Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus

7 Capítulo 7 - Conhecendo meus novos professores


Notas iniciais
E ae galera, ainda vai demorar um pouco para ela chegar ao acampamento, mas não se preocupem, essa parte já ta pronta

Ele sorriu e me abraçou, eu chorei por mais alguns minutos e ele não falou nada. Respirei fundo e ele me soltou.

– Pelo Estige, eu nunca pensei que seria tão difícil convencer você minha filha! – Ele exclamou, mas parecia aliviado.

Eu sorri timidamente.

– Então você é meu pai, mas, um deus? – Falei baixinho e ele revirou os olhos.

– Sim, um deus. – Ele se afastou de mim e ficou de pé, por um instante sua forma tremeluziu e eu via um garoto, uma versão mais jovem do homem que esteve na minha frente. Novamente ele assumiu a forma adulta e se aproximou devagar. – Isso foi apenas uma pequena demonstração, pois como deus eu posso ter a forma que quiser, a aparência que quiser.

Revirei os olhos.

– Isso é trapaça, mas parece ser legal! – Comentei e me surpreendi ao ver que estava me sentindo muito bem com aquilo tudo, estranho.

Ele bufou.

– Nem tanto, mas vamos falar de você. – Ele olhou para frente e eu segui o olhar dele.

Ainda estávamos no palco, mas quando olhei percebi que o auditório havia sumido, no lugar dele estavam três imagens distintas: a primeira era a imagem de uma enorme mansão, no alto de um prédio em ruínas, símbolos estranhos cobriam as paredes de cima a baixo.

A imagem do meio era de um enorme castelo, às margens de um rio de águas escuras, com torres e mais torres se destacando acima umas das outras.

E a terceira imagem era de um acampamento de verão, com crianças e adolescentes usando camisetas laranja e eu podia jurar que os cavalos tinham asas.

Olhei para meu pai, confusa.

– Esses são seus caminhos Nat, você precisa escolher qual você quer seguir. – Apolo falou olhando para mim, sua expressão estava séria. – O máximo que você pode escolher são dois.

Olhei novamente para a imagem e senti minhas mãos tremendo, tentei ser objetiva, escolher apenas dois caminhos de três que eu não conhecia nada, mas não consegui, quando eu tentava era como se algo gelado apertasse meu coração, eu podia escolher abrir mão de uma das três partes de mim?

– Eu... Eu... – Gaguejei e olhei para ele, respirei profundamente, como dizer aquilo? – Pai, eu não posso escolher sem ter experimentado algo de cada, todos três fazem parte de mim, parte de quem eu sou.

Ele franziu a testa.

– Você não vai conseguir aguentar, os três caminhos exigem dedicação total, você não pode ser uma maga, uma bruxa e uma semideusa...

– Mas é o que eu sou! Não entendi direito tudo isso, ainda é confuso, mas sei que tudo isso faz parte de mim! – Falei de repente interrompendo o que ele dizia e abrangendo com um gesto as três imagens. Uma ideia louca surgiu na minha cabeça. – Faço o seguinte acordo com o senhor, eu vou ter um período de experiência em cada um desses lugares, se eu não aguentar, faço a escolha entre eles, está bem assim?

Meu pai me olhou como se eu fosse louca, mas deu um sorriso depois de uns segundos.

– Está bem! Que assim seja minha filha. – Ele me abraçou e beijou minha testa, senti como se algo quente passasse por meu corpo inteiro, em seguida senti como se uma corrente elétrica me atingisse e outras sensações estranhas vieram em rápida sucessão. Olhei com curiosidade para meu pai. – Os deuses do conselho quiseram lhe dar alguns dons. – Ele falou, algo em seu tom me disse que ele estava surpreso. – Mas só seriam concedidos se você não escolhesse um destino rapidamente, apenas se você provasse que cada possível escolha merecia uma chance. Nem mesmo Atena resistiu a essa ideia.

Sorri para ele.

– Vou mostrar a vocês que mereci receber esses presentes. – Falei e baixei a cabeça.

– Eu sei Natália, mas agora preciso ir, e você precisa acordar, tente não entrar em pânico está bem? Qualquer que seja sua escolha, eu estarei sempre com você, até logo.

Ele ergueu a mão na minha direção e fechei os olhos, um segundo depois ouço a voz da minha mãe.

– Nat? Nat, querida, você está bem?

Suspirei e abri os olhos.

Mamãe olhava para mim com preocupação, quando me viu, com os olhos abertos, parecia aliviada.

– Que bom! – Ela me abraçou e me sentou no sofá, olhei ao redor, ainda estava de noite, eu me sentia estranha, quase tonta, mas essa não era a palavra ideal para o que eu estava sentindo.

– Nat? – Era a voz de Liz, olhei para ela. – Você passou muito tempo desmaiada, o que... ?

– Estava falando com o papai. – Eu disse e minha amiga parou em choque, a boca de minha mãe abriu em um ‘O’ perfeito.

– O que? – Mamãe e Liz disseram ao mesmo tempo, completamente pasmas.

– Falei com o papai. – Repeti e dei um suspiro antes de olhar para minha mãe. – Você está certa, ele é um deus.

– Mas... Mas... – Liz parecia completamente sem palavras. – Mas você conseguiu retirar o amuleto do armário.

– Amuleto? Que amuleto? – Mamãe perguntou franzindo as sobrancelhas para mim.

Mordi o lábio.

– Eu encontrei um amuleto no meu armário, achei que fosse um presente de aniversário. – Falei hesitante e levantei. – Espera um pouco, eu vou pegar a minha mochila para mostrar para você.

Fiquei de pé, eu me sentia estranha, não estava pirando com tudo aquilo, mas sentia que estava perto. Afastei-me de mamãe e de Liz, peguei minha mochila que estava encostada perto da porta de entrada e voltei para a sala de estar.

Sentei novamente ao lado da minha mãe, eu mais parecia um robô que uma pessoa. Com movimentos lentos retirei o pequeno pacotinho de linho e mostrei o amuleto para minha mãe.

Parecia um besouro, só que era dourado e parecia feito de metal, ou talvez fosse ouro puro. Olhei para Liz, ela parecia um pouco mais pálida ao ver o amuleto.

– Uau, eu realmente fiz bem em chamar... – A campainha tocou interrompendo a frase de Liz.

Mamãe levantou, vi que ela havia fechado as mãos em punhos para impedi-las de tremer, aquilo tudo estava realmente mexendo com ela.

– Nat, você precisa vir comigo. – Liz falou quando a minha mãe sumiu pelo corredor, seu rosto estava cansado.

Ergui a mão para ela parar quando ouvi minha mãe abrir a porta.

– Me desculpem, mas quem são vocês?

Houve um momento de silêncio, então uma voz de mulher chegou até onde eu estava.

– Com licença senhora, meu nome é Zia Rashid, uma aluna nossa mandou um aviso...

– Sim, já entendi, ela está aqui. – Mamãe interrompeu, sua voz demonstrando toda sua tensão. Eu desejei que ela não pirasse, pois eu não ia conseguir passar por tudo aqui sem ela – Entrem.

Liz levantou do sofá no momento que eles entraram em meu campo de visão. Eram um homem e duas mulheres, a mulher que estava na frente aparentava ter no máximo 25 anos, tinha cabelos curtos, na altura do queixo, com uma franja longa que caía sobre os olhos. A pele era cor de caramelo e os traços eram ligeiramente árabes, porém bonitos. Os olhos, delineados com tinta preta, eram de um tom estranho de âmbar que pareciam tanto lindos quanto assustadores. Ela usava sandálias e roupas de linho folgadas, que a deixavam com ar de estar indo para uma aula de artes marciais.

O homem era alto, um pouco musculoso, moreno e como a mulher estava usando roupas de linho, parecia ter a mesma idade que ela.

A outra mulher tinha cabelos claros, quase louros e com várias mechas roxas, olhos azuis e era bonita. Parecia um pouco mais nova que o homem e a mulher.

Liz correu para abraçá-los.

– Zia! Carter! Sadie! – Falou enquanto abraçava cada um, mas parou ao lado da mulher loira.

Os quatro olharam para mim.

– Essa é a menina que você falou para gente? – A primeira mulher, Zia eu acho, disse e se aproximou lentamente de mim.

– É sim, o nome dela é Natália. – Minha amiga falou e olhou para mim. – Está tudo bem Nat, a Zia é uma boa pessoa.

Respirei fundo e pensei: Tudo bem, você consegue Natália.

– Oi. – Falei e estendi a mão, a mulher apertou.

– Zia Rashid, muito prazer.

O homem se adiantou e estendeu a mão.

– Meu nome é Carter Kane. – Soltei a mão da mulher e apertei a dele.

– Ta, ta, ta. – Disse a loira e estendeu a mão, eu tive que me conter para não recuar e conseguir apertar a mão dela. – Sadie Kane, a líder não oficial do Vigésimo Primeiro nomo e irmã dele.

Ela apontou para o homem.

– Ei! – Reclamou Carter.

Então os três olharam para minha amiga. Espera, eles dois eram realmente irmãos? Não eram nada parecidos. Ok, decidi deixar essa questão de lado.

– Você já explicou para ela?

Liz assentiu com a cabeça.

– Pelo menos uma parte, mas, hum, tem uma coisa interessante sobre ela.

Os três olharam para Liz com ar indagativo.

– Nat é uma semideusa. – Ela falou sem rodeios.

– Como você tem certeza Liz? – Carter perguntou, ele parecia preocupado, mas não achando aquela informação estranha.

– Meu pai falou comigo quando desmaiei. – Falei chamando a atenção deles de volta para mim. – O nome dele é Apolo, estávamos falando sobre ele quando vocês chegaram.

– Interessante. – A mulher chamada Sadie falou, sua expressão parecia totalmente desinteressada e ela mascava tranquilamente um chiclete.

– Mais que interessante. – Concordou Zia prontamente e em um tom sério, devo admitir que eu não estava entendendo nada, afinal, exatamente o quê era interessante?

Carter viu minha expressão confusa e fez com que eu me sentasse.

– Natália, você é o que nós, magos egípcios e integrantes do acampamento, começamos a chamar de “União Rara”. – Ele começou a explicar e olhou para as duas mulheres como se precisasse de apoio.

– Certo, e o que isso quer dizer? – Perguntei, ficando interessada de repente.

– Como o nome sugere, você é um caso especial, raro, uma semideusa e uma maga egípcia. – Explicou Zia. – Temos mais alguns iniciados na mansão do Brooklyn que são como você, magos e semideuses, tivemos que entrar em um acordo com o acampamento para podermos levar nossos ‘uniões raras’ para lá.

Assenti levemente e esperava não estar demonstrando que meu interior estava ficando em frangalhos com tudo aquilo e eu estava começando a ficar desesperada (lê-se estava completamente desesperada).

Não entre em pânico. A voz de meu pai soou em minha mente. Não importa sua escolha, estarei sempre com você.

Sorri levemente e respirei fundo antes de perguntar:

– Então para onde eu tenho que ir? Acampamento ou mansão?

Naquele exato momento eu havia decidido que ia manter minha ida para Hogwarts tão oculta quanto possível. Ou pelo menos eu esperava que fosse assim.

Notas finais
espero que gostem, e não se esqueçam de deixar um comentário com sua opinião, nem que seja apenas para dizer que amou, que odiou, etc. Beijos