Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus
22 Capítulo 22 - Dia de visita do papai
Notas iniciais
Abri os olhos, completamente desorientada, então me dei conta de que havia caído no sono em algum momento e estava no acampamento, tudo aquilo havia sido real. Respirei fundo uma vez e olhei ao redor, Molly já estava de pé e exibia um sorriso para mim. Ela usava uma bermuda jeans com um cinto igual ao de Will e uma camiseta laranja, seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo frouxo na nuca.
Estranhamente eu me sentia tranquila, quase feliz por saber que tinha uma irmã.
– Nossa, eu já ia te chamar... – Ela falou, mas uma voz vinda do lado de fora da porta interrompeu.
– Molly! Nat! Acordem! – Era Will.
– Já acordamos. – Ela respondeu revirando os olhos. – Daqui a pouco estamos descendo.
– Tudo bem. – O ouvi murmurar e depois mais nada. – Não demorem, daqui a pouco é hora do café.
– Humm. – Comecei olhando para as roupas que estava usando, ainda eram as mesmas que eu estava quando cheguei ao acampamento e pensei que não gostaria de aparecer com elas de novo. – Acho que preciso de um banho e roupas limpas.
– Tem razão, o banheiro fica ali, tem algumas roupas na cômoda para você. – Ela respondeu e apontou para uma porta no canto mais afastado em seguida para a cômoda. – Não demore, vou esperar lá embaixo com os garotos, ok?
Concordei com a cabeça, ela sorriu e começou a se afastar quando lembrei de algo.
– Molly? – Chamei.
– Sim?
– Que dia é hoje? – Perguntei e ela ergueu uma sobrancelha.
Assim que as palavras saíram da minha boca eu soube que dia era e quais as horas (para os curiosos de plantão, era exatamente 7:30 da manhã do dia 8 de Abril), olhei confusa para ela, que apenas assentiu como se entendesse, uma expressão de compaixão surgiu em seu rosto.
– Sei que é muito, para assimilar, mas fica melhor, eu garanto. E se o papai deu esses dons para você, significa que você é especial, quase sempre é uma coisa boa.
Assenti e dei um sorriso.
– Agora deixa eu descer, até daqui a pouco.
– Até. – Murmurei e ela saiu do quarto. – Certo Nat, não pense, apenas aja.
Com isso separei uma camiseta laranja para mim e um short jeans parecido com o que Molly estava usando. Afaguei brevemente a imagem do centauro na camisa e segui para o banheiro.
*****
Quando saí do quarto ouvi o som de vozes harmoniosas no andar debaixo e um violão ao fundo. Precisei de alguns momentos para identificar qual era a música. Paradise do Cold Play.
Desci as escadas quando achei que não tinha ninguém olhando, mas um comentário sarcástico me fez perceber que havia alguém de fora da roda de música.
– Olha só, a garota que tomou um sonífero potente antes de vir para cá.
Respirei fundo, não ia perder meu bom humor com ele, não valia a pena. O som do pessoal cantando parou.
– Logan, deixa a Nat, ela não fez nada contra você. – Era Will.
– Ela existe. – Ouvi Logan murmurar, mas foi tão baixo que só eu pude escutar.
Olhei em volta, meus irmãos estavam sentados em um semicírculo, Mathew estava com um violão, Molly ao lado dele. Jack, Marcus e Will sentados de frente para eles, um banquinho vazio estava ao lado de Jack. Mas o que mais me surpreendeu era o fato de que o chalé parecia organizado.
– Ahm. – Comecei e Mathew sorriu antes de começar a dedilhar notas no violão. – Vocês arrumaram?
– Não, as coisas foram para seus lugares sozinhas. – Respondeu sarcasticamente Logan antes que qualquer um pudesse. – É claro que arrumamos.
Revirei os olhos e todos riram.
– Vamos cantar mais uma antes do café? – Molly sugeriu e olhou para mim. – A Nat faz a voz principal dessa vez.
Sacudi a cabeça.
– Não, por favor.
Will veio até mim e me levou até o banco vazio.
– Relaxa, é só cantar.
Suspirei e assenti com a cabeça, só faria aquilo por Will.
– E então? – Perguntei e todos olharam para mim com uma sobrancelha erguida.
– O que você quer cantar? – Mathew perguntou e eu mordi o lábio inferior.
– Vocês sabem Bring me to life? O grupo é Evanescence.
Todos sorriram e Mathew concordou com a cabeça.
– Molly e Nat, vocês ficam com a voz feminina. Will, Jack e Marcus, vocês ficam com a segunda parte ok? – Meus irmãos assentiram, contamos até três e eu comecei a cantar.
Sempre desconfiei que minha afinação não era algo normal, mas nunca imaginei que tinha algo a ver com o fato do meu pai ser o deus da música.
E naquele momento, quando pude mostrar para meus irmãos o que eu podia fazer com minha voz foi que percebi o que a letra queria dizer. Eu tinha acordado por dentro, estava sendo aos poucos trazida à vida.
Foi só quando notei que apenas eu estava cantando que me dei conta de que não estávamos sozinhos no chalé. Assim que virei para ver quem era meus irmãos se ajoelharam.
– Oi pai. – Todos disseram para o cara loiro com camisa de botões, calça cáqui e mocassins parado no meio do chalé.
E eu? Bem, eu me atirei do banco e abracei meu pai. Ele pareceu bastante surpreso, mas retribuiu meu abraço.
– Olá Natália. – Ele falou quando eu o soltei.
– Oi pai. – Falei e me ajoelhei um tanto sem jeito com os olhares que Molly me lançava.
– Meus filhos, vejo que vocês já estão se dando bem com sua nova irmã!
– Hum, sim senhor. – Will falou se pondo de pé.
– Pai, o senhor tem certeza que essa menina é mesmo minha irmã? – Só podia ser Logan, claro.
– Ora filho, claro que tenho! – Se Apolo reparou que Logan estava tentando ser desagradável ele obviamente resolveu ignorar.
– Tanto que estou aqui para entregar a ela o presente que cada um recebeu.
Olhei para Will e recuei um passo, mas ele assentiu com um sorriso.
– Aqui está Natália. – Apolo falou me estendendo um cinto igual ao de todos no chalé, assim que fechei a mão ao redor dele vi que Logan fez careta, parece que ter algo em comum com os outros não o alegrava muito.
– Obrigada senhor. – Falei com um sorriso e colocando o cinto ao redor da cintura, parecia quente, mas não desconfortável.
– Ainda não acabou. – Apolo falou e olhou ao redor. – Acho que todos vocês lembram de quando entreguei o cinto, não é?
Todos concordaram com a cabeça.
– Sabem o que falta eu entregar, estou certo?
Novamente meus irmãos assentiram e eu fiquei sem saber o que aquilo queria dizer.
– Só estou me assegurando que eles tenham sempre em mente que não considero nenhum de meus filhos melhor que os outros. – Meu pai falou e exibiu um sorriso ofuscante antes de levar a mão até o topo da cabeça e colocar na minha mão direita o par de óculos escuros que levava consigo e que apenas naquele momento me dei conta que estavam ali. – Use-o bem.
Então ele sumiu. Olhei ao redor, confusa.
– O que foi isso? – Perguntei quando ninguém falou nada. Todos (menos Logan) me olhavam com espanto.
– O papai deixou você abraçá-lo. – Marcus parecia estranhamente perturbado com esse fato.
Dei de ombros.
– Acho que só porque o peguei de surpresa.
– Pode ser. – Ele respondeu concordando. – Muito justo já que ele pegou todos nós de surpresa.
Olhei para os óculos.
– O que é isso? – Perguntei e alguém veio me ajudar, olhei para cima e vi que era Jack.
– Segure bem no meio. Assim, agora... Uau!
Tive que concordar com Jack, pois um segundo atrás eu estava segurando um par de óculos, agora na minha mão estava um arco dourado, com leves entalhes por toda a extensão. Só havia dois probleminhas. 1: O arco não tinha corda e 2: O arco não tinha flechas.
– Nossa! Ué, cadê as flechas e a corda? – Molly perguntou e Will bateu com a mão na testa.
– Deve ser um arco de luz! Ou que conjura as flechas que ela imaginar! – Ele falou revirando os olhos.
– Nossa, o próximo capture a bandeira ta no papo se for assim! – Marcus falou e sorriu para Mathew.
– Hum, acho que vou descobrir durante o treino, certo? – Perguntei aproximando o arco dos olhos, os desenhos eram pequenos sóis que se intercalavam ao longo do arco.
– Sim, falando nisso, aqui estão os seus horários. – Will falou e me estendeu uma folha de papel, instintivamente girei o arco em um círculo e ele voltou a ser um simples par de óculos. – Maneiro.
Sorri e peguei o papel que ele me oferecia.
– Ótimo, agora a nanica vai ficar ainda mais metida. – Logan resmungou do canto onde estava.
– Logan, xiu. – Molly falou. – Agora vamos, a trombeta vai soar.
Assim que ela disse isso a trombeta soou ao longe. Sorri para ela, que me deu um sorriso radiante.
– Sete, hora do café da manhã! – Will falou indo se postar na porta, para que pudéssemos sair.
Olhei para os óculos escuros em minhas mãos. O presente do meu pai. Estava com a sensação de que as coisas seriam boas para mim, se eu as merecesse. Com esse pensamento saí do chalé para enfrentar meu primeiro dia oficial no acampamento.
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