Made in Destiny
13 Acertos
Ando por algum tempo, até parar em no parque principal. Mesmo estando escuro, frio e o céu praticamente desmoronando sobre minha cabeça, eu me sento em um banco que fica em um dos cantos mais afastados do parque. Não sei quanto tempo fiquei sentada ali, abraçando meus joelhos, mas vou chutar 1h30.
— O que faz sentada na chuva, garota? – Tomo um susto e olho para trás. Um garoto que aparenta ter mais ou menos a minha idade, olhos azuis e cabelo castanho, me olha meio preocupado.
— Eu... Não sei. Só tive uns problemas e acabei parando aqui.
— Você não pode ficar nessa chuva, vai acabar ficando doente. Vem, vamos pra lanchonete do meu tio, é aqui perto. – Ele me estende a mão, eu a olho e volto a olhar para ele.
— Não vou sair com um estranho, você pode ser um psicopata. – Ele dá um risinho.
— Se eu fosse um, já teria matado você. Vamos. – Dessa vez eu aceito a ajuda. Nós vamos andando de um jeito meio atrapalhado, já que estamos dividindo um guarda-chuva. Em alguns minutos, chegamos na lanchonete. Era um lugar consideravelmente grande e bem iluminado, com mesas dispostas em vários lugares. – Espere aqui, vou pegar uma toalha e umas roupas secas. – Eu concordo com a cabeça e fico ali, parada. Logo ele volta com um moletom cinza, uma leggin bordô, um chinelo e uma toalha de banho. – O banheiro feminino é ali. – Ele aponta para um canto da lanchonete, eu agradeço e vou andando até lá. Tiro meus tênis com cuidado, já que estão com um oceano inteiro dentro deles. Coloco a roupa que ele me deu, enrolei minhas roupas molhadas e saí.
— Tem alguma sacola para que eu possa colocar minhas roupas molhadas?
— Aqui, já imaginava que precisaria. – Ele me estende uma sacola plástica, coloco minhas coisas ali e me sento-me à mesa com ele.
— Ainda não me disse seu nome.
— Noah, e o seu?
— Violett. Nome legal.
— O seu também é. Quer tomar ou comer alguma coisa? Por conta da casa.
— Você já me emprestou essas roupas, não vou deixar que pague minha comida também. Vou esperar a chuva diminuir e vou chamar algum dos meus amigos para me buscar. – Por sorte, meu telefone era a prova d’água. Não esperavam por essa, né? Haha.
— Imagina. Não é todo dia que encontro uma garota triste sentada no banco do parque durante uma chuva forte. – Isso me faz rir um pouco.
— Tudo bem então. – Dou um sorriso e reviro os olhos. Acabamos pedindo mistos quentes e café.
— Agora, me conta o que aconteceu de tão grave pra você acabar no parque durante uma chuva dessas.
— Bem, tudo começou quando o gêmeo da minha melhor amiga-irmã voltou do Canadá... – Resumi para ele tudo o que aconteceu. Para ser sincera, nem sei por que eu contei para ele. Eu mal o conhecia. Só sei que contei. -... E foi basicamente isso que aconteceu. Não sei como acertar as coisas com ele. – Dou um suspiro demorado seguido de um gole de café.
— Sabe, eu gostaria que me provassem que está falando a verdade. Abrir o jogo. Você deveria tentar.
— Eu tentei me explicar para ele. Ele nem se quer quis me escutar direito.
— Tentar não custa nada. O que você não pode fazer, é desistir.
— É, vou tentar. Quem não arrisca, não petisca.
— Vio? – Me viro para ver quem me chama.
— Amanda? O que faz aqui?
— Eu gosto de tomar café aqui. E você? – Ela vem até a mesa e se senta do meu lado. – Oi Noah. – Ele a cumprimenta com um aceno de cabeça.
— Noah me ajudou mais cedo. – Expliquei da forma mais resumida possível o que havia acontecido naquela noite. – Aí ele me emprestou essas roupas. – Olho para ele. – Vou devolver assim que eu lava-las.
— Sem pressa.
— Vou tomar meu café e vou acompanhar você pra casa Vio. – Amanda faz o pedido do café.
— Só se for para a MINHA casa.
— Alguém me explica isso? Eu estou meio confuso. – Noah olha de Amanda para mim.
— Meus pais quase nunca estão em casa, por isso moro com minha melhor amiga. Mas eu não estou nem um pouco a fim de ir para lá agora.
— Como queira... – Amanda toma o café, paga a conta. Eu agradeço a Noah por tudo que havia feito por mim. A chuva havia diminuído, agora era apenas uma garoa. Amanda chamou o táxi e me deixou em casa. – Se cuide, garota. Vou ligar amanhã.
— Tudo bem, se cuide também. – Entro em casa, acendo as luzes e vou para a lavanderia. Estendo minhas roupas molhadas, tiro as que estou usando e jogo na máquina. Subo para meu banheiro, me lavo e coloco um pijama. Coloco música para tocar em volume baixo “Love Yourself – Justin Bieber” e me jogo na cama. — For all the times that you rained on my parade.— Canto baixinho e fecho os olhos, logo pego no sono.
(X-x-X)
Acordo com o sol na minha cara, percebo que me esqueci de fechar as cortinas noite passada. Levanto da cama, parecendo uma velha sedentária e vou para a sacada do meu quarto. O dia está lindo e ensolarado. Olho no celular para ver que horas são, 11h. Ouço que começa a tocar “Me, Myself & I – G-Eazy” e apenas agora, me dou conta de que deixei o som ligado. Aumento o volume e vou para o banheiro. Tomo um banho curto, coloco uma blusinha preta de esqueleto com um coração e umas flores no fundo. Até hoje não entendo o porquê das flores ali, mas gosto da blusa. Complementei com um calção jeans de cintura alta e fiquei sem sapato, ia almoçar em casa mesmo. Desci para a sala e peguei o telefone. Pedi uma pizza média de pepperone e um refrigerante para acompanhar. Enquanto a pizza não chegava, fui recolher as roupas que Noah me emprestou. Dobrei-as e coloquei na mesma sacola que ele me deu, mandei mensagem para Amanda, dizendo para passar aqui.
Amanda chegou alguns minutos antes da pizza, eu a convidei para comer comigo. Nós conversamos e ouvimos música, cantamos e dançamos em alto e bom som. Que se danem os vizinhos, não gosto deles mesmo. Recebo uma mensagem no meu celular.
Alissa: Onde você se meteu? O que aconteceu? Tá bem?
Violett: Calma, calma. Tá tudo bem. Vim para minha casa.
Alissa: Vai voltar para cá hoje? Se não vier, eu vou aí.
Violett: Relaxa Ali, vou fazer umas paradas com a Amanda e depois vou aí.
Vou para meu quarto, coloco um all star branco que está todo encardido. Arrumo a casa, pego a sacola com as roupas de Noah e nós duas partimos em direção à lanchonete do tio dele. Quando chego lá, o tio dele avisa que ele não está, então apenas deixamos as roupas ali, agradecemos e vamos embora. Pegamos um táxi para a casa de Ali. Quando chegamos lá, Alissa nos recebe com abraços e beijos e muita pipoca. Nós três sentamos na sala e começamos a comer.
— Me conta exatamente tudo o que aconteceu ontem depois que você saiu correndo. – Ali pergunta, pegando uma mão cheia de pipoca.
— Eu fui correndo até parar no parque, aí depois de um tempo, um garoto chamado Noah apareceu e me ajudou. Foi isso.
— Mas conta, ele é bonito?
— Ah, se é. – Amanda fala, com a boca cheia de pipocas.
— O que vocês fizeram depois que eu fui embora?
— Bom, o Jake tentou ir atrás de você, mas você já havia sumido, aí ele chamou um táxi e foi embora. O resto de nós ficou por um tempo e depois voltamos. – Fiquei surpresa quando ela disse que Jake tentou me seguir, mas consegui disfarçar. Ou quase. – Ficou surpresa? Eu acho que você deve ir falar com ele.
— Vamos parar de falar disso um momento, ok? Depois me resolvo.
— Tudo bem. – Elas dizem em uníssono. Nós terminamos as pipocas e elas foram para a casa de Amanda buscar algumas roupas para ela passar a noite aqui. Logan não estava, provavelmente estava em algum lugar com Lele. Ali disse que Jake estava no quarto, então tomei coragem e levantei a mão para bater na porta, mas que eu pudesse de fato fazer o que pretendia, a porta abre. Jake fica parado me encarando.
— Ah, você. – Ele tenta fechar a porta, mas eu coloco meu pé para impedir a ação. – O que você quer?
— Você vai me ouvir desta vez.
— Ouvir o que? Você beijou o meu irmão.
— Eu já disse, não beijei o Logan. Por que continua agindo assim?
— E Aaron?
-... – Desvio meu olhar para o chão.
— Eu sabia. Agora, com licença. – Ele tenta fechar a porta, novamente, eu o impeço, com a mão dessa vez.
— Eu não vou sair daqui até você acreditar em mim. – Falo, decidida.
— Vai perder tempo.
— Não, não vou. Você vai me ouvir até...
— Até o que? A única coisa que sabe dizer é que não beijou o Logan, mas tem provas disso?
— Alissa.
— Ela não se pronunciou.
— Mas pode se pronunciar.
— Eu não quero saber, Vio. Me dê licença.
— Não. – Dou um passo para dentro do quarto.
— ME DEIXA EM PAZ VIO. – Ele começa a gritar, vermelho de raiva, mas eu não me assusto com isso, já era esperado. – NÃO QUERO SABER O QUE VOCÊ VAI DIZER. BEIJOU O LOGAN, O AARON. QUEM É O PRÓXIMO?
— Você. – Digo sem pensar e apenas o beijo. Ele fica sem reação no começo, mas logo retribui.
— O qu...?
— Acredita em mim agora?
— Não tenho certeza. – Ele sorri e nós nos beijamos novamente.
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