Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus
25 Capítulo 25 - Pedindo ajuda a Quíron
Notas iniciais
Acordei com Molly me chamando.
– Vamos dorminhoca, está na hora! – Ela chamou e eu soltei um som rouco do fundo da garganta que tanto poderia ser classificado como um grunhido quanto um rosnado. – Ora Nat, vamos, por favor! Não quero que os meninos fiquem enchendo a paciência.
Molly começou a pular do meu lado até que eu bufei e joguei as cobertas para o lado, ela se afastou automaticamente um passo.
– Bom dia! – Ela falou com um sorriso vitorioso para mim.
Revirei os olhos e bocejei antes de responder:
– Bom dia.
– Nossa, parece que você brigou com o minotauro enquanto dormia! – Ela comentou parecendo surpresa, é, eu normalmente acordava com aquela aparência.
– Só preciso de um banho. – Falei examinando meus horários do dia e dando de ombros.
Sexta-feira
08:00 — 09:00 Café da manhã e inspeção do chalé.
09:00 — 10:30 Grego Antigo
10:30 — 11:00 Limpeza dos estábulos
11:00 — 12:00 Arco e flecha
12:00 — 12:30 Mitologia Grega
12:30 — 13:30 Almoço
13:30 — 15:30 Navegação de correntezas
15:30 — 17:00 Cortar lenha
17:00 — 18:00 Tempo Livre
18:00 — 19:00 Jantar
19:00 — 21:00 Captura da bandeira
21:00 — 22:00 Canções em torno da fogueira
Parecia que o dia ia ser tão puxado quanto o anterior, mas pelo lado bom eu poderia treinar com o arco que o papai havia me dado.
Olhei para Molly, que sorria travessamente na minha direção, ao perceber o que ela queria fazer meu corpo ficou repentinamente tenso em resposta.
– Não se atreva! – Falei tentando reprimir um sorriso quando ela avançou para fazer cócegas em mim, rolei para o outro lado da cama e corri para o banheiro.
– Não demore! – Ela falou assim que fechei a porta entre minhas risadas e as dela.
*****
Meu dia seguinte foi melhor, consegui reconhecer alguns rostos entre os diferentes horários e alguns vinham até mim se apresentar, embora tenha achado um pouco estranho ter aulas com sátiros e ninfas, mas até que era divertido.
Enquanto eu limpava os estábulos presenciei uma cena estranha depois que um garoto alto, com cabelos ruivos claros e bagunçados e olhos verdes veio até mim se apresentar, ele tinha orelhas levemente pontudas e um sorriso um tanto sarcástico.
– Oi. – Ele falou e eu sorri.
– Oi. – Respondi e estendi a pá para ele. – Já é a sua vez?
– Na verdade eu queria me apresentar. – Ele falou e eu ergui uma sobrancelha, havia sido assim o dia inteiro, primeiro veio aquela menina, filha de Zeus, acho que seu nome era Sarah, depois aquele Josh-alguma-coisa, filho de Afrodite, e depois... Certo, acho que já deu para entender.
Não é que eu esteja reclamando, bem, é só que eu achava um pouco estranho o fato de que todos que falavam comigo pareciam ter medo que eu fizesse algo contra eles, claro, exceto os que eram iguais a mim, esses me tratavam tão normalmente que chegava a ser assustador.
– Sim? – Falei tentando parecer casual apesar de estar segurando uma pá totalmente suja de estrume de pégaso.
– Meu nome é Edward Hudson. – Ele falou e eu sorri ao ouvir o nome dele.
– Como o rio? – Perguntei ao ver sua expressão de confusão e ele riu.
– Sim, como o rio.
– Me chamo Natália. – Respondi após um minuto de silêncio estranho. – Filha de...
– De Apolo. Sim, eu sei. – Ele completou e eu revirei os olhos, todos os que haviam se apresentado não me deixavam terminar essa frase. – Sou filho de Hermes, mas também sou mago, sigo o caminho de Anúbis.
Ergui ambas as sobrancelhas.
– Ah, claro, você ainda não sabe sobre o que estou falando. Desculpe. – Ele apressou-se em dizer.
Dei de ombros e passei para a próxima cocheira.
– Tudo bem, não tem problema, ainda estou aprendendo como lidar com tudo isso. – Respondi.
– Se precisar de ajuda estou aqui. – Ele falou e assenti levemente com a cabeça antes de uma voz de garota chegar até nós.
– Ed?
Ele olhou para mim parecendo alarmado.
– Pelo amor dos deuses, não diga...
– AH! Ed! Você está aí! – Olhei para a porta dos estábulos e parada ali havia uma garota com cabelos castanhos encaracolados e a roupa do acampamento.
– O que você quer Caroline? – Ele perguntou parecendo tenso.
Revirei os olhos e comecei a guardar os materiais, agradecendo aos deuses pelo meu horário de limpar os estábulos ter acabado no momento que a garota começou a falar, tudo o que eu não queria era presenciar uma cena que claramente era para ser particular.
– A gente se vê. – Falei ao passar por ele para poder sair dali.
O garoto apenas confirmou com a cabeça, a mandíbula tensa enquanto parecia tentar manter a calma ao fitar a garota. Tive que me esforçar um pouco para mandar isso para o fundo da minha mente.
O resto do dia foi quase normal. Descobri que Will estava certo quanto aos poderes do arco que papai havia me dado, qualquer flecha que eu imaginasse seria disparada se conseguisse manter a concentração por tempo suficiente, o que eu com certeza tinha que treinar bastante, pois sempre acabava me distraindo e em vez de uma flecha letal sempre acabava atirando flechas feitas com massa de cupcake.
Na aula seguinte encontrei novamente o irmão da Annie, acho que seu nome é Leonard, ele me ajudou bastante durante a explicação das diferentes versões dos mitos. Acho que quem quer que escreveu essas histórias fez o possível para dificultar a vida dos semideuses.
Fomos almoçar e com o passar dos horários fui conhecendo outros campistas, alguns dos filhos de Poseidon, mais alguns de Zeus, de Afrodite, de Deméter. Eram tantos semideuses no acampamento que eu faltei ficar zonza, fique ainda mais surpresa quando me disseram que a quantidade que tinha ali não chegava nem a um quarto do total de campistas, parece que aqueles que estavam ali eram campistas de ano inteiro e por isso não iam para a escola, incrivelmente eu consegui lidar bem com tudo aquilo.
Embora estivesse sentindo falta dos meus amigos.
Por sorte Linda estava comigo durante o tempo livre, estávamos falando sobre os campistas e em como poderíamos encontrar alguém para fazer Will esquecer a Annie quando eu deixei escapar uma frase melancólica:
– Queria que Peter estivesse aqui.
– Eu sei, eu também. – Linda suspirou. – Mas o acampamento não é lugar para mortais, você sabe disso, ele não pode vir, não pode saber.
– Então nunca mais vamos vê-lo? – Perguntei e o desespero saiu claro em minha voz. – Esse era o último ano que iríamos estudar juntos e olha como acabou para mim, para você e para Liz!
Linda baixou o olhar.
– Você tem razão, mas o que podemos fazer?
– Podemos voltar. – Falei seriamente.
Ela me olhou como se eu estivesse brincando, mas quando não sorri sua expressão ficou alarmada.
– Não, não podemos! Você esqueceu que todos acham que você matou a professora e a zeladora da escola?!
Sacudi a cabeça. Claro que não tinha esquecido, mas durante a aula de mitologia eu tive uma ideia.
– Quíron pode manipular a Névoa e fazer todos lembrarem do que aconteceu de uma forma diferente. – Disse rapidamente. – Podemos ir para aula como se nada daquilo tivesse acontecido.
Linda pareceu desconcertada com a minha ideia por um momento.
– Eu não havia pensado nisso.
Dei um sorriso para não demonstrar quão desesperada eu estava por um tempo como uma pessoa normal e por notícias da minha mãe.
– Claro que não, eu sou a garota das ideias, lembra? – Falei e ela me mostrou a língua, mas sorriu.
– Podemos voltar amanhã mesmo se ele concordar em nos ajudar. – Ela falou e eu assenti. – Se, somente se.
Suspirei e assenti novamente, ela tinha razão.
– Tudo bem. Então, podemos ir falar com ele agora?
– Ansiosa para voltar para o Peter? – Ela perguntou e eu olhei fixamente para ela. – Desculpa, isso acontece quando passo tempo demais com meus irmãos.
– Sim, eu reparei que você voltava diferente depois do verão. – Eu disse antes dela revirar os olhos e começar a se afastar. – Aonde você vai?
– Você não queria ir falar com ele agora? – Perguntou parecendo confusa.
– Sim! – Falei e comecei a segui-la.
*****
Levamos quinze minutos para explicar exatamente o que queríamos para Quíron, que apenas levou a mão ao queixo enquanto falávamos e nos fitou seriamente por algum tempo quando ficamos em silêncio.
– Vocês têm certeza que é isso que vocês querem?
Concordamos com a cabeça, olhei para Linda com o canto do olho e ela estava dando um leve sorriso.
– Muito bem então, irei comunicar aos líderes da mansão que levarei as duas de volta à Londres amanhã bem cedo, também pedirei que mandem a amiga de vocês junto. – Sorri ao ver a esperança de que Liz iria conosco começar a nascer e Quíron sorriu de volta. – É um bom plano, Natália, agora vamos torcer para que nenhum mortal possa ver através da Névoa.
Concordei com a cabeça e nesse momento a trombeta soou.
– Hora do jantar. – Quíron anunciou e nos guiou até a porta. – Vamos para o refeitório, creio que precisam avisar a seus conselheiros nossos planos.
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