Mademoiselle
1 Catarina de Aragão
Notas iniciais
Subitamente lembrou-se de sua terra inglesa, que, durante um tempo, a língua lhe era estranha, e se encaixava como uma palavra amarga em sua boca, misturando-se com o sotaque de seu seio materno: a Espanha.
O marido, que se casou porque lhe amava, encantado pela sua beleza e cortesia, naquele momento, pedia-lhe o divórcio, gozando de sua honra. Dizia aos ventos que a sua virgindade havia sido entregue ao seu primeiro marido, o príncipe.
Catarina, criada pela mãe, Isabel de Castela, para que visitasse tanto a campos militares quanto soubesse a forma que usaria a uma agulha afim de que costurasse a um tecido, sentia-se profundamente ferida em batalha. Deus sabia o quão era devota, seguindo ao seu destino, e Henrique VIII tinha o conhecimento de que chegou à sua cama como uma donzela; intocada pelo sexo masculino.
Enfrentou a fome, dificuldade, falta de comida e dinheiro para que sustentasse a seus empregados, pouca luxúria para uma princesa, enquanto o seu sogro, Henrique VII, e o seu pai, Fernando de Aragão, jogavam a um complexo xadrez em relação ao pagamento de seu dote.
Quando coroada rainha, seguiu ao seu destino, permanecendo fiel ao seu rei. Aquela, que era a uma obediente menina para o pai, tinha um elo com o seu marido.
O povo clamava pelo seu nome, amando-lhe o quanto podiam. Catarina sabia que o carinho que lhe era oferecido se construiu à base de seu trabalho dedicado à classe empobrecida, aliviando a população de uma situação conturbada.
Serviu ao pai como uma diplomata, tornando-se a primeira dama a fazê-lo em uma corte europeia. Sentia-se orgulhosa. Cumpriu com o seu compromisso; a sua tarefa de filha.
Erasmo de Rotterdam dizia que a sua cultura era tão profunda que superava a de Henrique, o seu marido. Encheu a sua corte de homens inteligentíssimos. Ajudou em relação ao ensino feminino que pertencia à Inglaterra. Em razão de Catarina, tornou-se uma moda entre as mulheres a discussão de temas intelectuais. Dançava, — embora houvesse parado com esta atividade ao auge de seus trinta anos-, caçava a falcões e apreciava a uma canção.
Quando se viu como regente, feita pelo Henrique, grávida, posicionou-se em um papel ativo durante a batalha de Flodden, em que os invasores escoceses foram derrotados.
Não se rebaixaria. Era uma rainha. Henrique VIII lhe conhecia perfeitamente. Era a sua consorte, e deu a ele uma filha, a pequenina Maria. Em sua juventude, o marido apreciava a sua beleza, de cabelo em tom ruivo e os olhos azuis, com a pele branca. Era descrita como: “A mais bela criatura do mundo”. Em seguida, com os abortos e natimortos que sofreu, tornou-se robusta. Entretanto, diziam que não era bela, no entanto, não era feia. Henrique se cansou de sua aparência, de sua falta de varão e de ausência de uma áurea jovial à sua altura de rei.
Thomas Cromwell, uma vez, dissera: “Se não fosse por seu sexo, ela (Catarina de Aragão) desafiaria a todos os heróis da História”.
Deus lhe guiaria; se o seu destino era que vencesse ao rei, comprovando a sua legitimidade, ocorreria. Se o seu caminho era que se afastasse de seu marido, o faria. De acordo com o Sr. Cromwell, desafiaria a todos os heróis, e enfrentaria a Henrique.
Recordou-se, de supetão, de quando questionou ao rei, dizendo de que ele sabia perfeitamente de como era uma dama virgem ao tê-lo como marido. Era uma lembrança que guardaria em sua mente.
— Quanto à opinião de seu capelão neste caso, eu não me importo nem um pouco; ele não é meu juiz no caso em questão, e cabe ao Papa, e não a ele, decidir. Respeitando as opiniões de outros médicos, seja em Paris ou em outras universidades, você sabe muito bem que os principais e os melhores advogados na Inglaterra têm escrito a meu favor. Na verdade, se você me der permissão para adquirir a opinião de seus assessores neste caso, eu não hesito em dizer que, para cada médico ou advogado que você encontrar em seu favor e contra mim, eu conseguirei achar mil para declarar que o casamento é bom e indissolúvel.
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