Maçã com Canela
27 Capítulo 27
Notas iniciais
— Emma... Eu… — Regina não tinha palavras. Era como se todo seu vasto vocabulário tivesse sido retirado dela. Mas o que não lhe faltavam eram lágrimas, que escorriam livres pela sua face.
— Eu sei que só estamos juntas romanticamente há 6 meses, mas já passamos por tantas coisas juntas. Tantas provas de que estaremos sempre aqui uma para a outra, que não vejo motivos para adiar mais esse momento. Claro que, se você não quiser, nós esquecemos isso e continuamos como estamos, mas eu realmente acho que… — Regina a calou com um beijo.
— Você fala demais quando está nervosa, Em. — Ela tinha um lindo e gigante sorriso no rosto. — É claro que eu aceito! — Ela beija a loira novamente. O beijo, cheio de carinho, amor, afeto, paixão, sela o novo estágio da vida delas.
— Você acaba de me fazer a mulher mais feliz do mundo, srta. Mills. — Ela acaricia o rosto da morena, sorrindo, com os olhos também marejados.
— Eu posso te fazer a mais feliz do universo, quer ver Miss Swan? — Ela sorri maliciosamente.
— Mal posso esperar. — A loira retribui o mesmo sorriso. Regina, então inverte as posições, e sai da cama, deixando Emma confusa. A morena sai rebolando ainda vestindo a lingerie branca e os saltos vermelhos rumo à um pequeno auto-falante preto, com formato de maça, e o liga. Da caixinha começa a sair os primeiros acordes de Partition (Beyoncé) e logo a voz da cantora preenche o quarto. Regina caminha sensualmente de volta para a cama, sem quebrar o contato visual com a loira. Ela tira os saltos no meio do caminho e sobe na cama, ficando de pé em frente a loira.
Regina começa a rebolar e passar as mãos sobre o corpo, apertando nos lugares certos, mordendo o lábio inferior e olhando a loira com a maior cara de safada. Emma não sabia o que olhar, se olhava o rosto da morena ou seu corpo rebolando sensualmente a sua frente.
Take all of me
I just wanna be the girl you like
(Girl you like)
A morena estica a perna direita e a pousa entre as pernas da loira. “Tira”, ela sussurra. Emma embasbacada obedece a morena, e prontamente despende os clipes da cinta-liga, libertando a meia. Ela retira-a e repete o processo com a esquerda. Ao se ver livre das meias, Regina empurra a loira, levemente, de volta a cama, com o pé esquerdo e continua a dançar.
Ela então, começa a tirar o sutiã, abaixando primeiro as alças, depois pondo as mãos por dentro dele e massageando-os, dando um gemido longo e rouco, enquanto jogava a cabeça para trás e não parava de mexer o quadril, sensualmente. Emma leva instintivamente uma mão à vagina, afim de aliviar o muito tesão acumulado. Porém Regina ao ver a mão da loira começar a se mover, tira-a, com o pé direito. Ela desabotoa a sutiã e abaixa o troco, com os braços esticados para baixo, fazendo com que a peça escorregue e caia sobre o tórax da loira. Emma inutilmente tenta tocar nos seios da morena, mas essa volta a posição original e pousa o pé direito sobre a barriga da loira.
Est-ce que tu aimes le sexe?
[...]
Mais c’est une activité très stimulante
Et naturelle que les femmes adorent.
Ela caminha ao lado do corpo da loira, agora apenas com a calcinha de renda branca, e para ao lado da cabeça da mesma. Passa a perna esquerda por cima da cabeça da loira, ficando com o sexo na mira da loira, que lambe os lábios ao notar o quanto a calcinha de Regina estava molhada. A morena abaixa a peça lentamente, acompanhando o ritmo da última estrofe da música. Quando a calcinha está praticamente no rosto da loira, ela sussurra novamente: “Pega”. A loira obedece novamente, pegando a calcinha exarcada da morena. Regina desce rebolando sensualmente ao ritmo das últimas batidas da música. Parando com o sexo no rosto da loira, que salivava.
Hello!
— Chupa. — sussurrou.
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— Mãe… semana que vem os papais vão na minha escola falar sobre a profissão deles. Você pode ir? — perguntou Henry meio cabisbaixo enquanto jogava bola com Emma no Clube.
Era um sábado e Regina estava trabalhando até tarde ultimamente, devido a um evento de equitadores que se realizaria lá, e Emma estava passando o dia com Henry. Tecnicamente eles estavam juntos. Ela queria incentiva-lo a praticar esportes e estava tentando convence-lo a fazer natação. Mas por hora, era melhor se concentrar nos arremessos.
— Mas por quê eu, Henry? Sua mãe não pode ir?
— Hmmm eu queria que fosse você. Porque o trabalho da mamãe é chato. E o do papai também. Eu queria que meus amigos vissem que minha outra mãe tem o trabalho mais legal do mundo.
Aquilo fez todas os argumentos de Emma desaparecerem.
— Eu... eu acho que posso ir sim.
— Você vai mesmo? Obrigada, mãe! — disse Henry animado, colocando mais força nos arremessos.
— O que eu precisarei falar?
— Sobre o que você faz pra pegar os bandidos.
— Certo. Eu vou.
— Eu disse que você ia, mas eles não acreditaram em mim!
— Quem não acreditou?
— Os meus amigos da escola. Eles disseram que você não ia poder ir, porque é só para os papais.
— Hmmm e você quer mesmo que eu vá? Porque algumas crianças podem achar estranho.
— Quero! Eu não sou o único com duas mamães, sabia? E tem uma menina da outra classe com dois papais. Vai ser melhor pra ela esta semana. Mas eu sou o único da sala que tem uma mãe policial.
— Você está me usando pra ficar popular, Henry Mills?! — brincou Emma com falso tom de repreensão.
—Bem, eu… eu queria…
—Vamos fazer todo mundo te invejar. E querer virar policial! — conspirou ela sorrindo.
— Você quase me enganou! — divertiu-se ele jogando a bola e correndo para abraçá-la.
— Obrigada, mãe!
— Disponha, garoto. Agora, que tal um sorvete?
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— Como assim você não vai?!
— Eu quero muito, Emma. Mas tenho que estar presente nessa reunião. Essa competição vai dar uma boa publicidade para o Clube. E nós precisamos disso!
— Você já disse pra ele?
— Ainda não. E apesar de ter ficado com um pouco de ciúme, eu agradeço por ele ter chamado você. — ela suspirou — Eu não sei se conseguiria sozinha.
— É claro que conseguiria. Mas para a sua sorte, e para a minha também, eu estou aqui. E eu irei exibir meu distintivo hoje pra aquelas monstrinhas. Vou assustá-los até onde der.
— Emma! — repreendeu Regina sorvendo rapidamente seu café e guardando alguns papéis na bolsa.
— Brincadeira! Mas eu disse pro Henry que faria isso se eles começassem a fazer bagunça.
—Sei, sei. Me conte tudo depois. Eu preciso ir.
—Você não vai dizer pra ele?
—Pensei que você pudesse fazer isso.
—Poder, eu posso. Mas ele não vai ficar feliz.
—Eu também não fiquei quando ele preferiu que fosse você. E aposto que nem cogitou me chamar pra ir. — murmurou a morena indo para a garagem.
— Isso de novo, Regina? Ele já se desculpou e eu já expliquei pra você. As crianças não entendem o quão importante é o trabalho burocrático. Elas acham que ser policial é só pegar bandidos, o Henry incluso. Mas no fim do dia, eu faço a mesma coisa que você. Tecnicamente.
—Você está colocando panos quentes com a pessoa errada. Eu já superei isso. Anda logo pra vocês não chegarem atrasados. E quando terminar, me liga.
— Não seja mandona!
— Não se atrase!
Emma mostrou a língua pra ela, que sorriu antes de sair apressadamente. Não seria nada fácil explicar pro garoto que a mãe dele não iria com eles. Assim como não fora fácil dizer para Regina sobre esse evento na Escolinha. Pensando sobre aquela semana, até que Regina levou o caso bem. Talvez por saber que não poderia ir. E Henry estava animado demais, então talvez não se importasse tanto. Mas aqueles dois eram teimosos e sempre queriam tudo do jeito deles. Ela não sabia qual dos dois podia surpreender mais.
Bufando, ela olhou no relógio e correu para trocar de roupa.
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A escola de Henry parecia pequena diante todos aqueles pais. Deveria ter cerca de 28 adultos, somando ainda os alunos. Emma não esperava tantos. Para seu consolo, entretanto, cada dia da semana seria de uma classe, assim ela não se viu rodeada por tantos curiosos querendo saber quem ela era.
Emma estava aprendendo, do pior jeito talvez, que nas escolas infantis os pais têm a terrível necessidade de conhecer uns aos outros. E como era a primeira vez dela naquele ambiente intimidador, seus instintos lhe diziam para correr. Ela não gostava de nada que a lembrasse da escola. “Você está aqui pelo Henry. Você está aqui pelo Henry” repetiu sem parar enquanto entrava na fila que se formava perto da sala de aula. Alguns pais a olhavam de soslaio.
— É só porque você é nova por aqui. — sussurrou um homem alto, magro e de olhos e cabelos escuros atrás de Emma. Ela virou-se em alerta para ele. — Desculpe sobressaltá-la. Killian Jones ao seu dispor.
— Emma Swan.
— Vejo que está com o Henry. — disse ele apontando para a etiqueta com o nome do garoto colada em sua jaqueta vermelha.
— Sim. E você está com a... Sami?
— Minha sobrinha. Os pais estão fora. Ambos trabalham com Relações Internacionais. É difícil pra ela, mas acho que já se acostumou.
— As crianças nunca se acostumam com a ausência dos pais. — proferiu Emma procurando Henry com os olhos dentro da sala. Era perceptível que ele ficara chateado quando ela disse que Regina não viria. No entanto, ele não disse nada. Apenas segurou sua mão e a conduziu para dentro da escola.
—Diz por experiência própria?
—Normalmente dizemos coisas por experiência própria, sr. Jones.
— Apenas Killian, Emma. Diga, o que você faz?
— Sou Tenente.
Ele assobiou baixinho.
— Isso soa bem melhor do que fotógrafo.
— Cada um sabe o lado bom da vida que escolheu, Killian. Mas diga... como funciona isso? — pediu ela apontando para dentro da sala — Você já participou disso antes?
— Não. Pelo que a professora disse, ela vai chamar por ordem alfabética e nós contamos porque gostamos do que fazemos.
— Certo. Parece mais fácil do que pensei.
— Está nervosa?
— Não. Mas não quero desapontar o Henry.
—Você nunca poderia desapontar ninguém, Swan.
Ouvir seu nome na boca daquele estranho quase a fez rir. Ele falava arrastado, fazendo graça. Bem diferente dos arrepios que ela tinha, quando Regina o dizia. “O que era aquilo?”, perguntou-se Emma curiosa. Não parecia ser um flerte. Parecia?
— Por que nunca te vi nas reuniões antes? Você também é tia?
— Não. — limitou-se a dizer Emma.
— Você parece ser uma pessoa legal, Emma. Mas muito, muito reservada. Você pode conversar comigo, queridinha. Pelo visto, ainda vamos esperar um pouquinho aqui.
Aquele comentário a irritou.
— Você é muito arrogante Killian Jones. Quem disse que eu preciso conversar com você pra passar o tempo?
— Sejamos sinceros, Emma. Ninguém aqui vai conversar com a gente. Mais por receio do que preconceito. Até que eles são simpáticos. Mas o caso é: hoje eu só tenho você e você só tem eu.
— O que você quer dizer com isso?
— Que nós somos iguais.
Emma arqueou as sobrancelhas em clara evidência de não estar entendendo direito.
— Você tem namorada.
Ela abriu a boca surpresa.
— E você tem namorado. — constatou bobamente dando risada.
— Mas o pessoal daqui já sabe sobre isso?
— As crianças às vezes falam mais do que deveriam.
— Aaah sim. Mas Henry não é tão falante…
— Acredite, ele é.
— Certo — riu ela. E tinha que admitir, quando Henry queria, ele era falante mesmo.
Como Killian havia previsto, eles passaram o tempo conversando. Emma descobriu que ele havia estado na última semana na Itália e que estava com o namorado, um tal de Dante pelo que entendeu, há quatro anos.
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Incrivelmente, depois que a srta. Jules, a professora, pediu para que eles arrumassem as cadeirinhas em fila, todos os pais conseguiram entrar na sala. As crianças ficaram em seus colos, embora outras estivessem sentadas no chão.
Na sua vez, Emma levantou-se e ficou na frente da sala com Henry ao seu lado, que os apresentou animadamente. Ela esperou que a classe risse ou alguém dissesse algo, mas isso não ocorreu. Ela olhou discretamente para a professora e ela acenou com a cabeça. Pelo visto todos haviam sido avisados de que haveria diversidade naquela aula.
— Como Henry já disse, eu sou a Tenente Swan. Meu trabalho consiste em supervisionar o pessoal que trabalha comigo, analisar os tipos de casos que recebemos e preparar os detalhes para qualquer tipo de missão.
—Você tem um distintivo? — perguntou um garoto gordinho e mais alto que Henry num canto da sala.
— É claro! — afirmou ela exibindo a peça que trazia no bolso da jaqueta.
— Vocês gostariam de ver alguns movimentos que treinamos no Distrito?
Todos acenaram positivamente. Até alguns pais. E Emma soube que tinha conquistado um certo respeito ali.
Ela e Henry começaram a exibir alguns movimentos de luta que eles vinham treinando. Não era nada complicado, mas estava muito bem feito e encantou a todos.
— Bem, como vocês podem ver ser policial tem suas partes interessantes. Mas não é pra qualquer um. Quem tiver interesse nessa carreira terá que ser corajoso e destemido, e estar pronto pra qualquer desafio. Alguém aqui acha que vai ser policial quando crescer?
Muitas mãozinhas levantaram e Emma voltou-se sorrindo para Henry, que também estava com a mãe levantada.
— Hey, garoto! Você nunca me disse que queria ser policial — cochichou ela abaixando-se para ficar da mesma altura que ele. Ver aquela reação dele a enterneceu e a deixou muito feliz.
— Mas eu quero! Eu quero pegar bandidos igual você, mãe.
— Muito bem! E nós sabemos que você é muito corajoso e sempre está pronto pra qualquer coisa, não é mesmo?!
— É! — Henry sorria de orelha a orelha.
— O que seu pai de verdade faz, Henry? — perguntou uma voz lá no fundo que Emma não soube identificar de quem era.
— Ele trabalha com… agonegócio — falou o menino pausadamente. Emma tentou não rir com o erro da palavra, que aparentemente passou despercebido.
— E você não quer trabalhar com isso? Eu quero ser igual ao meu pai e ser advogado. — disse o menino, que Emma ainda não conseguia identificar. Mas pelo modo que Henry olhava, ele sabia quem era.
— Meu pai tem um trabalho muito legal. Mas minha mãe tem um melhor. Ela prende as pessoas más. — Henry disse olhando pra Emma e pedindo ajuda.
— Isso. Que tipo de advogado é o seu pai, Justin? Se ele for criminal, sem o meu trabalho ele não pode trabalhar. Todos os trabalhos são bons e importantes. Você não concorda? — perguntou Emma pro garoto que estava de pé agora e ela podia vê-lo.
—Hmmm pode ser.
— Ou é ou não é, Justin. E então?
— É sim. — disse ele
— É sim, senhora — corrigiu-o Emma firme, mas com suavidade.
— É sim, senhora.
— Bom menino. Você vai ser um ótimo advogado. Assim como Henry vai ser um ótimo policial. Vocês todos não concordam?
A sala bateu palmas e Emma piscou pra Henry. Ainda era cedo pra falar de profissões, mas o intuito era mostrar que desde pequeno precisa-se trabalhar alguns valores. Emma apreciava a professora e a Escola por estrem ajudando os pais com essa iniciativa. O olhar triste de Henry sumiu e ele segurou a mão dela. Emma aproveitou a oportunidade para pegar Henry no colo e sair de fininho, enquanto os próximos tomavam seus lugares.
Esperando por eles na porta estava Regina, que pegou Henry no colo quando ele se aproximou.
— Você foi incrível ali, filho!
—Você viu, mamãe? Eu e Emma conseguimos os aplausos mais demorados!
— É, todo mundo gostou!
— Eu vi — disse Regina beijando Henry e trocando um olhar preocupado com Emma que parecia dizer:
“Exceto aquele menino que parecia querer confusão.”
“Mas eu o coloquei no lugar dele. E o pai não falou nada.”
“Que idiota”
“Nem me diga”
— Vamos ver os outros se apresentar. — chamou Regina levando Henry pro fundo da sala. Elas se sentaram na cadeirinhas desocupadas e Henry sentou-se no chão com alguns colegas.
— E a sua reunião? Como foi? — cochichou Emma.
— Eu consegui remarca-la para amanhã.
Emma sentiu vontade de enlaçar a morena pelo pescoço e a beijar. Mas isso seria escandaloso demais, ainda mais numa escola. Então, ela se conteve e apenas sorriu, roçando sua perna na dela, que estavam no mesmo nível.
— Você deixou Henry feliz. E eu também.
— Aquela sua cara de cachorro perdido ficou na minha cabeça. E Henry deve ter ficado com a mesma cara. Então, eu tinha que fazer algo a respeito.
— Fico contente que tenha feito.
— Estou orgulhosa de vocês. O que fizeram foi muito impressionante.
— Você gostou?
—Sim. Você definitivamente merece isso. Henry soube escolher bem.
Emma apertou a mão dela, tentando deixar clara toda a emoção que sentia.
— Obrigada, amor.
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No final da reunião, algumas crianças se aproximaram de Emma e pediram pra ver o distintivo dela de perto. Outras pediram pra ela ensinar os golpes iguais aos que Henry sabia.
Ela concedeu o pedido de cada um e só parou quando uma das meninas disse que queria ter uma mãe igual a ela e Henry ralhou.
— É , mas ela é minha mãe!
—Seja gentil, Henry — pediu Emma bagunçando o cabelo dele. — Essa mocinha aqui só quis dizer que você é muito sortudo e queria ser igual a você. Não foi, meu bem? — perguntou pra menina ruiva e sardenta que estava perto dela.
— Foi. Ela é uma ótima mamãe, Henry.
— Eu sei. — respondeu ele rabugento.
— Tá certo, garoto. Vamos indo. — chamou Regina, que assistia a tudo calada e resolveu intervir antes que houvesse outra cena. Devido ao evento, não haveria aulas, o que todas as crianças comemoraram.
Emma estava seguindo-os, quando Killian a puxou pelo braço.
— Sua namorada é muito bonita, Emma. Se fosse em outra época, eu diria pra você ficar atenta — brincou ele, mas parou ao ver o olhar sério da loira. — Ei! Eu estava brincando.
— Não paquere a Regina, Killian!
— Mas eu não estava… Você é temperamental, hein? Ok! Eu não vou paquerar ninguém. — disse ele baixinho pra que ninguém ouvisse, incluindo sua sobrinha que estava ali perto segurando uma boneca.
— Obrigada por ter ficado comigo no início.
— O prazer foi meu. — garantiu ele, pegando sua carteira e lhe estendendo um cartão. — Se você precisar dos meus serviços, ou só sair pra beber, me ligue. E pode levar a Regina, junto!
— Vai esperando! Nos vemos por aí.
Emma se afastou rindo, mas parou ao ver o olhar de Regina. Henry também estava emburrado, mas pelo momento anterior.
— Regina…
— Conversaremos em casa. — murmurou ela baixinho dando um olhar fulminante para Emma.
Pensando que naquele momento Henry era prioridade, ela pegou a outra mãozinha dele.
— Por que você está bravo, garoto?
Ele apertou a boquinha.
— Porque você foi legal com todo mundo e ensinou os nossos golpes.
— E eu não deveria ter sido legal com eles?
— Não. Você é só minha mãe.
Emma o segurou, fazendo ele e Regina pararem do seu lado. Ela ajoelhou-se na frente dele e segurou seu rosto com suas mãos.
— Eu sou sua mãe, querido. Mas todos merecem nossa atenção. Todas aquelas crianças queriam estar no seu lugar e ter uma família como a sua. Você não acha que foi legal da nossa parte dividir isso com eles?
Ele acenou concordando.
— Eu e você teremos outros golpes que serão só nossos, combinado? E vamos jogar bola juntos e fazer natação? — tentou ela aproveitando a chance.
— Natação não, mãe! Eu não gosto de água.
— Você gosta de tomar banho.
— Não é a mesma coisa.
— É sim. Você disse que era corajoso, lembra? E eu vou estar com você. Assim como a Regina e nós vamos ficar perto de você o tempo todo. O que você acha?
— Tudo bem, então — suspirou ele. Emma o beijou no rosto todo e ele começou a rir.
— Eu te amo, mãe — murmurou ele olhando-a com seus olhinhos castanhos, iguais aos de Regina.
— Eu também te amo, garoto.
A morena observou a cena toda calada, com seu coração explodindo de emoção e ao mesmo tempo apertado. Quando ela viu Emma parada conversando com aquele homem, ela sentiu uma sensação ruim na boca do estômago. Eles pareciam confortáveis demais um com o outro. Mas ela não falaria nada. Não até chegarem em casa.
Eles foram para o carro e estavam decidindo onde almoçariam. No caminho, o autocontrole de Regina foi pro ralo quando ela viu de relance Emma sorrindo.
— Por que você está sorrindo? Espero que não seja por causa daquele cara.
Emma voltou-se pra ela com um sorriso ainda maior. Ela poderia ter fingido não ver, mas ela diminuiu a velocidade justamente para poder olhar de soslaio para a loira. Emma havia levado Henry no carro dela e Regina pediu para o pai a deixar na Escolinha, deixando o dela no Clube. Assim elas não teriam problemas com os carros.
— Porque você já presumiu o pior de me ver com outra pessoa.
— Não presumi nada. Estava evidente.
— Você tem razão. É evidente que o Killian é uma boa pessoa, um cara bonito e que eu tô super a fim dele.
— Emma! Olha a linguagem perto do Henry!
— O quê? — perguntou o menino da sua cadeirinha.
— Eu estava contando pra sua mãe do Killian, o tio da Sami. Ele é muito divertido, não é Henry?
Emma observou o ódio de Regina se espalhar pela face da morena. Era gostoso atormentá-la, mas ela certamente se vingaria mais tarde.
— É! Sami me disse que ele e o tio Dante a levam no planetário. A gente pode ir lá um dia?
— Podemos! — disse Emma agradecendo Henry silenciosamente. Killian tinha mesmo razão sobre o menino ser um falador. — Assim que sua mãe tiver folga no Clube ela vai nos levar lá.
— Eu vou, é? — perguntou Regina escondendo um sorriso. Emma não a deixaria esquecer daquele assunto tão cedo. Mas teria revanche por fazê-la pensar que eles estavam flertando ou algo do tipo.
— Sim, você vai. E vai pagar o nosso almoço hoje.
— Não abuse, Swan. — ameaçou Regina fazendo Emma rir. Aquele tom, somado à voz da morena e os olhares melosos e contrariados que ela lhe lançava vez ou outra fazia seu coração disparar. Ela adorava aquela sensação.
— Mas é claro que vou! E falando nisso, onde vamos almoçar?
— No Pepe Loco.
— De novo não, Henry. — pediu Emma com exagero.
— Que tal macarronada?! — sugeriu Regina.
— Tá. Mas eu ainda quero ir no Pepe Loco.
— Outro dia, querido.
— Promete?
— Sempre prometemos o que cumprimos, não é? — perguntou Regina olhando sugestivamente para Emma.
— Sempre.
Henry gritou de pleno acordo e eles seguiram para o restaurante conversando sobre a Escola e os pais que contaram sobre o que faziam.
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