Maçã com Canela
25 Capítulo 25
Notas iniciais
O relógio marcava 6h35. Ela mataria Emma por não acordá-la. Rapidamente levantou-se e trocou de roupa. O som das vozes na cozinha a envolveu ao chegar no térreo. Era bom saber que Henry já estava de pé, assim eles não se atrasariam.
— Bom dia — exclamou, entrando e indo até Henry e lhe beijando o topo da cabeça.
— Olha só quem resolveu acordar! Você tem ideia de quantas vezes eu te chamei?
— Não, mas você deveria ter tentado com mais afinco. — repreendeu Regina a olhando de lado e fazendo um movimento com as mãos, que sugeria deixar o assunto pra lá.
Emma estava fazendo ovos e Henry estava, ainda sonolento, sentado na bancada. Regina sentou-se ao lado dele.
— Eu… — Regina olhou para a xícara de café que Emma colocou na frente dela. — Prefiro chá.
— Mas sempre começa o dia com café! — observou a loira.
— Pois hoje eu quero chá preto, torradas e ovos quentes.
— Mas você gosta deles mexidos.
— Preciso de um pouco de variedade na minha vida.
— O que você quer dizer com isso?
— Apenas que quero ovos quentes e chá preto! — Exaltou-se Regina. Henry olhava de uma para outra, confuso e assustado pela atitude das mães, que nunca brigavam. Pelo menos era o que ele pensava.
— E ovos quentes e chá preto constituem “variedade na vida”, agora?
Irritada, Regina olhou diretamente para Emma.
— Você tem alguma coisa contra chá e ovos quentes?
— Não. Mas tenho com o fato de você querer “variedade na vida”, pelo menos do jeito que eu estou pensando.
— Desnecessário seu comentário, Emma. — Regina levantou-se, andando em direção as escadas de onde recentemente tinha vindo. Henry já estava totalmente desperto à esta altura.
Emma bufou alto e cochichou perto dela:
— É aquele dia do mês pra você também, não é?
— O quê? — Regina parou, virando para encarar a loira que estava parada na porta da cozinha segurando um pano de prato e uma xícara de chá preto fumegante.
— Tenho certeza que é. — Ela aproximou-se da morena, pondo a xícara em sua mão. — Porque eu só tenho essa vontade de torcer o seu pescoço nessa época, quando você fica insuportável. — Lhe deu um selinho.
— Você não é a melhor companhia do mundo também, Swan. — Respondeu Regina, enquanto voltava para a cozinha e sentava novamente ao lado do filho.
— E aqui vamos nós de novo… — Emma rolou os olhos, respirou fundo e seguiu a morena.
— Mãe, podemos assistir Toy Story hoje a noite? — questionava Henry com a voz abafada pela camiseta que Emma lhe vestia.
— Depois que você fizer as atividades da escolinha, podemos sim. — Ela lhe deu um beijo na bochecha. — Agora vá calçar os sapatos que eu já volto para nós amarrá-los juntos.
— Mas eu já sei amarrar os sapatos sozinho, mãe. Eu já sou um homenzinho! Já tenho uma mão cheia e começando a completar a outra. — Ele estica as mãozinhas, mostrando-lhe seis dedinhos. Emma pega suas mãozinhas e as beija.
— Ok, homenzinho! Agora vamos logo com isso antes que a sua mãe brigue com…
— EMMA SWAN! — Mal Emma termina de falar e o grito de Regina é ouvido por ambos, e provavelmente pela vizinhança inteira. Os dois se olham assustados.
— Ihhh mãe, você tá ferrada! — Henry faz uma carinha fofa.
— Por que diz isso, garoto? — Pergunta indo em direção à porta.
— Ela te chamou pelo nome inteiro. — Ele responde simplesmente, dando de ombros. Emma olha para o menino e aponta para o quarto, pedindo silenciosamente que ele não saia dali.
— Sim, senhora. — diz ele e ambos sorriem antes de Emma se dirigir ao quarto do casal.
Regina não estava no quarto. Emma vai no próximo lugar plausível para ela estar: banheiro. Vagarosamente aproxima-se da porta. A morena usava a jaqueta de couro bege dela, um jeans, blusa grossa de gola preta e botas de cano baixo. “Ela enlouqueceu? Por que está vestida com minhas roupas?”. Estava de costas, e em suas mãos pendia uma camiseta branca. Dessas que se coloca sob camisas sociais, fardas e coisas nessa linha. Ao sentir a presença da loira, Regina vira-se lentamente, e na mesma velocidade aproxima-se. Como se fosse um animal aproximando-se de sua presa, esperando o momento certo para dar o bote. O olhar matador nos olhos castanhos faz a loira recuar um passo.
— Que porra é essa, Swan? – Ela chacoalha a blusa freneticamente no rosto de Emma, que fica sem reação. “Do que ela está falando?”. Contudo, ficou sem reação tempo demais.
— Perdeu a língua, Swan? Na boca da sua amante, talvez? — Todo o corpo de Regina tremia de raiva, de ódio, de gana, e todos os sentimentos sinônimos da situação. Emma franze o cenho e avança um passo.
— Amante? Você enlouqueceu? Tá ouvindo o que tá dizendo?
— Então explica que porcaria de mancha de batom é essa na gola da sua camiseta! — Grita Regina. Emma respira fundo e solta o ar pelo nariz, com uma risada desacreditada junto. Isso irrita ainda mais a morena. Emma aproxima-se de Regina e toca-lhe os braços.
— Esse batom é meu, amor.
— Ah claro! — Regina sai do toque de Emma, dando a volta no corpo da loira. — E desde quando você usa batom, Emma Swan? Até onde eu sei, desde nunca! — Ela joga a blusa sobre a cama e põe as mãos na cintura. Emma já estava cansada daquilo tudo e toda aquela cena estava começando a lhe irritar.
— Usei ontem, num evento que teve no Departamento. Porém como não tenho hábito de usar e sou desastrada por natureza, quando fui tirar a blusa acabei encostando os lábios nela.
Regina a fitou por alguns instantes, antes de dar uma gargalhada alta. As mãos nunca deixando a cintura.
— Essa foi a pior desculpa do século, Emma.
— Quer saber? Você acredita no que quiser! Essa é a verdade! Se você não confia em mim, eu não posso fazer nada! E mais uma coisa, eu não tenho motivos para te trair Regina! Posso ser loira, mas não sou burra a esse ponto! — Ela virou-se, caminhando em direção a porta do quarto. No caminho, pegou um sobretudo preto de Regina que estava sobre a cadeira da penteadeira, sem notar que não era o seu. – Tô indo trabalhar. Vou no meu carro hoje e deixarei Henry na escolinha. Tchau. — Saiu, batendo a porta.
Regina fica atônita no quarto. Completamente sem reação. Porém sua raiva e seu ciúmes gritam dentro de si e ela não dá bola para a explicação da loira, saindo do quarto em seguida. Ela encontra a loira e Henry descendo a escada de mãos dadas.
— Henry, você vem comigo. — Ela fala do alto da escada. Os dois param no lugar e olham para a morena. — Eu vou te levar hoje.
— Mas a minha mãe…
— Não sei se você notou, mas nós já estávamos indo.
— Deixa que eu levo, Swan. — sibila grosseiramente, descendo os degraus que restavam para alcançar os dois.
Aquilo deixou Emma estática e fervendo de raiva. Regina ficava adorável quando tinha ciúmes, mas aquilo estava saindo de controle. Seus olhos ficam marejados, um misto de fúria e mágoa, e na mesma hora Regina se dá conta da merda que está fazendo. Emma larga a mãozinha do garoto, dá-lhe um beijo na cabeça e pronuncia encarando-a antes de descer as escadas rapidamente.
— Certo. Tudo bem. Como quiser.
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— Mamãe, por que a senhora falou daquela forma com a minha mãe? — questiona o garotinho repreensivo, enquanto Regina lhe coloca o cinto.
Regina respirou fundo, segurando a vontade de chorar e dando um beijo no menino.
— Não é nada, meu príncipe. — fecha porta e vai até o banco do motorista.
O caminho todo é feito em silêncio. Henry observava a mãe pelo espelho retrovisor e Regina observava a estrada, absorta em seus pensamentos. Tinha pegado pesado com a loira, muito pesado. Havia agido irracionalmente, por puro ciúme e tomada pela raiva. E agora se questionava sobre o que fazer para desculpar-se com a namorada.
— Mamãe, a senhora passou! — Grita Henry.
— Hã? — Regina volta do seu transe num estalo.
— Da escolinha, a senhora acabou de passar. — Regina vê a escola se distanciar pelo espelho lateral do carro. Liga a seta e começa a contornar o quarteirão.
— Desculpa filho.
Ela para em frente à escola, tira o menino da cadeirinha, beija-lhe o rosto e o deixa dentro da escola, saindo em seguida. Ao entrar no carro não aguenta e cai num choro compulsivo. Tudo vinha como uma avalanche agora que estava sozinha. Toda a culpa, toda a cena ridícula que fez, toda a desconfiança que teve e principalmente as palavras duras e amargas que disse pra Emma. “Deixa que eu levo, Swan.” Céus! Como pôde ser tão grossa a esse ponto?! Será que Emma iria lhe desculpar? E se não desculpasse? “Acho que nunca me perdoarei.”
Em meio a tantos pensamentos, limpou as lágrimas e encaminhou-se à Fazenda Mills. Quem sabe uma volta em Rocinante não clarearia suas ideias?
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— Filha! Que bom que chegou, eu tenho boas notícias! — Regina ergueu a cabeça em direção a Henry, que entrava em sua sala, alegre. Ele parou de fronte a mesa da morena e a analisou lentamente. — Por que está vestida com as roupas da Emma? Você esteve chorando?
Regina levanta-se e vai de encontro ao pai, que a abraça ternamente, sentindo o corpo relaxar em seus braços.
— Eu sou uma idiota, pai! Eu magoei a Emma. — Ela dizia num fio de voz.
Henry desfez o abraço e guiou Regina para o sofá. Sentou-se e Regina deitou com a cabeça em suas pernas, enquanto ele fazia carinho nos cabelos negros.
— Conte o que aconteceu, princesa. – Pediu com delicadeza
Regina contou tudo que havia acontecido naquela manhã, desde a hora em que acordara até a hora que chegara à Fazenda e tinha ido cavalgar. Henry escutava tudo atentamente, sem falar nada, apenas continuando com os carinhos nos cabelos da filha.
—... E agora eu estou aqui com o senhor e não sei como e onde Emma pode estar. Claro que eu sei que ela está no trabalho, mas e se ela estiver com alguém? E se…
— Pode ir parando, Regina! Olhe pra mim. — Ela prontamente senta-se ao lado do pai. — Você acha mesmo que Emma seria capaz de algo assim? — A morena abre a boca para falar, mas é interrompida. — Não responda, apenas reflita. Acha mesmo que depois de tudo que vocês passaram com Robin, com a sua mãe, com Henry, depois de toda a história de vocês, Emma iria pegar e jogar tudo para o alto apenas por uma noite com outra pessoa? Regina, aquela mulher é louca por você! Ela é louca pelo filho de vocês! Não estrague tudo isso por um momento de ciúmes. — Ele deu um fraco sorriso.
— Filha, converse com ela mais tarde. Tenha calma e paciência. Você não sabe o quanto é parecida com sua mãe nesse aspecto. — Ambos sorriem. — Eu tive uma ideia! Hoje o Henry dorme lá em casa, assim vocês poderão conversar com calma e terem mais privacidade. Amanhã você o busca na escola. Combinado? — Regina nada responde, apenas abraça o pai com se fosse uma criança com medo de algo.
— Obrigada! Você é o melhor pai do mundo! — Ela beija a bochecha do velho senhor por longos segundos.
— Agora me conta… — Ele começa divertido. — Por que você está com as roupas da Emma? — Ele lhe sorri abertamente, arrancando um sorriso acanhado da filha.
— Sinceramente? Nem eu sei!
Há alguns quilômetros dali, a Tenente Swan não conseguia se concentrar em nada que tinha para fazer. E para piorar ainda mais sua distração, o cheiro de Regina estava fixo no sobretudo que vestia. “Maldita! Por que eu simplesmente não consigo sentir nada, há não ser amor, por você?”. Emma resmungava carrancuda quando Alexa bateu à porta.
— Toc. Toc. Eu posso? — Ela aponta para dentro na sala, sorrindo. Emma apenas aponta a cadeira a sua frente. — Está tudo bem? Você parece chateada com algo… — Ela pergunta enquanto senta-se.
— Com alguém, no caso. — Responde Emma bufando, apoiando os cotovelos na mesa e a cabeça sobre as mãos.
— Regina Mills. — Emma apenas assente, sem olhar para a mulher a sua frente. — O que houve, Emma? Ainda aquela história com a ruiva da boate?
Alexa era o mais perto de uma amiga que Emma tinha. Apesar de não contar-lhe tudo sobre sua vida, Alexa sempre estava ali quando Emma precisava e vice e versa. Vez ou outra trocavam confidências sobre suas namoradas ou suas vidas no Departamento. Era algo bom, uma amizade leve e sem cobranças. Aquele tipo de amizade que você sabe que por mais que não se abra totalmente, que não fale com a pessoa todos os dias, ela sempre estará ali para te ajudar.
— Algo nessa linha. — Emma conta tudo que aconteceu e tudo que sentiu com cada fato ocorrido. Algumas lágrimas começaram a banhar seu rosto. Alexa segurou as mãos de Emma sobre a mesa.
— Emma, calma! Regina errou feio, sim. Mas ela agiu dessa forma por impulso. Eu acho que hoje à noite vocês devem conversar com calma. Não deixem que isso atrapalhe de alguma forma a relação de vocês. Regina é uma mulher ciumenta, possessiva, impulsiva e você sabe disso. E você não é muito diferente. Tenha paciência com ela, e eu tenho certeza que ela se deu conta da burrada que fez e está louca para chegar em casa e se desculpar com a senhorita. — Alexa pisca para Emma, que dá um sorriso acanhado.
— Será? Hmm... Obrigada Lex! — Emma aperta as mãos da Detetive nas suas, sorrindo.
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Regina estava na cama, apenas com um babydoll e uma calcinha pequena, ambos pretos. No seu colo, repousava o notebook com uma página da internet aberta em um site de notícias sobre a cidade. Enquanto navegava pelo site, uma imagem lhe chamou a atenção. Era uma foto dos militares do Departamento de Polícia de Chicago, num evento em prol às crianças de um orfanato. Parecia que alguns soldados tinham sido condecorados por uma boa ação para com as crianças, — “Que diabos é isso? Por que Emma não me falou nada?” — porém não era isso que chamava a atenção de Regina.
Seus olhos fixaram-se na loira fardada em pé, na última fileira de militares. Ela clica na foto e dá zoom no rosto de sua amada. O rosto de Emma, em alta resolução, preenche a tela do notebook e a consciência de Regina pesa um pouco mais. A loira tinha um sorriso contido, sem abrir os lábios, que continham a mesma coloração do batom que Regina havia encontrado na camiseta dela.
“Droga Regina! Droga!”. É claro que ela tinha acreditado em Emma, porém apenas no seu subconsciente. E agora, vendo a imagem da loira com os lábios pintados, era como se sua subconsciência tivesse nocauteado toda sua mente.
Ela desliga o notebook, coloca-o de lado e fecha os olhos, encostando a cabeça na cabeceira da cama. Ficou alguns minutos assim até ouvir alguém no quarto, quando abriu os olhos rapidamente.
— Desculpa, não queria te assustar, achei que estava dormindo. — Responde a loira tirando o sobretudo, porém sem olhar a morena nos olhos. — Onde está Henry?
Regina encara a loira, seguindo-a com olhos de um lado para o outro enquanto ela larga suas coisas pelo quarto, antes de responder.
— Na casa dos meus pais.
Emma acha estranho o garoto dormir nos avós em plena terça-feira, mas não questiona.
— Ok. Eu vou tomar banho. — Ela vai em direção ao banheiro, mas é interrompida por Regina, que levanta e segura-lhe o braço.
— Espera… — Finalmente Emma a olha nos olhos. Fitam-se por alguns segundos. Seus olhos refletiam os mesmos sentimentos: dor, mágoa, tristeza, mas aquele brilho do amor ainda estava presente, tanto nos castanhos, quanto nos verdes. – Precisamos conversar. — Completa Regina, sussurrando. Emma dá um longo suspiro e beija a testa da morena.
— Posso tomar um banho primeiro? — pergunta derrotada. Regina apenas assente com a cabeça, soltando o braço da loira que entra no banheiro.
Após um tempo, ela sai do banheiro vestindo uma regata e uma cueca box feminina, ambas em branco, secando seus cabelos loiros despreocupadamente com a toalha, enquanto Regina caminhava pelo quarto, tamanho era seu nervosismo. A loira senta-se na cama, mantendo uma distância da morena, que senta-se também, e continua a secar os cabelos.
— Pode falar.
— Emma, eu… — Regina havia treinado aquele discurso o dia todo, mas parecia que as palavras haviam simplesmente sumido. — É… Me desculpa. Eu… Eu não sei muito bem o que falar. Eu errei muito contigo, e eu quero consertar isso. Eu quero arrumar essa bagunça, quero me desculpar com você, eu… Quero que nada mais atrapalhe nossa relação. Eu prometo que irei me controlar mais, controlar meu ciúmes, minha impulsividade, minha falta de paciência. Prometo que serei uma pessoa melhor, para você e para o Henry. — Emma tinha terminado de secar os cabelos. Estava de frente para Regina, apenas a olhando, sem esboçar nenhuma reação.
— Em… Me perdoa… Me desculpa, eu… — Ela é interrompida pelos lábios da loira, que a calam num beijo calmo e cheio de carinho. Ao final dos beijos, elas sorriem como bobas. Emma cola sua testa na da morena, que continua de olhos fechados, apenas aproveitando os carinhos da loira em sua face.
— É claro que eu te desculpo, meu amor. Na verdade acho que não tem muito o que falar, deixamos os hormônios nos dominarem e agimos por impulso. — Emma lhe deu um selinho. – Mês que vem eu fico a semana toda no meu apartamento. — Comenta divertida. Regina abre os olhos e se afasta levemente de Emma.
— O que? Por quê?
— Ué, para o Henry não ficar órfão de uma ou das duas mães, amor. — Emma ri, acompanhada de Regina, que lhe dá um tapa no braço. — Ai amorzinho. Ta vendo? Isso prova o meu ponto. — Emma faz beicinho.
— Larga de besteira, Emma. A senhorita vai ficar aqui, bem grudadinha em mim. — Regina se joga nos braços de Emma, fazendo com que caiam deitadas na cama.
— Bem grudadinha? Tipo assim? — Ela abraça a morena fortemente, mas era um forte bom. Era gostoso e aconchegante depois de todos aqueles momentos de desavenças e tensão.
— Isso! — Ela beija Emma, que corresponde. O beijo é cheio de carinho, amor, saudade, ternura.
— Regina? – sussurra Emma contra a boca dela – Não esqueça que não se trai quem se ama. Seja qual for o tipo de traição. E adivinha?
Regina a olha profundamente, emocionada.
— Você me ama?
— Sem dúvida alguma.
— Eu também te amo, Em.
— E enquanto tivermos isso, não precisamos de mais nada.
— Nem daquela torta de chocolate da padaria da esquina? – brinca Regina sorrindo.
— Temos aquela torta?
— Pensei que um suborno seria bom.
— Você estava completamente certa! – garante Emma lhe dando beijos pela face e pelo pescoço. — E podemos assistir Sex and the City? Faz tempo que não assistimos.
— Daqui uns tempos você vai saber de cor cada frase.
— Sorte sua. Porque no momento eu só tenho o roteiro d’O Rei Leão na ponta da língua.
— É, acho que prefiro Sex and the City. – disse Regina rindo contra o peito da loira.
— Combinei de assistir Toy Story com Henry hoje. – lembrou Emma entortando um pouquinho a boca.
— Garanto que ele prefere ficar com o meu pai do que com a gente. Ainda mais nesses dias. E ainda mais depois de sábado.
— Você acha que ele ainda está assustado?
— Não. Mas ele tem uma sessão na quinta.
— Menos mal. Esse garoto não precisa dos nossos problemas...
— Ele chamou minha atenção hoje pela discussão com você.
— Sério? – sorriu Emma orgulhosa. Aquilo significava muito pra ela. Que Regina a amava ela tinha certeza, mas saber que Henry havia feito aquilo lhe aqueceu o coração. – Ele vai ficar igualzinho você daqui alguns anos. Será que eu aguento?
— Ele está ficando igualzinho você, isso sim. E se aguento vocês dois, você também aguenta. E falando nisso, por que você não me contou da condecoração?
Emma resmungou baixinho.
— Não era nada demais, Regina.
— Era sim!
— Não, não era. – disse ela levantando-se e se encaminhando para a porta do quarto.
— Onde você vai?
— Se vamos começar outra discussão, vai ter que ser com um pedaço daquela torta.
— Eu vou com você! E eu mereço o pedaço maior.
— Claro que não! Você comprou a torta pra mim!
— Quem disse?!
— Você, ora!
— Significa então que você está aceitando suborno, Tenente?
— Se ele me deixar do seu lado, sim.
Regina a enlaçou pela cintura e a beijou apaixonadamente.
— Acho que se formos passar o resto da vida assim, eu não vou ter do que reclamar muito.
— Você sempre reclama.
— E é por isso que você gosta de mim! – gargalhou Regina descendo as escadas.
Emma ergueu as mãos, rendida, e gritou uma contradição seguindo-a para a cozinha. Brigar com Regina era sempre desafiante e ela não concordaria explicitamente com a morena, mas ela estava certa. Se fosse sempre assim, elas não teriam muito do que reclamar.
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