Madeira e Prata
23 14/15.08.2815 – Parte Um
Notas iniciais
Artemisy
Finalmente consegui dormir tranquila, minha filhinha parecia estar realmente aceitando o senhor Foster. Eu podia prever um casamento vindo nos próximos dias e definitivamente ela não iria lutar na próxima guerra!!! Bem, isso já era fato, mas ela estando casada, as coisas mudam...
E era tão lindo ver os dois brincando e correndo pelos jardins, pareciam duas crianças é bem verdade, mas estavam criando laços de amizade que não poderiam ser quebrados.
Hugh era o único que não estava muito satisfeito, quer dizer, ele estava feliz por Fola, mas ele sentia falta de sua nova amiga, acho que por nós termos sido a única família de vampiros que o aceitou do jeito que ele é... Então ele fica resmungando pelos cantos um pouco, mas no fundo está feliz.
==============================================================
Argos
Não cabia em mim tamanha felicidade. Minha menina estava se tornando uma adulta e em breve uma vampira casada.
O senhor Foster era um vampiro correto e descente, seria um prazer tê-lo como parte integrante da família, eu confiaria a ele minha filhinha sem problemas, se assim ela o desejar. Teríamos apenas que decidir se ele moraria com ela na cidadezinha dele ou aqui na sede. Mas isso seria assunto para outra hora. O momento era de comemorar a aparente formação de um novo casal.
==============================================================
Etoile
Já havia passado mais de uma semana, e eu sabia que o prazo dele ia até a próxima lua chei, mas não conseguia conter a minha curiosidade. Precisava e queria muito saber o que estava acontecendo.
“Jober!” Chamei meu imediato e logo obtive resposta. O lobisomem negro, alto e forte me olhava, ansioso por novas ordens. “Jober, traga Nazira aqui. Preciso passar para ela uma missãozinha especial.”
Eu sorria e nada nem ninguém poderia conter esse meu sorriso. Logo a loba estava em minha frente, exibindo toda a sua forma humana em trapos que mal cobriam a sua pele. Ainda sorrindo, olhei seriamente para ela.
“Nazira, quando você sair daqui quero que vista-se discretamente. Vou te dar uma missão um pouco perigosa se não estiver com as roupas certas.” Ela me olhou sem paciência, esperando pelo que viria depois. “Como você deve saber, o coronel Mactíre está em uma missão especial, conseguindo informações direto do território inimigo.” Fiz uma nova pausa, deliciando-me com o suspense. “Eu quero que você vá até ele e depois volte me dizendo quais as novidades e a quantas andam o plano. Claro, você terá que encontrá-lo, então é melhor procurar roupas de uma vampira.”
Ela estava surpresa e com algum receio, mas sabia que não poderia negar a missão sem receber uma punição adequada, fosse ela qual fosse. Então Nazira simplesmente abaixou a cabeça, murmurou um “Sim,senhora.” quase inaudível e saiu do centro de comando.
==============================================================
Nazira
Onde já se viu, mandar um lobo para o coviu dos vampiros, e agora manda outra, e ainda por cima ela me manda! Etoile só poderia estar louca, e só alguém mais louca que ela falaria isso na sua cara, e esse alguém não seria eu. Então só me restava voltar ao meu dormitório e procurar roupas mais discretas.
Escolhi um vestido marrom bem escuro, quase preto, mas era curto e nem de longe lembraria o traje de uma vampira. Continuei com meu sobretudo marfim, não tinha nenhum mais escuro para usar, e com minha botas de coturnos pretas eu saí do Q.G. para cumprir minha missão.
Atravessei a floresta reclamando, o sol estava na minha cabeça, me deixando profundamente irritada, mas no final, chegar ao castelo não foi um problema. Fiquei parada, olhando para a suntuosidade que era a construção, e agradecendo que com o sol, nenhum vampiro me veria.
Estava distraída, ainda analisando a construção quando vi alguém se aproximando. Era um homem e estava vestindo preto. Comecei a decidir se me esconderia ou se lutaria, mas então me dei conta do sol, que ainda estava presente no céu, e isso só poderia significar uma coisa.
“Nazira, você está maluca? O que você está fazendo aqui? Se alguém te vir estamos ferrados.”
Ri do meu jeito de sempre, aquele que guardo especialmente para Mactíre.
“Relaxa, cachorrão, está tudo sob controle, o sol está no céu. Seus amiguinhos sanguessugas não vão me ver aqui, nem te ver do lado de fora.”
“Nazira, para com isso e vai embora.” Ele estava me empurrando para fora do território vampiro.
“Ei, ei, ei. Não vou embora assim, não! Aquela louca não me fez vir aqui para eu voltar sem nada!” Isso fez algum efeito sobre ele, já que Mactíre parou de me empurrar.
“Do que é que você está falando?”
“Etoile. Ela me mandou vir aqui, ver se você estava vivo e com estava o andamento do plano, essas coisas, sabe?”
“Diga a ele que está tudo bem e que dentro do prazo combinado eu levarei as informações necessárias.”
“Não,não, não. Ela me mata se eu não chegar com algo útil.”
“Olha, eu estou conquistando a confiança deles, para poder chegar a algo importante, então por favor, vá embora. O sol já está se pondo e aqui eles acordam cedo.”
“Certo, estou indo... Mas antes, por que você não me dá um beijinho, hein?”
Eu estava prestes a agarrá-lo, pronta para beijá-lo e sabia que ele tentaria me impedir, então já estava com uma tática pronta. Mas de relance vi uma vampira parada na porta e parei. Mactíre viu minha pausa e olhou para trás, respirou fundo quando a vampira voltou para o castelo, e me fulminou com os olhos quando voltou a me olhar.
“Mactíre, me desculpe, por favor, estou indo embora, espero não ter atrapalhado nada. Se cuide, ok?”
Então eu corri de volta para a floresta, enquanto Mactíre voltava para dentro do castelo, chamando uma tal de Fola pelo nome.
Fale com o autor