Notas iniciais
Esse capítulo talvez não esteja muito bom, mas fizemos o nosso melhor para trazê-lo (rápido) pra vocês. Infelizmente, estamos super atrasadas, mas queremos que vocês saibam que NUNCA VAMOS ABANDONAR MCC. Este capítulo é para todos que estão lendo agora ♥ mas especialmente para: Alexandra Monte, Beatriz, Paula Stein, Julia Nemesis, Queen of Chaos, Wounded Beast, Flaviaradcliffe, Miss Ruby, DarkOne, Mellowness, Evy Bianchi, Allana, Tati Fernandes, Tainá, Raissa, Letícia, Luana, Dricca e todas as meninas que nos mandaram mensagens aqui ou no Twitter. Nós amamos vocês! ♥

Ao encarar as viaturas que rodeavam a casa, Regina não conseguiu dar outro passo. Por um tempo, que pareceu bem mais longo do que apenas alguns segundos, ela permaneceu parada ao lado da noiva com suas roupas caras encharcando.

A chuva caia pesada sobre sua cabeça e escorria por seus cabelos, mas ela não fez nada. E tampouco Emma.

Como uma sombra envenenada, o silêncio entre elas e o que a esperava dentro da casa provocava arrepios pelo corpo da morena. Era impossível ignorar e esquivar-se.

Regina engoliu em seco pelo que julgava ser a vigésima vez naquela noite. Há algumas horas sua vida estava consideravelmente estável e seu peito não doía como agora. Ela levou a mão ao coração e obrigou-se a respirar pausadamente.

— Você está bem? — indagou Emma virando-se, antes de dar um passo em direção ao meio da rua. A figura esbelta encostada no carro apenas acenou e continuou tentando controlar sua respiração enquanto observava a casa.

— Regina? — chamou com evidente preocupação — Desculpe, mas eu preciso encontrar a Alexa. Fique aqui. Por favor, fique aqui.

— Não posso, Em. Eu preciso vê-lo.

O tom decidido não admitiria réplicas, o que fez Emma fechar a cara. Maldita teimosia. Puxando-a contra gosto pelo braço, a loira atravessou a rua e parou na varanda. Um policial fez um sinal positivo e um vulto atravessou a sala indo ao encontro da tenente.

— O departamento responsável está a caminho, mas já fiz o necessário para agilizar o relatório deles.

— Quem fez a denúncia?

— A vizinha ao lado. Parece que o genro é policial e ouviu o tiro.

— Arma de fogo, então? — Alexa confirmou. — E viram alguém entrando na casa? — perguntou como de costume enquanto colocava a luva azul de plástico que a ruiva oferecia.

— O quê? Não, não. Emma, — murmurou olhando para o rosto pálido de Regina, que espiava o interior da sala que a porta da frente revelava — o que ela está fazendo aqui?

— Não consegui detê-la.

— Mas Emma, preciso adverti-la que a cena lá dentro não é bonita e…

— Já expliquei isso pra ela. — começou como se Regina não estivesse ali — Não estamos no nosso melhor dia de comunicação, então se você quiser tentar impedi-la, fique à vontade. Eu já não tenho mais argumentos.

Os olhos azuis da ruiva encontraram os olhos castanhos e a firmeza que viu ali a fez recuar relutantemente com um suspiro. Se Emma não fora capaz de dissuadir a noiva de entrar naquele escritório horrível, quem era ela para fazê-lo?

— Certo. — disse levantando as mãos em rendição — Desisto de vocês duas.

— Você diz isso, mas duvido que seja sincero.

— Nada disso me interessa.

— Novamente, duvido que seja sincero. Mas vamos trabalhar. Você viu algum indício de luta? Acha que teremos que envolver a equipe do departamento de narcóticos?

— O quê? Não. O que você acha que aconteceu lá dentro?

Emma apenas continuou encarando-a, inquieta, enquanto olhava vez ou outra pra Regina ao seu lado.

— Não foi um homicídio, Emma. Robin se matou.

— Co-Como?

— O que você disse? — perguntou Regina com voz estrangulada.

— Robin se matou.

A boca de Emma abriu em choque e os olhos de Regina marejaram. Aquilo era demais pra ela.

Cheia de desespero, ela correu pra dentro da casa, antes que Emma ou Alexa pudessem impedi-la. Seguindo os policiais que fotografavam e anotavam detalhes em seus caderninhos, ela chegou à saleta e seu coração disparou.

O cheiro de morte a rodeou e seu estômago produziu uma cambalhota em resposta.

Ignorando o tornozelo que voltava a queimar pelo esforço feito, ela observou as paredes sujas de sangue enquanto sentia o ar quente e fétido que vinha do cômodo. Lá estava seu amor de outrora virando seu mundo de pernas para o ar outra vez.

“Robin”, choramingou com pesar. “O que você fez? O que você fez?”

Deitado no chão com a cabeça em uma poça de líquido rubro e viscoso, o corpo se perdia no piso escuro. O buraco do lado direito lhe deixou abalada, mas a arma que jazia ao lado dele provava que o que via era real.

A onda de horror e pesar foi tão abrupta que ela precisou buscar algo para se apoiar. Não havia nada ao redor além da mão quente que veio em seu socorro para segurá-la.

Novamente ela estava em frangalhos por causa do ex-noivo e novamente Emma surgia para proteger e ampará-la. Ela poderia rir de tal ironia se tudo não fosse tão trágico.

— Chega. — murmurou Emma em seu ouvido. — Você já viu o bastante.

Sem esperar por qualquer tipo de resposta, ela começou a conduzi-la para fora da casa. Ao chegarem à varanda, Regina soltou rapidamente sua mão e contornou as escadas, deixando seu estômago no controle pra expulsar as cambalhotas que o envolvia desde o momento em que atendera o telefone de Emma.

Ao se aproximar para tentar ajudar, Emma foi repelida pela mão em frenesi de Regina. Como se eu nunca tivesse visto alguém vomitar antes, pensou mau humorada. Sentando-se no primeiro degrau da varanda, ela esperou Regina terminar.

Ao melhorar, elas se olharam através das grades de madeira branca que compunha o corrimão da escada, e alguma coisa naquele momento causou uma sensação estranha em Emma. Era como se fossem algum tipo de prisioneiras, mantidas atrás daquelas barras que lembravam grades e suplicando por resgate.

E grades funcionam de duas maneiras, é claro. Elas mantêm coisas dentro. E também mantém coisas fora. O importante é saber em qual dos dois lados há mais perigo. E Emma não sabia.

Em quase dez anos servindo ao 15º Distrito da Polícia de Chicago, essa era a primeira vez que sentia-se mal numa cena do crime. Ela fora treinada e preparada para enfrentar diversos tipos de situações, mas esta era a primeira vez que via-se na cena do crime de alguém conhecido. Bem, a segunda, mas definitivamente a primeira de um suicídio. E o sentimento era o mesmo. A pior coisa do mundo.

Sem fazer esforço pra evitar, abaixou a cabeça em suas mãos e chorou. Por Robin, pela sua família, por toda a situação.

— Vão pra casa. As duas. — ordenou Alexa colocando-se ao lado de Regina e de frente para Emma.

— Mas Alexa… — começou enquanto tentava se recompor.

— Dessa vez não, tenente. — interrompeu com carinho e solidez. — Desculpe. Achei que seria… Achei que… Desculpe. Foi imprudência minha chamá-la aqui. Passarei os detalhes por e-mail e informarei a perícia que o reconhecimento já foi feito. Não se preocupe. Tenho tudo sob controle.

Embora o sorriso fosse amigável, a expressão da ruiva era séria e resoluta, o que fez Emma, na qualidade de amiga e superiora, ficar contente e orgulhosa.

— Obrigada, Alexa.

— Obrigada. — repetiu Regina com voz fraca. — Obrigada por tudo.

— Nos falamos depois. Se cuidem.

Após um meneio de cabeça, o casal se afastou em silêncio. Se a viagem até ali fora insuportável, o caminho de volta seria ainda mais tenebroso.

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Interminável.

Toda conversa sobre suicídios envolvia sentimentos como angústia, medo, culpa e desespero. Regina não sabia muito a respeito, mas sabia isso. E o que a deixava com raiva era o fato de que provavelmente todas as pessoas no mundo já experimentaram um, ou talvez todos esses sentimentos, e ainda assim escolheram batalhar por mais um dia e mais uma chance de fazerem as coisas melhores e diferentes.

A morena ergueu a vista como se implorasse algo ao céu. Mas dentro do carro não havia céu ao qual implorar.

Desviando o olhar da avenida, Emma viu as lágrimas de Regina caindo num rompante. Ela hesitou um momento, mas logo estava estacionando na frente da casa. Após todos esses anos, a única verdade que Emma sabia era que a forma como cada um sofre é muito pessoal. Ficar ali vendo e ouvindo a chuva faria bem para elas.

Após trinta minutos de observação muda das gotas que batiam no vidro, Regina virou-se para ela com tamanho e evidente cansaço e dor nos olhos, que foi quase impossível para Emma encará-la.

— Porque ele escolheria isso, Em? Por quê? — ela se viu murmurando com voz embargada, pra em seguida ser tomada outra vez por uma onda de choro e soluços.

Emma pegou a mão dela com carinho e a puxou para perto, encostando-a em seu ombro. Ela sabia que nenhuma resposta era esperada, o que agradeceu porque realmente não tinha nenhuma.

Ela queria prometer que tudo ficaria bem, mas não sabia se de fato ficariam. Não com as coisas tão imprevisíveis como estavam.

Mas às vezes não procuramos respostas; só precisamos de conforto.

Emma levou a mão que segurava aos lábios, beijando a pele macia numa tentativa de conter suas próprias lágrimas.

— O que direi para o Henry? — sussurrou após um pranto sem fim. — Não sei se poderei contar a verdade… Ele não entenderia.

— Claro que pode, Regina. E deve. Henry precisa compreender isso. Você mesma disse que ele está na idade de aprender habilidades. E quando você falar com ele hoje, nosso garotinho desenvolverá essa resiliência que parece ser de família.

— Ele é muito novo, Em. Muito novo para perder o pai assim.

— Eu sei, amor. Mas ele não é o primeiro. E com certeza, e infelizmente, não será o último.

Regina respirou fundo e Emma dominou a vontade de continuar falando. O olhar incomodado e rude da morena fez com que quaisquer palavras planejadas fossem engolidas em seco.

— Como sempre, você está certa. — dizendo isso, ela saiu do carro batendo a porta, atravessou o jardim com sua perna manca e desativou o alarme ao atravessar a soleira da porta.

Resignada e cheia de pesar, Emma a seguiu de perto e bateu a pesada madeira ao ficar para trás na entrada.

— O que deveria significar isso, Regina?

— Exatamente o que significa. — exclamou retirando o sapato apertado e dando voltas pelo hall. Ela não percebeu o esforço que fazia, pois, embora a dor do seu tornozelo incomodasse, o aperto que havia em seu peito queimava mais.

Sua descompostura emocional estava evidente nos fios descabelados e nos olhos vermelhos e inchados.

— Você sempre está certa e isso às vezes me irrita profundamente. Como hoje. Por que você tinha que estar malditamente certa sobre ver Robin? Agora a cena não sai da minha cabeça! — gritou com as mãos entre os cabelos, bagunçando-os ainda mais. — E Henry? Provavelmente você acertará de novo. Ele é esperto e já sabe entender o que é certo e errado. Sou boba demais em achar que posso protegê-lo, não sou?

— Não, Regina. O que que eu quis dizer é que…

— Eu sei o que você falou! Só não sei o que você fez essa tarde e isso está me corroendo acima de tudo porque a acusei. Eu a acusei de matar Robin, Em! E você deveria estar me odiando por isso. Porque essa é a coisa certa a se fazer. E você estaria cheia de razão. — desabafou exaltada.

As roupas molhadas e os vários afazeres não importavam. E quanto mais pudessem adiar para contar a Henry, melhor.

— Regina… — chamou Emma tentando se aproximar ao ver os olhos castanhos marejados novamente.

— Não, Emma. — objetou com um meneio de cabeça e desviando-se com um passo para trás, em direção à escada. — Preciso ficar sozinha. Não consigo mais pensar nisso e sei que você também não. Por favor não aja como se não estivesse abalada com tudo isso. Sei que está. Eu vi. E eu te conheço. Assim como eu, você quer esquecer tudo e apagar esse último ano. Mas não podemos. Não podemos! — gritou com ódio.

Nesse momento, Emma viu as feições dela se contraírem, o que a fez pensar em ferro sendo forjado. Ela não conheceu a versão jovem de Regina, a versão pela qual Robin se apaixonara, mas aquela que estava diante de si era alguém que Emma entendia e admirava. Elas eram semelhantes em tantas coisas… A máscara que ela vestia agora era consequência do quanto já havia lutado, principalmente contra si mesma e o que queria e acreditava.

E às vezes é preciso vestir essa máscara; essa armadura.

“Mas não em casa. Não comigo”, pensou.

— Sim, não podemos. Mas precisamos lidar com isso, Regina.

— Não, eu não quero. E você não deveria estar aqui se arriscando comigo e com todos esses problemas. Não quero te prejudicar, mas isso parece estar acontecendo o tempo todo! E eu já não sei mais o que fazer.

— Eu não vou embora. Vocês são minha família, Regina. E não se abandona a família. — relembrou enquanto leves vincos de preocupação tomavam conta de sua testa e sua expressão assumia certa ternura mesclada com compreensão e desafio.

Ela viu Regina engolir um contra argumento desprovido de autenticidade. Nada era mais verdadeiro do que aquilo e ela sabia. Família é ao mesmo tempo um bálsamo e um fardo grande, mas você escolhe qual lado pesará mais. E Regina sabia qual precisava escolher.

— Apesar de saber que você deveria ficar bem longe de mim, eu não conseguiria ficar longe de você. A realidade que você trouxe à minha vida foi algo oposto ao que eu estava acostumada e isso fez toda a diferença. Você é minha família, mas não quero que você passe nossos dias cuidando de mim.

— Regina, sua idiota! Quantas vezes vou ter que repetir que é recíproco? Olha o que você está me dizendo nesse exato momento. Apesar de tudo, você ainda quer me manter afastada, me proteger dessa situação que concordamos enfrentar juntas. E cuidei de mim mesma a vida toda, e resolvi que quero variar isso só um pouco cuidando de quem eu gosto, okay? Pare de ser tão dramática.

Emma queria abraçá-la, mas sabia que seria repelida. Ela nunca vira Regina assim. Era visível o quanto a morena estava com medo e se sentindo desconcertada.

— Você viu o que fiz com ele, Emma. E consequentemente com Marian, que não pode ter a vida que queria porque Robin continuava preso ao que tínhamos. E não quero que ninguém mais continue se machucando por minha culpa. Especialmente Henry e você.

Aquela confissão tão significativa e dolorosa gerou um frio no coração da tenente. Nada em sua vida havia lhe preparado para tal situação. Ela achou que sim, mas não poderia imaginar o que Regina estava sentindo naquele momento.

— Não é culpa sua, Regina. — consolou com sinceridade — Nem de ninguém. Robin tinha consciência do que estava fazendo. E o que ele fez não foi por você. Foi por ele. Mesmo que esteja machucando a gente, não foi de caso pensado.

— Robin foi um indecente! Fazer o que fez só porque não pode aguentar? Eu estou aqui, nós estamos aqui, tão feridas e perdidas quanto ele, e por causa dele, mas sei que ficaremos firmes... Mas como ele ousa deixar o filho para trás!? E me deixar dessa maneira?

Regina entreabriu os lábios com surpresa e raiva. A confissão saiu inesperada e carregada de ressentimento. Pela primeira vez, talvez, ela se mostrava totalmente vulnerável na frente da noiva. E aquilo a assustava.

Emma não sabia como Regina tentaria suavizar o golpe, mas sabia que tentaria. Uma pessoa guiada por seu coração era o que Regina era, antes de ser o que quer que fosse. Ela era uma reparadora, e seu inimigo natural eram situações que ela não podia reparar, exatamente como aquela. Emma sabia. E lá no fundo de seu peito ela estava consciente disso também, de que não poderia melhorar em nada a situação que envolvia Robin.

Havia uma aflição e tristeza tomando conta de seu corpo, o que fez a morena permitir-se alguns momentos para permanecer parada ali, olhando fixamente para um canto qualquer, antes de voltar a ser novamente Regina Mills.

— Estou aterrorizada com o que ele fez, Em. Robin renunciou à sua existência, e isso está além da minha capacidade de compreensão. Ele se matou porque considerou que a vida não merecia ser vivida, porque desejava me matar ou porque seria um modo mais fácil para ele?

Emma queria considerar até o fim que Robin não havia intencionado aquilo para causar uma dor consciente

— Não tenho uma resposta para isso. E nem você deveria ficar imaginando o que se passou na cabeça dele antes de morrer. Talvez sejamos tão culpadas quanto ele em bagunçar nossas vidas. Mas não é culpa de ninguém o que houve com ele. Acho que… acho que precisamos aceitar nossa onipotência diante disso.

Ao estudar o desespero da noiva, Emma realmente compreendeu que dificilmente conseguimos traduzir verbalmente as muitas coisas que estamos sentindo.

Ela deixou Regina pensando no que havia acabado de dizer e foi até a cozinha buscar água. Não havia muito o que poderia fazer, mas tentar acalmar os soluços dela já era um começo.

— Não tenho resposta para isso, Regina. — disse novamente lhe entregando um copo com o líquido incolor. — Não tenho resposta para nada que você indague essa noite. Tudo o que sei é estou me sentindo brava também. Mas Robin deve ter tido um bom motivo, porque, pra mim, o que ele fez é algo entre estupidez e coragem.

— Eu não quero ser esse motivo, Em. — confidenciou com a voz tão baixa e embargada que a loira fez esforço para ouvir. — Estou com raiva de mim por pensar que você poderia tê-lo matado, mas confesso que só pensei isso porque eu mesma já tinha considerado essa hipótese. E isso me dá medo. Esse lado escuro que há dentro de mim e que eu poderia facilmente deixar me dominar.

Virando-se, ela encarou seu reflexo no espelho. A pessoa que via ali ainda era ela, mas parecia diferente. Talvez tivesse guardado seus temores e suas preocupações por tanto tempo, que, de repente, tudo parecia vir à tona. A prova disso era os olhos vermelhos, o rosto molhado e a respiração entrecortada. Não havia porquê se sentir assim, mas ela sentia. Tudo aquilo parecia capaz de levá-la à loucura.

Sua feição estava neutra, apesar do peso que lhe oprimia o peito. O desespero e a raiva que sentia, de si mesma, de Robin e do mundo todo, eram sensações que ela não sabia que poderia experimentar.

— Tenho sido uma boa pessoa por toda a vida, mas às vezes me vejo diante de alguns desejos obscuros como esse. Teria sido infinitamente mais fácil tê-lo matado, porque eu realmente saberia que teria sido eu. Agora, o que ele fez…Eu não sei. Mas não queria ser o motivo. É tão egoísta isso, eu sei. E acho melhor você saber disso agora, já que está tão decidida a ficar comigo. Sou extremamente egoísta, Emma. E me odeio por isso. Odeio tudo isso! Odeio o que estou sentido e odeio que ele tenha nos deixado assim!

O ódio febril tomou conta de seu corpo, e o copo que estava em sua mão estraçalhou a imagem que ela via. O vidro voou para todos os lados, mas ela não se importou. Era só mais uma coisa quebrada em sua vida.

Emma, surpreendeu-se com o ato violento de Regina, mas não disse nada. Talvez ela se sentisse melhor agora. Com todo o seu histórico, Emma sabia que expressar fisicamente o que estava sentido algumas vezes ajudava mais do que a conversa em si. Isso foi um dos motivos que a levou até o 15º Distrito.

Aquela reação, contudo, fez Emma ficar em um silêncio desconfortável enquanto tentava descobrir o que dizer.

— Algumas questões são capazes de nos consumir como ferrugem. Mas você não está sozinha, Regina. Você nunca esteve. — disse com os olhos marejados. — Faremos as coisas darem certo, você vai ver. Choraremos a morte de Robin, mas temos Henry para no ajudar a enfrentar os dias. Não é sua culpa, Regina. Não é culpa de ninguém. Robin fez o que achou melhor fazer. Pelo menos uma vez na vida, não vamos julgá-lo por isso.

— Não consigo. Não consigo fazer isso.

Regina não disse nada, apenas permitiu ser enlaçada pelos braços dela e sucumbir novamente ali, ao enterrar seu rosto contra o peito da tenente. Todas as lágrimas que ela segurou durante todo seu passado pareciam estar sendo derramadas naquele dia. Emma a deixou chorar, chorar e chorar até sentir seu corpo amolecer, quando deslizou as duas suavemente para o chão do hall de entrada. Ela sentou com suas costas contra a parede e afagou os cabelos castanhos com carinho, enquanto murmurava baixinho que tudo ficaria bem.

Quando sua respiração voltou ao normal e se sentiu capaz de encarar os olhos verdes, ela se endireitou e ergueu a cabeça. Durante um momento ficaram assim. Regina, então, colocou ternamente uma mecha de cabelo atrás da orelha da noiva. Em seguida, ela enxugou o rosto com a manga da blusa e lhe deu um sorriso fraco.

— Desculpe, Em. Aposto que você está ficando cansada de me segurar toda vez que desabo.

A loira voltou a abraçá-la e encostou sua cabeça contra a dela.

— Nunca, Regina. Sei como é perder alguém, por isso não farei discursos sobre manter-se esperançosa. Não vai ajudar. O que posso dizer é que sentarei aqui com você pelo tempo que for, e ficarei ao seu lado durante a conversa com Henry, os preparativos e o funeral, e bem... praticamente durante o resto da sua vida. Para o que você precisar, estarei aqui.

Ela não disse durante um minuto, embora os olhos castanhos continuassem fitando-a diretamente.

— Eu também estarei aqui e não vou a lugar nenhum sem você. Se precisar chorar, você pode se encostar no meu ombro. E se precisar conversar, estarei ouvindo. E será praticamente assim durante o resto da sua vida.

Um riso baixinho escapou, diminuindo a tensão entre elas.

— Eu não sabia como a força da natureza se parecia até te encontrar.

— Realmente me sinto como um tornado, destruindo tudo na sua vida. — confessou Regina controlando-se para não desabar em lágrimas novamente.

— Por favor, não diga isso. — pediu suavemente, com um nó na garganta. — No começo, senti o mesmo em relação a você e ao que estamos vivendo. Mas somos mais fortes juntas. Talvez pudéssemos ter lidado com tudo o que houve de forma muito melhor, mas está feito, Regina. Nós nos dobramos ao máximo, mas lhe garanto que não quebramos. Eu e você começaremos de novo todas as vezes que for necessário.

— Sim, começaremos. Mas não hoje, não agora. Ainda temos muito o que conversar, Emma. E já falei com você de uma maneira que não deveria. Não quero repetir isso. Precisamos conversar com Henry e com os meus pais. Ainda não tenho um plano de como contar tudo, mas estou pensando em algo. E precisamos falar com Marian também. Vai ser um choque ainda maior para ela.

— Robin fez uma bagunça grande dessa vez, não é? Uma que não podemos consertar, mesmo querendo. — afirmou melancólica.

— Eu sei, Em. Mas vamos tentar. Você mesma disse. E eu acredito em você. Mesmo com essa tempestade lá fora, e este tornado aqui dentro. — disse apontado pra si — Vamos seguir o que você disse e tentar não julgá-lo. Talvez se eu tivesse feito isso antes...

Tomada de preocupação, Emma acenou em concordância, lhe beijou os cabelos e voltou a abraçá-la. Após um longo tempo, quando ambas estavam se sentindo mais calmas e suas respirações estavam quase seguindo um mesmo ritmo, Emma ouviu um "eu te amo" sussurrado pela morena. Ela sabia disso. E sabia também o que as palavras e o olhar aflito de Regina realmente lhe diziam. Havia verdade na declaração, assim como agradecimento e desculpas, um grito de raiva, um pedido de socorro e uma enorme cautela envolvendo seu bem estar.

Um silêncio caiu novamente entre elas enquanto o abraço durou. Não um silêncio incômodo dessa vez, mas um em que elas se sentiam a salvo. Elas não estavam sozinhas naquilo; Emma estava com ela e era recíproco. Sua família estaria ao seu lado e em algum momento ela conseguiria acordar de todo aquele pesadelo.

Notas finais
Hello, hello! Amados, primeiramente, desculpem pelo nosso sumiço. Foi um semestre extramente complicado e corrido, e as coisas já não são como era antes. Estamos entrando de férias a partir desta semana, então tentaremos colocar (com muito afinco) MCC em dia. Responderemos em breve todos os comentários (que nos fazem surtar toda vez que os lemos) e explicaremos todas as pontas soltas que ainda há na fic. Queremos agradecer imensamente a todas as pessoas que não se esqueceram de MCC e nem de nós, e nós enviam fotos, mensagens e os pedidos de atualização. Vocês são muito importantes para nós, e justamente por isso, não há um dia que em que nós não pensamos em escrever e postar o capítulo para vocês. Queremos finalizar a fic, mas também queremos desenvolver cada ideia que temos desde o começo. O plano para esse capítulo era terminar com tudo que envolve Robin, porém demoraríamos mais e vocês nos matariam haha Iremos postar o restante em breve. Ainda sobre o capítulo, espero que vocês possam compreender o que a Regina está sentindo. Não é fácil para ela por muitos motivos e tentaremos explicar melhor no próximo cap. Sobre isso, um agradecimento especial para a Queen of Chaos pelo seu lindo comentário. Esse assunto é realmente difícil, e espero que todos saibam o efeito dominó que provoca. Uma vez que você desiste, outras pessoas podem fazer o mesmo, seja por culpa ou por acharem que estão sozinhas. Pode parecer isso, mas esta abordagem que escolhemos está muito longe de ser um caminho fácil. Ficamos contentes por termos conseguido fazê-los sentir a morte do Robin e esperamos conseguir o mesmo com os sentimentos de Regina e Emma. E não se preocupem, alguém representará aqueles que pensaram "Robin está morto, que bom" muahahaha Mais uma vez, agradecemos por estarem aqui conosco, pois as palavras e o interesse de vocês além de nos motivar, salvam nossos dias. Então, obrigada por não nos deixarem sozinhas. Qualquer opinião, pedido, dúvida, crítica ou se quiserem apenas conversar, entrem em contato com a gente pelos comentários, por mensagem privada aqui no Nyah ou no Twitter (@ingridsurkamp @cathdepp). Beijo grande e abraço de urso, HeyBones e Cath