Maçã com Canela
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Emma e Regina namoravam no sofá enquanto assistiam a um filme qualquer. Tinham plantado uma das macieiras e resolvem esperar Henry para irem jantar. Já se passavam das 18 horas e Henry ainda não havia chegado em casa.
— Será que eles ainda vão demorar mui… — Regina foi interrompida pelo barulho da porta da frente se abrindo.
— MAMÃE, MÃE, CHEGUEEEEEI!! — gritou o menino entrando, sendo acompanhado pelo pequeno — meio — irmão. Regina e Emma levantaram em um pulo do sofá, ao mesmo tempo em que os garotos chegaram a porta da sala.
— Oi filho! — A morena foi em direção ao menino lhe abraçando.
— Ei garotinho, tudo bom? — Perguntou Emma à Roland, que estava quietinho ao lado de Henry. Ela abraçou o pequeno.
— Sim tia Emma. — Eles se demoraram no abraço.
— Roland, larga a minha mãe! — Henry tinha aquela pose “mini Regina” que Emma adorava. Estava de braços cruzados, com a coluna reta e um bico muito fofo nos lábios. A loira riu e agarrou o mais velho.
— Não precisa ficar com ciúmes filho, tem Emma Swan para todos. — Ela fazia cócegas em Henry que já estava a ponto de chorar de rir.
— Emma, pare. Antes que aconteça um acidente. — Regina advertiu divertida.
— Então é verdade tia Regina? A tia Emma também é mamãe do Henry? — Perguntou Roland, que estava nos braços de Regina. A morena ficou confusa. “Como ele sabe? Será que Henry cont… OH NÃO! Será que Robin sab… OH SIM! INFERNO!”
— Onde está o pai de vocês? — Perguntou a morena já temendo o que estava por vir.
— Ah é! Ele está esperando a senhora ali na frente, mamãe. — Lembrou-se Henry.
— Emma, você fica com eles um pouco? Eu já volto. — Regina tinha o olhar preocupado, sabia que a conversa com Robin não seria nada amigável.
— Claro, mas qualquer coisa você me chama, entendeu? — Emma percebeu o olhar preocupado da morena e resolveu passar-lhe um pouco de confiança. Regina apenas assentiu temerosa e saiu.
— Então meninos, que tal irmos para o quarto da Regina e assistirmos desenho?
— EBAAAAAAAA — Os dois gritaram em coro, pulando.
— O que vocês querem assistir?
— Peppa! — gritou Roland
— Não maninho, Peppa é desenho de menina. Vamos assistir Ben 10!
— Henry, não fale assim com seu irmão. — Emma viu que Roland tinha ficado chateado. — Peppa não é desenho de menina, é desenho de crianças da idade dele, filho.
Roland mostrou a língua para Henry, que ficou emburrado. Emma riu.
— Que tal assistirmos um pouco de cada? E depois podemos assistir um desenho da minha época de criança. O que vocês acham?
— SIIIIMMM! — gritaram os meninos. Os três subiram para o segundo andar. Os meninos corriam enquanto Emma ia devagar, tentando escutar a conversa lá fora.
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Quando Regina chegou à porta, Robin estava encostado no seu carro. Assim que viu a morena ele se aproximou, quase correndo.
— Que história é essa de “duas mamães” Regina? Virou machorra agora?
— Desculpa, não entendi — Ela realmente não tinha entendido.
— MACHORRA, REGINA! SAPATÃO, LÉSBICA!
— Olha Robin, o que faço ou deixo de fazer da minha vida é problema meu!
— HAHAHA! — Ele riu ironicamente — Além de vagabunda é sapatão agora!? Que belo exemplo pro meu filho.
— Espera, então é isso?? Você está preocupado com o exemplo que dou ao MEU filho? Não me faça rir, Robin. — Ela ia se virando para sair, quando sentiu ele segurando fortemente seu braço. Aquilo iria ficar roxo, com certeza. — ME LARGA!
Os vizinhos já começavam a sair de suas casas para ver de onde vinha aquela gritaria. Sorte que o quarto do casal ficava com a janela para o jardim dos fundos, além dos meninos estarem com a TV ligada e entretidos, logo, não estavam escutando nada. Emma deu a desculpa que ia preparar um lanche e desceu para espiar como andava aquela conversa. Chegou bem na hora em que Regina o mandou largá-la.
— Ah, olha quem chegou! Sua mulherzinha, Regina! — Ele disse ironicamente, ainda apertando o braço de Regina, que se virou para ver Emma vindo quase correndo em sua direção. Pela sua postura, punhos fechados, braços colados ao corpo, sobrancelhas franzidas e ombros tensos, Regina previa que se não interviesse, Emma mataria Robin.
— Larga ela agora, seu bêbado escroto! — Emma disse entredentes.
— Uhhhh Regina, acho que teu macho vai me bat… — Ele nem terminou a frase, pois Emma lhe deu um soco inesperado no rosto. Ele se curvou de dor, largando Regina que correu para segurar Emma. Ele xingava enquanto tentava estancar o sangue que corria de sua boca.
— Emma! Você ficou louca? — Regina estava aflita. Se Robin resolvesse revidar, acabaria com as duas num piscar de olhos.
— VIU SÓ O QUE VOCÊ FEZ, SAPATÃO DE MERDA? — Seus dentes estavam cobertos de sangue, a ira em seus olhos era tamanha, que fazia Regina tremer de medo agarrada a Emma.
— VAI EMBORA ROBIN, ANTES QUE EU ACABE COM A TUA RAÇA! — Emma se colocou na frente de Regina que estava encolhida em suas costas, a abraçando.
— VOCÊS DUAS SÃO RIDÍCULAS, SABIA? NUNCA SERÃO UMA FAMÍLIA!! EU VOU DESTRUIR A SUA FELICIDADE REGINA, NEM QUE SEJA A ÚLTIMA COISA QUE EU FAÇA! — Ele foi andando em direção ao carro, quando se lembrou de algo. — ROLAND! — Ele gritou a todo pulmões. Os vizinhos já estavam quase invadindo o jardim da casa. — ROLAND! — E então Robin deu um alto assovio, que era combinado com o filho desde que ele era menor. Roland rapidamente apareceu a porta, seguido por Henry.
Os meninos olharam assustados para a cena: os vizinhos aglomerados na rua olhando-os, Robin com sangue pela boca inteira e uma raiva que os meninos nunca tinham visto, as duas mulheres paradas; a loira na frente em posição de defesa e a morena a suas costas, com um semblante aversivo e preocupado.
— Papai? — Roland foi amedrontado em direção a Robin. Enquanto Henry ia correndo para junto das mães.
— O que está acontecendo, mamãe? — Henry questionou assustado assim que Regina o pegou no colo e o agarrou, chorando pela tensão. Ela odiava quando isso acontecia.
— Nada filho, vai com a sua mãe para dentro, por favor. — Disse Emma calmamente, acariciando a cabeça do menino. Regina praticamente correu para a casa.
— Não ouse chamar Henry de filho, sua aberração! — Robin era insano, só pode. Mesmo com Roland assustado agarrado em suas pernas ele insistia em discutir.
— Robin, acho que a nossa conversa já acabou. Leve seu filho para casa, e não nos procure tão cedo. — Emma não esperou por resposta e se afastou.
Antes de partir, Robin usou gritar um “VOCÊS NÃO VÃO SE LIVRAR DE MIM”. Irritada, Emma entrou e bateu a porta.
“Sujeitinho egoísta. Ignorou o que essa cena possa custar aos filhos. Estúpido. Mesquinho. Preconceituoso.” Emma praguejou mentalmente o máximo que pode na tentativa de aliviar sua raiva.
Dentro da casa o silêncio predominava. Emma tinha certeza de onde eles estavam e seguiu até o segundo andar. Ao chegar à porta do quarto, a cena que viu despedaçou seu coração. Regina chorava muito, a ponto de seu corpo tremer, com o filho nos braços, que também chorava. Lágrimas se formavam em seus olhos esmeraldas a medida que ela se aproximava das suas únicas razões de viver. Vê-los assim a destruía e ela prometeu a si mesma que não deixaria nada acontecer com eles; prometeu a si mesma que ia protegê-los com a sua vida, que lhes daria sua vida se fosse necessário.
Sentou-se próxima a Henry, que estava na beirada da cama. Regina estava abraçada às costas do menino, com a cabeça enterrada em seu pescocinho. Henry levantou os olhos molhados e se movimentou levemente, fazendo Regina erguer a cabeça e encarar a loira. Emma lhe acariciou o rosto e deitou de frente para Henry. Os dois se agarram nela como se dependessem disso para viver. O que não deixava de ser uma verdade. Eles precisavam de apoio, e naquele momento ele se chamava Emma Swan.
Henry havia dormido há tempo. Já passava das oito horas. Emma encarava o teto em silêncio. Os choros tinham cessado e agora só restara a dor e lágrimas secas. Lentamente Emma virou-se na cama e percebeu que Regina a observava em igual silêncio. A loira sorriu ternamente, acariciando-lhe a face. Regina sorriu levemente e fechou os olhos perante ao toque. Devagar, Emma levantou-se para pegar Henry com a intenção de pô-lo em seu quarto, mas Regina interviu, não soltando o garoto.
— Tudo bem se ele dormir conosco hoje? — ela perguntou sussurrando para não acordar o filho. Emma apenas sorriu e voltou a deitar-se, desta vez do lado de Regina. A morena virou-se para cima e trouxe Henry para aninhar-se em seu peito. Assim, ela podia olhar os dois ao mesmo tempo.
— Você está mais calma? — Indagou a loira aconchegando-se ao corpo da morena.
— Sim. — ela lhe deu um selinho. — Obrigada por estar lá por mim. — Ela sorriu emocionada.
— Obrigada por me deixar estar. — Disse a loira, lhe beijando logo em seguida.
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