MVSI
3 Cheiro da morte
Notas iniciais
—Minha vida é uma merda. –Comentou Duck sentando no canto da parede na prisão do calabouço do Império.
—Anime-se, a gente ainda tem chances de sair. –Disse Zero que segurava nas grades tentando olhar para o corredor. –Eu espero.
—Não acho que tenham. –Disse uma voz da prisão mais a frente. –Pelo menos eu não terei.
—Quem é você? –Perguntou Zero curioso.
—Mão mexe com capeta não, Zero!!! –Disse Pensiu que riscava a parede com as unhas a cada minutos que passava. –E desista dessa ideia de sair, Lucy deve estar lá no palácio toda rica e feliz apenas por que tem a miséria de um colar do sol.
—Entendi, ela é a salvação. –Comentou a voz da outra prisão.
—Que merda é essa de salvação? –Se levantando do chão e indo até as grades para ouvir melhor.
—Uma peste negra foi jogada no Império, como se aqui já não fosse um lugar extremamente frio, muitos adultos e crianças morreram. –Com um suspiro de alivio, continuou. – E então acharam uma feiticeira em uma caverna que. –Interrompida por Pensiu que cantava “uma bruxa uma feiticeira, ela é demais ♪♫”. –Como eu estava dizendo, que a acusaram de magia negra e a capturaram.
—Peste negra, magia negra, quanto racismo. –Disse Duck. – Como se tudo que fosse negro fosse ruim.
—Huum, você adora umas coisas negras, não é? –Pensiu trocando uns olhares com Duck.
—De onde eu vim...
—Certo, ninguém liga. –Zero estava encarando Duck. –Continue, o que aconteceu com essa feiticeira?
—Será morta ao meio dia.
Ficaram pasmos já imaginando ter o mesmo futuro, quando.
—Mas por que Lucy seria a salvação? –Pensiu estava com inveja, ao mesmo tempo em que estava de Lucy, estava de Deba imaginando-o em um trono usando uma coroa de rei.
Mas enquanto isso.
—Minha vida é uma merda. –Comentou Deba que estava amarrado pelos pés de cabeça para baixo na praça principal dos MADS.
—Eu acho que tudo isso poderia ser evitado se não tivesse desrespeitado minha majestade, mas de outra forma, será como um exemplo do que terá por vir. –Disse Zé agachado no chão acariciando o rosto de Deba até ser mordido. –Realmente, tudo poderia ter sido evitado caso não houvesse encostado nela.
—Não me arrependo, e que história é essa de ser um exemplo? –Cuspindo no chão após ter mordido Zé o que não deu muito certo já que estava de cabeça para baixo.
Com um sorriso no rosto, Zé se levanta e. –Habitantes do MADS, venham ver! Esse pirata ousou invadir o castelo do rei para mata-lo, o que devemos fazer com ele? –Andando de um lado para o outro enquanto observava Hemy que estava no meio do povo usando uma capa preta com sangue no canto de sua boca e o olho roxo.
—Mata mata mata!! –Gritava Mizu com a mão erguida.
—Pra que isso? Aposto que é tudo mentira mesmo. –Argumentou NICK que desde criança, andava ao lado de Mizu que por não ter mascote, ele acabou virando o seu.
Sem ter o que responder a NICK, e com o rosto sério, Mizu apenas o chuta.
—Mata esse aqui também!
E os gritos continuavam. Grande parte o observava perplexo enquanto os outros gritavam cada vez mais alto pedindo a morte de Deba.
—Que assim seja então! Ao meio dia essa pobre e podre alma estará queimando no inferno. –Subindo as escadas do balcão onde se encontrava Zé e Deba. Lá estava Romanov, o novato do reino. Havia chegado inconsciente boiando pelas ondas do oceano segurando uma cruz e uma bíblia em suas mãos, até seu corpo ser deixado pelas ondas, na areia atrás do castelo onde foi encontrado por Zé que o deixou viver contanto que ensinasse a aquele povo a religião ao contrário.
O que era considerado ruim na bíblia ficou bom.
Para entrar no reino pelo mar, não era qualquer um que pudesse passar. Quem pudesse saberia e passaria tranquilamente, enquanto quem não pudesse, caso tentasse, Moon, filha de Luna, descendente do colar de lua (sendo o contrário de Lucy) impediria.
Uma bela sereia com uma voz tão doce capaz de apaixonar qualquer homem qual a ouvisse cantar. Levava-o para o fundo do mar para lá o afogar.
Se Moon o deixou chegar até o MADS, deveria ter um bom motivo, ou apenas quis, nem sempre as sereias se importam com quem passa.
Mas enquanto isso nos calabouços do Império.
—Ninguém manda não se comportar direito. –Disse Dusk com a armadura e aparência de Mikado que puxava Bunny da prisão entregando-a para Caleb, um viking que provou ser o mais forte entre todos do Império, com exceção de Mikado. –Leve-a para o centro do Império, essa feiticeira merece morrer em publico! –Agora observando Caleb inquieto por estar recebendo uma ordem levando-a para fora do calabouço.
Em questão de segundos, sua aparência se transformou em pó, voltando a ser ele mesmo e se aproximando de Zero, ainda atrás das grades.
—Saudade de você, se lembra de mim? –Perguntou encarando-o. Dusk era o responsável para entregar as fofocas no ouvido do rei sobre seu próprio reino e, além disso, era ele quem entregava as suas cartas, ou melhor, agora as de Zé.
-Miserável! Achei que fosse do outro reino.
—Eu sou dos dois, afinal.
—Mas é impossível sair de um reino para ir ao outro. –Zero estava cheio de pensamentos em sua mente. –Você é um traidor de um dos reinos!
—Talvez, entenda, tenho meus interesses, fico no lado de quem me oferecer mais e em troca dou meu serviço. –Se afastando das grades. –Ah, mas você entende, não é mesmo? Era apenas um trabalhador antes de virar um temporário pirata esperanto ganancia em suas mãos. –As velas do corredor se apagaram como num sopro enquanto Dusk se afastava mais e mais se misturando com as sombras.
—AI QUE MEDO, VAMO TUDO MORRER! –Gritava Pensiu. –Deba estaria rindo de nossas caras!
Mas, Deba estava em uma situação pior, de um lado Kask com os olhos fechados serrando-o no meio e no outro Karlo ajudando-o com isso.
Seus gritos de dor eram arrepiantes, todos em sua volta tremiam com exceção de Zé e Hemy que pareciam ter prazer em ver o sofrimento dele.
Mizu colocou suas mãos em cima de seus olhos, tampando-os evitando-a de ver a cena horrível a sua frente como muitos, mas no seu caso, a curiosidade tomou conta de si e abriu um espaço entre seus dedos para ver o sangue de Deba escorrer até sua cabeça.
—Eu não aguento ver esse sofrimento! –Disse Tsuki que estava o tempo todo usando uma capa cinza ao lado de Hemy. –Majestade, podemos voltar para o castelo? –Sussurrando perto de seu ouvido para que ninguém soubesse que as duas estavam lá.
-Claro que sim, Zé se esqueceu de alimentar a Shi. –Lançando olhar para ele.
Zé que estava toda hora a observar as duas, novamente ergueu seu tom de voz e. –Estão vendo?! É isso que acontecerá com os traidores do reino e quem ousar sair sem a permissão do rei! –Em seguida apontou a mão para Kask e Karlo como sinal para pararem de serrar o falecido Deba e em seguida lançou o olhar para Romanov.
Após Romanov aproximar de seu corpo, passou os dedos em seu rosto e experimentou seu sangue. –Nos vemos no inferno, pirata. –Em seguida se levantou e com o resto do sangue em seus dedos, em sua barriga desenhou uma cruz com a ponta pra baixo e gritou. –Em nome do pai do filho e do espirito santo, vai embora coisa ruim!
Todos entrelaçavam seus dedos e fechavam seus olhos como Romanov havia ensinando-os. Orar a deus? Errado, não era, mas eles não sabiam disso.
Com as mãos e as roupas cheias de sangue, Kask vomita nas escadas sem pensar duas vezes e sem enxergar, Karlo descia-as o que acabou com uma catástrofe, Karlo quebrando os ossos da coluna.
Infelizmente, poucos repararam no que havia acontecido, já que estavam voltando a seus afazeres e quem reparou não se importava, era apenas um camponês que estava morrendo.
Kask ficou apavorado e correu para buscar ajuda de Mizu e NICK que já estavam no bar.
Pulando no chão para não ter que descer as escadas onde se encontrava o corpo de Karlo agonizando, Romanov em seguida olhou para ele segurando sua bíblia e dizendo. –Isso que da fazer o mal às pessoas, todos nós nos ferramos, mas espero que você tenha a sorte de ter uma segunda chance. –E orou para ele o que chamou a atenção de Zé, já longe da praça.
—Amém. –E ia se virando de costas, quando Zé encostou a mão em seu ombro e o apertou.
—Sinto muito, mas assim você não poderá voltar. –Então se aproximando de seu pescoço, Zé da um assopro e depois suga o ar trazendo junto sua juventude. –Sinto lhe informar, mas sua igreja esta prestes a pegar fogo e nessa idade senhor? Acho que não vai conseguir nem sair daqui.
Zé ouvia a voz rouca de Romanov pedindo perdão já de longe, mas sem se importar, em um estralo de seus dedos, Romanov teve um infarto.
Continuou então a andar, indo em direção à igreja que o reino havia construindo após a chegada de Romanov, enquanto avistava Tsuki e Hemy indo em direção ao castelo sem perceber que Flauzem o observava escondido logo atrás.
Voltando para o império, já era meio dia e Caleb se aproximava de Mikado tendo em seus braços Bunny amarrada.
—Como já chegou aqui? –Perguntou Caleb confuso.
—Do que estás falando? –Respondeu Mikado, pegando de seus braços Bunny que se rebatia.
—Esquece apenas a amarre ai logo! –E assim foi, Mikado a amarrou em um moinho de água.
—Que isso? –Perguntou Caleb. –Por que a amarrou nesse troço?
—Não me pergunte, é uma forma de tortura criada por Oyaho, estou apenas cumprindo as ordens.
—Reclama não, bicho fresco. –Respondeu Oyaho que se aproximava dos dois com lenha.
—Cala boca vocês ai tudo, botem fogo logo nessa bruxa! –Gritava Lars da janela do Palácio enquanto Lucy se aproximava dela e olhava pela janela.
—Qual o motivo de fazerem isso com ela?! –Perguntou assustada.
—É uma longa história, melhor deixar pra lá. –Observando um corvo se aproximar da janela. –É melhor você sair daqui, vá para os seus aposentos Lucy, agora! –Que Lucy ainda assustada, apenas correu dos aposentos de Lars, mas que ao olhar para trás, avistou uma jovem de pé na janela, parada frente a Lars prestes a pular em seus braços.
Mikado estava girando uma maçaneta que fazia o moinho girar com o corpo esticado de Bunny amarrado nele enquanto Oyaho tentava botar fogo nas lenhas.
—Não adianta Oyaho, hoje o dia está muito frio para tentar fazer isso logo aqui. –Observando a neve e as pessoas ao redor. –Eu tive uma ideia.
Lucy estava passando pelo corredor real quando Caleb a puxa pela mão. –Vou finalmente precisar lhe usar.
O duplo sentido assustou ainda mais Lucy, mas de repente ela se viu frente à Bunny que não gritava de ódio, mas apenas ofendia a todos.
—Se é para ter um colarzinho de sol, saiba usa-lo. –Segurando o colar do pescoço de Lucy.
—Eu sei usar. –Dando um tapa na mão de Caleb. –Agora me diga como estão os meus amigos e eu te ajudarei, contanto que me leve para vê-los após isso.
—Tudo bem então, mas enfim. Esquente o clima, está tão frio que não conseguimos fazer fogo.
—Verdade, esquenta ai. –Comentou Vini com uma cerveja na mão no meio do povo. –Já nem sinto mais meu pau.
...
—Eu preciso sair daqui, agora! –Zero puxava as grades como se quisesse arranca-las fora até ver a pequena macaca de Duck fora das grades.
—Espera, nem lembrei dela! –Ei macaquinha, onde você esteve esse tempo todo?
—Macaquinha não, ela odeia ser chamada assim. –Argumentou Duck. -Acho que é por isso que ainda estamos aqui. –Sentando no chão novamente. –Ela estava aqui o tempo todo, mas como ela é pequena, ela pode sair e entrar a hora que quiser por causa do espaço entre as grades.
—Ei macaquinha, busque a chave daqui, busque! –Deixava a voz aguda e começava a falar com Keh.
—Ela já teria nos tirados daqui se você não parasse com isso. –Aumentando o tom de voz, já não estando tão paciente.
—Pede desculpas logo! –Aconselhou Pensiu que se meteu na conversa.
—Por que vou pedir desculpa a um animal?! –Respondeu Zero.
—Talvez por que eu não seja um animal. –Disse Keh agora em sua forma humana.
—Puta que pariu. –Foi o máximo que Zero e Pensiu conseguiram dizer até perceberem que a mão de Keh apontava para eles e as grades derretiam como se fossem parafina.
—Por mais que você seja ignorante, eu vou esquecer o que disse. –Comentou Keh. –
—Espera um pouco, você pode derreter tudo? –Perguntou Pensiu curioso.
—Exato, por quê?
—Porque não fez isso quando estávamos amarrados?
—Não quis.
—Na moral, vou matar ela. –Virando-se para Duck.
...
—Como ousa me enganar?! –Perguntou Lucy amarrada em um tronco.
—Sinto muito, mas a vida realmente não é justa, não é mesmo? –Disse Mikado enquanto Oyaho e Caleb colocavam lenha nos pés de Lucy.
—Caraaalho, que calor. –Comentou Vini que estava prestas a mergulhar no lago perto deles que estava congelado há décadas.
Enquanto isso, no MADS.
Hemy andava pelo corredor do castelo indo em direção a sua poltrona real, passando por um espelho que refletia o contrário de sua personalidade ou o que mantinha dentro de si, uma pessoa doce e bondosa.
Zé logo passou logo atrás de Hemy, tendo como seu reflexo um anjo de luz.
—Majestade, tem alguém aqui querendo lhe ver novamente.
—Sabe que não atendo mais ninguém, diga que o rei não pode falar com sei lá quem seja.
—O rei não é mesmo? Mesma desculpa novamente, está na hora de você criar outra. –Disse Shizuo se aproximando de Hemy enquanto Zé se afastava. –Tenho mais noticias.
Dusk observava de longe, ainda sim podendo ouvir toda a conversa e o tempo todo encarando Shizuo.
—Como assim eles ousaram dizer isso? –Gritou Hemy enquanto empurrava tudo a sua frente para descontar sua raiva. –Já não basta ter que jogar pragas neles, é preciso o que mais pra que parem de me encher?!
—Uma guerra. –Sentando-se na poltrona e segurando uma taça de vinho. –Prove o tão forte você é, esqueça essas mentiras, assuma o seu reino logo e derrote-os.
Hemy então ficou pensativa, mandou que abrissem todas as cortinas e os portões do castelo, quando começou a ter memorias do passado.
—Eu representei o meu pai no ano passado no tratado de paz.
—É eu lembro. –E não valeu pra nada.
—Eu levei a coroa e um escudo como entrega de paz e eles uma peça de xadrez e uma espada.
—A peça você usa até hoje em seus jogos, não é mesmo?
—Mas é claro que sim! –Hemy já estava mais calma com seu alto estima lá no alto, orgulhosa enquanto Dusk se segurava para não avançar.
...
—Sinto muito, mas chegamos tarde de mais, Kask. –Comentou Mizu, observando o corpo de Karlo sendo levado pelas ondas do mar. –Talvez as sereias possam trazer sua vida de volta.
—E se não fizerem isso? Eu pouco sei sobre sereias. –Enxugando suas lagrimas.
—Elas o devoraram. –Após Mizu terminar a frase, o corpo de Karlo foi puxado para baixo do mar como isca para peixe.
Enquanto isso...
—Podem botar fogo. –Disse Mikado.
Dito e feito, as chamas estavam cada vez mais quentes e espalhadas, mas que se apagaram com um sopro de Lucy, congelando tudo a sua volta novamente incluindo o lago onde Vini estava a nadar, deixando-o em baixo do gelo. Era possível ouvir o barulho de suas mãos batendo no gelo tentando quebrar por alguns segundos, quando parou significava que era tarde e havia chegado sua morte.
—Olha o que você fez?! –Respondeu Oyaho, correndo até o lago e tentando quebra-lo. –Agora sim vou ser uma pessoa feliz.
—Ora essa, sua. — Mikado foi interrompido por...
Descubra no próximo capitulo.
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