Made in Destiny
18 Perseguida?
Notas iniciais
Acordei por volta das 6h da manhã, tento voltar a dormir, mas depois de algumas tentativas sem sucesso, desisto. Levanto, tomando cuidado para não acordar as outras, e vou para a cozinha fazer um café. Quando o mesmo está pronto, decido ir para o quarto do meu irmão, chego lá e me sento na poltrona. Fecho meus olhos e tomo um demorado gole do café quente. Envolvo minhas mãos na caneca e sinto seu calor. Aqui sempre é frio de manhã, então deixo a caneca no chão, levanto e vou abrir a janela. Me apoio com os braços cruzados e coloco o rosto para fora, fecho os olhos e apenas fico ali, sentindo aquela brisa matinal. Minutos depois, decido mexer nas gavetas, acabo encontrando uma foto de Josh na UTI, do lado, um diário escrito por minha mãe. Sento novamente na poltrona e começo a ler. Existem anotações da época em que eu ainda era uma criança. Inevitavelmente, uma lágrima escorre pelo meu rosto.
— Vio? – Fecho o diário e rapidamente seco o rosto.
— Sim? Ah, Liz. Bom dia. Dormiu bem?
— Hum... sim. O que é isso? – Ela sinaliza para o quarto.
— É o... hum... quarto do meu irmão.
— Você tem um irmão? Não sabia. Que legal! Sou filha única. Ele ainda é bebê? Cadê ele?
— Ele... morreu. Três dias depois que nasceu. – O sorriso dela se desfaz.
— Vio, eu... Desculpe.
— Não, tudo bem. Você não tinha como saber. – Abro a gaveta e guardo o diário e a foto. Olho no relógio, já são 7h45. Fecho a janela do quarto e pego a caneca vazia. – Vamos acordar as outras e tomar um café?
— Ah, sim. – Saímos do quarto e eu fecho a porta. No meio do caminho, Liz me para. – Já combinou com os garotos o horário para hoje? E como vamos fazer para a Ali não descobrir?
— Já pedi para a Amanda sair com ela hoje à tarde, depois elas irão para a casa da Ali. Vamos nos encontrar com os garotos às 14h, elas sairão antes, então teremos tempo de nos arrumarmos e sairmos sem que a Ali duvide de nada. Depois disso eu irei me encontrar com Marcus, Lucas e Nate para acertar algumas paradas. Quer vir junto?
— Infelizmente minha mãe quer que eu saia com ela e meu pai depois que eu chegar em casa. Sinto muito.
— Tudo bem, fica para a próxima. Quem sabe você não entra para o grupo dos artistas? – Dou uma cutucada de leve em seu braço.
— Sério? Isso seria demais! – Ela dá um pulinho e sorri feito criança. – Mas e os garotos? Será que vão concordar?
— Claro que vão, você já é da turma. – Passo meu braço pelo seu ombro e nós vamos até o quarto. Acordo Alissa cutucando seu rosto com meu pé, enquanto Liza chacoalha Amanda. – Vamos tomar café da manhã, preguiçosas. – Elas levantam e vão para o banheiro, enquanto eu e Liz descemos para a cozinha e começamos a preparar o café da manhã.
— Panquecaaaaaas! – Ali fala, sorrindo e levantando os braços. Ela vai para a geladeira, pega a calda e depois começa a arrumar a mesa. Amanda chega e coloca água para esquentar. Logo, todas estamos comendo panquecas e tomando um café quentinho. – O que vamos fazer de tarde? – Ali fala com a boca cheia de panqueca.
— Mastiga primeiro e depois fala, tenha modos. – Amanda fala, dando um tapa no braço de Ali. Que faz uma cara de dor.
— Desculpe mamãe.
— Bem, eu e você iremos sair dar uma volta enquanto elas ficam mofando em casa porque são preguiçosas, depois eu e você iremos para sua casa e mais tarde a Vio volta para lá.
— Não somos preguiçosas, só estamos cansadas. – Eu rebato.
— Que seja. – Terminamos de comer, arrumamos e fomos assistir algum filme. Para o almoço, pedimos comida chinesa. Comemos tudo rapidamente e as garotas foram se arrumar. – Estamos indo. Vio, vem fechar a porta.
— Até depois Vio, até outra hora Liz. – Liz olha para trás e faz um aceno para as duas. Eu me levanto e vou para a porta.
— Até depois. – Elas saem e eu tranco a porta. Espero elas sumirem de vista. – Bom, é isso. Vamos lá nos arrumar. – Liza levanta de um pulo e nós vamos para cima. Tomamos banho e vamos nos vestir. Coloco um jeans preto mega rasgado e desfiado com duas correntes penduradas, uma meia calça rasgada, coturno preto estilo militar, uma regatinha branca e uma blusa xadrez azul com preto com as mangas dobradas. Enfio algumas roupas dentro de uma mochila e umas latas de tinta spray escondidas no meio, já que Marcus e Lucas pediram. Liza coloca um shorts desfiado e uma blusinha azul que comprou ontem. – Vamos nessa então. – Ajeitamos o que faltava ser ajeitado e partimos.
— Olha se não é a pontual Thomas e sua nova fiel escudeira Liza. – Ethan abre os braços para nos receber. Nós rimos e Liza se senta ao lado de Ethan. Me sento na única cadeira que sobrou, ao lado de Grayson. Percebo que Aaron me olha de maneira um tanto... amedrontadora? Me sento ereta e olho de relance para Gray, ele está com o mesmo olhar de ontem, o que me deixa desconfortável.
— Então, trouxe as listas? – Aaron me pergunta, seu tom é meio frio.
— Claro. – Pego minha mochila no colo e começo a remexer nela, o que faz com que as latas de spray acabem aparecendo levemente. Percebo que Gray as nota e me lança um olhar desconfiado. Trato de escondê-las rapidamente e continuo procurando as listas. – Aqui! – Coloco as listas na mesa e fecho a mochila.
— Teremos que distribuir as tarefas igualmente para cada um. – Ethan fala, analisando as listas.
— Marcus e Lucas não deveriam ter vindo? – Grayson pergunta. Lanço um olhar para Liz, que Gray acaba percebendo.
— Eles me avisaram que não poderiam vir. Estão... ocupados com umas paradas de família e tal. – Eu sei, eu sei. Sou péssima mentirosa, mas me viro do jeito que dá.
— Sei. – Ele me olha desconfiado. – Então vamos tratar de dividir as tarefas, o que sobrar deixamos que os outros se organizem.
— Boa ideia. – Liza fala. Sem demora, começamos a separar o que cada um iria fazer. Eu fiquei responsável por alugar todas as coisas que precisavam ser alugadas. Sorte que eu já havia me antecipado em relação ao lugar.
— Uma coisa a menos para fazer. – Aaron diz.
— Legítima virginiana organizada. – Ethan dá um soquinho no meu braço, eu dou uma risada.
— Idiota. – Nós terminamos de separar as coisas e pedimos o lanche. Enquanto comia, sinto meu celular vibrar no bolso. Eu o pego e desbloqueio a tela.
Marcus: Vai demorar muito aí? Já estamos na pista de skate, não esqueceu das tintas né?
Vio: Já tá acabando, calma aí. Claro que não esqueci, mas tá dando ruim aqui, a gente tem que
se cuidar.
Marcus: O que houve?
Vio: Grayson. Explico melhor quando a gente se encontrar.
— Tá falando com quem? – Gray se inclina em cima de mim para poder ler. Bloqueio a tela rapidamente.
— Ninguém. – Ele levanta uma sobrancelha e se aproxima de mim.
— É aquele tal de Na? Eu já avisei Vio, ou fala ou eu descubro. – Eu arregalo os olhos de surpresa por tal proximidade. O afasto levemente.
— Isso é uma ameaça, Gray? Desde quando amigos ameaçam uns aos outros?
— Desde quando amigos parecem esconder coisas uns dos outros.
— Você também não me conta tudo o que faz da sua vida, Gray. E eu já disse: não é ninguém. Desencana. – Percebo que Aaron está quase nos fuzilando com os olhos. – Agora eu preciso terminar de comer e ir embora, tenho coisas a fazer. – Todos terminamos nossos lanches e nos despedimos. Me certifico de estar longe o suficiente de todos, e começo a me dirigir para a pista de skate. Coloco pra tocar “First of The Year – Skrillex” e quando chega na melhor parte, me contenho para não gritar. Apenas falo baixo: — Call 911 now! – E dou uma dançada no meio da rua. Sinto que estou sendo perseguida, provavelmente é apenas impressão minha, mas decido mudar minha rota e ir pelos caminhos mais movimentados, para me misturar. Quando chego na pista de skate, desligo a música e me aproxima cautelosamente, percebendo que nenhum dos três me nota. Vou correndo e grito: — NATE!
— Waah! – Ele se desequilibra perigosamente, mas consegue me segurar. – Que coisa ein Vio, para com isso.
— Ui ui ui, tá estressadinho.
— Então Vio, qual é o problema com o Gray? – Marcus pergunta após Nate me colocar no chão.
— Longa história, vamos sentar na sombra. – Me direciono para a sombra de uma árvore que tem ali, como fazíamos na escola. – Seguinte, lembram que comentei sobre a festa surpresa pra Ali e pro Jake? – Eles concordam com a cabeça. – Então, ontem fui no shopping com as garotas e nós encontramos... – Contei tudo para eles, que ouviram atentamente.
— Gray nunca foi de se deixar levar com facilidade. – Lucas fala.
— A gente tem que dar um jeito de ele não descobrir, quer dizer, agora ele viu as latinhas e suspeita de um amigo secreto. – Marcus comenta.
— E de vocês. – Complemento. – Ele não caiu quando eu disse que vocês tinham coisas da família. Certo, sou péssima mentirosa, mas os outros acreditaram.
— Esse é o Gray. Temos que começar a tomar mais cuidado, se quisermos continuar com as pichações. – Marcus fala.
— Mudando de assunto, Vio, as tintas. – Nate pergunta, ele havia passado todo o tempo em silêncio.
— Ah, sim. – Pego a mochila e retiro várias latas de tinta spray, e as entrego para Nate. – Agora vai pagando.
— Calma aí, gata. – Ele guarda as latas na mochila e me entrega um bolinho de dinheiro.
— Sempre bom fazer negócios com você. – Dou risada. Até que sinto uma sensação estranha. Começo a olhar em volta.
— Algum problema, Vio? – Lucas pergunta.
— Não sei... No caminho pra cá eu senti que estava sendo seguida, e agora... parece que estamos sendo observados.
— E se for o Grayson? – Marcus pergunta, olhando em volta.
— Tem certeza de que ele não seguiu você? – Lucas pergunta, se remexendo desconfortavelmente.
— Eu me certifiquei de que eles haviam ido embora. É impossível que ele tenha...
— Te seguido? – Dou um pulo de susto ao ouvir a voz atrás de mim. Vejo que Lucas e Marcus estão boquiabertos e de olhos arregalados. – Então esse é o Na? E os problemas com a família, Lucas e Marcus? – Me viro para encara-lo, tento pronunciar algo, mas nenhum som sai da minha boca.
— Gray... – Lucas começa a falar, mas é interrompido.
— As latas de tinta são para as paradas que vocês tanto acertam?
— Gray, isso não é nada de... – Marcus começa, mas Grayson o interrompe.
— Mais? Pra mim é. Sabem que isso dá cadeia? E por que nós não podemos conhecer o Na? – Ele olha para Nate de forma não muito simpática.
— Grayson, esse é o Nate. Nate, esse é o Grayson. – Eu os apresento.
— O que tem a dizer sobre isso, Vio? – Eu apenas o encaro. – Entendi. Por que não podiam ter contado?
— Não queríamos que mais ninguém soubesse. – Falo, minha voz meio falha.
— E mais alguém sabe?
— Ali. – Marcus, Lucas e eu falamos em uníssono.
— Entendo. Vou indo então. Já descobri quem é Na, como eu disse que faria. Fiquem aí e sejam presos. – Ele olha para os garotos de forma indiferente, mas quando passa por mim, seu olhar fica triste.
— GRAY! – Pego minha mochila, me levanto e corro atrás dele. – GRAY, ESPERA! – Ele para, mas não me olha. Paro do seu lado, ofegante. – Qual é o problema? Agora já descobriu. Por que tá triste?
— Eu não tô triste Vio. Tô chateado. Com eles. Com você. – Eu o olho com confusão. – Você mentiu para mim. Podia ter me contado a verdade, mas preferiu mentir. Eu sou seu amigo há tanto tempo, sabe que pode confiar em mim.
— Gray, não é isso. É só qu...
— NÃO INTERESSA. SOMOS AMIGOS E VOCÊ MENTIU PARA MIM. NUNCA CONTEI UM SEGREDO SEU SEQUER, E MESMO ASSIM ESCOLHEU MENTIR PARA MIM. – Ele me afasta e sai. Eu o sigo, correndo mais rápido dessa vez. Depois de umas duas quadras, ele vira a esquina e o vejo com Aaron. Eu paro e retomo o fôlego. Vou andando até eles. Aaron me vê e me lança um olhar um tanto quanto de desprezo.
— Gray. – Ele se assusta levemente e me olha.
— Apenas me deixe Vio, por enquanto. – Ele se afasta e vai andando.
— Aaron. – Ele me olha.
— Algum problema? – Ele fala, meio frio.
— O que tá acontecendo com você?
— Nada, o que tá acontecendo com você e o Grayson?
— É só... ele acha que não confio nele. Eu menti sobre algo e...
— Que pena. Tenho que ir. – Ele faz menção de ir, mas seguro seu braço.
— QUAL É O SEU PROBLEMA, GAROTO? – Ele me olha meio espantado, mas logo seu olha é substituído por raiva.
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