Macdonald
1 Macdonald
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Sim, eu me empolguei com essas ones! Hahaha
Espero que gostem! ♥
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Era estranha a forma como as pessoas sempre tentavam enquadrar o mundo em suas pequenas e pretensiosas visões de certo e errado. A garota nunca havia entendido muito bem o motivo de fazermos isso. Fazermos. No plural. Porque, ainda que inocentemente, ela também cometia tal atrocidade. Talvez fosse um hábito, ou uma estranha construção social impregnada em nossas almas. Quem saberia dizer?
De toda forma, nem sempre era intencional. Isso, contudo, não tornava a mania menos estúpida ou cruel. Afinal, não nos contentávamos com o mundo imaterial e precisávamos rotular pessoas. Engrandecer as que se encaixavam em um padrão há muito fabricado e apontar as que destoavam. Mais do que isso. Queimar em uma fogueira de hipocrisia moral todos aqueles que divergirem de nós mesmos. Pessoas erradas, com vidas erradas e que não mereciam nada além de ódio e incompreensão.
A menina entendia um bocado disso, afinal era toda errada. Mary Macdonald era tudo o que (supostamente) não deveria ser. Às vezes chegava a achar engraçado. Talvez Deus houvesse gostado da ironia de fazê-la daquele jeito, fora de todas as formas e padrões. Aos 17 anos, a moça finalmente aceitara sua singularidade, se agarrando à coragem grifinória de sua alma para simplesmente existir. Ou melhor, resistir.
Como mulher, lutava contra a função social que lhe atribuíram, ou qualquer estereótipo a respeito de sua feminilidade.
Como nascida trouxa, se assustava com os tempos insanos, nos quais as ideias de pureza do sangue se tornavam cada vez mais fortes. Ainda assim, engolindo seu medo, escolhia lutar contra aqueles que lhe queriam morta por algo tão patético como sua linhagem sanguínea.
Como negra, passara a vida inteira sentindo o preconceito na pele, sentindo a intolerância por sua etnia, sua cor, suas formas, seus cabelos... Contudo, apesar de o mundo lhe dizia que não havia beleza em ser quem era, Mary escolhia gritar para quem pudesse ouvir que cada um de seus traços era maravilhoso.
Como lésbica, recebia ódio simplesmente por amar. Veja só que disparate, seu grande crime era amar!
Nada disso fazia sentido, mas o ser humano sempre teve uma imensa tendência à irracionalidade. Ainda assim, apesar de todas as trevas, ódio e crueldade, a garota sabia que também havia beleza na vida e nas pessoas. Segurava-se a isso e sorria, pois cada lufada de ar que entrava por seus pulmões era um ato de rebelião. Pois abraçar quem era, abandonando o medo e a vergonha que tentaram lhe impor, era uma prova de coragem e teimosia.
Talvez Mary fosse realmente tudo o que não deveria ser, mas fora justamente isso que lhe tornara uma perfeita grifinória. Uma leoa em todos os sentidos.
Notas finais
De qualquer forma, espero que tenham gostado!
Beijinhos...
Thaís
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