Notas iniciais
Gente, vamos lá. Sei que estamos falando de reis, rainhas, príncipes e princesas, maaas, eu decidi – tudo mentira, a verdade é que a preguiça que não deixou -, seguir as falas de acordo com a nossa, sabe, a fala atual mesmo. Ia dar muito trabalho colocar os personagens falando daquela forma antiga e tal. E também, eu queria montar uma coisa mais atual e ainda sim colocar a existência de reis e rainhas, por isso, não estranhem. Na verdade, eu só queria colocar o título de princesa na Lucy mesmo. Isso é tudo. AUSHUHASU’ Boa leitura! Mayu.

C a p í t u l o — I.

1 de Janeiro de ????,

Para meu precioso diário,

Escutai-me com atenção, essa é mais uma dose de palavras vindas do fundo do meu coração.

O que faço eu da vida? Quem sou? O que quero para mim? Quais são meus objetivos?

Para todas essas perguntas eu possuo as respostas bem guardadas dentro de mim, mas, infelizmente, não posso afirmar que são reais, afinal, desde que era pequena eu vivo sendo comandada por um cara que sempre que me ordena fazer algo, afirma ser tudo para o meu bem, ser apenas o melhor para mim e eu submissa apenas afirmo e faço, sem questionar.

Uma completa tola.

Será mesmo que é o melhor para mim? Será mesmo que é para o meu bem?

Os questionamentos permanecem presos e nunca são verbalizados.

Novamente devo ressaltar o fato de ser tola.

Ultimamente tenho me feito tais perguntas com mais frequência do que antes. Talvez o fato de eu ter atingindo tal faixa de idade, tenha me influenciado a questionar o que estão me impondo.

Sou uma adolescente, quase adulta e, continuar sendo comandada não é o que deveria me acontecer, mesmo que eu seja a princesa do reino de Fiore, ou melhor, principalmente por eu ser a princesa...

Um líder não pode nunca ser comandado.

Há muito venho pensado e observando, logo cheguei a conclusão de que continuar assim, sendo essa robô que age no automático assim que uma ordem lhe é enviada, não está de forma alguma correta.

Não posso deixar que me monopolizem. Devo reivindicar, me rebelar. Devo, acima de tudo, ser eu e não o que os outros querem que eu seja.

A rainha de Fiore deve ser um exemplo para seu povo, é claro, mas para que ela seja esse exemplo deve ser independente, deve caminhar com seus próprios pés e ir em busca de seus próprios sonhos, afinal, como ela poderá chegar para seu povo e dizer para que eles sigam a voz de seu coração, se ela não fizera isso? Seria hipocrisia. Sem contar que não haveria como eu obter firmeza em minha sugestão já que eu não saberia as consequências do que é seguir a voz do coração.

Para comandar um povo, para que eles sempre vivam bem, é necessário guiá-los por caminhos seguros e, como saberei se o caminho do coração é realmente seguro se esse caminho eu nunca tomei?

Você entende mais ou menos o que quero dizer, diário?

Ficou confuso, eu sei, mas, sinceramente, essa confusão não chega nem a um terço da confusão de minha mente...

Talvez eu esteja há um passo de muda totalmente. É chegada a hora de reivindicar. Deixar de ser a jovem insegura princesa tola, para ser a determinada e segura futura rainha de Fiore.

Bem, caro diário, por hoje é só. Volto em breve com mais confissões e questionamentos. Espero que não tenha se incomodado. Você é o único com quem posso contar.

Até logo!

L.H.

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[ Nos dias atuais ]

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Muitas vezes, quando uma pessoa acaba por lhe dizer algo absurdo, você tenta esboçar uma reação um tanto quanto afetada para que ela se toque do que lhe falou e acabe dando a volta por cima, dizendo ser mentira ou sei lá, mudando a linha de raciocínio para a qual ela está indo...

Outras vezes, quando lhe jogam uma bomba, você acaba ficando sem reação, já que de todas as coisas que poderia esperar, de forma alguma, algo do tipo estaria na lista.

Considere meu estado atual como um bastante equiparável a estes dois itens e, tudo por causa de uma notícia nada satisfatória a qual eu ainda tentava digerir, mas estava difícil...

— Isso só pode ser brincadeira! — Não pude deixar de lançar, após minha frase, uma daquelas risadas desdenhosas, afinal, era impossível uma coisa dessas acontecer logo comigo.

— Eu estou rindo, Lucy? Por um acaso uma vez você já me viu brincar com assuntos sérios? — Jude me lançara um olhar reprovador.

Quem liga para o fato de ele já ter feito piada alguma vez na vida? O que eu quero é que esta seja uma verdadeira piada. Um tipo de pegadinha ou sei lá o que! Pode ser tudo, menos uma verdade...

— É claro que isso é uma piada! — Ignorei-o, pois de forma alguma iria acreditar em tamanha barbaridade.

— Lucy Heartfilia, mantenha o foco e seriedade. Não há piada alguma. Você realmente irá se casar com o príncipe Eucliffe do reino Sabertooth em mais ou menos nove meses. — Continuou, soltando uma respirada impaciente.

Dessa vez, o riso desdenhoso que eu ainda emitia fora rapidamente cessado, pois assim que o “prazo” de minha união com o tal príncipe do reino vizinho adentrara por meus ouvidos, tudo o que eu supostamente tentava falhamente me fazer acreditar ser uma ótima piada de mal gosto, se dispersara pelos quatro ventos e em troca eu tive minha mente recheada de uma frase nada incentivadora:

Eu estou ferrada!

— No-no-nove meses? — Gaguejei e engoli em seco, bem como não pude deixar de esbugalhar meus olhos. — Isso não é mesmo uma piada, certo? — Tive que perguntar para ter certeza de que meu inferno pessoal estava prestes a acontecer. Ainda tinha esperanças de que Jude estivesse bêbado e me pregando algumas peças nada legais...

— Estou há exatamente meia hora tentando lhe fazer entender que não há piada alguma, Lucy. E sim, dentro de nove meses você estará casada. — Comunicou o senhor rei meu pai. — Gostaria de apressar as coisas, mas não há essa possibilidade, visto que há muitos acertos a se fazer. — O pesar em seu suspiro, fez-me soltar uma bufada inconformada.

Por mim esse casamento não sairia nunca! Never, nunquinha, jamais, nem que a vaca tussa e o boi vire unicórnio.

— Se isso não é uma piada, então só pode ser um pesadelo! — Qualquer coisa que não me fizesse ter de levar em conta de que é verdade, seria de grande ajuda e seria ainda mais perfeito se caso provasse ser tudo fruto de minha imaginação, tudo uma mentira.

— Você deveria encarar isto como um sonho, Lucy. Não é todo dia que uma moça consegue arrumar um bom partido para se casar. — Jude parecera satisfeito com sua escolha para genro.

— Um sonho? Encarar o fato de eu ter de me casar a força, sem vontade com um cara que eu não gosto como um sonho? Querido rei meu pai, em que mundo o senhor vive? — Ele só podia estar louco, meio torto das ideias!

— Sei que no momento está complicado para você digerir a notícia, mas com certeza com o tempo passará a adorar! — Tentou incentivar-me.

Okay, isso já é de mais!

Pasmada, chocada, abismada e acima de tudo inconformada. Essa é a melhor definição para meu atual estado.

Como num gesto bastante infantil e apenas para provocar meu pai, levantei minha mão como quem pede licença para manifestar-se e fazer sua pergunta. É claro que Jude me lançara um olhar ainda mais reprovador que o anterior, no entanto, quem disse que eu estava ligando?!

— Diga, Lucy. — Dada a permissão, só pude iniciar o manifesto de minha indignação:

— Em que momento, ano, mês, dia e hora você me perguntou se eu gostaria de me casar com o brucutu do príncipe do reino dos tigrezinhos mansos? — Perguntei, pegando pesado para poder aborrecer meu querido pai, afinal de contas, eu estava odiando essa nossa conversa mais do que qualquer outra que já tivemos e olha que nossas conversas nunca foram as mais pacificas e animadoras...

— Lucy Heartfilia, respeite o reino alheio para que nosso reino também seja respeitado! — As reprovações dele e nada, no momento, iriam ter o mesmo significado, seria a mesma coisa para mim.

— Sim, senhor meu rei. — Fiz uma reverência debochada como quem se arrepende de seu gesto. — Mas agora, vossa majestade, se me permite a palavra, eu gostaria de obter uma resposta satisfatória a respeito de minha pergunta anterior a qual repetirei para refrescar sua memória... — Fiz uma pausa e em vez de continuar com a voz debochada, passei para meu tom enraivecido: — Em que momento, ano, mês, dia e hora você me perguntou se eu gostaria de me casar com o príncipe Eucliffe?

— A junção dos dois só trará benefícios para nossos reinos. Pense no povo, Lucy. Nós queremos sempre o bem para os nossos e, se para que esse bem prevaleça tenhamos que abrir mão de coisas que julgamos ser importante, então abrimos, pois nada se equipara ao bem-estar de nosso povo. — Explicou como se discursasse em meio a todo o seu povo.

Levei alguns minutos para realmente me fazer crer de que havia ouvido exatamente o que minhas singelas orelhas de princesa captaram.

Tristemente, eu realmente havia escutado tudo corretamente, para meu completo pesar.

Em que momento eu posso dizer que essa foi a resposta mais absurda que eu já ouvi?!

É claro que só consegui acrescentar mais um nível de raiva em meu atual estado nada calmo, afinal de contas um pai dar um tipo de resposta dessas para uma filha é o cúmulo.

— Não queira colocar o povo no meio quando na verdade, você só está interessado em dinheiro, no que uma união dessas acrescentará a sua fortuna. Está usando sua filha para engordar o seu bolso... — Rebati, sentindo-me ofendida por ser tratada como se fosse uma mercadoria.

— Sem mais discussões, Lucy. Você pediu o porquê e eu lhe disse, agora apenas aceite o que seu pai escolheu para si. É para o seu bem. Um dia você me agradecerá por tudo o que lhe faço. Por todos os caminhos que lhe oriento a seguir.

— Você deveria ter tido um robô e não uma filha! — Foi a última coisa que disse antes de sair as pressas daquele cômodo. É lógico que não pude deixar de fazer o favor para Jude e fechar a porta num baque estrondoso que reverberara por todo o ambiente.

Raiva. Eu estava me sentindo irada! Como ele podia ter feito algo assim comigo?

É certo que por eu ser uma princesa minha vida acaba sendo diferente da vida dos plebeus, das pessoas comuns, mas mesmo assim...

Ao menos o direito de escolher com quem quero passar o resto de minha vida devia me ser concedido, afinal, um reino só vai para a frente se seus “Líderes” estiverem felizes e satisfeitos com a vida que levam...

Okay, isso não é de todo verdade, mas para mim é assim que funcionam as coisas.

Uma pessoa infeliz não seria capaz de comandar um reino de forma correta!

Além do mais, em que momento de minha vida entraria a parte em que eu encontro o rapaz que fará meu coração palpitar aceleradamente e me fará sentir borboletas no estômago? Ainda quero viver uma história de amor igual as que li nos livros que roubei na biblioteca de minha falecida mãe...

Ah! Minha amada mãe... Se pelo menos ela estivesse viva, talvez Jude não me entregasse de bandeja para uma família alheia apenas para encher os bolsos de dinheiro e fingir ser um bom pai e um ótimo líder para seu povo...

Choraminguei aos quatro ventos, afinal, uma princesa não tem a quem recorrer, afinal, ela vive afastada de tudo e todos. Pelo menos foi assim que Jude me criou. Sem interação com ninguém. Nada de conversas com os empregados, nada de visitas até a cidade. Eu vivo como uma princesa anônima. Acredito que se alguém perguntar sobre minha existência, pouquíssimos serão os que saberão dar notícias...

De toda forma, uma coisa eu não permitiria: Casamento arranjado não iria acontecer comigo. Eu iria cabular todas as regras impostas. Iria mudar todas as leis, se preciso for, pois nada me impedirá de ter um feliz para sempre.

Posso muito bem ser uma princesa tola por acreditar em finais felizes e em viver um amor verdadeiro, no entanto, estou disposta a seguir meus sonhos.

Jude Heartfilia não me fará casar com aquele príncipe idiota dos tigrezinhos babacas. Não me fará mesmo!

Eu há muito já fui a tola que apenas abaixa a cabeça e aceita o que lhe está sendo imposto sem maiores indagações, mas agora, bom, agora isso já basta. Já sou uma mulher, uma futura rainha e não vou simplesmente me deixar levar. Não irei seguir a cabeça dos outros. Se eu quero, então farei, se não quero não tente me convencer, não tente me persuadir.

A garotinha tola quase não existe mais, ou melhor, boa parte dela está trancada em um lugar muito difícil de ser obter acesso.

Notas finais
É, pois é, apesar de não ter recebido nenhum comentário, ainda sim cá estou eu postando o capítulo um. Espero que tenham gostado. Comentem! Nos vemos em breve! Mayu.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.