Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus
17 Capítulo 17 - Falando de mim para Will
Notas iniciais
Certo, antes que você me julgue pela conversa que eu tive com a Annie, preciso contar a breve conversa que eu tive com Will antes de falar com ela.
– Você já tentou falar para ela? – Perguntei, e ele parou de andar (pensei que talvez houvesse uma esperança e eu não precisasse revirar o acampamento atrás de uma garota para ele. Eu tinha que tentar ora!).
– Já, mas ela só tem olhos para o Nico e nem prestou atenção no que eu dizia. É por isso que eu acho melhor desistir. – Will baixou a cabeça. – Você não faz ideia de como foi hoje...
Sua voz estava tão melancólica que eu me senti mal e surpresa por ele me falar algo tão pessoal.
– Mas eu não consigo desistir, porque ela está em tudo e mesmo assim não importa, porque ela não me quer. – Ele falou em voz baixa e olhou para mim. – Então Nat, só... esqueça o que eu falei sobre ela, sobre o que eu sinto por ela, não é importante.
Olhei para trás, para a porta do chalé de Atena, sem saber o que dizer sobre isso.
– Vou pegar meu arco, minha última aula de hoje é a linha de tiro agora. – Ele falou mudando de assunto de repente. – Se quiser entrar no chalé tudo bem.
– Agora não, tenho que pedir uma coisa para a Annie. – Menti e olhei para ele. – Assim que conversar com ela vou até lá com você, está bem desse jeito?
– Sabe onde fica a linha de tiro? – Seus olhos me fitavam com desconfiança, mas meu rosto estava tranquilo, ele tinha um bom motivo para duvidar de minhas intenções, embora eu só quisesse ajudá-lo.
– Sei, Quíron me mostrou, não se preocupe. – Falei e ele deu de ombros.
– Está certo. – Disse e entrou no chalé reluzente que eu ainda não havia entrado.
Dei meia volta e parei na frente do chalé de Annie por alguns segundos, até começar a andar de um lado para o outro.
– Talvez ela goste de você. – Murmurei para mim como se estivesse falando com Will. – Só não sabe disso... – Revirei os olhos. – A quem estou tentando enganar? Eu vi como ela olha para o Nico...
E resmunguei por mais um tempinho até ela aparecer na porta do chalé.
A partir daí você já sabe o que aconteceu então eu posso adiantar um pouco a história.
Depois que conversamos Annie relutantemente me acompanhou até a linha de tiro, ela havia ficado muito quieta depois da conversa que tivemos sobre Will e isso me deixou preocupada.
– Tudo bem agora. – Falei para ela assim que consegui identificar meu irmão no canto mais afastado do grupo com arco e flecha, que a propósito não eram apenas galhos recurvados com uma corda, mas sim verdadeiras armas de guerra que eu não sabia descrever muito bem. – Se quiser pode ir.
– Nat, diz para ele que... – Eu sacudi a cabeça em negação.
– Nossa conversa sobre o que ele sente por você nunca aconteceu, então se quiser falar algo, é melhor que seja pessoalmente. – Falei e pisquei com um olho. – Eu não sei e não disse nada.
Ela pareceu entender e deu um sorriso tristonho na minha direção.
– Ta bem então. Tchau. – Disse e se afastou com a cabeça baixa.
Dei um suspiro e voltei a olhar para onde Will devia estar, mas meu irmão não estava mais lá.
– O que você falou para ela? – A voz de Will falou acima de mim e eu pulei com o susto que ele me deu.
– Ai Will, que susto! – Reclamei e ele ergueu uma sobrancelha, esperando a resposta. – Bem, eu pedi para ela me apresentar algumas pessoas aqui no acampamento, não estou com a menor vontade de ficar nos seus calcanhares enquanto estiver aqui meu querido irmão.
Will me olhou por algum tempo, estudando minha expressão e avaliando se era mesmo verdade o que eu disse, bem, era verdade em parte.
– Tudo bem, você pode ficar nos meus calcanhares sempre que quiser! – Ele disse e desarrumou meu cabelo. – Eu não ligo, é legal ter uma irmãzinha mais nova.
Afastei a mão dele do meu cabelo com uma careta em meu rosto e ele caiu na gargalhada.
– O que foi? – Perguntei arrumando meu cabelo no lugar e fazendo outra careta para ele.
– Você devia ter visto a sua cara! – Will falou ainda rindo. – Estava tão engraçada!
Resisti ao impulso de mostrar a língua e acabei dando uma risadinha por fim.
– Eu não sou a única irmã que você tem. – Falei e ele deu de ombros.
– Você tem um ponto – Will admitiu revirando os olhos e estendeu o arco que trazia nas mãos para mim – então, quer tentar atirar já que está aqui?
Olhei para o arco e pisquei.
– Eu não sei se é uma boa ideia. – Falei devagar e coloquei as mãos atrás das costas.
– Ora, você é uma semideusa! Precisa aprender a manipular algum tipo de arma! – Ele falou parecendo surpreso, depois olhou nos meus olhos. – Não me diga que nunca pegou...
– A primeira vez que tive algum contato com uma arma foi hoje. – Murmurei sem graça.
– O que aconteceu? – Sua voz parecia curiosa e preocupada ao mesmo tempo.
Olhei para os outros que treinavam com seus arcos a alguns metros, o som abafado de flechas atingindo o alvo e cordas sendo puxadas era estranhamente reconfortante para mim e me deixava relaxada, de repente senti vontade de tentar também, parecia tão fácil.
– Eu conto e você me ensina. – Falei e peguei cuidadosamente o arco das mãos dele.
– Está bem. Primeiro você precisa colocar essa proteção bem aqui, senão quando soltar a corda o impacto pode deixar uma marca bem feia. – Will falou e colocou uma coisa estranha envolvendo meu braço direito.
– Hum, eu sou canhota. – Murmurei sem saber o motivo para aquela informação ser importante.
– Ah, certo. – Ele murmurou com um sorriso e trocou o “troço” estranho de lugar.
– Eu e Linda fomos atacadas na escola. – Falei quando ele terminou de ajeitar meu braço.
– Entendo. Que tipos de monstros? – Sua voz estava gentil enquanto ele me ensinava devagar o que eu devia fazer com cada parte do equipamento que fazia parte do arco.
– Não sei o nome, mas posso dizer como eram, uma parecia ter duas cobras no lugar de pernas. – Descrevi enquanto testava a resistência da corda, me senti meio boba fazendo aquilo, mas parecia o certo apenas. – A outra tinha duas pernas diferentes, uma parecia um casco de burro.
– Dracaena e empousa. – Ele falou automaticamente assim que acabei de descrever. – E vocês duas saíram ilesas?
– Não exatamente. – Falei lembrando que Linda tinha se queixado de um provável pulso torcido.
– Ah, claro, o braço da Linda. – Will falou como se tivesse lido a minha mente.
– Como você sabe? – Perguntei quando ele me entregou uma flecha.
– Eu que ajeitei o braço dela quando ela foi me chamar para falar com Quíron. – Disse com um sorriso e eu assenti, mas antes que pudesse perguntar alguma coisa sobre aquilo ele falou: – Muito bem, essa é uma flecha comum com a ponta simples, mas não quer dizer que não vai machucar se acertar em alguém, então cuidado ok? O alvo que eu estava treinando é aquele ali.
Ele apontou para um alvo com vários círculos finos de cores diferentes colocado a mais ou menos uns 15 metros de distância de onde estávamos.
– Como você é nova nisso, acho melhor diminuirmos um pouco a distância...
– Não. Posso tentar daqui? – Pedi.
– Nat... – Will começou, mas olhei para ele como se dissesse: Deixa vai, por favor.
Meu irmão revirou os olhos e assentiu com a cabeça.
– Certo, mas toma cuidado com os outros. Ah! Só mais uma coisa. – Ele ficou atrás de mim e me ensinou a força para puxar a corda e como mirar. – Pronto, agora pode atirar.
Tirei minha atenção dele e me concentrei.
Vamos lá Nat. Pensei ficando nervosa de repente. Não pode ser tão difícil.
Respirei fundo e busquei o círculo central, o pequeno ponto preto bem no meio do alvo. Era uma sensação estranha a que eu estava sentindo naquele momento, parecia que o tempo estava mais lento e eu podia ver na minha cabeça o trajeto que a flecha ia fazer quando eu disparasse e estava confiante de que ia dar certo.
Estiquei a corda ao máximo que meus braços permitiam, mirei, então veio uma sensação estranha, um sussurro insistente na minha cabeça: a direção do vento vai mudar, suba um pouco a ponta da flecha.
Ergui a ponta levemente... e disparei.
Um segundo depois a flecha estava perfeitamente cravada no alvo que eu havia escolhido: o círculo central preto.
Olhei para Will, meu irmão não parecia surpreso e exibia um largo sorriso na minha direção.
– Para quem nunca pegou em uma arma, você até que se saiu bem! – Disse em um tom brincalhão. – Mas agora está na hora de irmos para o chalé. Vem, vou te apresentar aos nossos outros irmãos.
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