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═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Meireles estava relaxado no sofá, com os pés repousados no colo de Angelina enquanto ela os massageava. Daiana, ao lado, estava distraída com seu celular.

— A Joana ligou mais cedo, querendo confirmar se vamos para a cerimônia de cremação do Antunes. — perguntou Angelina.

Meireles endireitou um pouco o corpo no sofá.

— Eu vou sim. É importante ter um representante da Mulambo lá, né?

— Não é só por isso também, não é, meu amor? Tanta correria, tanta coisa para resolver... nem fui lá prestar solidariedade à pobre.

— Claro, você tá certa, falei foi bobagem. Não deve estar sendo nada fácil pra ela... Viúva, e ainda tendo o filho como suspeito do crime. — Comentou Meireles, ao se dá conta que foi inconveniente.

Daiana continuava em silêncio, até que Angelina se virou levemente para ela.

— Falando em Rodrigo, ele foi solto, né, Daiana? Veio aqui te procurar, e você nem me falou nada.

Daiana levantou os olhos do celular.

— Não falei porque não teve nada de importante, mãe. Veio me implorar perdão pelas bobagens que fez.

— E você, o que fez? — perguntou Angelina.

— Mandei ele embora e pedi pra sumir da minha vida pra sempre. Quer saber? Vamos mudar de assunto, que não tô muito afim de falar desse cara.

Meireles e Angelina trocaram um olhar silencioso. Daiana, se levantou e foi até seus pais, mudando de assunto ao mostrar algo no celular:

— Olha só o convite que eu recebi. A agência em que estou trabalhando vai promover um desfile em prol de uma ONG. Não vamos ter cachê, pois o dinheiro arrecadado será para ajudar uma instituição.

Meireles sorriu, satisfeito.

— Que ideia bacana, hein minha filha? Tá aí, gostei.

Angelina, conferia no celular da Daiana o convite falando sobre o projeto.

— Nossa, um trabalho muito bonito. Você vai participar, né, filha?

— Claro que vou. Agora à tarde vou lá na agência falar com a Frida e acertar tudo.


═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══

Ludmila estava esparramada no sofá, uma expressão de sofrimento estampada no rosto enquanto massageava as têmporas. Carla entrou na sala com um sorriso travesso.

— Bom dia, piranha!

— Fala baixo, pelo amor de Deus. Minha cabeça tá girando.

Ludmila gemeu em resposta, jogando uma almofada na direção de Carla, mas errando completamente o alvo. Carla deu uma risadinha, sentando-se no braço do sofá.

— Também, né, minha filha? Depois do que você armou ontem...

— Pior que não lembro de nada, Carla.

— Sorte sua! — Carla abriu ainda mais o sorriso. — Quando eu te achei, você tava no meio da boate, girando igual o pião do baú da felicidade e gritando que ia casar com o boy e ter uns cinco filhos!

— Mentira! — Ludmila arregalou os olhos. — Deve ter colocado alguma coisa na minha bebida. Não é possível...

— Como se precisasse de algo pra te deixar doida. Mas, e o boy? Já deu as caras?

— Ele tava online agora há pouco, mas nem falou comigo.

— Deve ter ficado assustado com o que viu, né? Manda uma mensagem pra ele, boba.

— Tá maluca? Vou parecer desesperada. Se ele quiser, ele que venha atrás de mim.

Ludmila sentou-se e pegou o celular que estava jogado ao lado.

— Viado! Tá online nesse momento!

— Manda só um "oi"!

— Mando nada! Ele deve tá lá, conversando com as piranhas dele.

Carla suspirou, pegando o celular das mãos de Ludmila num movimento rápido.

— Pelo amor de Deus, Ludmila, para de show! Dá isso aqui!

— Não, Carla, devolve!

Ludmila tentou pegar o celular de volta, mas Carla se esquivou com agilidade, digitando rapidamente antes de devolver o aparelho.

— Já mandei! Um "oi". Pronto.

— Eu não acredito que você fez isso! — seus olhos percorreram a tela freneticamente. — Ih, cárai, ele tá respondendo! "Bom dia, gatinha!". E agora o que eu respondo?

— Ué, deseja bom dia pra ele também.

— É melhor eu esperar um pouquinho, pra ele não achar que eu tô muito ansiosa. Ah não, mas o pauzinho já ficou azul, ele já sabe que eu vi a mensagem.

— Responde logo essa porra!

— Calma! — Ludmila começou a responder— "Bom dia, como você está?" Não, só bom dia mesmo tá bom. Ele não perguntou como estou. Ele tá respondendo.

—Humm, pelo o jeito ele gamou em você! — disse Carla, mal contendo a risada.

— Minha filha isso não é novidade, todo mundo gama em mim.

— Menos Ludmila.

— Minha nossa, mas que diacho ele tanto escreve? A redação do Enem?

— Deve tá procurando as palavras adequadas pra te impressionar.

— Palavras adequadas é o meu pinguelo. Porque ele não vai logo direto ao ponto?


═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══

Fabinho estava absorto no celular, os dedos rápidos e precisos enquanto digitava. Talita, em pé ao seu lado, segurava uma prancheta e observava atentamente.

— Triste isso que aconteceu, hein, Fabinho? Não dá nem pra acreditar.

Fabinho nem ergueu os olhos.

— Hum? Falou alguma coisa Talita?

— Falei sobre a morte do seu Antunes. Muito triste o que aconteceu.

Fabinho largou o celular sobre a mesa, o olhar agora mais atento.

— Muito triste, Talita. Mas a vida continua, e o nosso trabalho também. Faz um favor, não deixe ninguém chegar perto daquele depósito. Já pedi pra interditar todos os corredores que dão acesso lá. A polícia ainda não achou o culpado, então é melhor que ninguém mexa na cena do crime. Ah, nem no depósito e nem na sala do Antunes.

— Sim, senhor. Vou passar lá pra conferir.

Antes que ela pudesse sair, Rodrigo entrou no escritório de repente, com uma expressão de ousadia no rosto.

— Boa tarde, senhor Fábio Meireles Filho! Rapaz, você ficou muito bem aí na cadeira de seu pai. — saudou ele, com um sorriso irônico.

— Senhor Rodrigo, o senhor por aqui? — Comentou Talita, confusa.

— Tá maluco, Rodrigo? O que tá fazendo aqui? — Perguntou Fabinho, incrédulo.

— Eu trabalho aqui. Lembram? — respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Fabinho lançou um olhar rápido a Talita.

— Obrigado Talita, pode ir.

— Com licença!

Talita se retirou da sala deixando os dois a sós.

— Cara, você tá respondendo um processo por um crime que ocorreu aqui. Acho que não é uma boa você ficar zanzando por aqui, não. — disse Fabinho, alertando.

— Um crime do qual eu sou inocente. Fica tranquilo, Fabinho. Minha passada aqui hoje é rápida. Vou só ali na tecelagem conferir um detalhe.


═══🎭✦✧ Casa dos Meireles, quarto do casal ✧✦🎭═══

Meireles estava sentado em sua cadeira de rodas, observando Angelina enquanto ela se arrumava em frente ao espelho.

— Está linda! Precisa se produzir tanto assim pra ir trabalhar? Vou começar a ficar com ciúmes — disse ele, com um sorriso maroto.

Angelina se virou, rindo, e lhe deu um beijo rápido.

— Seu bobo, homem nenhum me interessa. Só você.

— A empresa agora vai ficar puxada pra você sozinha tomar conta. Queria estar lá pra poder te ajudar.

— Não se preocupe, meu amor, eu dou conta do recado. E outra, não vou estar sozinha. Você esqueceu que o Fabinho tá lá?

— Será que aquele moleque tá dando conta? — Meireles perguntou, inseguro.

— Seu filho é muito mais competente do que você imagina.

— Mas eu tinha que ir. É tanto detalhe para tomar conta, sem a presença do Antunes e eu esse tempo todo longe...

— Deixa de ser teimoso e procura descansar — Angelina respondeu com firmeza. — Daqui a pouco o fisioterapeuta vai estar aqui. Relaxa e se concentra na sua recuperação. Deixa que da empresa cuido eu.

Angelina deu um beijo em Meireles e saiu do quarto.


═══🎭✦✧ Enquanto isso na capela do Lar São Tarcísio.... ✧✦🎭═══

Irmã Rosália estava ajoelhada diante da imagem de Nossa Senhora das Dores, segurando o terço entre as mãos, enquanto murmurava uma oração fervorosa.

— Meu Deus, proteja o meu menino, o livra de todo mal. Não deixa que nada de ruim aconteça a ele. E que esse caso seja solucionado logo, para que a gente possa voltar a viver em paz.

Irmã Tereza, que havia entrado silenciosamente, aproximou-se e sentou-se no banco da primeira fileira, um pouco atrás de Irmã Rosália. Percebendo a presença dela, Irmã Rosália suspirou, ainda com o olhar fixo na imagem.

— Tô tão preocupada, Irmã Tereza, com tudo isso que vem acontecendo com o Gabriel. Ele saiu desde cedo. O Epaminondas, com aquele jeito filosófico dele, me disse que ele saiu para procurar mais uma peça do quebra-cabeça.

— A senhora acha que ele foi atrás do irmão?

Irmã Rosália levantou-se, fez o sinal da cruz e sentou-se ao lado de Irmã Tereza, visivelmente angustiada.

— Eu não sei. Essa persistência do Gabriel em investigar sobre a sua família... Tenho medo dos caminhos por onde ele tem andado.

Irmã Tereza franziu o cenho, confusa com a preocupação da colega.

— Irmã Rosália, a senhora tá suspeitando que o Gabriel possa ter alguma coisa a ver com esse crime?

— Eu sinceramente não quero acreditar nisso. Mas não vou mentir pra senhora, meu coração tá apertado.

— Por Deus do céu, Irmã, o Gabriel é um menino bom. Ele não seria capaz de fazer uma barbaridade dessas.

— Peço a Deus perdão e misericórdia por essas minhas desconfianças. Mas, Irmã Tereza, o que sabemos dessas investigações do Gabriel? Absolutamente nada. Ele sempre fez tanto suspense de tudo. Estava muito agoniado e ansioso para ir nesse desfile. Fez o que pôde até conseguir um convite.

— Que Nossa Senhora proteja esse menino, e o livra de todo pensamento ruim.


═══🎭✦✧ Tecelagem da Mulambo ✧✦🎭═══

O som rítmico das máquinas preenchia o ambiente enquanto os funcionários trabalhavam em seus postos. Rodrigo caminhava pelo local com passos firmes, mas percebia os olhares desconfiados e sussurros que o seguiam. Perto do bebedouro, Bira, um dos operários, bebia água e, ao notar Rodrigo, aproximou-se com uma expressão de curiosidade.

— Qual é, Gabriel? Vai trabalhar hoje não?

— Eu não sou o Gabriel, rapaz. — A voz saiu ríspida, seca. — Eu sou o seu patrão. E deixa de corpo mole, volte ao trabalho.

— Seu Rodrigo, me desculpe. É que o senhor é a cara do Gabriel, então a gente acaba se confundindo.

— Sei! Tome cuidado com essas confusões, pois o Gabriel não sou eu. Não vamos ficar aqui de converseiro, faz o favor de chamar o Juca.

— Claro, vou lá chamar ele. E meus sentimentos aí pelo seu pai, viu? Não deve tá sendo fácil.

— Muito obrigado. Só um conselho, rapaz: trabalhe mais e converse menos. Pode voltar pro seu serviço, eu mesmo procuro o Juca.

Rodrigo afastou-se, ignorando os olhares atentos de Bira, e logo localizou o supervisor, que estava verificando o alinhamento das máquinas.

— Tem que prestar bastante atenção pro fio não enganchar.— dizia Juca a dois jovens operários. — Já expliquei isso pra vocês.

— Você que é o Juca, o supervisor daqui? — indagou Rodrigo, aproximando-se.

Juca virou-se reconhecendo Rodrigo. Os demais funcionários trocavam olhares entre si.

— Sim, sou eu. Seu Rodrigo, como vai?

— Digamos que já estive melhor. Eu soube que o senhor foi quem procurou o Seu Meireles para falar sobre o suspeito da morte de meu pai?

— Sim, foi eu mesmo. Quando notei a semelhança entre os dois, achei que fosse o meu dever compartilhar a informação de que Gabriel também esteve no desfile.

— Primeiramente eu quero lhe agradecer por isso. E segundo: seu Juca, eu preciso que você me dê a ficha desse Gabriel e me conte tudo o que sabe sobre ele. Esse rapaz matou o meu pai e tá aproveitando da sua semelhança comigo, para que eu saia culpado na história. Preciso provar minha inocência.

— Claro, me acompanhe, por favor.

Os dois seguiram em direção ao escritório, mas ao cruzarem o corredor, Bira lançou um olhar furtivo, rápido. Rodrigo percebeu de relance mas hesitou e continuou seguindo.


═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══

Gabriel vinha entrando, tentando ser discreto, sem perceber os olhos atentos de Epaminondas que o observava à distância.

— Parecendo um gato sorrateiro, rondando à espreita — murmurou Epaminondas, sua voz quase um sussurro.

Gabriel deu um leve sobressalto.

— Que susto, Epaminondas! Você sempre surge do nada, escondido aí atrás dessas plantas.

— Estou aqui apenas cuidando do meu serviço. E você, o que tem aprontado?

Gabriel olhou ao redor, certificando-se de que ninguém mais os ouvia, se aproximou e desabafou com Epaminondas.

— Eu fui lá, na casa que você me falou.

— Eu sabia, você não iria conseguir conter a sua curiosidade. E então, o que descobriu?

— Tudo. Agora eu sei toda a história. Sei como vim parar aqui. A minha mãe nunca me abandonou, ela queria que eu estivesse com ela. Foi aquele maldito do marido dela que nos separou. Ele matou meu pai, Epaminondas....

— Caminhe devagar, meu jovem. A sombra que persegue é a mesma que você projeta. Tenha cuidado, você agora é suspeito de um crime.

— O padre Onofre já tá cuidando de um advogado pra minha defesa. Eu vou provar minha inocência, Epaminondas. E vou finalmente viver com minha mãe. Naquela delegacia, eu queria tanto ter abraçado ela... mas tive medo, medo de tudo isso que tá acontecendo. Sabe o que é querer sentir o afeto de mãe a vida toda, e quando finalmente você tem, não poder aproveitar?

— Reze meu filho... reze muito. Se você sabe a semente que plantou, já sabe o fruto que irá colher.


═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Meireles estava deitado em uma maca enquanto Edson, o fisioterapeuta, realizava exercícios com suas pernas, movendo-as com firmeza para cima e para baixo. Apesar dos movimentos, Meireles mantinha uma expressão abatida.

— Isso, o senhor tá indo muito bem. — disse Edson, com um tom paciente e animador. — Mais uma vez.

— Será que algum dia minhas pernas vão voltar ao que eram antes?

— Claro que vão. Elas só estão um pouco enferrujadas. Temos que pensar positivo, seu Meireles.

— Tô cansado de tanto pensar positivo. Você mexendo aí nem parece que são minhas pernas, não sinto nada.

— É assim mesmo. Os movimentos vão voltando aos poucos. Não pode desanimar. — Ele parou e deu um leve sorriso. — Por hoje é só. Amanhã a gente continua.

— Então acabou?

— Por hoje sim. Fizemos um bom começo.

Meireles bufou, tentando se erguer. A voz ganhou um pouco de sua antiga firmeza:

— Então me ajude aqui, doutor. Quero me arrumar e correr para a Mulambo.

Edson ajudou Meireles a se sentar na maca. Diná, estava ao fundo limpando os móveis.

— Diná, o Charles tá por aí? — perguntou Meireles, já buscando os sapatos com esforço visível.

— Tá sim senhor, tá lá em casa. O senhor já tá pensando em ir trabalhar? — perguntou ela, com genuína preocupação. — Não é melhor descansar um pouco?

— Desde que sofri esse acidente, não faço outra coisa na vida a não ser descansar. Quero voltar a me sentir útil.

Edson assentiu, já ajudando a calçar o sapato no paciente.

— É importante ele voltar às atividades.

— Ouviu? Recomendação médica.

— Tá bem, então, vou lá chamar o Charles.

Diná foi em sua casa chamar o marido, enquanto Edson ajudava Meireles a se preparar.


═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══

Will estava concentrado em alguns papéis na sua mesa quando Tony se aproximou, trazendo um documento em mãos.

— Olha só — disse Tony, entregando o documento. — Você pediu para eu pesquisar sobre a morte do Jurandir.

Will ergueu o olhar, interessado.

— Ah, sim. E o que temos aí?

Tony lançou um olhar para o documento antes de responder.

— Rita de Cássia Santos foi presa por dez anos, acusada de ter matado o Jurandir.

Will levantou-se da cadeira, pegando o documento das mãos de Tony.

— Deixa eu dar uma olhada. — Ele começou a ler o documento atentamente. — Mas, se foi o Antunes o culpado, por que essa mulher foi acusada?

— De acordo com o inquérito, as únicas digitais que apareceram na arma do crime eram dela.

Will franziu a testa, ainda examinando o relatório.

— Ela foi solta depois de cumprir mais de um terço da pena, em regime de liberdade condicional. Mas nunca conseguiu provar a sua inocência... Se é que de fato era inocente.

— Então você acha que a viúva pode estar mentindo ao acusar o Antunes?

— Não sei. Nesse inquérito, está registrado que Joana testemunhou em favor do Antunes. Por que só agora ela resolveu acusá-lo? Uma coisa é certa, Tony: para descobrirmos quem matou o Antunes, precisamos entender quem são realmente os seus inimigos. Nós vamos atrás dessa mulher.


═══🎭✦✧ Agência Mascarenhas Models ✧✦🎭═══

Um ambiente sofisticado, com fotografias em preto e branco de modelos em poses marcantes decorando as paredes. No centro, uma recepção minimalista ostentava o logotipo dourado da agência, enquanto modelos e funcionários transitavam.

No andar superior, o escritório de reuniões, separado por divisórias de vidro, oferecia uma visão panorâmica do espaço. Ali, Frida digitava concentrada no computador, enquanto Daiana folheava uma lista à sua frente.

— Viu aí a lista de convidados confirmados para o desfile? — comentou Frida, com um brilho nos olhos. — Temos gente importante vindo, mas também alguns que... bem, são apenas influências de internet.

Daiana soltou um risinho.

— Gente, que lista hein! Vai ter mais gente influente do que no desfile da Mulambo.

— Se não for pra arrasar meu amor, eu nem faço. Este desfile é uma oportunidade enorme para a Mascarenhas Models. Unir moda e filantropia é algo que o mercado adora, e vai consolidar ainda mais o nome da agência.

— E qual a instituição que vai ser beneficiada, você já tem em mente?

— Ainda não foi decidido. Mas estamos pensando em um orfanato, Lar São Tarcísio, acho que é esse o nome. É um lar gerido por freiras, mantido pela Igreja Católica, sem nenhuma ajuda governamental. Quero que isso tenha um impacto real, não só nas crianças, mas também na forma como nossa marca é vista.

— Tá aí, gostei. Sabe o que seria legal? Colocar algumas das crianças para entrar no final do desfile.

— Você acha que já não pensei nisso? Minha mente não para não meu bem. — apontou para a própria cabeça com um gesto teatral — Aqui dentro já tá tudo esquematizado, agora só colocar tudo em prática.


═══🎭✦✧ Em um estacionamento deserto... ✧✦🎭═══

Rodrigo em seu carro, os dedos tamborilando nervosamente no volante. O olhar inquieto vasculhava o estacionamento ao redor. De repente, ele viu Soraia surgindo à distância, caminhando com um sorriso largo em seu rosto enquanto ela se aproximava do carro. Sem hesitar, ela abriu a porta e sentando no colo de Rodrigo lhe deu um demorado beijo.

— Oi, bebê!

Rodrigo inclinou-se para trás, afastando-se.

— Entra logo, Soraia. A gente precisa conversar.

Soraia deu a volta no carro, abriu a porta do passageiro e sentou-se, ajeitando o cabelo enquanto olhava no espelho.

— Nossa, mas por que quis me encontrar tão longe assim?

— É melhor assim. Não quero correr o risco de sermos vistos juntos.

Soraia arqueou uma sobrancelha, inclinando-se levemente em sua direção.

— Não ser visto no caso, pela vara pau seca, não é? Olha, Rodrigo, essa sua paixonite pela Daiana me dá nos nervos.

— Não é paixonite nenhuma, e você sabe muito bem disso. Ainda vai querer me ajudar, ou não?

— Claro que vou! Não prometi? Conseguiu o endereço do Gabriel?

— Já te mandei no WhatsApp. Ele mora num orfanato.

Os olhos de Soraia brilharam de excitação ao conferir o celular.

— Perfeito! Se ele tem alguma coisa a ver com a morte do seu pai, nós vamos descobrir.

— Espero que essa sua ideia maluca valha a pena. Aliás, qual é a ideia mesmo?

Soraia piscou, misteriosa, e abriu um sorriso cheio de segredos.

— Você vai saber na hora certa. Só confia em mim.

Rodrigo lançou-lhe um olhar desconfiado, mas não respondeu.


═══🎭✦✧ Zona rural ✧✦🎭═══

A viatura policial estacionou em frente a casa de Rita. Will desligou o motor e trocou um olhar com Tony antes de ambos saírem do carro. Eles ajeitaram seus distintivos à vista e caminharam em direção ao portão.

Will conferiu o endereço em um papel dobrado que tirou do bolso e bateu palmas. A porta da casa rangeu ao se abrir, revelando uma mulher idosa com expressão desconfiada. Seu olhar avaliava os dois homens uniformizados diante de si.

— Pois não?

— Rita de Cássia Santos, presumo? — Perguntou Will.

Ela hesitou por um instante, antes de assentir com a cabeça.

— Sim, sou eu.

Will deu um passo à frente, mantendo a postura séria, mas tentando não soar ameaçador.

— Sou o delegado William Costa, da décima primeira DP. — Ele estendeu o distintivo para que ela pudesse confirmar. — Podemos conversar um pouco?

Rita arregalou ligeiramente os olhos, e sua expressão rapidamente mudou para algo entre surpresa e apreensão. Ela segurou a porta, como se decidindo se deveria fechá-la ou convidá-los a entrar.

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