Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus

9 Capítulo 9 - O dia seguinte não tão normal assim


Notas iniciais
cap dedicado à Sonhadora, minha leitora mais ativa até agora, beijos menina

(5 de abril de 2011)

Meus sonhos daquela noite foram misturados, lembro que sonhei com várias coisas, mas metade delas não lembrei quando abri os olhos, de primeiro, eu vi dois homens ao longe, um eu reconheci como meu pai, Apolo, o outro parecia mais velho, usava um saiote branco e era careca, mas a saia não o deixava com menos jeito de homem sábio e poderoso, ele segurava nas mãos o amuleto que eu havia encontrado e ele e meu pai pareciam estar em uma discussão intensa.

Pensei em chamá-los, dizer que eu estava ali, mas nem bem cogitei essa ideia e o sonho mudou. Agora eu estava em uma espécie de campo e ao redor havia várias construções estranhas, uma menina virava lentamente a lenha numa fogueira que ardia de modo lento.

Segundos depois abri os olhos.

– Natália, está na hora de acordar! – Era a voz de mamãe, olhei o relógio e resmunguei algo sobre tempo traidor, violação dos direitos de dormir e baldes de água fria.

Espreguicei-me antes de gritar:

– Já estou levantando!

Arrumei minha roupa de qualquer jeito sobre a cama e fui tomar banho.

O café da manhã foi um evento silencioso, mamãe nada falava sobre o que havia acontecido na noite anterior e eu não tinha nada para comentar. Mas uma coisa ficava martelando na minha cabeça, pois se eu ia passar o ano letivo na escola de bruxaria, e os dois meses de férias alternando entre o acampamento e a mansão do Brooklyn, uma coisa era óbvia: Eu não ficaria mais com minha mãe.

Olhei para ela e notei que ela havia tido o mesmo pensamento, pois de repente pareceu ficar mais triste.

– Ainda temos as férias de primavera e os feriados. – Murmurei automaticamente, tentando fazer com que ela melhorasse e eu também.

Mamãe apenas concordou com a cabeça, então a campainha tocou, senti meu corpo ficar tenso em resposta ao som.

– Nat? Sou eu, Peter! – Chamou a voz de meu amigo. – Você está em casa?

Levantei da mesa e abracei minha mãe.

– Vai dar certo. – Falei.

– Eu sei querida. – Ela respondeu e me deu um beijo no rosto. – Agora vá, vou mandar a confirmação para a escola.

– Está bem mamãe.

A campainha tocou novamente.

– Já vou! – Gritei enquanto pegava minha mochila e saía correndo em direção a porta.

– Oi Nat. – Peter falou sorrindo assim que me viu. – Eu já ia embora, você geralmente não demora tanto que eu pensei que já havia saído.

Dei de ombros, olhei para dentro de casa pouco antes de fechar a porta.

– Desculpe, estava falando com a minha mãe. – Respondi meio sem jeito. – Vamos indo? Onde as meninas estão?

Ele apontou para o final da rua, na direção que seguíamos lentamente. Liz e Linda pareciam bastante nervosas com algo e conversavam entre si, Linda gesticulava bastante, o que significava que ela estava muito agitada.

– Elas pediram que eu viesse sozinho. O que houve Nat? – Meu amigo estudava meu rosto enquanto eu fitava as duas garotas que esperavam por nós a poucos metros de distancia.

– Não sei dizer ao certo. – Respondi hesitante.

Olhei para ele, então desviei o olhar, era triste saber que depois das próximas férias Peter não estudaria mais comigo, nem eu estudaria com as meninas. Baixei a cabeça me sentindo miserável.

Pare com isso. Falei mentalmente comigo mesma. Não é culpa sua.

– Oi Nat! – Linda e Liz falaram para mim ao mesmo tempo.

– Oi. – Respondi em voz baixa.

Aquilo foi tudo o que eu falei enquanto caminhávamos até o metrô, e por toda a viagem que levava até a escola.

– Ei? – Liz me chamou quando estávamos no jardim da escola.

– Sim? – Olhei para ela, seus olhos verdes me fitavam cheios de preocupação.

– Você está bem? – Perguntou e ela mesma respondeu. – Não, não está.

Revirei os olhos como se dissesse: dã.

– Mas vou lidar melhor com isso depois. – Respondi quietamente enquanto passávamos pelas portas de entrada.

– Tudo bem. – Liz respondeu.

– Nat? – Linda colocou a mão no meu ombro.

– Sim? – Olhei para ela tentando parecer despreocupada, mas não consegui.

– Podemos conversar? – Ela parecia ansiosa, ou preocupada com algo.

Concordei com a cabeça e comecei a segui-la para o banheiro.

– Aonde vocês vão? A aula já vai começar! – Peter falou ao ver nós duas nos afastando, mas Liz segurou seu pulso.

– Está tudo bem. A Linda só quer conversar com a Nat, vamos para a sala. – Liz disse como se não fosse nada demais.

Peter me olhou por um momento e eu fiz um leve aceno com a cabeça, ele pareceu um pouco relutante, mas foi com Liz para a sala.

– O que foi? – Exigi de Linda assim que ficamos sozinhas dentro do banheiro das meninas.

– Liz me falou tudo! Você é uma União Rara! – Ela disse indo direto ao ponto.

Baixei o olhar e fitei as torneiras prateadas da pia múltipla do banheiro.

– E? – Perguntei ainda sem olhar para ela.

– Nat, você não percebe? Você não está mais segura! Nem a sua mãe!

Olhei minha amiga, seus olhos estavam turbulentos, a postura tensa e de repente notei que Linda usava um lenço lilás no pescoço, mas não estava com ânimo suficiente para perguntar sobre aquilo. Minha amiga nunca foi muito normal mesmo.

– Como assim? O que você quer dizer? – Voltei a mim por tempo suficiente para perguntar.

– Coisas ruins acontecem a pessoas como você e a pessoas ligadas. – Ela falou, sua voz de repente assumindo um tom urgente. – Nenhum mago da mansão sabe o que aconteceu com a família dos outros iguais a você Nat, mas o acampamento sabe, eles mandaram protetores, só que não adiantou.

– O quê? Linda, eu não estou entendendo.

Ela abriu a boca para responder, mas nesse momento soou o sinal. Linda respirou fundo.

– Entendo que Liz não tenha dito nada a você, e realmente, por enquanto você não precisa se preocupar demais, então depois da aula eu explico melhor, está bem? Agora temos que ir para a sala. – Disse pegando meu pulso e me puxando para fora do banheiro na direção da nossa turma.

*****

As coisas estavam ocorrendo normalmente até a metade do segundo tempo de aula, quando o alarme de incêndio disparou.

– Treinamento de incêndio. – Nosso professor falou pegando o casaco do encosto da cadeira e as próprias coisas da mesa enquanto fazíamos o mesmo.

Estava tudo tranquilo até notarmos a fumaça que entrava pelas frestas da porta.

Nesse momento o caos (e não, não foi Apófis) reinou dentro da sala e todos se desesperaram. Quando o professor abriu a porta e saiu correndo muitos alunos foram atrás gritando os nomes de alguns colegas de outras turmas ou apenas gritando a plenos pulmões.

Meus amigos seguraram minhas mãos, mas com o empurra-empurra na porta da sala acabei soltando seus dedos. Tampei o nariz e olhei ao redor, mas não via meus amigos em lugar nenhum, pensei ter ouvido um “vamos Nat!”, mas não consegui identificar de onde veio.

– Liz? Linda? Peter? – Gritei enquanto dava alguns passos para sair da sala, a fumaça estava ficando cada vez mais espessa.

Mal dava para enxergar então tive que ir tateando por entre as mesas até sentir uma mão agarrar meu pulso, pensei em gritar, mas não consegui encontrar minha voz.

– Nat? É você? – Soltei um suspiro baixo de alívio ao reconhecer a voz de Linda.

– Sim! – Respondi e tossi ao inalar a fumaça. – Sou eu!

– Precisamos chegar até o senhor Wolf! – Ela gritou para mim, eu não saberia dizer onde ela estava se sua mão não estivesse em meu pulso.

– Por quê? – Gritei de volta e percebi que estávamos no corredor, onde quase não havia fumaça, que estranho, e o alarme ainda soava. – Onde estão Peter e Liz?

– Conseguiram sair a tempo. – Ela respondeu e tossiu. – Mas quando notei que você não estava com a gente voltei na hora! Eles não sabem que estou aqui! O que importa no momento é que não estamos conseguindo sair daqui! As portas de saída não ficam desse lado?

Reparei que ela tinha razão, sempre que virávamos para o corredor da saída outro corredor aparecia na nossa frente, como se estivéssemos andando em círculos. Eu estava a ponto de dizer que havia algo errado quando ouvi algo vindo em nossa direção, era parecido com um som metálico de alguém mancando, e do outro lado do corredor parecia vir o som de um arrastar de cobra.

– Ah não! – Ouvi minha amiga murmurar, seus dedos tremeram em meu pulso.

– Linda? Linda o que houve? O que é isso? – Perguntei e agarrei a mão dela.

– Eu sabia que você não era uma boa companhia! – Minha amiga gritou para o nada à nossa frente, de onde o som de alguém mancando vinha.

– Muito bom! – Respondeu uma voz familiar e eu estremeci. – Acho que já podemos parar com esse teatro de incêndio não é?

A mulher estalou os dedos e a fumaça sumiu, olhei para os lados e fiquei em choque. Dos dois lados do corredor estavam as duas pessoas que eu não esperava. Minha professora e a zeladora da escola.

– Senhora Connoly? – Arfei e olhei para minha professora e depois para a mulher morena do outro lado do corredor que olhava para mim e Linda de um jeito assassino. – Senhora Martin?

– Elas não são mortais. – Minha amiga falou para mim, sua voz cheia de medo, mas também com determinação. – São monstros.

Notas finais
espero que tenha, gostado, se chegou até aqui, deixe um review, quem gosta de fantasmas são os filhos de Hades (nada contra ok? alguns dos meus melhores amigos são filhos de Hades)