Maga, Bruxa ou Semideusa? - Hiatus
12 Capítulo 12 - Conheço o deus do mau-humor eterno
Notas iniciais
Apertei a mão da garota.
– Oi. – Falei automaticamente.
– Eu, hum, tenho que ir falar com a Sadie. – Liz falou em seguida e eu olhei para ela. – Tem algumas coisas que ela precisa saber.
– Mas... – Algo na voz dela não me convenceu.
– Ta tudo bem, relaxa Nat. – Linda falou para mim antes de se virar para Liz, percebi que sua testa se vincou por um momento. – Você gostaria de entrar? Como campista posso permitir sua entrada.
Liz fez careta e percebi que ela não gostava muito do acampamento.
– Acho melhor não, talvez depois, quem sabe, mas agora eu preciso ir para o meu nomo. Falo com vocês depois! – Disse com um sorriso na minha direção antes de sair correndo.
– Eu realmente não compreendo esses magos. – Falou a garota, Annie, voltei meu olhar para ela, reparei que igual a mim ela possuía um leve sotaque britânico, mas seus olhos fitavam o ponto onde Liz desaparecia, sua expressão parecia tão serena que resolvi não comentar nada. – Eles parecem tão desconfortáveis conosco.
Linda riu baixinho.
– Você sabe que ela nunca vai perdoar ter perdido o primeiro Jogo Múltiplo para o acampamento. – Minha amiga falou e eu ergui uma sobrancelha.
Mas a outra garota pareceu entender e concordou com a cabeça, quando fez isso notei que em seu pescoço havia um estranho colar de contas de argila de cores diferentes, como um trabalho de crianças, lembrei que Linda também tinha um, mas não o usava no pescoço.
– É verdade. – Então olhou para mim, seus olhos cinzentos eram um tanto assustadores. – Acho que você precisa falar com Quíron, não é mesmo?
Olhei para Linda, que apenas acenou uma afirmação com a cabeça e olhou para mim.
– Espero que goste daqui. – Ela falou apontando para o lado que a colina escondia.
Quando olhei para dentro do vale eu não consegui acreditar no que vi. O lugar era imenso, pontilhado com várias construções que inegavelmente eram de arquitetura grega. Em uma parte um pouco mais afastada do acampamento havia o que parecia ser uma cidade, todas as construções eram lindas, colunas de mármore e fontes eram o máximo que eu conseguia distinguir, mas mesmo assim achei incrível.
– Ali fica a Nova Grécia. – Linda falou seguindo meu olhar. – Foi inteiramente projetada por uma das irmãs da Annie e uma grande campista chamada Annabeth Chase.
– Linda tem razão, a Annabeth é uma inspiração para todos os filhos de Atena. Atualmente ela não atua mais em missões, agora mora lá, com o marido e vários amigos da época dela, todos grandes heróis. – A menina falou olhando para Nova Grécia, mas parecendo distante. – É uma longa história, mas dizem que ela tirou a ideia do acampamento dos romanos, lá eles podem viver em harmonia e protegidos por uma fronteira vigiada por um deus, então ela e o marido deram a ideia de criar uma cidade grega para abrigar os semideuses aqui depois que eles completassem uma quantidade de tempo aqui no acampamento, só que não adotamos o deus romano. O conselho dos deuses criou uma barreira mística para proteger a cidade, onde apenas os semideuses e seus aliados poderiam passar, porém armas não são permitidas.
Assenti, fazia sentido tudo aquilo.
Linda apontou para uma enorme árvore que ficava a frente da cidade.
– A árvore marca o início da barreira que protege a cidade. Escolheram um pinheiro porque é a mesma árvore que protege o acampamento. – Ela apontou para a árvore que estava a vários metros de distância da gente, onde um enorme dragão estava enrolado. Achei melhor não perguntar. – É uma história realmente longa, então acho que você pode ir descobrindo aos poucos.
– Tem razão. – Concordei, acho que por fora eu parecia estar aceitando tudo muito bem, mas por dentro eu estava desesperada.
Depois disso ficamos em silêncio, Annie nos acompanhou, tentei estimar quantos anos ela tinha, não parecia ser muito mais velha que eu, talvez tivesse 12 ou 13.
– Annie, você não deveria estar na escola? Ainda estamos no ano letivo. – Linda falou de repente enquanto me guiava por dentro do acampamento, passamos por um lago, uma quadra de vôlei.
– Quíron mandou uma carta para a diretora, como era importante ela permitiu que eu viesse. – A menina disse com um suspiro triste.
– O que houve? – Perguntei sem pensar.
– Meu irmão. – Ela baixou a cabeça sem parecer se incomodar com a minha curiosidade. – Quíron reuniu todos os campistas de Atena para a cerimônia da queima da mortalha.
Eu não entendi o que isso significava, mas Linda sim e pareceu realmente triste.
– Quem? – Perguntou em voz baixa. – Mattew? Patrick? Mark?
– Ian. – A menina, Annie, respondeu ainda de cabeça baixa.
Seu ânimo estava tão ruim que eu mesma não estava prestando atenção por onde andávamos, pelo seu tom eu já sabia o que havia acontecido.
Então elas pararam de repente, foi quando percebi que estávamos na frente da varanda de uma grande casa de fazenda pintada de azul, olhei atentamente e notei que havia dois homens sentados ao redor de uma mesa de carteado e pareciam estar envolvidos em uma intensa discussão.
– Olá Quíron! – Linda falou de repente em um tom alegre que desconcertou a todos.
– Oi minha querida. – Respondeu uma voz que me era muito familiar, então o homem se virou e eu o reconheci: era o senhor Wolf. Assim que me viu seu sorriso aumentou. – Olá Natália.
– O senhor...
– Já vai começar tudo de novo! – Resmungou outra voz, percebi que era do homem que estava de frente para o meu professor.
Olhei para ele rapidamente, o outro homem parecia um bebê rechonchudo com cabelos pretos encaracolados, usava uma camisa havaiana de estampa de leopardo e por alguma estranha razão tive a impressão de que ele vivia sempre mau humorado.
– Sim jovenzinha, esse é o seu professor e blá, blá, blá. – Ele falou e eu dei um passo automático para trás. – O nome dele é Quíron, o mesmo Quíron das histórias antigas...
– Senhor D, por favor, você está assustando a menina! – Falou o meu professor.
– Está certo então, enquanto você dá o tour pelo acampamento com ela e explica tudo, eu vou falar com os outros deuses. Isso está passando dos limites! – O homem gorducho respondeu e estalou os dedos, desaparecendo no ar.
Pisquei para ter certeza do que havia visto.
– Sim Natália, você viu o diretor do acampamento desaparecer no ar. – Falou o senhor Wolf. – Peço desculpas pelo comportamento exaltado dele, embora ele sempre esteja mau-humorado, o senhor D não é tão rude assim.
– Tu-tudo bem senhor Wolf. – Gaguejei e Linda me empurrou para cima da varanda, talvez porque pensasse que eu estava preparada para aquilo. Afinal era uma brincadeira nossa que sempre tirávamos entre nós quatro, mas naquele momento não foi uma boa ideia.
– Pode me chamar de Quíron, criança. – Ele falou enquanto eu tropeçava em meus pés e quase ia caindo, mas o senhor Wolf, ou melhor, Quíron, me amparou.
– Linda, Annie, vocês podem ir para seus chalés? Preciso conversar com esta mocinha. – Ele falou, foi quando notei que a voz dele estava muito mais acima do que deveria. – Aliás, chamem William para mim, por favor.
Olhei para baixo e engasguei. Ele era um centauro! A metade de cima dele era de um homem de meia idade e a metade de baixo era... era de um cavalo!
– Estamos indo Quíron, até logo Nat! – Ouvi a voz de Linda, mas não consegui responder enquanto minha amiga se afastava com a outra garota.
– Sei que está surpresa, Nat, mas logo irá se acostumar. – Ele falou e olhei em seus olhos. – Venha comigo.
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