Ma Chéri
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Bom dia, Amelía! – cumprimentou Nicholai, tirando a jovem de pensamentos incrédulos. Tais pensamentos como: “Vale à pena”.
– Bom dia, meu senhor. – respondeu.
– Que acha de darmos um baile para sua e a minha despedida? – disse contente.
– Ms. Tucson, pensei que a minha ida era confidencial. – disse a menina com os dedos nos lábios, pensativa.
– Tens razão! Faremos para os mais próximos então. E deverão usar mascaras, vai atrasar a identificação. – ele disse, pensando alto. – Se alguém vier perguntar sobre a guerra, faça-se de desentendida. E Valentin será um nobre aleatório. – Amelía riu. Com certeza Valentin não aprovaria ser um “nobre aleatório”. – e tomara conta de você, pois ele veio aqui para isso. – a criança estava insegura com aquele baile. Por que fazer um baile tão repentinamente? Isso não é do feitio de Nicholai. Ela observou o tutor uma ultima vez, guardando cada detalhe daquele rosto “magnífico”. – Amelía? Viu meu primo? – Não, ela não sabia onde ele estava. Mas tinha o visto.
– Eu o vi passando pela porta um pouco antes do dialogo. Saiu a cavalo. – ele agradeceu e foi avisar as criadas que deveriam providenciar o baile.
Ela avistou o piano, no canto do salão. Salão que já fora cenário de muitos bailes, conflitos, arrependimentos, beijos apaixonados... O próprio pai de seu tutor havia se apaixonado ali, naquele mesmo salão. Deslizou até o piano e começou a tocar uma de suas sinfonias. Suas sinfonias. O sonho de Amelía era tocar em grandes palcos, e já criara pose para isso. Estava tocando a menos de quatro minutos.
– Bela canção... – era Valentin. Na mesma hora sentiu um calafrio. Não, não poderia ele estar insinuando que ouviu ela tocar.
– Será que só vai aparecer para me dar sustos? – ambos riram.
– Não era minha intenção... Mas senti algo quando você tocou. Os seus dedos estavam literalmente deslizando pelas teclas. As notas, delicadamente fluindo pelo ar, chegaram aos meus ouvidos e eu tive que ver de perto. – Amelía se surpreendeu com o tom poético que aquele Valentin soltara. O ambiente ficou leve e silencioso e o jovem pediu a ela que continuasse a sinfonia. Ela o fez, de olhos fechados.
Ela tocou até o final, quando ouviram batidas na porta. Rapidamente Valentin se escondeu e Amelía foi abrir a porta.
– Olá, Ms. Miselk. – disse a menina.
– Olá, criança. Onde esta o Ms. Tucson III? – ele disse olhando adentro da mansão. – Eu vim perguntar pessoalmente se o baile de despedida aos nobres esta realmente marcada. – Amelia ia responder que sim, mas lembrou-se que “não sabia da guerra”.
– Despedida? – omitiu.
– Ah! De despedida ao Ms. Ruflé! Pensei que soubesse, doce criança. – o velho pareceu querer voltar no tempo, mas se convenceu que havia enganada a menina.
– Olhe só, Ms. Miselk! Que cabeça a minha. – ela riu, encenando. – Sim, Ms. Tucson avisou-me. Ms. Ruflé saíra do distrito. – era verdade, Ruflé sairia do distrito, pois não tinha herdeiro, esposa ou parente a quem pudesse deixar sua fortuna caso morresse. Claro, as damas foi contada outra história. – Ao por do sol, venha de mascara! – disse fechando a porta.
– Homens crescidos não usam mascaras! – Amelía ouviu e deu um risinho do outro lado da porta. Chamou Valentin com a mão para sair de traz do armário de bebidas.
– Valentin... – Amelía recomeçou sua conversa com o jovem, que ouvia atentamente. – Em outras guerras, todos os cidadãos são avisados. Por que esta não?
– Não é uma guerra oficial. Ou seja, o rei não pode saber. – ela pareceu mais curiosa ainda. – É guerra por terras. Há muitos anos, o rei proibiu que se desse luta com Mirral. O povo de Messiry é muito ganancioso, e não o ouviu. Por isso, como os guerreiros não tem nenhum interesse em bens, pequenos grupos de nobres viajam até Mirral para lutar. Eles não lutam com lâminas e escudos, lutam com palavras. – Amelía estava entendendo as entrelinhas, mas não entendeu o ”lutam com palavras”. –Era para ser assim. Mas o rei deu ordem de traição a quem desobedece, pena de morte. Por isso que muitos e muitos nobres morrem nessa constante luta. – Valentin abaixou o olhar. – Ou nobres homens, que, por grande rivalidade, tenham as tradicionais confrontos de rua. Meu pai morreu assim. Eu morava em Messiry. Doze anos... – ele disse, e Amelía percebeu que Valentin desgostava da conversa.
– Eu lamento, de verdade. Ninguém sabe melhor do que eu como é perder um ente querido. Dois. – Valentin pareceu inconformado, mas lembrou-se que seu primo não era o pai da jovem.
– Nossa, estamos sendo dois depressivos. – ele riu, feliz por poder tirar um sorriso do rosto de Amelía.
– Sabe, quando disse que valia à pena, oque quis dizer com aquilo? — ele corou.
– Que vale à pena salvar você. — sorriu e foi para o seu aposento. Já estava escurecendo e o Baile lhes esperava.
Fale com o autor