Eu poderia ter transado um milhão de vezes antes. Com Finn, eu finalmente sentia que tinha tido minha sonhada primeira vez. Com ele, a vida não parecia como um filme ou livro de histórias perfeitas. Com ele, a vida era bem melhor que tudo isso.

Antes daquela noite, eu havia passado milhões de horas pensando em como poderia explicar o fato de que eu não era mais virgem. Lembrei de todas as vezes que o impedi de me tocar por sentir vergonha do meu corpo e simplesmente não conseguia encontrar uma boa forma de contar que havia permitido que outro me tocasse. Eu sabia que ele iria descobrir, e isso me assustava mais que tudo.

Ele se sentiria enganado. Ele se sentiria traído. E ele teria razão em pensar assim.

Eu não podia contar a verdade. Finn jamais saberia sobre meu breve envolvimento com Liam. Ele não merecia passar por nada daquilo.

Em um dos inúmeros livros sobre sexo que li nos últimos meses, descobri que existem casos de garotas que apresentam peculiaridades ao perderem a virgindade: Elas não sangram como é o normal. Possuem características diferentes que fazem com que não sangrem... Não sei bem. Mas, de qualquer forma, não sou uma porra de uma ginecologista, então o conhecimento básico deve bastar. Eu já era cheia de problemas de saúde. Ninguém duvidaria que eu tivesse mais esse.

Esse é o único ponto que poderia me entregar. Afinal, eu não virei uma profissional do sexo de uma hora para outra. Continuava agindo exatamente como a mesmavirgem de sempre. Talvez eu ainda fosse psicologicamente virgem.E sóFinn poderia mudar isso. Somente ele e mais ninguém.

— Eu sei no que você está pensando...— Minha cabeça repousava sobre o peito de Finn.— Eu sabia que isso aconteceria. Meus médicos já haviam me alertado.

E que comece o plano...

— Do que você está falando, Rae?— Seus olhos brilhavam ao encarar os meus. Ele era tão lindo. Mal dava pra acreditar no que nós dois estávamos fazendo alguns minutos atrás. Eu poderia viver mil vidas e ainda assim não merecê-lo.

— Perder a virgindade... Sangrar... Essas coisas.— Aquele era um assunto vergonhoso demais para ser tratado abertamente.

Finn virou-se na cama e inverteu nossas posições. Agora por cima de mim, ele me encarava ainda mais fixamente e acariciava as bolinhas de gordura que eu chamava de "bochechas".

— Ei, não precisa explicar nada, ok? Isso não importa.

— É um problema de saúde! Sério!— As palavras saíram descontroladas pelos meus lábios.

Oh... Meu... Deus... Eu me entregava TANTO.

Finn escancarou ainda mais seu sorriso.

— Rae, está tudo bem. Eu sei que você era virgem.

Assenti, tentando demonstrar a vergonha que sentia naquele momento. Vergonha de mentir. Eu odiava mentir para ele, mas aquilo era extremamente necessário. Eu jamais ousaria estragar aquele momento.

— No que está pensando, então?— Perguntei, mais apaixonada do que imaginava ser possível.

— Estou pensando que você é perfeita. Perfeita para mim.

Finn me beijou com intensidade. O toque dele já havia se tornado natural para mim. Eu não temia mais. Havíamos quebrado essa barreira.

E além disso, eu era perfeita para ele. E eu sabia que ele me defenderia da formacomo eu havia aprendido a defender a mim mesma.

Tudo ficaria bem. Finalmente.