Madness

1 Capítulo 1


O príncipe Mihael andava distraído pelo grande quarto em que vivia. Ele pensava em várias coisas, sem saber direito a qual delas dar mais destaque. Seu irmãozinho, Nate, o fitava sem saber o que dizer. Aliás, Nate quase nunca dizia nada. "Near" era seu apelido, sempre por perto, mesmo que não notassem ou se importasse sua presença devido a tamanha quietude e seu semblante desapaixonado. Em um ambiente claro, passava despercebido, seus cabelos tinham uma coloração tão clara que se assemelhavam ao branco, sua pele era tão pálida que poderia estar doente, embora seus olhos fossem escuros, quase negros. Era um príncipe estranho, sem dúvidas, só perdia no quesito "esquisitice" para seu irmão mais velho...

Mihael, vulgo Mello. Embora sua aparência fosse mais normal que a do irmão, seu temperamento forte e sua constante irritação o tornavam insuportável. Sua presença era fácil de ser notada, as roupas escuras em contraste com a pele clara, os cabelos loiros e a grande cicatriz que cobria quase todo o lado esquerdo do rosto e da parte superior do corpo, com olhos azuis que desafiavam os que ousavam tentar se tornar melhor que ele. Os que conseguiam sofriam as consequências. Ser superado, era o que o príncipe mais temia. Sua cicatriz era a prova de que faria qualquer coisa para cumprir seus princípios, resultado de uma tola afirmação de que era capaz de resistir ao fogo. Faltavam poucos dias para completar 13 anos, e o povo do pequeno reino de Wessex só podia rezar por mudanças na personalidade ativa do jovem quando este amadurecesse.

Além dos dois, havia mais uma a quem o povo tinha receio. A princesa Misa, dona da beleza que encantava a todos, porém seu intelecto nem de longe se comparava ao dos irmãos. E as vezes, poderia tomar ações precipitadas por qualquer coisa, a nobreza tornando-a perigosa.

A família real em si era estranha. O próprio reino onde viviam e dominavam era estranho, como um espaço avulso do mundo, onde tudo acabava em perfeita ordem. A sorte e a felicidade prevalescem aos justos, era a única lei realmente respeitada. Wessex era um dos poucos lugares organizados e seguros na turbulenta ilha da Bretanha, uma nobreza atormentada era um problema pequeno, se comparado aos povoados vizinhos.


Mas a paz do reino começou a ser perturbada quando Mihael e Nate receberam o comunicado.


— Senhores.— uma criada os chamava, cautelosa. Sabia que por qualquer motivo príncipe mais velho poderia causar um alvoroço, que resultaria sua morte. Um jovem mimado com grandes poderes em suas mãos, era tudo que ele representava para a mulher.— O rei os aguarda.

Nate assentiu, e se retirou do quarto de Mello(no qual estava quase sempre presente para o desagrado do irmão) sem nada dizer a moça. O outro sorriu forma suspeita e se afastou. A criada já estava acostumada, e simplesmente se dirigiu a suas tarefas habituais, fazendo o loiro dar de ombros.

Demorou alguns instantes para Mihael chegar aos aposentos do rei. Onde teve uma grande surpresa.


Lá se encontrava a última pessoa que pensava ver a companhia do pai.


O Lorde. Assim era conhecido o temido homem. L. Lawliet, um estrangeiro extremamente inteligente que tratava de saber de tudo que ocorria ou ocorreria para acabar com a paz em que viviam. Ninguém sabia bem de onde viera, mas desde que chegara tratava de ajudar o reino, tanto que ensinava o que sabia aos príncipes. O lorde L era a principal arma da nobreza, e ainda sim o maior inimigo da mesma. Entretanto era a maior inspiração dos aprendizes, principalmente de Mihael, que almejava com todas as forças ser o herdeiro de L Lawliet, mais do que desejava o trono. Mas em seu íntimo sentia que não serviria para ambos. O principal aprendiz do lorde era seu irmão Near, enquanto o trono pertencia a sua irmã Misa. Ele seria para sempre o príncipe temido.

Quando os príncipes foram chamados a sala do rei, se surpreenderam. Mello se questionava o que traria o mestre, tão odiado por seu pai, a frente do rei.

Os dois nobres rapazes se curvaram perante ao pai. Nate permanecia com a expressão desapaixonada de sempre. Nem mesmo a intrigante cena que presenciavam parecia capaz de abalá-lo. O príncipe alvo, sempre impassível. Pouquíssimos conheciam sua voz ou notavam sua presença, tão diferente dos irmãos, Misa e Mihael eram mil vezes mais escandalosos e irritáveis.

O rei mantinha o silêncio. A única mulher presente, a princesa Misa, sorria simpática para o lorde. Este parecia mais interessado na porta do que na pobre garota. Aos poucos a expressão de Misa ia se tornando melancólica. Ela tinha noção do efeito que causava nos homens, entretanto aquele mal a olhava. Para Mihael era até engraçada ver a irmã se dar mal, coisa que nunca acontecia.

— Meus filhos. A presença e as opiniões de vocês é extremamente necessária no momento. O... Lorde tem notícia um tanto intrigantes.— disse o rei, iniciando a conversação..

O lorde não parecia prestar atenção às palavras do rei. Aos poucos Mello percebia que ele realmente olhava para a porta, como se esperasse alguém passar por ela de repente. Foram necessários diversas tentativas sutis de chamar atenção até que Lawliet finalmente notasse sua deixa.

— Sim. Na verdade acredito que já tenham percebido que a quantidade de estrangeiros que vêm pedindo refugio entre nossas muralhas. As aldeias vizinhas estão praticamente vazias. Após conversar com alguns aldeões minhas suposições foram confirmadas. Algum tipo inimigo nos aguarda.

Houve um silêncio na sala. Até mesmo o impassível Near se mostrou surpreso. Nenhum povo se mostrava corajoso o suficiente para atacá-los.

— Mas podemos nos defender, não? Vencemos todas as batalhas que travamos no passado!" arriscou Misa.

— Não, Misa, eles são espertos. Devem atacar as aldeias fracas, aterrorizando,mas não alarmando ser uma ameaça maior. Logo eles saqueiam as casas e fortalecem seu exercito. Se não os combatermos agora, eles se tornarão fortes o suficiente para nos vencer— Near disse.

Todos os presentes se voltaram para o rapaz, mas Nate não parecia se incomodar. Mihael bufou inconsientemente, amaldiçoando em silêncio o intelecto do irmão.

— Exatamente como o príncipe especulou. Essa é uma questão que não posso resolver sozinho, com faço normalmente. Precisarei da ajuda do exército, com a permissão do rei, é claro.

— Já mandei chamar o chefe da armada, Raito deve estar a caminho.—

A respiração de Misa parou por alguns segundos. A princesa então passou a acompanhar o lorde na atividade de encarar a porta. Mello sorriu, já que sabia da obseção da irmã pelo chefe do exército. Eram risinhos e sorrisos trocados inconcientemente. Na inocência de Raito que não desconfiava das ações da moça e correspondia. Apenas o sempre atento Mello realmente notava. Mas o que intrigava realmente o loiro era a rivalidade aparente entre o lorde e o chefe da armada. Mais do que rivais, Mihael sabia que ambos escondiam algo.

Preso a seus devaneios, o príncipe acabou não percebendo a aproximação do mestre.

— Em você tanto pensa, Mello?

— Na verdade em nada tão específico. Estou alternando entre essa nova força que nos ameaça e o modo como todos estão agindo estranho.

— Como assim?

O loiro encarou o mestre. Não sabia dizer se o lorde não havia percebido a mudança ou se estava simplesmente querendo descobrir até que ponto o príncipe era capaz de chegar. De qualquer forma, ele não via problemas em respondê-lo.

— Hm, faz algum tempo que todos tem mudado suas atitudes. Por exemplo, o senhor. Sempre teve essa richa com o Raito e com o rei. No entanto, meu pai confiou em suas especulações e, desculpe-me, o senhor parece muito ansioso para ver o chefe do batalhão. Quase tão ansioso quanto minha irmã.

Ao ver de Mello, o lorde se surpreendeu com a resposta. Inclusive, empalideceu (se isso fosse possível, o homem já era muito pálido). Mas sua reação foi simples e descontraída, apenas sorriu e bagunçou os cabelos do loiro.

— Você realmente presta muita atenção. Sim, estou ansioso para a chegada de Raito, porque é a primeira vez que preciso da aprovação do rei, e o apoio do chefe é indispensável. E é por isso que você está aqui também. Se todos concordarem com a ameaça eminente o rei não poderá dizer não.

Mello não acreditou inteiramente nas palavras do lorde, mas resolveu deixar as desconfianças para depois, apenas assentiu e voltou a aguardar.

O chefe do exército demorou mais do que o esperado. Todos que por ele esperavam estavam cansados e agitados quando ele por fim apareceu.

— Peço perdão pelo atraso, majestade. Tive um imprevisto". foram suas primeiras palavras do homem."Encontramos um garoto espiando o treinamento da armada e assim que foi descoberto ele tentou fugir. Acredito que seja um espião.

O lorde e o chefe do exercito se entreolharam, como se estivessem conversando silenciosamente. Pelo visto não fora necessário colocá-lo a par do que acontecia, Raito já suspeitava da formação de um inimigo. O espião era mais um sinal do fato.

— Conseguiram capturar o garoto?— o lorde perguntou.

— Na verdade sim, L. Era um garoto contra todo o exercito, duvida de nossas capacidades?

— Sim.— o lorde responde, indiferente a qualquer reação.

Lá estava a fugida rivalidade entre os dois, e a batalha mental se tornaria ainda mais longa, mas o rei pigarreou e disse:

— Tragam-no. Iremos interrogá-lo então, em busca de informações.

Raito fez um sinal para o homem que guardava o portão ainda aberto e em poucos minutos trouxeram o suposto espião.'

Arrastaram seria mais correto, na opinião de Mello. O príncipe analisou o garoto recém trazido ao centro do salão. Ele não aparentava ter mais do que 13 anos, e parecia extremamente contente para alguém capturado pelo exército. Apesar dos machucados e das roupas surradas ele estava sorrindo, mas sempre mantendo a cabeça abaixada, evitando olhar os presentes nos olhos, fazendo a franja avermelhada cubrir-lhe os mesmos.

Quando finalmente ergueu a cabeça, os fios ruivos revelaram orbes esverdeadas hipnotizantes fitando Mihael. Era praticamente impossível para Mello interromper o contato visual com o ruivo, apenas a voz do pai foi capaz de libertá-lo do transe.

— Diga seu nome, rapaz.

O espião sorriu, e tentou se libertar das amarras que o prendiam, sem sucesso. Ele por fim respondeu:

— Me chamo Matt. Me desculpe o desrespeito, mas estão cometendo um terrível engano ao me prender. Eu vim alertá-los do verdadeiro inimigo.

Os olhos do rapaz percorreram por todo o salão até se prenderem no lorde.

— Ele é seu verdadeiro inimigo. Não é mesmo, mestre Beyond?

Notas finais
Obrigada por lerem, que um Death Note caia no seu quintal :D.

Postando simultaneamente no Anime Spirit.