Madeira e Prata
26 15/16.08.2815
Notas iniciais
Mactíre
Acordei com o corpo latejando, mas parecia que ia passar rápido, o que doía mais era o meu braço, o ferimento estava sujo e com uma casca de sangue pisado por cima. Levantei logo, olhando para o céu e chegando à conclusão que pela claridade eu tinha uns dez minutos para achar Fola, tirá-la de onde quer que ela esteja e voltar para dentro do castelo.
Não sabia ao certo por onde começar, só tinha a dica de que deveria ir para a floresta, talvez o melhor fosse seguir pelo caminho por onde os vampiros vieram. Achei a passagem e uma trilha por onde segui até achar uma casinha sem telhado. A vampira que me arranhou estava no chão, sobre uma poça vermelha, parecia morta. Corri e entrei um lugar que era iluminado por uns cotocos de vela, ao lado de um relógio que marcava seis horas e cinco minutos. Havia uma outra fonte de luz, e essa vinha do teto, e sob ela estava Fola, sentada com os braços para trás, junto de uma pilastra de ferro, a cabeça pendendo para o lado, sua boca estava amordaçada.
Fui tirá-la dali e vi que estava acorrentada. Olhei em volta procurando um objeto que pudesse me ajudar a arrebentar a corrente ou o cadeado, mas na mesa do lado havia uma chave. Aquilo estava fácil demais... Mas eu não discuti com a minha sorte e soltei Fola. Tirei a faixa de sua boca e tentei acordá-la, sem obter muito sucesso. Segurei-a no meu colo e saí. O sol começava a realmente iluminar aquele lado e o labirinto não era uma rota de fuga plausível, mas por dentro da floresta, sob a sombra das copas das árvores, essa sim era uma escolha inteligente. Segui margeando o labirinto, até que encontrei seu fim e uma passagem livre de duzentos metros sob os raios do sol para correr com Fola.
Tirei meu terno e joguei sobre ela, tirando de um possível contato com o sol todas as partes do seu corpo que o vestido não cobria. Segurei-a firme e encolhida nos meus braços e corri o mais rápido que pude, sem me preocupar com possíveis observadores, eu precisava salvar Fola, nem que isso custasse a minha vida.
Quando chegamos no castelo assegurei que nenhuma parte dela estava queimada ou faltando e segui até seu quarto, a porta estava trancada, mas ela guardava a chave pendurada no pescoço. Coloquei-a delicadamente na cama e tranquei o quarto. Poucos minutos fora de qualquer luz, exceto a pequena lamparina que acendi na cabeceira da cama, foram suficientes para ela começar a voltar a si, mas ainda fraca.
“Eu morri?”
“Não Fola, eu te salvei.”
Isso a fez sorrir, até que percebeu o arranhão no meu braço.
“Céus! Que machucado feio. Deixe-me ver isso, Mac!” Ela esticou a mão na minha direção, mas eu me afastei.
“Não é nada!”
“Que não é nada o quê! Está todo sujo! Isso pode infeccionar!”
Então, ainda tonta, levantou-se e foi até o banheiro, de onde voltou com um pano úmido, que usou para limpar meu ferimento e tirar as cascas, fazendo o sangue pingar novamente.
Foi então que Fola começou a me surpreender. Ela me olhou fundo nos olhos, com um ar incomum, e passou a ponta da língua sobre a ferida, que estranhamente cicatrizou.
“Mas como?”
“Shhh...” As poucas gotas do meu sangue trouxeram um novo rubor à pele clara da minha vampirinha, que depois de me fazer calar, encostou delicadamente seus lábios sobre os meus. Incrédulo, demorei a corresponder, mas quando fiz ela tomou uma na voa iniciativa e me empurrou sobre os travesseiros e continuou me beijando, não tão delicadamente, mas de um modo delicioso. Apertei forte seu corpo sobre o meu e senti ela firmando seu dedos no meu cabelo.
Fola começou a beijar o meu pescoço e descer pelo peito enquanto abria os botões da minha blusa, até que estivesse beijando meu umbigo. Me olhou risonha e me puxou pelo pescoço, segurando com uma mão e tirando minha blusa com a outra. Ajudei-a sem remorso, ela me soltou para começar a soltar os laços do vestido, ajudei-a um pouco, mas então parei.
“Você tem certeza?”
Me beijando ela respondeu: “Você ainda tem dúvidas?”
Então soltamos os laços do seu vestido e tiramo-lo, jogando para um canto qualquer e deixando a mostra seu lindo corpo feminino. Essa foi a minha vez de jogá-la na cama e beijar todos os cantos de seu corpo, sem exceção. Escutei alguns sons vindos dela e então foi minha vez de terminar de tirar as minhas roupas. Fola arfou quando me viu e me puxou para perto dela, pressionado seu corpo sobre o meu. Me beijando, entre um suspiro e outro, ela sussurrou no meu ouvido:
“Me faça a mulher mais feliz desse mundo.”
E assim eu fiz.
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