é fantástico?
— Isso resolveria os problemas das plantas trouxas — eu ri admirada — Onde conseguiu isso?
— Na Bolívia, são raros, mas achei que poderiam ajudar vocês então trouxe alguns e eles não costumam fugir.
— Isso é fantástico — falei — Imagino quantas coisas maravilhosas vocês dois não devem ter visto.
— Nada tão maravilhoso quanto café- Neville se lembrou — Aquilo sim é bom.
— E vicia- falei rindo — Posso conseguir um pouco para nós se quiserem.
— Nunca experimentei, acho que vou aceitar.
— Então fica marcada para daqui dois dias aqui na estufa — falei sorrindo.
Ficamos um tempo em silêncio.
— Acho que vou deixá-los a sós, precisam conversar um pouco.
Luna saiu da estufa largando eu e o professor ali. Ele me mostrou outros produtos que a amiga trouxera, alguns produtos para a terra, outros para irrigação e várias outras coisinhas que eu não tinha certeza da utilidade. Ele me mostrou uma muda que ela trouxera de uma flor, era grande e parecia ter dentes e eu torcia para que ela não mordesse as pessoas.
— É apenas para comer pássaros — eu o encarei — É rara, veio da Índia.
— Ela é bizarra- falei observando aquele enorme ser e pensando que ele poderia comer o Peru com uma só mordida. – A Luna te trouxe bastante coisa, não foi?
Ele confirmou e pegou algo mais, mas não era uma planta magica e eu sabia por causa do cheiro, encarei meu professor ele parecia distraído encarando aquela planta.
— Seu avô tinha me dado uma muda disso – ele falou e me entregou o vaso com a planta – Mas não tenho certeza da funcionalidade disso.
Eu ri o que o fez me encarar, coloquei o vaso na mesa, peguei a tesoura de poda e tirei algumas folhas, pedi para me esperar, fui até a cozinha do castelo, peguei água quente e duas xícaras, quando voltei Neville arrumava algumas plantas e as catalogava, provavelmente preparava a próxima aula. Coloquei as folhas junto da água quente e esperei um tempo, o cheiro do chá já tinha tomado a estufa e chamou a atenção do professor, o servi e entreguei uma xícara.
— Cuidado que está bem quente – eu assoprei meu chá, ele bebeu – Está sem açúcar, mas acho que já dá para entender para que serve.
— E para que serve? – eu o olhei e ri.
— Costumamos fazer chá de capim cidreira para acalmar e quando a pessoa está com febre também ajuda.
— Uma folhagem médica?
— Acho que podemos dizer isso, mas é de medicina caseira.
— Os trouxas são tão curiosos – ele falou admirando a água quente levemente esverdeada, o que me fez rir – Eu nunca sei quando pego uma planta trouxa o que ela pode fazer.
— Eu não sou uma especialista, mas caso queira saber de outras posso te ajudar. – ele riu – O que foi?
— Você é minha aluna e é quem está me ensinando – eu ri.
— Pelo menos posso te ensinar – ele sorriu e se serviu de mais chá – A aula de amanhã vai ser com alguma dessas? – apontei com a cabeça.
— Eu até pensei, mas acho que tive uma nova ideia – eu o olhei – Você me ensina a fazer esse líquido de folha?
— Chá – ele não entendeu – É como chamamos.
— Ah... Me ensina a fazer esse chá?
— Claro! Pegue algumas folhas da planta, — ele o fez – Agora vamos para a cozinha.
Ele me seguiu, aquecemos a água de forma segura, colocamos a folha na água quente e esperamos, Neville ficava olhando parecendo admirado, me perguntei como alguém da região mágica próxima a Inglaterra ainda não tinha preparado chá, isso me fez rir e ele me olhou tentando entender a graça, foquei na água quente e no vapor que subia. Servi, alguém entrou e ficou surpreso em nos ver ali.
— Luna, você precisa experimentar isso – Neville serviu para ela – É ótimo.
— Se aqui tivesse algo para adoçar ficaria ainda melhor – falei bebendo mais uma xícara.
Os dois bebiam com calma, saboreando o chá, fiquei esperando pela reação da loira que me olhou suando, estava bem quente e isso me fez rir dela.
— É ótimo – ela falou e olhou Neville – Mas prefiro os de gengibre.
— São muito fortes – falei estremecendo o que a fez rir – Eu tomo só quando estou doente. Já experimentou de canela?
— Bons, mas meio sem graça – ela colocou a xícara na mesa e olhou Neville – Pensei que já tivesse experimentado algo assim, Neville.
— Não, primeira vez – ele me olhou – E foi muito bom. Quantos desses existem?
— Muitos e quando digo muitos quero dizer chá demais mesmo – Luna sorriu – Tem uns que misturam várias coisas, tem vários preparos, acompanhamentos, acho que você precisaria de uma aula sobre trouxismo para aprender apenas uma parte deles.
— E quando você vai começar a me dar isso? – eu o olhei surpresa – Sabe, eu quero entender mais sobre as plantas trouxas e pelo que vi muitas se transformam nesse tal chá, você me ensina? – eu olhei meio surpresa para Luna que tinha se distraído com alguns temperos.
— Cla... claro que ensino – sorri desajeitada – Mas também vou cobrar minhas aulas de Herbologia – ele riu.
Eu sentia falta de ficar na estufa com ele. Eu estava ali pensando nisso quando me lembrei do Peru, ele tinha ficado na estufa e tinha aquela enorme planta comedora de pássaros.
— Ai, droga! O Peru! – eu saí correndo, Neville e Luna ficaram me encarando sem entender.
Corri pelos corredores até a estufa, Peru voava tentando sair, eu não tinha visto quando ele tinha entrado, abri a porta e vi que a planta tinha tentado comê-lo, o pássaro me olhava com os pequenos olhinhos arregalados, as penas bagunçadas, ele estava estressado.
— Desculpa – eu o abracei e acariciei – Desculpa, mesmo – ele esfregou o rosto no meu aceitando as desculpas – Não vou te deixar sair daqui – o coloquei no lato do coque.
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