Madeira e Prata
28 16/17.08.2815 – Parte Dois
Notas iniciais
Artemisy
Estava tomada pelo desespero e catatonia, minha filhinha não poderia ter morrido, não assim, não por um dos nossos. Quando Dibucky nos contou o acontecido eu gritei insanamente, como se meu coração estivesse sendo arrancado do meu peito a força e sem anestesia. Os guardas logo vieram e acalmaram a bagunça que era o meu quarto, mas não a mim. Achei que não viveria nem mais um segundo, mas meu querido Argos me ajudou a chegar ao fim do dia. Então a noite chegou e tive que ir para o refeitório, encarar a realidade e pena dos outros vampiros.
No caminho recebemos pêsames de muitos, olhares de apoio de outros e o luto da maioria. Nos sentamos à mesa e eu pedi minha refeição apenas por obrigação, já que não tinha a menor vontade de beber. Enquanto eu fazia o contorna da borda do copo com o dedo Hugh se juntou a nós, tão choroso quanto eu, e então éramos três em silêncio.
Mas logo começaram burburinhos no salão, ruídos que ignorei até minha filha Fola e o senhor Foster se sentarem conosco. Fiquei sem reação por um instante, mas logo abracei minha filha, para ter certeza de que ela estava viva. E minha preocupação era apenas esta, mesmo enquanto meu marido contava o que havia acontecido. Só a soltei depois que Argos terminei de contar tudo, mas a abracei novamente quando ela anunciou que casaria com Mac Foster.
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Fola
Mamãe me abraçou novamente quando anunciei que me casaria, papai ficou orgulhoso e Hugh emocionado. Mac estava simplesmente sem reação. Depois de cinco brindes propostos por meu pai, eu e meu lobinho fomos caçar.
Ele foi em silencio até sairmos dos terrenos. Corríamos de mãos dadas, tropeçando um no outro, mas felizes.
“Você tem certeza?” Olhei pra ele de canto de olho.
“Do que você está falando, Mac?”
“sobre casar, você tem certeza de que me quer para sempre?”
“Claro! Espere...” Fiz ele parar e me olhar “Você não quer? Eu pensei que você me queria...”
“Não! Eu quero, mesmo! E muito! Mas eu tenho medo... Medo de como as coisas serão durante as luas cheias... Eu me preocupo com você! Eu não quero te machucar!”
“Não me importo! Eu te quero! Com todas as dificuldades, problemas e vantagens.”
Então selamos essa discussão com um beijo e fomos finalmente caçar. Foi algo rápido: o cervo dormia quando chegamos, então quebramos seu pescoço e o levamos para a nossa caverna. Lá eu pude me deliciar com sangue fresco e Mac pode comer carne de verdade.
Essa refeição nos deu uma nova energia e reforçou nosso desejo um pelo outro. Ali mesmo, no chão da caverna, nos despimos e nos amamos novamente. No fim, caímos no sono, os corpos suados e unidos.
Quando acordei me vi deitada, mais uma vez, com o corpo colado no de Mac, uma sensação deliciosa. Não precisava olhar para fora para saber que o sol estava deixando o céu, então, delicadamente, colei meus lábios no do meu lobinho e esperei para ver sua reação. Primeiro ele ficou perdido, até me ver, então sorriu, depois olhou em volta, confuso, e pareceu lembrar onde estávamos, para mais uma vez sorrir. Não resisti a isso e o enchi de beijos novamente, foi então que me lembrei de uma conversa que tivemos não muito tempo antes.
“Eu aceito.”
“Aceita o que exatamente, Fola?”
“Eu aceito te ajudar com a sua missão.”
“Como é que é?” Em questão de segundos Mac estava sentado, tentando desvendar qualquer coisa no meu rosto.
“Isso mesmo. Eu vou te ajudar. Eu estive pensando... Você fatalmente vai ter que voltar para casa nessa lua cheia, então, se você não tiver seu plano feito podem te matar, ou pior... E eu não quero te perder, nem saber que está sofrendo por minha causa.”
“Tudo bem, mas o que você pré tende me dizer? O que vai ser tão útil e não vai trair os seus?”
“As defesas estarão fracas na primeira noite após a lua cheia. Será um dia de festa e todos estarão comemorando.”
“Comemorando o que exatamente?”
“O nosso casamento.”
“Mas... Mas é o nosso casamento, você vai querer mesmo isso? Achei que fosse ser um dia especial para você.”
“E vai ser... Mas Mac, eu não posso te dar qualquer outra coisas sem arriscar demais a integridade da colônia. Eles são minha família, as pessoas que eu amo. Mas eu também não posso arriscar te perder. E de qualquer maneira, para mim, nosso casamento foi ontem, para mim já estamos casados.” Mas, por mais que eu dissesse isso, lágrimas corriam pelo meu rosto. Ele secou minha face e me abraçou.
Já passava da meia-noite quando voltamos para o castelo.
Notas finais
Chegando na reta final, hein gente!!!!!!
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