Madness
2 Capitulo 2
–Não confies neles, Chapeleiro.
–Alice? Em quem?Não confiar em quem?
–No Lobo Mau e no Lenhador, não confies neles.
–Está bem, eu não vou confiar.
–Salva a Branca de Neve e a minha filha, por favor.
–A tua filha!?
–O nome dela é...
–Não te ouvi, como se chama?
–Ela chama-se...
O despertador acordou-o, ele levantou-se e foi tomar um duche, enquanto pensava em Alice.
Sonha com ela desde os 9 anos e nunca lhe viu o rosto. Só sabe que é alta, tem cabelos longos e loiro-acastanhados e que sussurrava.
Uma filha...Ela nunca tinha falado numa filha. Ele apaixonara-se por ela aos 9 e desde ai nunca se interessou por outra mulher. Por momentos achou que era gay mas depois da noite que ela disse o seu nome, ele soube.
–Estou a ficar sem tempo.- declarou ao olhar para o relógio
Vestiu uma T-shirt preta umas calças de ganga, nada de mais já que ia trocar para a roupa do hospício quando lá chagasse.
Não tomou o pequeno-almoço, não tinha tempo para isso.
Quando saiu de casa pegou nas chaves do seu Ford Mustang e trancou a porta. Mesmo sendo super-seguro, não confiava nos vizinhos do apartamento.
Chamou o elevador e rezou a um Deus em quem não acreditava que não tivesse ninguém. Como sempre as preces não foram ouvidas.
–Olá, menino Hatter. Como está a sua mãe?
–Olá, senhora Granny. Ela está otima.
–Sabe a sua mãe avisou-me ia passar a viver aqui. Como eu tenho muito tempo livre, a minha neta vai passar cá as férias. Eu vou pedir a ela para passa por tua casa todos os dias para limpa-la e...
–Não é preciso, senhora Granny.
–Desparate! A Aurora adora limpar e arrumar a casa dos outros.
Ele sabia que ia perder aquela discução tal como perdia todas as discuções com aquela mulher. Ela tinha sempre a palavra final.
O elevador abriu e a vizinha chata mas amorosa saiu. Aquela mulher era professora de infancia quando mais nova, depois de passar tantos anos a gritar “Porque eu disse que não!” uma pessoa ganhava uma certa autoridade só de olhar para nós.
Chegou à garagem e entrou no seu Ford Mustang preto com detalhes vermelhos nas rodas, no puxador da porta e no tejadilho.
Quando saiu da garagem teve o precentimento que algo ia acontecer hoje, algo que lhe iria mudar a vida para sempre.
A Lua nasce verde no Pais Das Maravilhas, quando alta fica roxa e baixa azul-marinha.
O Sol nasce branco no Pais Das Maravilhas, quando alto fica vermalho e baixa cor-de-rosa.
O Humpty Dumpty diz que a Lua é a irmã do Sol.
A Lebre atrasada diz que o Sol é o irmão da Lua.
Não acredito neles.
Eu acho que são namorados.
Porque quando eu vivia no Outro Mundo o Sol uma vez beijou a Lua e a noite ficou iluminada.
O jardim da Lagarta é o pai de todos os animais.
O canteiro da Rainha Vermalha é a mãe de todas as flores.
O buraco da Lebre louca fechou-se e eu não consigo sair do Pais Das Maravilhas.
O sorriso do Gato sorridente abriu porque eu iria ficar para sempre.
O Chapeleiro...
O Chapeleiro vive no Pais Das Maravilhas.
O Chapeleiro anda sempre a tentar abrir o buraco.
O Chapeleiro ele sabe que eu vou querer ir ao Outro Mundo.
O Chapeleiro...
No Pais Das Maravilhas ninguem me teme, no Outro Mundo todos se afastam de mim.
O Chapeleiro diz que eu sou especial.
O Gato diz que eu sou divertida.
A Lebre Atrasada diz que eu sou pontual.
A Lagarta diz que eu sou inteligente.
A Rainha Vermelha diz que eu sou ingenua.
O Humpty Dumpty diz que eu sou bonita.
A Lebre Louca diz que eu sou educada.
Mas ninguem disse que eu era louca.
Porque no Pais Das Maravilhas ser louco é ser normal.
Já no Hospice of Sanity, a enfermeira de pala no olho tinha avisado a Philipe que teria uma reunião com o chefe.
Tomou um café expresso e sem mesmo tomar o pequeno-almoço, foi ter com o chefe.
Andou pelos corredores iluminados do Hospicio até encontrar uma porta dupla de madeira com uma placa dourada com “Escritorio de Thomas B.B.Wolf” escrito.
Bateu e quando recebeu um “entre” MUITO grave como resposta, entrou e disse:
–Queria falar comigo, chefe?
–...-sem resposta nem grave ou aguda, apenas um cadeirão preto com rodinhas virado para o grande quadro atrás da secretária.
–Chefe?
Não entendia o que se passava até ser atingido na cabeça com uma bola de papel. Quando a abriu viu que tinha escrito a caneta preta a frase “Chefe!? Trata-me por Senhor Wolf e depois falamos”.
–Senhor Wolf, queria falar comigo?- tentou de novo.
–Assim, sim! Então Hatter, ouvi dizer que estás encarregue da Madie, confirmas?
–Sim, Senhor Wolf, confirmo.
–Não precisas ser tão formal, filho, aqui a gente somos amigos. Mas não é disso que eu queria falar.
O Humanidade não estava preparada para o fisico daquele homem. Era grande, uns 2,20m de altura talvez. Era grande, mas não gordo, era musculoso e os ombros dele deviam ter 30cm de ombro, de cada ombro. Tinha cabelos castanhos e uma barba por fazer, normal, certo? Errado, tinha pelos nos braços até dizer chega, nas pernas cresciam florestas e no peito? Bem, o sonho que qualquer rapaz pré-adolescente.
–O Senhor falar sobre o que?
–Eu ouvi dizer que és um médico prodigio, confirmas?
–Sim,senhor.
–E que saltas-te muitos anos de escolaridade, confirmas?
–Sim, senhor.
–Achas que consegues curar a Madie?
–Não sei, senhor.
–Como não sabes?
–A terapia leva tempo. A Esquizofrenia dela é muito avançada, já fiz uns avanços na Sociopatia e estou a tentar ajuda-la quanto ao pânico.
–Avanços na Sociopatia?
–Sim, ela já fala comigo sem usar o Chesire.
–O que é o Chesire?
–Não é “o que” é “quem”. O Chesire é o gato de pelucia dela, senhor.
–E-Ela fala contigo?- o chefe parecia desconfortavel.
–Sim.
–Ainda bem. Era só isso, se não tiveres perguntas podes ir.- declarou o chefe com um abanar de mão.
–Na verdade tenho uma pregunta, Senhor Wolf.
–E qual é ela, filho?
–Qual é o seu nome completo?
–Thomas Big Bad Wolf, porque?
–Por nada, só curiosidade.
Quando saiu da sala teve a certeza de uma coisa. Não iria confiar no chefe.
Big Bad Wolf? Lobo Mau? A Alice nunca lhe enganara na vida e se ela lhe disse para não confiar naquele homem, ele não iria confiar.
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