Maçã Do Éden
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As maçãs tocaram os beiços nus. Enganados e cheios de duvidas que antes não existiam, foram expulsos. O Inferno, uma ilusão pela qual passaram, o Éden, a realidade da qual nunca saíram.
A Serpente envolve os corpos nus, envenena os corações puros. Foi Lúcifer, na Floresta, que os abraçou, que os traiu. O ódio envolve os corações agora impuros, corre pelas veias mansas, corrói a sanidade.
A discórdia mata Adão, arranca-lhe o coração, devore-lhe por inteiro. A vontade de vingar-se cresce em veia, deixa ela mais forte, porém cada vez mais cega.
O Éden começou a morrer. Era como se o Inferno corroendo-o por dentro, a ilusão estava tomando conta de realidade. Com o tempo anjos e arcanjos deixaram de pousar naquele Éden infernal.
Eva estava obcecada pela vingança. Ela passava os dias sentada de baixo daquela arvore, cantando, com uma suave voz, para os animais, que aparentavam estarem mortos.
Sua canção dizia o seguinte:
Tragam uvas negras
Tragam festas e flores
Tragam compositores
Tragam sensos e odores
Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeja pra mim
E os animais ouviam a canção, com uma felicidade mórbida, como se fosse uma ordem.
Os dias foram passando, Eva continuou a cantar e os animais continuaram com sua felicidade mórbida. Eis que um dia sete cabras foram até Eva, cada um com uma bandeja, e em cada bandeja haviam partes do corpo mutilado de Lúcifer.
Eva se encheu de alegria, mas não percebeu que, longe de toda ilusão, longe do Inferno, na verdade, a mutilada era ela.
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