Made in Destiny
20 Praia
Notas iniciais
Acordo sendo chacoalhada.
— Que horas são? – Me sento e esfrego os olhos.
— Umas sete.
— Por que acordamos tão cedo?
— Tem um outro lugar que eu quero te mostrar. – Ele sai da barraca e eu começo a arrumar as coisas lá dentro. Jake coloca a cabeça para dentro da barraca. – E coloca um casaco. Tá frio. – Coloquei a primeira roupa que achei. Consistia em um moletom cinza, uma leggin preta e meu all star costumeiro. Recolhemos todas as coisas e colocamos na caminhonete. – Vamos?
— Vamos. – Ele me guia para o meio das árvores, por uma espécie de trilha. Caminhamos cerca de 15 minutos no meio das árvores e por fim, chegamos em um lugar aberto e rochoso. Jake me leva para dentro de uma caverna com um teto meio baixo, o que faz com que tenhamos de ficar curvados. Ele me para no meio – bom, eu presumi que fosse o meio – da caverna. -...?
— Feche os olhos.
— Por quê?
— Porque o final é uma surpresa. Fecha os olhos e me dá a mão.
— Não vou ficar de olhos fechados em uma caverna escura.
— Nada vai acontecer a você enquanto eu estiver aqui. – Eu coro um pouco e desvio o olhar. – Então? – Dou de ombros, fecho os olhos e sinto que ele pega minha mão. Andamos pela caverna por mais alguns minutos até que finalmente sinto uma brisa e a claridade, mesmo de olhos fechados.
— Posso abrir?
— Ainda não.
— Isso ainda vai demorar?
— Já estamos quase. – Preciso me virar para descer algumas rochas e caio algumas vezes, comemoro internamente quando piso no chão e percebo a terra. – Pode abrir. – Abro os olhos e por um momento não consigo enxergar. Quando minha visão volta ao normal, me deparo com uma lagoa de água cristalina que estava embaixo de um teto de pedra.
— U-Uau...! – Jake me olha com um sorriso vitorioso. – É lindo.
— Essa parte é quase desconhecida pelas pessoas que vêm aqui. Só algumas sabem.
— E elas não contam para as outras? – Ele dá de ombros.
— Não. Acho que não sentem necessidade.
— Como sabe disso?
— Já vi várias pessoas aqui quando criança. Eu vinha e me escondia para ver se elas falavam do lago. Nunca vi alguma que falou. E agora... Não vejo mais ninguém vindo aqui.
— Isso é ruim?
— Acho que não. O lugar fica mais limpo. Quando eu vinha aqui, sempre limpava a sujeira das pessoas. – Seu olhar era distante, ele parecia estar lembrando da infância. Ficamos em silêncio por um tempo. – Quer olhar mais de perto? – Aceno com a cabeça. Aquele lugar era maravilhoso. Ele me leva por uma pequena passagem que leva ao outro lado do lago. Nos sentamos em uma saliência de rocha. Encosto minha cabeça em seu ombro e fico apreciando a vista. O lago poucos metros abaixo de nós. O chão de terra. A subida de pedras. O final da caverna. Os pinheiros balançando ao sopro do vento. O sol nascendo. A brisa fresca soprando. Começo a me lembrar de uma música. “The Only Exception – Paramore”. Ouço Jake canta-la.
— But Darling/You are the only exception/You are the only exception/You are the only exception/You are the only exception. — Olho para ele, confusa. – Que foi?
— Como adivinhou que eu estava pensando nessa música?
— Você estava cantando. – Coro. – Sua voz é bonita.
— Você também canta bem. – Ele fica olhando fixamente para o horizonte.
— Quer ver uma coisa?
— O que? – Ele dá um sorriso de canto e num movimento rápido me empurra da saliência. Rapidamente agarro seu braço, puxando-o comigo.
— KYAAAAAH! – Ambos gritamos e... SPLASH. Quando voltamos à superfície, nos encaramos e começamos a rir.
— Seu idiota.
— Mas foi divertido. Não negue. – Ele diz enquanto ri.
— Foi. – Brincamos na água por um tempo e depois fizemos todo o caminho de volta. Tremendo de frio. Trocamos de roupa e fomos para casa.
(X-x-X)
Hoje iria sair com Ethan para resolvermos alguns detalhes que faltavam para a festa de aniversário de Ali e Jake. Visto uma saia rodada branca com bolinhas pretas, um cropped de meia manga branco com finas listras pretas horizontais e um coturno branco. Prendo o cabelo em duas tranças de boxeadora, passo um batom nude e saio. Ando por dois quarteirões e encontro Ethan em uma sorveteria.
— Toda trabalhada no look. – Ele fala com um sorriso.
— Eu gosto de sair bonita de casa. – Nós rimos.
— Você tá sempre bonita Vio. – Coro levemente e sorrio. – Aonde iremos primeiro?
— Acho que deveríamos ir ao lugar mais longe.
— É uma lógica interessante. Vamos?
— Primeiro vou pegar um sorvete. – Ele revira os olhos e ri. Peço um sorvete de chocolate e pago.
— Então, Grayson parece chateado. Você sabe por quê? – Me engasgo e começo a tossir. – Tá tudo bem? – Ele me olha preocupado.
— Tá. Acho que me engasguei com o sorvete. Já tô melhor.
— Ufa. Mas eai, sabe o porquê dele estar assim?
— Eu... não. Por que saberia?
— Você foi uma das últimas pessoas com quem ele conversou, então eu supus que você...
— Não. Não sei de nada. Ele não comentou. Eu não perguntei.
— Tudo bem, tudo bem. – Ele levanta as mãos em forma de rendição. – Então não vai ter problema se depois a gente se encontrar com o Gray e o Aaron, né?
— N-Não.
— Gaguejou.
— Não gaguejei.
— Gaguejou.
— Olha, só... vamos. – Ele dá de ombros. Conversamos por um tempo até chegarmos à gráfica na qual iríamos imprimir os convites. Estava entrando quando Ethan me puxa.
— Espera.
— O que? – Olho-o confusa.
— Você tá com um pouco de sorvete aqui. – Ele passa o dedão delicadamente no canto da minha boca e faz um carinho na minha bochecha. Eu apenas o encaro e ele cora. – B-Bom, vamos. – Aceno positivamente com a cabeça. Entregamos o pen drive com o convite e passamos a lista de convidados e endereços dos mesmos. Eles mesmos enviariam.
— Agora vamos contratar o DJ. Qual você acha bom?
— Hum... Aquele que tocou na festa da Lele lembra?
— Sim! Ele é ótimo. Vamos! – Pego em sua mão e saio quase correndo.
— Vai devagar Vio. – Ele fala meio ofegante.
— Que forma física ein? Sebo nas canelas Ethan!
— Quem é que ainda usa essa expressão? – Eu rio. – Tô com sede. Vamos ali tomar um suco. – Quando entramos na lanchonete percebo que “Summer Paradise – Simple Plan ft. Sean Paul” está tocando nos auto falantes.
— AI MEU DEUS! ETHAN EU AMO ESSA MÚSICA! – Falo mais alto do que deveria, o que faz com que várias pessoas nos olhem.
— Eu sei Vio, mas fala baixo. Vamos sentar ali. – Ele aponta para uma mesa perto da janela e me direciono para lá dançando. Peço um suco de laranja e Ethan, um de morango.
— Vio? – Ouço alguém atrás de mim me chamando.
— Noah! Não devia estar trabalhando?
— Hoje é meu dia de folga. Posso sentar aqui? Não vou demorar.
— Claro. – Ele se senta ao meu lado e percebo que Ethan o fuzila com o olhar. – Ahm, Ethan esse é o Noah, ele me ajudou com uns... hum... problemas. Noah esse é o Ethan, meu amigo e ex namorado.
— Prazer. – Noah sorri e estende a mão para Ethan, que só lança um pequeno sorriso. Eu o repreendo com o olhar. Converso um pouco com Noah até que Gray e Aaron chegam. – Bem, tenho que ir comprar alguns remédios para minha mãe. A gente se vê por aí Vio.
— Tchau! – Aceno para ele com um sorriso. Quando ele vai, me lembro da presença de Aaron e Grayson. – Ethan, senta do meu lado.
— Mas tem espaço pro Gray...
— Senta aqui. Agora. – Ele levanta e senta ao meu lado. Respiro fundo. Aaron e Gray sentam na nossa frente. Reparo que Aaron evita me olhar, já Grayson me olha um pouco triste. – Então, o que falta pra festa?
— Vocês fizeram tudo o que tinham nas listas? – Aaron pergunta olhando para Ethan.
— Falta o DJ. Iremos ver isso depois que sairmos daqui.
— Por que vieram aqui? – Gray olha para Ethan. É sério? Tudo bem os dois estarem chateados, mas qual é, não custa OLHAR pra mim.
— Ficamos com sede. – Respondo mais rápido do que gostaria e um pouco secamente. Ele finalmente me olha, meio espantado com a minha reação meio repentina. Eu o encaro duramente. Percebo que Ethan alterna o olhar entre Gray, Aaron e eu. Mas quando ele abre a boca para falar algo, nossos sucos chegam e a oportunidade passa. O clima ficou meio pesado durante a conversa, com a falta de assunto e a vontade de sumir, não demorei a terminar meu suco. Ethan logo terminou o dele e nós fomos conversar com o DJ.
— É isso aí! Conseguimos fazer tudo e eles nem desconfiam.
— Agora é só esperar o dia e BOOM! – Nós rimos.
— É... q-quer ir na praia?
— Quero. – Sorrio feito criança. Nós calmamente caminhamos até a praia, estava se formando um pôr do sol lindo. Peço para Ethan tirar algumas fotos minhas com aquele pôr do sol – amazing – ao fundo. Tiramos várias fotos lindas e muitas zoadas e engraçadas. Depois de alguns minutos tirando fotos, resolvemos sentar na areia fofa e apreciar o pôr do sol, que estava no auge.
— Vio...? – Viro meu rosto em sua direção. Ethan me encara por alguns segundos, sério. Então ele começa a se aproximar, mais e mais até nossos lábios se tocarem e entrarmos em um doce e calmo beijo.
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