Magia e outras historias
5 Chamas
Notas iniciais
Estige levantou os olhos, observando os palacetes que se erguiam imponentes. Eram gigantescos. Casarões erguidos em mármore e pedra e se ele visse aquilo alguns anos mais cedo acharia que era tudo espalhafatoso demais, desnecessário demais. Talvez realmente fosse. Agora aquilo era o que vinha a sua mente de mãos dadas a palavra “casa”.
Enquanto guiava o lincoln tranquilamente pelas ruas internas do condomínio Beatles soava no radio e sua parceira quase quicava no banco de trás.
— Vai mais rápido, Artie, eu quero ver o chefe de uma vez.
Estige, ou Artie, não importava realmente, simplesmente tragou seu cigarro, soltando meio ríspido:
— Tem algo chamado limite de velocidade, Khalili.
A morena soltou uma reclamação que mais pareceu um miado indignado.
— Sim, sim, você quer ver o chefe, agora não faça birra que já estamos chegando.
Ela ficou quieta, que nem um gatinho reprendido.
— Sim.
Bah. Ao ver o olhar cabisbaixo da garota Arthur trocou de estação, procurando a musica que sempre passava nesse horário. “ A Day in the life” começou a soar baixinho e do banco de trás a menina já começava a cantarolar.
Da rua alguns dos passantes viam o serio Braço Direito cantando pra sua protegida e soltavam alguns sorrisos. Os homens que estavam de guarda sorriam ao ver o comandante.
Depois de alguns minutos estacionaram o Lincoln, do lado do casarão que mais parecia imponente, pessoas indo e vindo pelas portas e todas elas abriram caminho em respeito a passagem do Destro.
No fim de um corredor do andar de cima, atrás de uma magistral porta bem entalhada estava um garoto. Um jovem adulto. Um cigarro pendendo nos lábios enquanto o jovem chefe olhava meio impaciente pra papelada que parecia se multiplicar por magica a sua frente. Argh. Era um saco.
Vocês devem ter imaginado o alivia dele quando abriram a porta do seu escritório e ele viu que- graças a Deus- não era a maldita secretaria com mais papelada. Ao invés disso um vulto negro se projetou acrobaticamente, passando a sala aos pulos e parando por se jogar no colo dele.
— Também senti sua falta Khali — conseguiu falar depois de terem lascado um beijo nele.
— Eu fiquei com muita saudade che-haaaauuuummm — ela se interrompeu, soltando um miado agudo enquanto o chefe deslizava a mão pela seda negra de seus cabelos. Estige estava em pé a sua direita, cantarolando uma musiquinha qualquer e a expressão dele era tão desinteressada que você podia apostar que era treinada.
Eles ficaram por uns minutos jogando conversa fora, a garota quase derretendo no seu colo e Finn, o jovem chefe, com maestria praticada fingia que a pilha de trabalho na sua frente não existia. Ate o desinteressado Estige soltava um ou outro comentário.
Depois que a papelada a sua frente havia, misteriosamente, quintuplicado de tamanho e Finn já previa mais horas de dor de cabeça ele voltou sua cabeça para Destro e soltou:
— Então Artie, como foi a missão?
Caiu na sala o silencio sepulcral enquanto Khali notava a indireta, se recusava a sair, era intimidada pelo olha de Destro, implorava pra ficar, era novamente intimidada pelo olhar de Destro e no fim das contas se arrastava pra fora, olhando meio irritadiça os sorrisos doces e que se dava pra criancinhas que os dois estampavam na cara.....ia ter troco.
A porta se fechou sem fazer barulho. Destro se certificou que não havia ninguém escutando, mas por procedimento padrão que qualquer outra coisa e punha um cigarro novo na boca, dessa vez do maço do chefe.
— E ai? Algum resultado positivo?
O Braço Direito deu uma longa tragada, soltando um anel de fumaça como se fosse o Gandalf, Finn fosse um dos anões da companhia e aquela sala fosse a terra media.
— Sim
— Sim?
— Sim. Chefe....acho que finalmente encontramos Chuva.
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