Madness Queen

8 VIII. Let's Play, Darling part. I


Notas iniciais
Olá fofuras maravilhosas da minha videnha. Alguém avisa pra Ludmilla que é hoje! Primeiramente quero agradecer aos comentários, vocês são a minha força espiritual para continuar hahaha e em especial quero agradecer a Lene que me deu a honra de ter a minha primeira recomendação. Lene você é foda, obrigada, obrigada, obrigada! Agora... vamos a um simples explicação: esse capítulo ficou meio grande, então estou dividindo e arrumando algumas coisinhas hahaha. Bom, chega de enrolar. Vamos, vamos, leiam hahahaha

[...]

― A polícia virá atrás de mim, não é?

Batman ainda estava ao meu lado quando perguntei, ele havia me levado até em casa mesmo eu dizendo que não precisava. Acho que meu estado não era dos melhores, até sobre as marcas ele perguntou, eu disse apenas que Coringa havia me batido quando tentei fugir. Porque como eu já disse: é constrangedor demais contar isso para qualquer pessoa.



― Provavelmente, mas você agiu em legítima defesa. — aquilo não abrandava a culpa que eu sentia de ter atirado. Ele merecia muitos castigos, mas nunca pensei que seria assim, comigo o aplicando. Talvez a polícia, mas eu? Jamais. ― Ele apenas te bateu?

― Não. — mostrei meu punho com a coisinha apagada e Batman encarou esperando minha explicação. ― Ele colocou um nano explosivo em mim esperando que eu seguisse suas ordens á risca.

― As coisas não saíram como ele planejava. — comentou enquanto tocava minha pele com sutileza, deveria estar com medo de me deixar com mais um hematoma.

Batman usou dois dedos para apertar o local, como se buscasse minha pulsação. ― Não sente dor?

― Sim, mas não é física.

― Me refiro ao explosivo. — eu poderia ter ido dormir sem essa.

― Não. — bufei contrariada. Eu acabei de atirar em uma pessoa, estou me repudiando, custa ser mais gentil? ― Pode tirá-lo?

― Não sei ainda, mas vamos ter que dar um jeito. Se Coringa estiver vivo a primeira coisa que ele fará é…

― Não termina essa frase! — interrompi. ― Eu sei o que ele pode fazer. — ele me mandaria para o vale dos mortos, só que é muito mais fácil engolir a ideia na minha mente do que escutar alguém falando.

― O dispositivo deve estar perto da musculatura, não dá para ter certeza. É muito pequeno e não vai ser fácil de remover sem que causar uma explosão.

― Então desativa ele primeiro e depois tira. Você é o Batman! Tem várias coisas legais. — apontei para o carro tunado e depois para ele. ― Se eu ficar mais um dia com isso acho que serro meu próprio braço.

― Vá descansar agora. Eu vou resolver isso depois. — ele soltou meu punho e me olhou nos olhos. ― Você passou por muita coisa hoje.

― Espera… onde você vai? — perguntei apreensiva vendo-o caminhar em direção ao Batmóvel. Só que o imbecil não me respondeu, me ignorou lindamente e entrou no carro. ― Droga! — praguejei quando ele já estava longe.

Era exatamente tudo o que eu não precisava, que Batman fosse embora e me deixasse prestes a explodir. Isso é muita sacanagem.

Desistindo de ficar plantada na calçada igual uma mina terrestre — é o que eu era nesse momento — atravessei os portões sob os olhares espantados dos seguranças e segui em direção a minha casa. Nem abri a porta direito e a velha já veio pulando no meu pescoço, me abraçando tão apertado que meus pulmões reclamaram pela faltar de ar.

Em seguida meu pai chegou todo carrancudo, estacou na minha frente e abriu os braços me puxando para eles.

Se eu soubesse que pra receber afeto deles só bastava eu passar por uma experiência de quase morte teria feito isso antes.

― Nós soubemos do ocorrido. — minha mãe se debulhava em lágrimas. ― Está em todos os jornais. — merda, então viram minha cara. ― Por que não nos contou?

― Eu contei. — respondi olhando pro meu pai que abaixou a cabeça arrependido. “Pois é, não estava tentando chamar a atenção”, juro que pensei em dizer isso.

― Ele te machucou! — ela tocou meu pescoço e então meus braços. ― Richard, só temos que fazer alguma coisa.

― Não há mais nada para se fazer, á essa hora se Coringa não estiver morto, está preso.

Eu sabia que a melhor opção para o meu bem era a primeira, mas no fundo eu esperava que ele estivesse preso e vivo. Havia uma parte minha que o odiava e queria vê-lo sofrer tudo o que ele tinha me feito nesses dias, mas a outra parte só queria ter notícias do Coringa e ter certeza de que ele respirava.

Era uma sensação ruim e confusa, eu estava ressentida com ele, mas preocupada. Se Alison me ouvisse agora teria um colapso duas vezes.



― Loreen! — ela estava ali. Alison veio correndo e pulou em cima de mim como se eu fosse a sua salvação. ― Quando vi você dirigindo aquele carro quase morri do coração.

― Espera. Me viu… dirigindo? — droga.

― É, mandaram um vídeo amador para os jornais. Algum morador dos edifícios, eu acho. — ela falava toda afobada me arrastando para o interior da casa. — Mas isso não importa! — não? — O que importa é que você está bem e viva.

— E nós vamos tomar partido da situação. — papai disse todo determinado. Eu chamei isso de milagres do arrependimento.

“— …. mais uma grande perseguição da polícia termina em frustração, parece que o criminoso que se auto intitula rei de Gotham, Coringa, não foi pego desta vez.” — Algum âncora do jornal falou na televisão.

— Não… — sussurrei surpresa ganhando a atenção da Alison. — Isso não é nada bom.

— Calma, querida. Vamos dobrar a segurança. — meu pai disse, mas eu já tinha ouvido aquele papinho. — Ninguém vai te machucar.

Não ia? Se o Coringa me pegasse… não gosto nem de imaginar as “brincadeiras” que ele faria comigo.



— Tudo bem. Agora eu só quero tomar um banho e cair na cama. — bocejei fingindo estar cansada com tudo o que tinha acontecido, e eu estava, mas agora não era hora de dormir, caso o fizesse poderia nunca mais acordar. — Espero que você durma aqui hoje, não quero ficar sozinha. — lancei um olhar significativo para Alison.

— Então vamos subir porque preciso descansar também.

Desejamos boa noite para meus pais e subimos para meu quarto. Eu tranquei a porta quando Alison entrou e fui direto para o banheiro tomar um bom banho.

Assim que sai vi a morena sentada na minha cama com o notebook que eu tinha emprestado a ela e ao seu lado estavam os sapatos de salto usados no cassino.

— Onde você arrumou esses Louboutin? Eu pediria emprestado se fosse á lugares dignos de um desse. — falava com o pé direito do sapato em mãos.

— O Coringa me deu. — suspirei me jogando sobre o colchão. — Os sapatos, o vestido… é tudo dele.

— Você tem noção de que ele pode ter roubado isso de alguém, né? — arqueou uma sobrancelha como de costume.

— Ele não é um trombadinha, Alison. — soltei entre um riso baixo.

— Está defendendo ele?

— Não, mas trombadinhas roubam carteiras. Não cassinos luxuosos. — argumentei. E de novo suspirei.

— O que foi? — indagou preocupada.

— Espero que ele esteja bem.

— E eu espero encontrar o número do sanatório pra mandar te internar.

— Eu atirei nele. — sentei de frente pra ela encarando sua expressão carregada de surpresa.

— Foi você? Falaram que ele foi baleado, mas que não sabem se o tiro partiu da polícia ou do Batman. — sussurrou com medo que meus pais escutassem. — Eu não consigo te entender. Primeiro você odeia ele, até aí ok, afinal ele revirou sua vida e enfiou uma bomba no seu braço. Depois diz que está “atraída” por ele. — falou a última frase fazendo aspas com os dedos. — E aí eu penso: putz, vou ter que mandar internar minha amiga. E então você atira nele e fica tudo bem de novo. Mas aí você vai e quer que ele esteja bem. — parou tomando fôlego e me encarou séria. — Loreen você não gosta dele… né?

― Ta doida? — quase cai da cama com o pulo que dei. ― Depois eu é quem estou ficando louca. Eu só...só…

― Só…?

― Alison eu dei um tiro em uma pessoa, você não acha que eu tenho o direito de sentir remorso? — fingi indignação, porque lá no fundo — outra vez porque quando o assunto era o Coringa tudo era profundo, fundo ou um verdadeiro abismo — eu tinha muito medo da resposta dessa pergunta.

― Sentir remorso por um cara que te quer morta? — arqueou uma sobrancelha e eu preferi não responder. ― Esquece. Olha, eu já sei o que podemos fazer com esse dispositivo, tem um cara em Taiwan…

― Não, relaxa. Eu contei pro Batman quando ele me trouxe, acredito que ele vai ajudar. — interrompi sua fala já me cobrindo com as cobertas e Alison se deitou do meu lado.

― Então você deu um Batjeito? — sorriu do trocadilho. Esta foi a minha vez de arquear as sobrancelhas. ― Foi péssimo, né?

― É. — acenei. ― Nunca mais faça isso, para o seu próprio bem. — ri em seguida. ― Alison...

— Chora.

— Obrigada. — virei minha cabeça para encará-la, sua expressão era um misto de surpresa e descrença. Eu não era muito gentil, fato. — Tipo, por tudo. Você tem me ajudado muito, acho que se eu não tivesse você do meu lado acabaria despencando.

— Eu sempre vou estar do seu lado. — sorriu docemente. Há quanto tempo eu não presenciava um sorriso que não fosse falso, psicótico ou carregado de chacota?

— Eu espero que o Batman de um Batjeito nessa coisa para que sempre seja durante muito tempo.

— Loreen você não combina com essa coisa de ser fofa! — riu enquanto eu me fingia de ofendida. Depois ficamos em silêncio até adormecer.



O dia seguinte amanheceu nublado, o céu carregado por nuvens pesadas anunciava a chuva que viria em breve.

Eu tinha acordado com um sentimento tão sobrecarregado quanto o tempo, meu coração estava apertado e não fora pelo sono agitado durante a noite. Era aquela maldita parte de mim que que queria saber como Coringa estava, se bem, se mau, com raiva, — isso era uma certeza — mas eu tinha consciência de que não deveria estar pensando nele. Afinal, agora, nesse momento, Coringa provavelmente estaria tramando alguma coisa contra mim para revidar o tiro.

Depois que a Alison quase me fez arrancar seus cabelos de tanto pular na cama pra me despertar descemos para tomar o café da manhã.

Minha surpresa foi entrar na sala de jantar e não encontrar apenas minha mãe comendo silenciosa ou meu pais lendo o jornal com a sua carranca habitual. Junto deles havia um homem de cabelos brancos usando óculos de grau, tinha uma aparência simpática, mas o sobretudo denunciava-o, eu não entendia de policiais e afins, no entanto aquele cara me cheirava a um deles.



— Bom dia querida. — ouvia a mulher sentada dizer sorrindo apreensiva. — Estávamos te esperando.

— Sei…

— Este é o comissário Gordon. — ela ainda disse antes dele se levantar e vir em minha direção estendendo a mão para mim.

— Imagino que saiba o porque da minha visita. — ele disse enquanto apertava minha mão.

— Veio me interrogar? — o único pensamento que me vinha a mente era um mantra de “eu vou ser presa”, só que isso foi antes de eu abaixar minha mão e perceber o dispositivo piscar. “Eu vou ser presa” passou para “eu vou ser morta”.

— Eu diria que vim apenas para fazer algumas perguntas. — sorriu de forma simpática e acalentadora.

— Podemos fazer isso comendo? — Alison disse já se sentando em uma das cadeiras. Eu me sentei ao seu lado e o comissário voltou para onde estava, ao lado da minha mãe. — Eu tô morrendo de fome.

— Então, Senhorita Johnson. — me dava arrepios só de escutar alguém me chamar assim, mesmo que fosse um homem da lei. — Essas escoriações…

— A gente brigou. — nossa, isso soou tão briguinha de casal. — Quero dizer, eu tentei fugir e ele se irritou.

— E ele disse o que queria?

— Não, mas eu acho… como posso dizer? — nem eu sabia o que aquele sacana queria comigo, no começo pensei que fosse apenas o lance da grana, mas depois ele começou a me perseguir sempre se mostrando entusiasmado quando suas “brincadeiras” me atingiam. — As vezes acho que ele só quer se divertir.

— Você foi forçada a ir ou estar ao lado dele ontem á noite? — que merda de pergunta era aquela?

— Tá vendo isso aqui? — apontei claramente irritada — puro fingimento — para o meu pescoço. — Eu preciso mesmo responder isso?

— Loreen! — ouvi meu pai me repreender.

— Não. É porque assim, o Senhor não acha que se eu tivesse ido de livre e espontânea vontade o Coringa, por um acaso, teria feito isso? — eu merecia ganhar o Oscar da dissimulação. Até eu estava acreditando na minha falsa indignação.

— Mas você dirigiu o carro na fuga, correto? — questionou perdendo a paciência. — Eu entendo que você passou por muita coisa, mas essas perguntas são necessárias.

— Necessárias? Tem certeza? Afinal, o Coringa fugiu. — me indignei com aquele falatório. — Minhas respostas não valem de nada se vocês não pegarem ele. Eu sou uma testemunha, uma vítima. E não a cúmplice! Eu acho que o Senhor, comissário Gordon, só quer alguém para incriminar e aliviar a própr…

— Já chega, Loreen! — papai gritou borbulhando de raiva.

— Sim, pra mim já deu! — levantei irritada quase derrubando a cadeira. Sério, cadê meu troféu de atriz revelação? — Vamos Alison!

— Que? — parou a mão que segurava um croissant na metade do caminho.— Mas… mas eu estou comendo.

— Compro algo pra comer no caminho. — e dei as costas sabendo que ela viria atrás.

Meus pais ainda me gritaram para voltar, mas não dei ouvidos. Agora tinha que me concentrar em outras coisas, como por exemplo o dispositivo no meu punho que tinha sido ativado e estava piscando. Aquela merda nunca tinha piscado, então não poderia ser um bom sinal.



— Loreen pra onde você tá indo? — vi Alison correr para me alcançar com o croissant na mão.

— Eu não sei Alison, mas tenho que sair daqui. Acho que vou explodir.

— Eu sei que é muita pressão, mas…

— Não caralho! Eu acho que vou explodir de verdade! — interrompi mostrando-lhe meu punho.

— Jesus… — sussurrou assustada. — E agora? O que vamos fazer?

— Meu celular! — uma péssima ideia me ocorreu.

Apalpei os bolsos da minha calça me desesperando mais ainda por não sentir meu celular.

— Corre no meu quarto e pega o celular. — pedi, porque caso eu entrasse em casa não sairia mais de lá.

Durante todo o tempo que Alison levou para ir e voltar fiquei encarando o explosivo. Se aquele desgraçado acha que eu iria morrer só por causa de um tiro, ah, ele estava mais do que enganado. Era um direito meu me vingar dele.

E já que o Batman estava se escondendo durante o dia teria que dar meu próprio jeito.

— O que você vai fazer? — Alison me perguntou ofegante quando chegou.

— Você vai ver. — peguei o celular da sua mão e disquei o número, torcendo pra ele não ter trocado de aparelho. Então uma janela pequena abriu no lado direito da tela e assim que ele atendeu ela ocupou todo o espaço. Aposto que o desgraçado queria ver minha cara de sofrimento por vídeo.

— Você está vivo. — pensei alto ao vê-lo. Coringa não parecia muito bem, tinha uma expressão cansada e os olhos sem brilho, também estava deitado e escorado na cabeceira da cama.

— Estou melhor que você nesse momento. — debochou baixo com dificuldade para falar.

— Eu quase te matei.

— Verdade? Eu diria que você atira muito mau. — forçou um sorriso. — Sabe pirralha… você vive de quase, esse é o seu problema. Você quase ficou livre, você quase me matou e agora quase vai sobreviver.

— O que isso quer dizer? — perguntei tentando esconder minha aflição.

— Vamos, você não é burra. — não mesmo, mas eu precisava ouvir de sua boca. Ele bufou irritado antes de tornar a falar. — Afinal o que você quer? Vá curtir seus últimos minutos de vida.

— Tira essa coisa de mim! — exigi raivosa. Alison quase me bateu por falar assim com o imbecil. — Você deve estar mesmo com medo que eu, um dia, eu te mate não é? — apelei para a manipulação. — Saiba que se eu conseguir sair dessa eu vou atrás de você. — ele gargalhou daquele jeito sinistro, mas não me intimidou. — Você tá duvidando de mim? Eu vou passar o resto da minha vida na cadeia e você vai passar o resta da sua no inferno, porque eu vou te matar! — falava apontando para o celular.

— Claro, espero que você consiga fazer isso em duas horas. — Coringa levantou o aparelho que controlava o explosivo me mostrando o temporizador. Ele detinha um sorriso confiante no rosto. — Você brincou com fogo, Loreen, só tinha que seguir minhas ordens, mas você me desafiou e eu sou ótimo em ganhar qualquer jogo. Principalmente quando sou eu quem dito as regras.



Não respondi se não ficaríamos trocando farpas até eu explodir. Desliguei o celular e comecei a andar em direção a saída do terreno, Alison tentou me seguir, mas eu a parei, não iria levá-la comigo para a morte.

Antes de atravessar os portões McCoy, um dos seguranças me parou dizendo que haviam deixado uma carta para mim. Juro que se fosse uma carta coringa eu surtaria mais um pouco. Ele me entregou um envelope preto com um selo dourado e eu não me fiz de rogada, abri sem receio algum. Já estava tudo uma merda mesmo.

“Distrito 14, entrada.

B.”



Deus deveria estar do meu lado, de verdade. Santo Batman na minha vida, que eu espero, com muita fé, ser salva.

Pedi para o mesmo segurança as chaves do meu carro, não demorou muito para chegar á entrada do distrito. Eu ainda tinha uma hora e vinte minutos.

Quando me aproximei da primeira rua havia um Mustang preto de vidros fume, era o único carro no lugar e encostado nele tinha um cara negro de terno e pulôver, muito mais bem vestido do que eu para a ocasião.

— Senhorita Johnson? — perguntou assim que me aproximei.

— Só Loreen. — respondi mostrando-lhe o cartão. — Você não é ele...é? — indaguei incerta, afinal Batman possuía uma pele muito clara, mas vai saber não era uma base boa daquelas que escondem até tatuagem. E tinha altura… acho que essa pressão toda está me deixando burra.

— Não. — riu com graça. — Sou Lucius. Vou ajudá-la com o seu problema.

— Eu tenho uma hora e dezessete minutos. — falei encarando o relógio de pulso. — Você é médico?

— Um médico não conseguiria tirar isso sem causar uma explosão. — explicou abrindo a porta de trás do carro dando-me passagem. — Aqui, tome isto. — colocou uma pílula em minha mão e ofereceu uma garrafinha de água. — É um contraste que reage com o revestimento entérico do dispositivo.

— Vai fazer isso aqui? — pronto, eu já estava desesperada, mas agora o sentimento havia triplicado.

— Não temos muito tempo. — indicou para que eu tomasse o “remédio”, o fiz meio incerta, eu não tinha muitas escolhas, teria que arriscar.

— Vai doer? — não aguentei não perguntar, principalmente porque ele segurava nas mãos um aparelho bem estranho.

— Não será a melhor sensação do mundo.

Ai caralho… E eu aqui, preocupada com o tiro que dei no Coringa enquanto ele só queria me colocar pelos ares, e agora eu teria que passar por uma, sei lá, cirurgia? Não sei se é uma cirurgia. Lucius ainda não tinha me cortado, ele na verdade parecia fazer um ultrassom no meu punho tentando encontrar o nano explosivo e tinha uma cara apreensiva até que encontrou uma coisinha menor que um grão de arroz.

Sério? aquele treco minúsculo conseguiria matar?

Lucius soltou um suspiro aliviado e fez uma marcação no local, colocou o aparelhinho de lado e tirou da maleta de couro uma seringa e uma agulha tão grossa que mais parecia um tubo.

— Anestesia. — falou para mim levantando a seringa. — Vamos pensar nisso como uma biópsia, tudo bem?

— Acho melhor você começar isso logo antes que eu perca a coragem. — respondi encarando a outra agulha.

O homem não me respondeu, voltou a prestar atenção em meu punho e aplicou o anestésico local. Em seguida a tortura começou, ele enfiou aquela agulha grossa me fazendo rezar por uma morte rápida. Que merda de anestesia era aquela que não fazia efeito?

Me retorci no banco do carro enquanto ele me falava para ficar quieta, mas cacete! Aquilo parecia perfurar o meu espírito.

— Você precisa ficar parada agora. — disse pegando uma pinça muito fina sem tirar aquela agulha de mim. — Eu vou retirar o explosivo, mas se você se mexer nós dois morreremos.

Dessa vez foi eu quem fiquei calada. Não poderia prometer nada, não com aquela dor me atravessando o braço e cortando minha alma. Mas determinada a ficar viva e acabar com a raça daquele palhaço eu me forcei a esquecer a dor, agarrei a beirada do assento e grunhi sentindo Lucius cutucar minha carne com a pinça dentro da agulha.

Ele tirou o objeto devagar, com uma firmeza difícil de se ver em alguém que segurava uma bomba prestes a explodir. O negócio era tão pequeno que quase não dava para enxergar. Nesse momento eu já chorava horrores tanto pela dor como de alívio.

Lucius colocou o dispositivo numa caixinha toda reforçada, ela parecia ser de metal ou qualquer coisa muito resistente. Depois tirou aquele “cano” de mim e limpou o sangue que escorreu.

— Achei que você tinha me anestesiado. — resmunguei fungando.

— Anestesias locais não alcançam tecidos profundos, o explosivo estava muito perto do músculo. — explicou calmo, nem parecia que tinha tirado aquela monstruosidade de dentro de mim e que ela estava do seu lado, prestes a detonar.

— E agora? — me referi á pequena caixa.

— Não se preocupe. — me sorriu tranquilizador.

— Tem certeza que não é médico? — arqueei uma sobrancelha confusa. — Como você pode me abrir assim e não ser médico?

— Absoluta certeza. — falou bem humorado. — Como se sente?

— Viva. — precisei rir disso. Eu nunca havia estado viva de fato, mas depois de tudo isso, essa era a única palavra que me descreveria. — Obrigada Lucius, você me salvou.

— Colocarei na conta. — brincou. — Agora acho que deveria descansar, Loreen.

— Eu vou. — concordei. — Toma cuidado com isso aí. — apontei para a caixinha.

Saí de lá e fui direto para a casa da Alison, tinha dito para que me esperasse lá — caso eu não morresse — e que tentasse desvincular a conta fantasma do Coringa com a minha. Sim, eu tinha pensado nisso, porque, caso o comissário resolvesse investigar o banco ele com certeza encontraria o dinheiro sendo lavado e eu não seria presa só por cumplicidade, eles acrescentariam lavagem de dinheiro — ou seja lá qual for o nome desse crime — na minha lista de penas á cumprir.

Depois que eu resolvesse isso cumpriria com a minha palavra.

Coringa queria brincar? Ele iria, mas dessa vez jogaríamos o meu jogo.

Notas finais
E então? Gostaria de dizer que sou Team Alison hahaha gente na moral, quem para de comer por um explosivo? Please bitch. Ah sim... mudanças muito grandes estão para acontecer hahahaha fiquem no preparo. E perdoa os erros de português haha Beijão meus puddinzinhos!