Madness, Sweet Madness

10 Aeroportos... Oh, que maravilha!


Notas iniciais
Narrado pelo Mello.

Mas que merda de demora era essa?! Matt está matando alguém lá dentro, por acaso?!

Sem paciência de ficar que nem um pilar, parado esperando por ele – que sumiu em questão de segundos no meio da multidão -, peguei as duas malas (sim, o folgado largou a dele comigo) em uma das mãos e fui até uma lojinha de doces próxima. Qualquer coisa para não ficar parado, e também, quem sabe eu não tenho a sorte de encontrar algo diferente por lá?

De longe já consegui enxergar uma caixa de bombons, vermelha, tentadoramente grande, exibida em uma das prateleiras, me chamando, pedindo para ser comprada. E quem sou eu para contestar uma caixa de bombons? Fui até lá.

Mas...

São duas as coisas que eu sinceramente odeio em aeroportos. Uma delas, é pelo simples fato deste ser um aeroporto mexicano, o que acho que já dá pra dar uma ideia do nível da temperatura que faz por aqui. E mais, junte essa temperatura com um lugar cheio de pessoas! Muitas das quais possuindo um cheiro bem duvidoso (talvez pelo tanto de horas passadas no avião ou quem sabe por pura preguiça ou porquisse mesmo, não importa).

Não. É. Legal.

E a outra coisa que eu detesto, para a minha imensa felicidade, encontrava-se bem na minha frente no momento.

Um casal, ambos, o homem e a mulher, agarrados um ao outro, falando em um tom enjoado e meloso de como a saudade parecia sufocá-los e blábláblá. Okay, foi um reencontro feliz, podem se agarrar, curtir o momento, mas não na fila da loja de doces! Pois é, eu odeio essas pessoas que acham que estão em alguma filmagem de Hollywood em uma cena romântica de tocante reencontro, e agem como se o resto do mundo simplesmente não existisse. Ou estivesse ali somente para aplaudir ou algo assim.

Com muita, mas muita mesmo, falta de boa-vontade, cutuquei o ombro do cara e indiquei que eles eram os próximos da fila. Com uma risadinha sem-graça ele agradeceu e foi em frente. Viram? Ninguém pode falar que eu não sei me controlar.

Mas enfim.

Em um timing perfeito, quando eu tinha acabado de pagar à mulher, pegava a sacola recém-adquirida com os bombons dentro, e saía do caminho antes que alguém tivesse a infeliz ideia de me empurrar para alcançar o balcão, meu celular.

Ah, até que enfim Matt resolveu dar sinal de vida!

— Eu estou em frente a uma loja de doces. Vem aqui, que é um saco ficar andando no meio desse monte de gente, e vem rápi...

Ele me interrompeu, e sua voz estava tão baixa e séria, que eu me calei na hora.

“Mello... Banheiro. Rápido”.

Três palavras. Como apenas três minúsculas palavras conseguiram me alarmar tanto? Aquela maldita sensação de que tinha alguma coisa errada – que eu finalmente tinha conseguido deixar de lado um pouco – acabou voltando piscando com luzes de néon, gritando para ser notada e levada a sério.

Fui abrindo caminho entre as pessoas, nem um pouco delicado, até conseguir alcançar o que queria.

Estava vazio – o que não deixava de ser estranho, afinal, tantas pessoas nessa droga de aeroporto e nenhuma delas obedecia aos chamados naturais do corpo animal? – com exceção, claro, de Matt, que estava encostado na parede dos fundos, com a cabeça abaixada e segurando alguma coisa que eu não conseguia ver.

Andei depressa até ele, largando de uma vez as bagagens – e o chocolate em cima – no chão aparentemente seco, ao lado de uma das pias. Se alguém tentar roubar leva tiro.

— Matt? O que aconteceu?

Ele levantou o rosto devagar, e se a lâmpada não estiver me pregando uma peça, ele estava preocupadamente pálido.

— O que foi? – tentei de novo, sem querer elevando um pouco o tom de voz. Certo, eu não estava gostando disso. Não estava gostando nem um pouco disso.

Ele não parecia muito a fim de me dar uma resposta, e acabou que não deu mesmo. Continuou quieto. Porém, antes que eu pudesse perguntar uma terceira vez, ele virou o rosto, em um gesto mudo e claro. Segui o movimento, que dava na última cabine, e vi algo que eu sequer havia reparado antes. Como eu pude não reparar?

Um homem. Um homem jovem, um homem desconhecido para mim, um homem largado no chão em uma posição estranha e anatural. Um homem morto.

Mas quem era aquele homem?

Notas finais
Okay, era pra ter ficado mais... "Misterioso", mas não consegui T~T