Notas iniciais
"Hora da Bomba" por Mozart Kearney, ou para os íntimos Mozi. xD'

O Código de Honra da Máfia de Salazar adverte.

Capitão: aquele que nos coordena.

Piratas: aquele que estão envolvidos no meio social e familiar do Capitão.

Marinheiro: aqueles que servem o nosso Capitão.

Dragão: aquele que coordena os nossos inimigos.

Salamanders: aqueles que estão envolvidos no meio social e familiar do Nosso Inimigo.

Répteis: aqueles que servem ao Nosso Inimigo.

[N/A: Esses são termos utilizados como códigos pelos membros de ambas as máfias da história para se referirem uns aos outros.]

Naquele dia tudo fora perfeitamente comum. As duas meninas brincaram incansavelmente nos jardins da mansão de seu avô Mestre Salazar, o provável mais famoso mágico de toda a Inglaterra. Zabèle e Beatrice ajudaram o jardineiro com a podagem de uma plantinha redonda que parecia ter se multiplicado no mínimo umas cinquenta vezes, e deram banho em seu pastor alemão Lecter, em homenagem ao famoso médico canibal, Hannibal Lecter.

Apesar de terem apenas nove anos de idade as meninas tinham influências bastante incomuns, como o próprio Hannibal ou o psicopata Norman Bates. Não que fossem canibais, não que fossem loucas. Eram só influências. Curiosidades infantis, sonhos inadequados. Mas não passavam de meras influências. Insignificantes como fotos em capas de revistas.

Zabèle estava podando o canteiro de rosas quando perdeu o equilíbrio e caiu no meio das rosas espinhosas. As mãos da menina apoiaram no chão e no caule de uma rosa caída causando pequenos cortes nas palmas das mãos, as pernas foram levemente arranhadas, mas o rosto foi de encontro a um grande espinho, um espinho que perfurou o olho esquerdo da menina fazendo-a gritar copiosamente sem cessar por nenhum instante.

O coração de Beatrice gelou quando viu a irmã naquele estado e mais do que depressa ela chamou o jardineiro para ajudá-la a tirar a irmã dali. Com a força de ambos eles conseguiram erguer a garota, mas o espinho não podia ser retirado e Zabèle não parava de gritar enquanto sentia a dor a invadindo de todas as direções.

Chegou o Mestre Salazar aflito, pegou a menina no colo e se dirigiu para o carro sempre acompanhado de sua gêmea. O motorista saiu apressado, o hospital mais próximo ficava a apenas alguns minutos, mas a menina ainda gritava de dor e agonia, e uma ânsia incontrolável de tirar aquele maldito espinho de sua íris.

Eles chegaram no hospital. Apareceu o doutor. Zabèle foi drogada. Beatrice permaneceu aflita. O espinho foi retirado. A íris da menina Zabèle perdeu toda a cor. Toda a cor que possuía, toda a cor que jamais veria.

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Agora Zabèle não mais brincava com espinhos. Na verdade pouco brincava. Ela tinha medo de ficar cega do outro olho. No início ela só chorava no colo de Beatrice. Chorava porque agora as cores estavam afetadas, ela só podia ver metade delas. Mas um dia adentrou em seu quarto um homem de longos cabelos negros e olhos verdes de anjo, era o Pierre.

− E então, como andam minhas princesinhas favoritas? – Indagou o homem com um sorriso largo no rosto sentando-se na beirada da cama.

− Nós estamos tristes, papai. – Murmurou Beatrice acariciando o cabelo cor de ébano da irmã. – Sig só enxerga metade das cores agora e tem que andar com esses óculos escuros. Não somos mais iguais... – completou a menina tristemente.

O homem esboçou um sorriso leve e retirou os óculos escuros de Zabèle ajeitando, então, um tampão no olho sem íris.

− Agora Sig é uma pirata. Sigmund Pirate! – Exclamou Pierre em voz alta.

As meninas se entreolharam sorrindo.

− O que acha de brincarmos de pirata, Freud (lê-se Froid)? – Indagou Zabèle ajeitando o tapa-olho com cuidado.

− Seria ótimo, capitã Sigmund Zabèle! – Murmurou Beatrice em uma voz robótica entrando na brincadeira.

Pierre observou as filhas por alguns minutos e depois saiu do quarto sem que elas percebessem. Tinha assuntos a tratar.

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Pierre Legrand caminhava pelos escuros becos londrinos em busca de sua presa. Era comum para este homem dividir sua vida entre ser um pai e marido amoroso e um atirador de elite serial killer da máfia mais poderosa da Inglaterra... Ou uma delas.

O objeto prateado em sua mão quase passava despercebido. Ele adentrava mais no recinto esbarrando nas prostitutas seminuas que vendiam seu corpo em troca de algumas cédulas baratas. Seus olhos verdes estavam focados na nuca do homem de terno à sua frente. Dois centímetros. Era tudo o que ele podia ver da tatuagem. A calda do dragão, aquela parte que parecia insignificante, mas, na verdade, era particularmente válida para apanhar mais uma salamander.

O “pirata” continuou seu caminho pensando em um meio de encurralar o salamander. De repente um movimento chamou sua atenção. O homem enfiou a mão no bolso e tirou de lá um pequeno objeto, com muita cautela girou o corpo na direção de Pierre, um sorriso largo transparecendo no rosto. Pierre só teve tempo de correr o mais rápido que conseguia para a saída da boate.

Foram poucos segundos, apenas o suficiente para que o salamander estivesse seguro. O relógio estourou, a bomba foi detonada.

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O som das bombas do navio imaginário ainda ecoavam nos ouvidos das gêmeas que adentraram na sala de estar gargalhando alto enquanto seu avô falava monotonamente ao telefone. O velho senhor desligou o aparelho e sentou-se em sua poltrona de couro levando as mãos a cabeça e esfregando os olhos continuamente como se tentasse enxergar com mais eficiência.

− O que houve, vovô? – Indagou Beatrice percebendo o estado de nervosismo repentino do idoso.

Joseph encarou as duas netas de uma maneira diferente, como se sentisse piedade delas por um motivo que as gêmeas nem ao menos compreendiam.

− Minhas queridas, uma coisa realmente insatisfatória acaba de se abater sobre nossa família. – Murmurou seriamente.

As meninas entreolharam-se sem entender.

− Poderia ser um pouco mais claro, vovô. – Sugeriu Zabèle em tom inocente.

O velho deu um suspiro.

− Seu pai foi em um... Serviço secreto.

As gêmeas fitaram o avô ainda confusas, afinal, seu pai SEMPRE estava em algum serviço secreto. Era o trabalho dele até onde sabiam.

− Ahn... Seu pai foi enviado para matar um homem e no fim das contas foi o filho da mãe que matou ele! – Esbravejou Joseph Mortensen de uma vez espantando as meninas de repente.

− Co-como? Ele foi... – mas Beatrice não foi capaz de continuar.

− Seu pai está morto e acho que vamos ter de aprender a lidar com isso. – Respondeu o avô friamente e bebeu um gole do vinho branco de sua taça.

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A mulher aproximou-se do corpo, ele definhava e gemia constantemente. Ajoelhando-se ao lado do indivíduo a jovem médica pôde perceber que já não havia muita esperança. As queimaduras eram muitas e aquele homem estava a ponto de morrer, assim como todos os que estavam no interior da boate. No entanto, ela sentia-se na obrigação de fazer com que aquele homem finalmente encontrasse a paz e percebeu que ele tentava dizer alguma coisa. Com um suspiro ela decidiu que o melhor seria ouvir suas últimas palavras e tentar contatar a família.

− O que quer que eu diga a eles? – Indagou em uma voz falha.

− Princesses Pirates ... il est temps... de faire couler le... navire ennemi...

A doutora esforçou-se para entender as palavras com exatidão, parecia francês, mas ela não tinha certeza. Repentinamente um conhecido barulho invadiu seus ouvidos, pararam as ondulações, agora era somente uma linha. Com um suspiro a médica olhou no relógio murmurando em voz alta.

− Hora da Morte. 03h13min.

Notas finais
Esse foi o primeiro da fic, pessoas. Espero que tenham gostado. Eu, particularmente aprovei o resultado e a Lyra também. Faz algum tempo que a gente estava querendo escrevê-la e agora finalmente conseguimos concretizar esse desejo. Espero suas opiniões via review, favoritos ou mesmo MP. Até mais! õ/