Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus

13 Capítulo 13 - Encontro o cara mais metido do mundo


Notas iniciais
aqui está galerinha, beijos para os maravilhosos que comentaram, amo vocês quanto ao nome do cap no texto, é porque o nyah! não aceita parênteses no título, então é isso

Capítulo 13 — Encontro o cara mais metido do mundo (o pior é que é meu irmão)

Quíron me levou em um passeio pelo acampamento, vimos o arsenal, o lago de canoagem, a linha de arco e flecha, os estábulos (Quíron parecia não gostar muito deles), o anfiteatro, a arena, a linha de lançamento de dardo, o refeitório. Enfim, o acampamento quase todo.

– Seu pai esteve aqui há algumas horas. – Ele falou com o estranho sotaque americano depois de mostrar os campos de morangos e eu fiquei imediatamente tensa. – Apolo contou a mim e ao senhor D sobre a sua situação Natália.

Baixei a cabeça e senti meu rosto esquentar.

– Eu não sabia de nada. – Murmurei.

– Essa era a intenção, seu pai sabia que se você herdasse as duas linhagens, monstros de todos os lados viriam atrás de você. Mas havia uma pequena chance que os seus talentos para magia egípcia não despertassem e, portanto, sua vida não seria tão complicada. Apolo esperava que isso acontecesse. – Ele falou, seu tom de voz completamente gentil. – Mas recentemente o número de semideuses como você tem surpreendido muitos de nós, principalmente os deuses e foi por isso que o senhor D agiu daquela forma ao ver você.

– Como assim? – Perguntei enquanto passávamos de volta pela quadra de vôlei, onde os jogadores eram realmente bons.

– O acampamento descobriu o primeiro do seu tipo há quatro anos, um garoto chamado Kevin Wayne. – O olhar de Quíron foi na direção da única parte do acampamento onde ainda não havíamos ido, parecia um grande pátio com construções estranhas e uma fogueira bem no meio.

– Do meu tipo? – Indaguei.

– Um semideus que também possui o dom da magia egípcia. Por ser único naquela época, não sabíamos como chamá-lo, todos tinham medo dele. Meses depois encontramos mais uma, uma semideusa chamada Fernanda Kramer. Algum tempo depois de Kevin e Fernanda chegarem ao acampamento encontramos um terceiro, seu nome é Adam Pierce. Procuramos mais um pouco, mas notamos que encontrar alguém igual a eles era muito raro, Adam, Kevin e Fernanda eram uma mistura rara entre duas civilizações antigas, então o nome surgiu. União Rara. – Quíron explicou e começou a me guiar para perto do grande pátio com a fogueira. – Assim como você, Nat.

Olhei para minhas mãos, não pareciam nada divinas ou reais (me refiro ao sentido da realeza ok?), senti meu coração batendo rapidamente enquanto ele continuava.

– Porém recentemente o número de uniões raras subiu de três para seis. O dobro do que podíamos esperar, isso sem falar em Hécate... – Ele foi interrompido pela chegada de um garoto alto e loiro, com olhos cor de mel e porte de modelo com no máximo 16 anos.

– Quíron, Linda e Annie me disseram que você mandou me chamar? – Ele falou e olhou para mim como se me avaliasse.

– Ah sim. – Quíron falou e olhou para mim, um sentimento estranho de que ele ainda queria falar algo se apossou de mim. – Esta jovenzinha é sua irmã, William. Natália, este é William, conselheiro chefe do chalé de Apolo.

– Olá. – Disse e estendi a mão para o garoto.

– William Jones. – Ele falou e apertou minha mão enquanto oferecia um sorriso tímido. – Mas quase todos me chamam de Will.

– William, você pode levar a Natália até o chalé de vocês? Tenho um compromisso importante agora.

– Tudo bem Quíron, até o jantar. – Disse o garoto.

– Até o jantar, Natália, cuide-se. – Tive a leve sensação que ele não queria ter terminado a conversa ali.

Concordei com a cabeça e ele foi embora. Olhei para o garoto por algum tempo.

– Então... Nós somos irmãos?

Ele riu do meu tom de voz incerto.

– Sim. Mas não se preocupe, todos no acampamento demoram um pouco para se acostumar com isso. Principalmente quando se é filho único e de repente BAM descobre que tem muitos irmãos aqui. – Ele suspirou e ficou em silêncio por alguns instantes antes de começar a falar várias coisas e me explicar sobre os chalés enquanto andávamos. – Cada construção dessa é um abrigo para os filhos de determinado deus, por exemplo, aquele ali é dos filhos de Atena, – ele apontou para um chalé cinzento com uma coruja entalhada na porta e depois para um chalé com a tintura vermelha desbotada com uma cabeça de javali sobre a porta onde várias crianças mal encaradas nos fitavam – e aquele ali é dos filhos Ares.

Olhei para William tentando encontrar alguma semelhança dele comigo, tínhamos os mesmos olhos cor de caramelo, o mesmo bronzeado intenso como se passássemos horas sob o sol e como eu mencionei antes ele parecia um modelo, mas eu não sei se essa parte podia ser dita de mim, trazia no pescoço o mesmo colar de contas que reparei na amiga de Linda, mas acho que tinha pelo menos uma ou duas contas a mais. Ele parecia ser bem legal, embora ao que parecesse ter o hábito de falar bastante.

William olhou para mim e sorriu.

– Estou falando rápido demais não estou?

Sacudi a cabeça e tentei sorrir.

– Eu acho que só preciso me acostumar. – Murmurei.

– Tudo bem, eu lembro como a minha cabeça deu voltas no meu primeiro dia, vamos para o chalé então. – Ele falou e começou a me guiar para o chalé que ficava ao lado do vermelho, esse era de um tom dourado reluzente, tão ofuscante que podia cegar, mas estranhamente meus olhos suportaram o brilho. Estava para comentar esse fato quando ele falou: — Papai pensou em tudo, apenas nós, os filhos dele, podemos olhar diretamente para o chalé sem ficarmos cegos.

Dei um sorriso de verdade dessa vez e ele retribuiu, pensando nisso agora, talvez realmente devêssemos ter olhado para frente, porque enquanto sorríamos um para o outro esbarramos em outro garoto.

– Mas quem...? – Olhei para cima.

O garoto era quase tão alto quanto William e tão bonito quanto, cabelos loiros ondulados, olhos caramelos, lábios cheios e bem desenhados, porém aparentava ser mais jovem que William, com uns 14 talvez. Musculoso, mas não muito, no pescoço o mesmo estranho colar dos outros. Trazia nas mãos um arco e flecha e parecia bastante irritado. Devo dizer que mesmo irritado ele continuava lindo (até abrir a boca).

– Oi Logan. – William falou, seu tom de voz repentinamente frio.

– Olá Will – o outro cumprimentou antes de olhar para mim – e quem é a nanica que não olha por onde anda?

Trinquei os dentes e percebi que William também não gostou da forma como o outro garoto se referiu a mim.

– Essa é a Natália, nossa irmã. – Ele respondeu e tentou me levar para longe do garoto.

– Epa, epa, epa. – O outro, Logan, o parou com um braço. – Vocês só vão sair daqui quando me pedirem desculpas.

– Não vou pedir desculpa de você... – Não consegui terminar porque o garoto pareceu tenso de repente ao ouvir minha voz (agora que eu sei das coisas, acho que foi por causa do meu sotaque britânico, só que depois eu explico melhor), mas depois seu corpo relaxou e ele olhou mais atentamente para mim, como se de repente eu fosse digna de sua atenção.

– Não vai? – Perguntou, um falso tom amável incluso no seu tom de voz.

Sacudi a cabeça e abri a boca para responder quando William me arrastou para longe, deixando tanto Logan quanto eu surpresos.

Enquanto nos afastávamos olhei para trás, o garoto que William disse ser nosso irmão ainda nos observava.

– Não olhe. – Ele murmurou para mim depois que nos afastamos e paramos perto da quadra de basquete. Depois de alguns segundos William olhou para mim. – Logan é igual a todos nós perante os olhos do nosso pai, mas ele se acha superior, acha que papai gosta mais dele que de todos nós só por que recebeu a bênção de Hécate.

Percebi que ele não gostava muito disso.

– Desculpe. – Murmurei embora não soubesse o motivo para me desculpar, talvez eu não quisesse que William ficasse chateado por minha culpa.

– Não se desculpe, ele já arrumou confusão com todos no chalé e quase todo mundo no acampamento. – William respondeu e deu um sorriso. – Por conta disso Quíron vive colocando ele para lavar os pratos depois do jantar.

Soltei uma risada.

– Bem feito! – Falei com um sorriso.

– Mas acho melhor tomar cuidado, ele é uma União Rara, pode fazer da sua vida um inferno. – William murmurou nervosamente para mim. – Só que na hierarquia do chalé, ele está bem abaixo de mim, portanto nem ousa falar nada.

– Não se preocupe comigo. – Falei aparentando estar despreocupada e ele olhou em meu rosto. – Eu também sou uma União Rara.

Era estranho falar isso assim, era como se eu estivesse abrindo meu peito e expondo meu coração.

– Não estou surpreso. – William falou de repente. – Senti que havia algo diferente em você assim que te vi, só não sabia o que era.

Sorri e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ouvi passos de alguém se aproximando. Olhei para trás e dei um suspiro irritado, era o nosso irmão chato.

– O que você quer? – Perguntei e William me levou para longe alguns passos.

Logan ergueu um objeto redondo e marrom.

– Não é hora para isso! – William praticamente rosnou parecendo ultrajado. – Ela não vai fazer isso!

– O quê? – Olhei de um para outro.

– Quero só ver se a nanica realmente é nossa irmã, meu caro Will. – Então ele olhou para mim, sabe quando alguém te da um olhar de você engolir em seco? Pois é, foi esse o olhar que eu recebi. – Desafio você a uma partida de basquete. Duvido que você seja melhor que eu.

Notas finais
espero que tenham gostado, se puderem divulgar, recomendar, comentar... Essas coisas ok? Beijo galera