Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus
34 Capítulo 34 - Eu abro um portal
Notas iniciais
Tentei ao máximo melhorar o ânimo de Peter durante os trinta minutos que ele passou comigo e com a minha mãe, mas pude perceber que ele ainda estava bastante abalado com alguma coisa quando nos despedimos na frente da minha casa.
– Vai ficar tudo bem. – Falei e ele concordou embora não parecesse completamente convencido daquilo.
– Eu volto para pegar minhas coisas amanhã, está bem? – Falou olhando para além da porta, onde todos os pacotes que ele havia comprado no Beco Diagonal estavam.
– Tudo bem. – Disse dando de ombros.
– Tchau. – Ele falou.
– Tchau Peter.
Quando ele estava distante o suficiente voltei para dentro de casa. Não sabia o que pensar, estava tão surpresa em diferentes níveis que nem sabia o que fazer ou por onde começar.
Comece pelo começo. Pensei para mim mesma antes de respirar fundo.
– Mãe! – Chamei indo até a cozinha.
– Sim querida? – Ela perguntou ao me ver.
– Onde está o meu material? – Perguntei olhando ao redor. – A senhora já o retirou do Duat?
– Sim Nat, está tudo bem aqui. – Ela falou apontando para a mesa da cozinha e eu soltei um suspiro desanimado. – Você tem mesmo certeza de que é isso que você quer?
Olhei para mamãe e concordei com a cabeça antes de começar a desembrulhar meu material escolar.
Eu e mamãe passamos boa parte da noite mexendo e remexendo no que podíamos, até que ela mencionou um ponto importante:
– Amanhã Linda e Liz irão vir para levar você ao acampamento.
Ah, o acampamento, rever Will, Molly e meus outros irmãos, juntamente com os outros campistas que havia conhecido.
Dei um sorriso com o pensamento e concordei com a cabeça.
– Mas mãe. – Comecei sem saber ao certo.
– Sim?
– Não seria melhor irmos segunda-feira? – Mamãe sorriu, mas parecia triste. – O que foi?
– Elas vão levá-la amanhã a pedido meu, querida. Pois terei que ir ao Primeiro Nomo novamente, mas não se preocupe, não irá acontecer nada de ruim.
Concordei com a cabeça, um tanto preocupada, porém fiz um esforço para deixar aquilo de lado.
– Está bem então. – Murmurei.
– E já está na hora da senhorita ir dormir. – Ela falou naquele tom de ‘acabou a conversa’.
– Tudo bem, boa noite. – Falei guardando o último livro dentro do malão da escola.
Dei um abraço nela e fui para o meu quarto, querendo que amanhã chegasse o mais depressa possível.
*****
De manhã era impossível não me sentir alegre com o retorno ao acampamento, apesar de sentir falta dos meus antigos amigos, eu agora sentia uma falta ainda maior dos meus irmãos e irmã.
Peter veio rapidamente, fez um breve lanche e conversamos sobre como seria a nova escola, mas minha cabeça não parava de mudar de rumo quanto ao meu destino iminente: o Acampamento Meio-Sangue. Sei que devia, mesmo com a ideia de ter Peter comigo, mas não estava realmente empolgada com a ida para Hogwarts.
Estava anoitecendo quando a campainha tocou.
– Nat? – Era a voz de Linda.
– Estamos entrando! – Anunciou Liz, sua voz vinda do corredor de entrada.
– Oi meninas! – Exclamei quando as vi e abracei cada uma.
– Oi! – Elas falaram e retribuíram meu abraço mesmo parecendo um tanto desconfortáveis (é incrível o fato de que apenas nós brasileiros gostamos de abraçar os amigos, fazer o quê, né?).
Quando me afastei percebi que Linda já estava com a blusa do acampamento e seu lenço que naquele dia estava laranja, acho que para combinar com as roupas dela, e jeans.
Liz usava roupas de linho branco e o seu colar com o nó de Ísis, ao lado do seu corpo estava sua bolsa de carteiro com seu material para magia.
Estávamos indo naquele horário por causa da diferença das horas de Londres para Nova York. Afinal ainda estava no início da tarde no acampamento.
– Está tudo pronto? – Linda perguntou e eu assenti no mesmo momento que mamãe descia a escada com uma mala em sua mão.
– Mãe? – Perguntei, mas ela apenas sacudiu a cabeça.
– Vá buscar o seu malão e podemos ir. – Ela falou, fiquei confusa, mas não questionei.
Assim que saímos Liz lançou uma magia de proteção ao redor da casa, já que mamãe não podia usar seus poderes, e entramos no táxi para irmos ao museu.
*****
– Nat, você vai ter que abrir um portal. – Liz anunciou assim que pagamos as entradas e nos dirigíamos para a ala egípcia do museu.
– O QUÊ?! – Praticamente gritei e as pessoas ao redor olharam para mim.
– Shhh!! – Linda e mamãe fizeram ao mesmo tempo.
– Vou abrir um portal para sua mãe ir para o Primeiro Nomo, porém é muito cansativo fazer isso duas vezes, e é bom para vermos como você se sai ao abrir um portal, não se preocupe, não é difícil. – Assegurou, mas eu não fiquei tão confiante assim, acredito que nem Linda pareceu ter gostado muito do plano, eu a entendia.
– Ah, aqui estão! – Liz falou ao apontar para duas esfinges de pedra postadas lado a lado. Mordi o lábio, ansiosa de repente. – Vamos usar essa aqui para abrir o portal para o Egito, tudo bem dona Marcela?
Olhei para mamãe, que assentiu uma vez, seu queixo trincado, ela odiava se sentir presa a regras, eu sabia disso, mas ela as seguiria à risca se fosse necessário.
Linda olhava ao redor e remexia no lenço nervosamente.
– É prudente fazermos isso com esse tanto de mortais ao redor? – Perguntou em voz baixa, seus olhos azuis mostrando uma angustia estranha.
– Não se preocupe, com a nossa sorte em breve algo ruim vai acontecer e distrair os mortais para nós. – Liz murmurou, por um instante pensei que ela estivesse brincando, mas sua postura tensa me disse que não.
Dito e feito, poucos segundos depois um alarme soou e todos os mortais saíram correndo.
– É melhor agir logo! – Linda falou com preocupação e transformando o lenço em uma espada. – Vou ver o que está vindo.
Ela se afastou e eu peguei os óculos que Apolo havia me dado, logo o belo arco (sem corda) surgiu em minha mão direita e eu me senti mais segura ao sentir seu peso familiar.
Minha amiga fez um desenho na esfinge enquanto falava para mim apressadamente:
– Vou te emprestar a minha varinha, esse é o desenho que você terá que fazer na outra, sei que ainda não segue caminho de deus algum, mas se pedir talvez algum te atenda, a melhor para ensinar é Ísis, mas os outros também podem ajudar.
– Certo. – Falei incerta ao fitar o desenho dourado na esfinge de pedra, que desapareceu e em seu lugar uma ampulheta de areia tomou seu lugar.
Antes de entrar no turbilhão rodopiante mamãe me abraçou e murmurou em meu ouvido:
– Nunca deixe de ser quem você é. Eu te amo. Nos vemos assim que eu puder.
E ela se foi, o túnel de areia se fechou, mas dessa vez eu não estava assustada ao ver minha mãe sumir.
– Rápido! – Ouvimos a voz de Linda chegar até nós.
Olhei para Liz, que me entregou a varinha.
– Ai deuses. – Murmurei e minha amiga sorriu.
– Peça ajuda a algum deles e faça o desenho. – Ela encorajou e eu assenti embora minha mão tremesse bastante.
Olá? Chamei me sentindo bastante idiota, até me lembrar da voz que me ajudou da primeira vez. Você que me ajudou naquela luta, pode me ajudar como abrir esse portal?Preciso ir para o acampamento. Pedi.
Sim, eu posso. Respondeu a voz grave que eu havia escutado da primeira vez. Erga a varinha, desenhe o hieróglifo que sua amiga ensinou, imagine o lugar para onde quer ir e diga: abra.
Então a voz sumiu, mas eu sentia uma força muito grande emanar de mim. Respirei fundo e fiz como ele mandou, um hieróglifo dourado surgiu na rocha e Liz suspirou, acho que de alívio.
– Abra. – Comandei enquanto deixava imagens do acampamento encherem minha mente. Por um instante nada aconteceu, então a ampulheta de areia surgiu e Liz soltou uma risada estranha.
Não pude parar para contemplar o fato de ter acabado de abrir meu primeiro portal, pois um segundo depois um grito horripilante chegou até mim.
– Corram!!! – Era Linda, olhei para o local de onde a voz dela vinha e notei que ela estava sendo seguida por várias coisas marrons e rastejantes que não consegui identificar muito bem.
Liz praguejou em egípcio quando Linda chegou até nós e nos arrastou para o portal sem aviso algum.
Fechei os olhos com força ao me sentir caindo e só os abri quando senti uma grama macia comprimindo meu rosto. Em seguida um estrondo mais forte.
O malão. Pensei ao levantar a cabeça para olhar ao redor e reconheci o enorme pinheiro com o dragão e o velocino pendurado em seu ramo mais baixo, minha mala para ir para Hogwarts oscilando levemente a poucos metros de distância.
– Chegamos. – Anunciei me pondo de pé e segurando as alças de couro com uma das mãos e empunhando o arco com a outra.
Liz e Linda se puseram ao meu lado prontamente, seus olhos se movendo de um lado para o outro com rapidez, mas nenhum perigo nos espreitava e ambas relaxaram.
– Vou para a Mansão. – Liz anunciou quando se sentiu em relativa segurança e eu devolvi a varinha dela. – Nat?
– Vou ficar, quero ver meus irmãos. – Falei e minha amiga pareceu desapontada.
– Tudo bem, até. – Falou e começou a descer a colina, logo ela desapareceu.
Mordi o lábio e Linda suspirou.
– Ela está com medo de você voltar atrás e não querer ser uma Maga egípcia. – Falou em voz baixa enquanto nos dirigimos para o limite do acampamento.
– Não vou voltar atrás. – Falei com firmeza.
– Eu sei, mas ela não tem tanta certeza. – Linda murmurou enquanto devolvia a espada para lenço e a armadura para cordão.
Olhei para o arco na minha mão e rapidamente o fiz voltar a ser óculos de sol. Eu estava com a sensação de que aquelas férias iam ser animadas.
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