Magia e outras historias
1 Alquimia
Notas iniciais
...
— Minha magia?- Bartra arqueou uma sobrancelha.
— Sim!
—....por que a curiosidade repentina?
— Ué, você é forte, ne?
—..Sim
— Então, qual sua magia? Você não me mostrou ate hoje.
Ele pareceu deliberar longamente, emitindo ocasionalmente hummm`s e Será que`s por uns cinco minutos ate que simplesmente deu de ombros.
— Tá, eu te conto, não é como se você pudesse usar isso sem que eu te ensina-se mesmo. Eu tenho três magias.
Anabel pareceu decepcionada.
— Só três?
O mago abriu um sorriso, meio educado, meio arrogante. O sorriso de como quem diz: “ Garota, você não faz ideia do que eu posso fazer”
— Vem, eu te mostro.
Ele seguiu sem pressa nenhuma pra onde Anne sabia que havia uma clareira com um lago enquanto a mesma pulava envolta, o enchendo de perguntas que ele simplesmente ignorou com um sorriso cordial. O que será que seria? Ele faria a terra parar? Soltaria um raio da boca? Soltaria cobras pela boca? Não, ninguém faz isso, é nojento.
Ela continuou divagando ate que eles chegaram ao lago.
— Ok, garota, eu vou te mostra isso só uma vez. Preste muita atenção.
Ele fechou os olhos, a magia começando a circular mais forte no corpo dele e em seguida a fluir pra fora de seu corpo, manchando o ar em um tom brilhante de verde.
Muita, muita magia. Transbordava do corpo dele, suntuoso como um rio, se espalhando e se mesclando no ar. Ele abriu os olhos e eles estavam manchados em verde.
Ele espalmou as mãos umas nas outras e ela pode ver veios de eletricidade se desprendendo dali. Em seguida, espalmou as mãos no chão, a eletricidade fluindo pra fora do corpo dele, o ar vibrando em verde e, em seguida, um tremor.
E então....nada. A luz sumiu e Bartra tirou as mão do chão, sorrindo satisfeito.
— Hummm..Mestre?
— Filhote?
— Foi...só isso?
Ele abriu o mesmo sorriso ferino. Cortez e convencido.
— Ane?
— Mestre?
— Olhe pra baixo...
E realmente. O chão havia passado de terra e grama para um piso de pedra branca de arenito, áspera a seus pés.
—...e pros lados.
Ela virou a cabeça. O piso de pedra se estendia por duzentos metros e então, queda. Aquilo não era um piso, era uma plataforma.
— Tem 200 metros de largura e 150 de altura e eu ainda entalhei uma escada circular envolta da plataforma.
—...Uou. Mestre isso...Uou. isso foi magia de transfiguração?
— Hum? Ah...não, não. Isso foi transmutação, é parte da alquimia- disse Bartra sentando-se no chão da plataforma.
— Alquimia?- disse Anabel sentando-se de frente pra seu Mestre, os olhinhos brilhando.
— Uhum...eu disse que tenho 3 magias, mas acho que isso não esta completamente correto. Eu tenho o domínio de uma ciência magica, a alquimia, a arte da manipulação de ondas e a manipulação de vetores além de, claro, magia básica, mas falando objetivamente alquimia é muito, muito, muito diferente de transfiguração.
— Como?
— Hummm...é como se transfiguração fosse fazer uma coisa parecer outro e transmutação fosse fazer uma coisa virar outra, entende?
— Não!
Se isso fosse um manga Bartra estaria com uma gota na cabeça.
—Ok, ok...hummm, já sei- disse se lembrando das aulas de seu próprio mestre, Índigo- vamos supor que você esta andando na rua e visse um homem mal-trapilho escorado na calçada, o que você acharia que ele é?
— Um desprevilegiado?
— Um mendigo, correto. Agora suponha que alguém lhe de um banho, corte lhe os cabelos e lhe de roupas caras e um jaleco branco. Com o que ele iria parecer agora?
— Ora..um medico.
— Sim, a palavra chave aqui é “ parecer”. Mesmo que ele aparente ser um medico..
— ..Ele não poderia atender ninguém, não poderia atender a função pratica.
— Exatamente- disse abrindo um sorriso orgulhoso. A garota pegava rápido- nessa mesma metáfora transmutação seria o mesmo que se alguém pegasse esse mendigo, o alfabetiza-se, lhe vestisse, lhe ensina-se medicina e o ajuda-se a procurar emprego.
Ela assentiu, assimilando toda a informação e categorizando-a na sua cabeça, na pasta de: “ coisas que o Mestre falava que não eram besteira”
— Hummm..Mestre?
— Sim?
— Como essa metáfora se traduz para a pratica?
— Sendo curto e grosso transfiguração seria fazer uma moeda se transformar numa agulha, mas a agulha não iria furar ninguém, continuaria essencialmente uma moeda. Transmutação é o processo principal da alquimia. Basicamente eu uso minha energia interna pra separar as moléculas de um objeto e a remonto em outro objeto, sendo que a maioria de pessoas precisa usar círculos pra canalizar e direcionar energia.
— Tá, mas não é como se isso pudesse matar algue-
Bartolomeu não deu chance pra garota tola terminar a frase. Ele simplesmente espalmou a mão no chão, transmutando novamente a plataforma, bem mais rápido e de forma bem menos espalhafatosa que antes. A luz veio e se foi num segundo e Anne olhou envolta, calando a boca de imediato.
O chão, antes pedra lisa, agora se elevando como estacas de pedra e metal, saindo de toda a plataforma excerto onde, graças a deus, eles estavam. Ela ficou assustada. Aquelas coisas trucidariam alguém sem problema nenhum.
— Perdão, disse alguma coisa?
Ela olhou envolta
— Não
O Mestre riu
— Ei, ei, não precisa me olhar como se eu fosse um alienígena. Mesmo alquimia tem suas limitações.
Ela olhou novamente pras estacas afiadas como espadas.
— Eu discordo- disse resoluta
— Serio, tem algumas coisas que nem mesmo eu consigo fazer- ele parou para pensar- eu acho...
— Aham. Claaaaaro que não.
Depois de três anos viajando com aquele monstro Anabel tinha a crença imutável que seu mestre era Deus...não estava tão longe da verdade.
— Anne, eu realmente tenho algumas limitações...eu acho.
— Aham. Como quais?
— Em relação a alquimia? As limitações mais importantes são as leis de conservação de massa, a lei do escape térmico e a questão molecular.
Você quase podia ver a fumaça saindo da cabeça da garota.
— Calma, filhote. Eu explico. Ok, ahhh..a conservação de massa é uma lei bem simples. Você só pode transmutar algo de, digamos, 200 gramas em outra coisa de 200 gramas ou menos. Você não pode transmutar algo de 200 gramas em algo de 500 gramas. Nem tente fazer isso.
—O que aconteceria se eu tenta-se?
— Sua magia colapsa e você explode.
A menina arregalou os olhos.
— Serio?
— Sim. BOOM! Mas isso raramente acontece. Alquimistas geralmente trabalham com mais material do que precisam e existem substancias que aumentam exponencialmente a massa de alguns elementos então é fácil de contornar esse problema. Também existe a lei do escape térmico mas essa é uma lei bem idiota.
— Por que?
— Em determinados processos alquímicos você tem que usar simpatia, que é simplesmente redirecionar e convergir energia. Alguns idiotas usam calor do próprio corpo e morrem de hipotermia. Eu simplesmente tranformor minha magia em calor.
— E a ultima?
— Ultima?
— Questão molecular
— Questão molecular?
— Questão molecular
— Eu ia falar disso?
— Ia
— .....Tá bom . Questão molecular. Simples. É impossível você transmutar um elemento em outro. Você não pode transmutar magma em agua ou uma arvore num cachorro.
— Mas..- questionou a aluna- isso é usando a quebra de moléculas, certo? E se você usa-se átomos no lugar? Ai não seria possível transmutar algo inorgânico em orgânico?
— Existe essa teoria. O nome disso é Alquimia Divina mas ninguém sequer chegou a teorizar um experimento.
— Por que não?
— Garota, o que aconteceria se você quebrasse uma construção atômica?
Anabel piscou algumas vezes, arregalando os olhos e ficando branca logo em seguida.
— Uma bomba atômica.
...
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