Madeira e Prata
17 05/06.08.2815 – Parte Quatro
Notas iniciais
Artemisy
Fui até o quarto da minha filha, para poder re confortá-la, e saber se algo tinha acontecido naquela sala, algo que lhe desse motivos para sair correndo e chorando. Quando entrei ela estava esparramada na cama, chorando descontroladamente, agarrada ao travesseiro. Me sentei ao seu lado e carinhosamente coloquei a mão em seu ombro, para tentar acalmá-la.
“Querida...” Mas minhas palavras não foram úteis para ela se acalmar, ela apenas se sentou em um rompante e com a cara fechada me disse:
“Mãe, sai daqui, eu quero ficar sozinha...”
“Querida, eu não vou a lugar nenhum sem antes a gente conversar.” Então ela simplesmente me abraçou ainda chorando e soluçando.
“Eu não quero casar... Mã-mã-e, eu não quero ficar presa!!! Não me obrigue a casar...”
“Filha, você não vê? Quando realmente se gosta de seu par, o casamento não é uma prisão. Na verdade é uma festa, é a verdadeira liberdade.”
“E por que você está me dizendo isso, mãe?” Nesse momento Fola parou de chorar para me encarar em dúvida.
“Fola, não se finja de tola, eu vi o jeito que você olhou pra ele, eu sei que mesmo sem querer você já escolheu o seu marido...”
“Mas, mãe, você não entende, eu não posso casar com ele...”
“E por que não?”
Mas ela simplesmente me olhou sem saber o que responder. Isso é óbvio, o que ela poderia dizer? Negar que gostou do rapaz? Impossível. Então eu me levantei da cama e a puxei pela mão, levando-a até a pia.
Então para minha surpresa ela me obedeceu sem reclamar.
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Fola
“E por que não?”
A pergunta de minha mãe era simples e eu definitivamente tinha uma resposta, mas como dizer pra ela? Como falar pra minha mãe que o cara que se apresentou para eles como um vampiro era na verdade um lobisomem, sem que isso levasse à morte dele? E particularmente eu não queria que Mac morresse. Não porque eu goste dele – coisa que eu jamais irei admitir – mas porque ele é meu melhor amigo, e eu prometi proteger sua vida.Então eu não disse nada e fiquei olhado para ela, enquanto mamãe levantava da cama, me puxando pela mão.
“Vamos, limpe seu rosto e vamos jantar.” E eu obedeci, sem reclamar. No final eu estava com o rosto seco, mas os olhos vermelhos e inchados por causa das lágrimas que derramei. Eu não tinha exatamente um motivo para estar chorando, mas eu estava, apenas deixei minhas emoções me levarem.
Então dei o braço para minha mãe e nos encaminhamos para o grande salão, onde as pequenas mesas estavam postas e alguns vampiros estavam lá tomando suas refeições. Mamãe procurou um pouco e logo achou a mesa onde meu pai, Hugh, Eloi e Mac estava sentados, junto com dois lugares vazios, e próximo a uma outra mesa onde outros meus irmãos estavam sentados.
Fomos para lá e chegamos enquanto todos riam de alguma piada que meu pai contou. Sentei no lugar que me foi destinado, do lado de Mac, e me escondi atrás do cardápio, que eu já conhecia há muitos anos. Sabia exatamente o que pedir, o mesmo que eu sempre pedia quando estava ansiosa com alguma situação, mas me pareceu confortável usar aquele escudo de papel, para não ter que olhar para Mac.
“Você vai pedir, querida?” Abaixei o cardápio para encontrar os olhos sorridentes de minha mãe. Sorri de volta e fiz o meu pedido de sempre. “Sangue de tigre por favor. Me ajuda a pensar.” A atendente que passava por ali foi chamada para anotar os pedidos, e eu vi Mac pedir sangue de guepardo, tão convincentemente como se essa fosse sua janta há séculos.
Ele sorriu para mim e deu uma piscadela, eu me senti corar e desviei o olhar para os músicos que tocavam em um canto, enquanto eu mesma batucava na mesa qualquer coisa sem ritmo. Quando o olhei novamente ele ainda me encarava sorrindo, e mais uma vez desviei o olhar, o fazendo rir.
Um garçom chegou com nossas taças de sangue, então eu me concentrei em segurar a minha e tomar o primeiro gole enquanto ainda estava quente. Vi meu pai pegar uma garrafa de vinho para misturar, e achei que seria um bom momento para acompanhá-lo. A mistura desceu quente pela minha garganta e no final eu já não tinha muito o que fazer. Olhei para o Mac por alguns instantes, apenas o suficiente para vê-lo tentando reprimir uma careta ao tomar sua taça de sangue pura, sem o acompanhamento da carne. Reprimi um sorriso, enquanto voltava a admirar os músicos. Sorri, até meu pai começar a falar.
“Fola, eu e senhor Mac Foster vamos à lojinha depois da janta, para comprar-lhe roupas novas, sabe ele foi assaltado por um lobo no caminho, nos acompanha?” Sabia que não era um pedido simples, mas sim uma ordem disfarçada em doces palavras. Então sorri enquanto respondia candidamente.
“Claro, papai, será um prazer.” Então apenas fiquei sentada esperando o momento em que iríamos sair do salão para ir para a loja. E esse momento chegou quando o sol já estava lá fora começando a impor sua vontade e soberania.
Hugh até quis ir conosco, mas eu o convenci a não ir, então segui na frente a caminho do nosso centro comercial enquanto papai conversava animadamente com Mac atrás. Adiantei o passo, querendo ter o meu próprio espaço e cheguei ao nosso destino antes deles. Fui olhar os vestidos, esperando encontrar um modelo diferente, e enquanto estava na minha busca um atendente veio falar comigo.
“Bom, dia senhora, posso lhe ajudar?” Me virei para dizer que estava tudo bem e encontrei um Ratsel me encarando, a surpresa em seus olhos também. Na verdade só naquele momento eu percebi que não sabia a profissão do meu ex-pretendente.
“Fola, o faz aqui?”
“Eu vim com meu pai...” Mas não tive a chance de terminar a frase, pois o próprio entrou no estabelecimento falando alto.
“Ah” Ratsel que bom lhe ver meu rapaz. É bom ser atendido por alguém conhecido. Agora venha por favor tirar as medidas do senhor Foster, o noivo de Fola.”
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