MINHA OUTRA FACE
28 Movimentos estratégicos
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═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
O ambiente estava silencioso, quebrado apenas pelo som baixo da televisão ligada. Meireles estava deitado no sofá, já cansado.
— O Rodrigo me mandou mensagem — disse ele. — Quer saber o que decidi sobre a holding.
Angelina, que estava deitava em seu peito, inclinou-se curiosa.
— E aí, meu amor? O que você pretende fazer?
Meireles suspirou.
— Não temos muita escolha, Angelina. Vou me reunir com o representante e analisar a proposta direitinho. — Virou-se para o filho. — Você pesquisou aí, Fabinho, sobre essa tal TexHold Capital?
Fabinho estava na poltrona ao lado, com o notebook sobre as pernas. Digitava rápido, o rosto iluminado pela tela.
— Estou olhando agora, pai. — Fez uma pausa. — Pelo que vejo, parece ser uma empresa séria, sim. Uma holding internacional com sede em Lisboa, presente em vários países da Europa e da América do Sul.
Daiana, que estava no outro sofá, olhou desconfiada.
— O senhor tá mesmo pensando em vender suas ações pra essa holding?
— Não todas, né minha filha — respondeu Meireles. — Só uma porcentagem delas. Conversei com o Rodrigo: ele disse que tá disposto a vender 50% das ações dele, ou seja, 15% do total. Eu pensei em vender também 15% das minhas. Assim, a holding ficaria com 30% e eu continuaria como sócio majoritário.
Daiana arqueou as sobrancelhas, com ironia.
— O Rodrigo? Pera aí... o Rodrigo tá disposto a abrir mão da metade das ações dele? Estranho demais.
Angelina suspirou fundo, e se sentou no sofá.
— Lá vem você de novo, Daiana, com essas desconfianças.
— Desculpe, mas não tem como ignorar. — Disse Daiana. — O Rodrigo bateu o pé dizendo que não venderia as ações dele pro papai. Recusou até uma proposta acima do valor de mercado! E agora, de repente, aceita vender assim, do nada? Justo ações que ele acabou de comprar da mãe dele?
Meireles passou a mão no rosto, claramente confuso.
— Eu já não sei mais o que pensar.
Angelina pousou a mão sobre a dele.
— Calma, meu amor. Vamos analisar direitinho. Talvez o Rodrigo esteja apenas sendo sensato. A Mulambo nunca passou por um caos tão grande como esse. É a pior crise da nossa história.
Meireles olhou para Fabinho, buscando respostas.
— E você, filho? O que mais conseguiu apurar aí?
Fabinho respirou fundo e leu em voz alta, acompanhando os dados no notebook:
— A TexHold Capital foi fundada há pouco mais de dez anos em Lisboa. No começo atuava no setor imobiliário, depois expandiu para energia, e mais recentemente, entrou no ramo têxtil. — Fez uma pausa significativa. — Eles compraram ações de uma empresa quase falida na Argentina e, em cinco anos, transformaram-na em líder de mercado.
Meireles ergueu as sobrancelhas, impressionado.
— Parece mesmo uma potência...
Fabinho, porém, continuou num tom mais sério:
— Mas tem um detalhe: eles não aparecem muito na mídia. Os nomes dos sócios não são fáceis de achar. Tudo é registrado em subsidiárias menores, o que dá uma certa opacidade.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Meireles com ajuda de Angelina se sentou.
— O fato é que precisamos de dinheiro — disse por fim. — Se essa holding for tão séria quanto parece, talvez seja a nossa solução.
Fabinho fechou o notebook devagar e encarou o pai.
— Publicamente, eles parecem sólidos. Não achei nada de negativo: nem processos, nem denúncias. Mas também não achei quem realmente manda. Quem é o dono majoritário da TexHold... isso fica sempre escondido atrás de outras empresas menores.
Meireles ficou imóvel, absorvendo a informação. Angelina se inclinou e segurou sua mão com firmeza.
— Meu amor, você vai se reunir com o representante. Pergunte tudo, tire todas as dúvidas. Se não sentir confiança, não fecha negócio.
Ele respirou fundo e assentiu.
— Está bem... Vou ouvir essa proposta. Mas com os olhos bem abertos.
═══🎭✦✧ No dia seguinte na delegacia... ✧✦🎭═══
A porta se abriu de repente, e Tony entrou apressado, tablet na mão, expressão preocupada.
— Will, consegui algo — disse ele. — O último sinal do celular da Soraia... foi registrado pelo Google.
Will ergueu o olhar, atento.
— Maravilha. E o que temos aí?
Tony girou o tablet na direção dele, mostrando a tela.
— Veja... a última posição conhecida é na fazenda da Rita, aquela onde os gêmeos nasceram.
Os olhos de Will se arregalaram, incrédulo.
— Conversa, Tony. O que essa moça foi fazer lá? Mas ela ainda está lá ou foi só o sinal do celular?
Tony balançou a cabeça, sério.
— Não dá pra saber. O telefone está desligado já faz semanas. Só conseguimos o último ponto registrado.
— Então é a única pista que temos. Se ela ainda estiver lá, precisamos agir rápido. Mobilizem uma equipe imediatamente. Vamos verificar exatamente o que aconteceu.
Tony assentiu, firme.
— Beleza, chefe.
Will bateu a mão sobre a mesa, determinado:
— Essa história tá mal contada, Tony. Aí tem coisa.
═══🎭✦✧ Na clínica de fisioterapia ✧✦🎭═══
Meireles estava em sua cadeira diante das barras de apoio. Edson se posicionou à frente, no fim das barras, observando atentamente.
— Quando quiser, seu Meireles, pode começar — disse Edson, firme.
Meireles permanecia distraído, olhando fixamente para o longe.
— Seu Meireles! — chamou Edson, com paciência.
— Desculpe, doutor... estava apenas distraído — respondeu Meireles, desviando o olhar.
— Está tudo bem? Quer parar um pouco? — Edson perguntou, preocupado.
— Não. Preciso fortalecer minhas pernas. Já basta minha empresa que não anda bem das pernas — Meireles respondeu, com um leve sorriso de ironia.
— Ainda aqueles problemas que me contou?
— Nem vou entrar nesse assunto agora, a conversa é longa demais. Estou pronto — disse Meireles, determinado.
— No seu tempo, estou aqui esperando.
Meireles respirou fundo, apoiou-se nas barras e começou a caminhar devagar, com cuidado, em direção a Edson.
— Isso, muito bem! Um passo de cada vez, sem pressa — orientou o fisioterapeuta.
Cada passo era um esforço visível; os pés se arrastavam pelo chão. Meireles manteve o foco e, aos poucos, alcançou o outro lado das barras.
— Agora vire e vamos voltar, até a cadeira — instruiu Edson.
Meireles obedeceu com dificuldade, retornando lentamente. Quando chegou, Edson já estava esperando com a cadeira. Meireles sentou-se, respirando fundo, aliviado e feliz.
— Está indo muito bem. Logo conseguirá andar sem auxílio das barras — afirmou Edson, encorajando.
— Não vejo a hora de me livrar de vez dessa cadeira.
— Já contou para sua família ou mantém segredo ainda? — perguntou Edson, curioso.
— Ninguém sabe... e prefiro que continue assim. Angelina sabe apenas que consigo mexer o pé devagarinho, mas nada mais. Ainda não sabe que já consigo andar — disse Meireles, confiante.
— Entendi. Quer esperar o momento certo para fazer a surpresa? — perguntou Edson.
— Está chegando... nossas bodas de prata. Espero que até lá eu consiga andar com mais firmeza — respondeu Meireles, determinado, e um leve sorriso se formou em seu rosto.
═══🎭✦✧ Escritório de Kléber ✧✦🎭═══
Joana estava sentada, concentrada, enquanto Kléber revisava o pré-contrato do ponto do restaurante.
— Então, Joana — disse ele, apontando para uma cláusula —, este é o pré-contrato. Tudo precisa estar correto antes de assinar.
Ela suspirou, tentando não se perder nos termos jurídicos.
— Parece bem completo... mas essas burocracias sempre me deixam nervosa.
— Normal — respondeu Kléber, sorrindo gentilmente. — É por isso que estou aqui. Vamos revisar linha por linha, sem pressa, para você se sentir segura.
Minutos se passaram. Kléber explicou cada detalhe: prazos, taxas, responsabilidades e cláusulas de rescisão. Joana ouvia atentamente, fazendo anotações e questionando sempre que surgia dúvida.
— E o prazo do contrato? — perguntou ela.
— Está dentro do padrão — respondeu Kléber. — Além disso, você tem cláusulas que te protegem caso algo saia fora do planejado.
Por fim, Joana respirou fundo e assinou o contrato, sentindo um misto de alívio e excitação.
— Pronto. — Ela fechou a pasta com um sorriso tímido. — Está feito.
Kléber guardou os papéis e olhou para ela, com um leve brilho nos olhos.
— Bom... acho que agora podemos comemorar esse passo — disse ele, estendendo a mão sutilmente.
Joana riu, nervosa, sentindo o coração acelerar.
— Comemorar?
— Que tal almoçarmos juntos? — disse Kléber, com um sorriso suave. — Um lugar tranquilo, você relaxa, a gente comemora esse novo começo.
Ela ficou imóvel por alguns segundos, sentindo o frio na barriga.
— Eu... acho que podemos — respondeu. — Mas... apenas um almoço, nada demais.
— Sem pressa. Só um almoço. Sem expectativas, sem complicações. Apenas comemorar você ter dado esse passo.
Ela assentiu, um sorriso tímido surgindo no rosto.
— Está bem. Então vamos.
Eles saíram do escritório. Kléber segurou a porta para ela passar primeiro.
═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══
Ludmila entrou apressada no saguão da delegacia. E ao avistar Carla no balcão, ajeitando a bolsa e recolhendo seus pertences, abriu um sorriso irônico.
— E aí, piranha, tá mais calma hoje? — provocou, divertida.
Carla ergueu os olhos, com um ar de quem já estava com a cabeça em outro lugar.
— Oi, Ludmila! Sinto muito, mas hoje não vai dar pra gente almoçar juntas.
Ludmila arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Como assim? A gente sempre almoça junto, você não me falou nada.
— Pois é... Mas hoje o Edson disse que vai passar por aqui. Hoje vou almoçar com ele.
O sorriso de Ludmila se desfez em um instante.
— Poxa, agora é isso? Vai me trocar por causa de macho?
Carla suspirou, tentando manter a paciência.
— Eu não estou te trocando. Só vou sair pra almoçar com meu namorado. Será que não posso?
— A gente almoça junto todos os dias... — insistiu Ludmila, com frustração.
— Exatamente, Ludmila. Todos os dias. — Carla rebateu com firmeza, já olhando para o celular. — Será que, em um único dia, eu não posso almoçar com o Edson?
A tela acendeu, anunciando uma mensagem. Carla olhou, guardando o aparelho na bolsa.
— Ele chegou. Tchau, depois a gente se fala.
Saiu apressada. Ludmila, incrédula, a seguiu até a porta da delegacia. Do lado de fora, viu Carla próximo do carro de Edson. Antes de entrar, lançou lhe um último olhar, breve. Ludmila, num gesto automático, levantou a mão e acenou com um tchauzinho, forçando um sorriso. O carro partiu, ela ficou ali parada, desapontada.
═══🎭✦✧ Sala de reuniões da Mulambo ✧✦🎭═══
A mesa estava preparada com café, água e alguns papéis à disposição. Meireles entrou acompanhado de Rodrigo. Logo depois, um homem elegante, de terno cinza claro e óculos discretos, adentrou a sala.
Rodrigo levantou-se, cordial:
— Senhor Meireles, este é o doutor Artur Mendes, representante da TexHold Capital.
Artur cumprimentou a todos com firmeza, seu forte sotaque português imediatamente perceptível.
— Uma honra conhecê-lo pessoalmente, senhor Meireles. Sua reputação como gestor e a tradição da Mulambo Têxtil nos impressionaram em Lisboa.
— Agradeço — respondeu Meireles, com aceno modesto. — Estamos em um momento delicado, mas ainda com muito potencial.
Artur sorriu, abrindo a pasta sobre a mesa.
— Justamente por isso a TexHold se interessa. Nosso modelo é simples: entramos para dar fôlego financeiro, abrir mercados e fortalecer a governança. Mas precisamos de participação suficiente para fazer diferença.
Meireles lançou um olhar rápido para Rodrigo antes de responder:
— Conversei com meu sócio e, dependendo da proposta, estamos dispostos a vender 15% do total cada um. Assim, vocês ficariam com 30% da companhia.
Artur balançou a cabeça, pensativo, passando os dedos pelas folhas.
— Senhor Meireles, permita-me ser franco. Com apenas 30%, nossa margem de atuação fica limitada. Não se trata apenas de investimento, mas de participação estratégica. Para alinhar a Mulambo ao padrão internacional, precisamos de mais fôlego.
— Mais fôlego significa mais ações, é isso? — Meireles perguntou, desconfiado.
Rodrigo interveio, voz calma e conciliadora:
— Seu Meireles, pense bem... podemos ajustar a divisão de forma segura. O senhor ainda continuaria como sócio majoritário. Nada mudaria nesse sentido.
Artur reforçou:
— Exato. Nosso objetivo não é assumir o controle, senhor Meireles. Apenas queremos operar com autonomia suficiente para transformar a empresa.
Meireles estralou os dedos, nervoso.
— Não gosto da ideia de abrir mão de muito. A Mulambo é a vida da minha família.
Rodrigo inclinou-se à frente, olhando firme para ele:
— Seu Meireles me acompanhe direitinho: se o senhor vender 25%, continuará com 45%. Ainda será majoritário, ninguém vai tirar isso. Eu já estou disposto a vender meus 15%. Assim, a TexHold ficaria com 40%. É um equilíbrio saudável. Entendo seu receio... até aqui a Mulambo se manteve forte, mas o escândalo que se espalhou fez nossas ações perderem valor. Eu até venderia mais, mas já estou renunciando à metade das minhas ações. Não podemos perder essa oportunidade, só assim para recuperar a credibilidade da nossa empresa.
Meireles respirou fundo, pensativo. Artur sorriu, fechando a pasta.
— Senhores, acreditamos na Mulambo. Mas para entrarmos com força, precisamos dessa divisão. O senhor ainda será a figura central, senhor Meireles. Terá ao lado parceiros sólidos para limpar o nome da empresa e conquistar credibilidade internacional.
Um silêncio pesado pairou por alguns segundos. Finalmente, Meireles suspirou.
— Está bem. Vendo 25%. Mas quero cláusulas bem claras no contrato: continuo como sócio majoritário e presidente do conselho.
Artur assentiu imediatamente.
— Naturalmente. É do nosso interesse que o senhor continue à frente.
Rodrigo sorriu discretamente, satisfeito.
— Então, senhores, acho que temos um acordo.
═══🎭✦✧ Fazenda de Rita ✧✦🎭═══
Rita abriu a porta e, de imediato, deparou-se com duas viaturas da polícia paradas diante de sua casa. A poucos passos, Will e Tony se aproximavam.
— Mas o que está havendo aqui? — perguntou Rita, apreensiva. — É alguma perseguição de bandidos por essas bandas?
— Boa tarde, dona Rita! — respondeu Will. Ele ergueu o celular, mostrando a tela com uma foto. — A senhora conhece essa moça?
Rita inclinou o corpo, aproximando os olhos já desconfiados. O silêncio pesou alguns segundos antes que ela falasse:
— Mas o que tem essa moça? — sua voz agora tremia ligeiramente. — Tô ficando apreensiva, doutor... o que tá acontecendo?
Tony interveio, sem rodeios:
— Essa moça está desaparecida. E a última localização registrada na conta do Google dela foi aqui, na sua fazenda.
Rita paralisou por um instante. Depois, tentando manter a calma respondeu:
— Essa moça... realmente esteve aqui. Veio acompanhada do Gabriel. Um dos gêmeos que nasceu aqui, já contei para os senhores essa história.
Will estreitou os olhos.
— Sei... Então, o Gabriel também esteve aqui?
— Sim — respondeu Rita. — Ele queria saber mais sobre o nascimento dele. E eu contei... contei tudo o que sabia. Os dois entraram, se sentaram, até servi um lanche. Ele me apresentou a moça como namorada. Fiquei até emocionada de ver o Gabriel depois de tantos anos.
— Curioso... — Disse Will, desconfiado. — E depois? Os dois foram embora juntos?
— Foram, sim. Saíram daqui como um casal de namorados.
Tony cruzou os braços, encarando-a com desconfiança.
— Estranho... muito estranho. Porque a última localização registrada do celular da Soraia mostra que ela ainda está aqui dentro.
Nesse instante, os olhos de Rita se arregalaram, revelando medo. Sua boca se entreabriu como se fosse dizer algo, mas nada saiu.
Will percebeu. Aproximou-se um passo, firme:
— Com sua permissão, dona Rita... vamos dar uma averiguada pelos arredores.
Rita respirou fundo. Forçou um sorriso hesitante:
— Fiquem à vontade. Não tenho nada para esconder.
Will assentiu e, com um gesto enérgico da mão, deu ordens para que os policiais iniciassem a varredura.
═══🎭✦✧ Casa da Joana ✧✦🎭═══
Os dois entraram em casa, Joana pousou a bolsa sobre a poltrona e voltou-se para Kléber, com um sorriso suave nos lábios.
— Obrigada por tudo, Kléber. — disse emocionada. — Eu tive um dia maravilhoso... e tão produtivo. É tão bom sonhar de novo e ver o meu sonho caminhando para se realizar.
Ele a observava, os olhos brilhando de ternura.
— Eu que agradeço por você me deixar fazer parte disso. Você sabe que eu sou capaz de tudo para te ver feliz, não sabe?
Joana desviou o olhar, deu um passo para o lado, como quem teme atravessar uma linha invisível.
— Eu sei... sei o quanto você gosta de mim. — suspirou, virando-se pra ele. — E eu queria viver essa história com você, mas... mas eu não posso. Eu ainda não estou pronta.
Kléber aproximou-se um pouco, mas com cuidado, como quem respeita o espaço sagrado que ela tentava preservar.
— Eu espero o tempo que for preciso. Não quero te sufocar, nem forçar nada. — a voz dele era calma. — Eu tô aqui, atento, esperando o momento em que você estiver pronta. Eu te amo, Joana. Só quero ter a chance de te fazer feliz.
— Você... tão próximo assim... deixa meu coração acelerado. — ela admitiu, hesitante. — Eu não sei se devo, Kléber... não sei se isso é certo. Mas a verdade é que... a verdade Kléber, é que eu também te amo.
Kléber não resistiu mais. Aproximou-se, devagar, como quem pergunta com o gesto se podia. Então, encostou seus lábios nos dela. Diferente das outras vezes, Joana não recuou. Ao contrário, se entregou ao beijo com a intensidade de quem guardava esse desejo em silêncio há muito tempo. Seus braços envolveram o pescoço de Kléber, e ele a apertou contra si.
═══🎭✦✧ Escritório da Xavier Global Holdings ✧✦🎭═══
A garrafa foi estourada com estalo seco, e o líquido dourado preencheu as taças. Rodrigo, sorridente, distribuía champanhe a todos. Reunidos estavam Xavier, Artur e Denis, o hacker.
Rodrigo ergueu a própria taça, o brilho nos olhos refletindo ambição.
— Meus amigos, meus caros amigos... deu certo. Deu tudo muito certo! Temos que comemorar: o peixão mordeu a isca. — Fez uma pausa dramática. — E agora eu sou dono de 55% das ações da Mulambo Têxtil.
Ele levantou a taça ainda mais alto, como em um brinde solitário.
— Aprende aí, José Antunes, como se faz. — Apontou para o chão, com um meio sorriso cruel. — Melhor... pra baixo. Porque aquele demônio agora tá é nos infernos.
Xavier soltou uma risada breve, pragmática:
— Muito bem. Tudo correu como combinado. Mas os garotos aqui... — inclinou a cabeça na direção de Artur e Denis — estão esperando a parte deles.
Rodrigo olhou de relance, fechando a cara.
— Vocês são uma cambada de interesseiros, viu? — deixou a taça de lado, pegou o celular e começou a digitar. — Mas tão certos. Se fizeram o serviço, merecem receber. Reconheço um bom trabalho. E você, rapaz... — apontou o dedo para Denis — realmente é um mestre da deep web. Fiquei impressionado com a velocidade com que montou o histórico da TexHold. Nem sombra de rastro.
Denis deu de ombros, orgulhoso:
— Deu trabalho criar esse fundo fake. Passei os dados por uma rede de servidores offshore, espalhei em um labirinto de países. É um serviço garantido. Pode ter certeza: ninguém vai contestar.
Rodrigo estalou os dedos, satisfeito.
— É isso aí, garoto. Você arrasou. E claro, não posso esquecer do nosso portuga... — virou-se para Artur com um sorriso irônico. — Confesso que até eu, por um instante, quase me convenci da veracidade da TexHold.
Artur ajeitou os óculos, com ar presunçoso:
— Bom, modéstia à parte, eu tenho cara de executivo. E ainda fiz artes cênicas em Lisboa. Sou um excelente ator, só não fui ainda reconhecido como tal.
Xavier bateu palmas devagar, divertido:
— Acho que todos fizeram a parte direitinho.
Rodrigo sorriu satisfeito.
— O dinheiro de vocês já está na conta. Agora, se me dão licença, preciso de um particular com o doutor Xavier.
Artur e Denis recolheram seus copos, trocaram olhares discretos e deixaram a sala em silêncio. Assim que a porta se fechou, Rodrigo mudou o tom da voz, mais grave.
— O negócio foi fechado. Mas agora preciso de dinheiro para pagar as ações que a TexHold comprou do seu Meireles.
Xavier o encarou com naturalidade.
— E eu já sei de onde esse dinheiro vai sair... da conta secreta do Antunes.
Rodrigo esticou um sorriso frio.
— Exatamente. Mas sem a procuração, não temos como acessar. — Deu um gole lento na champanhe. — Então... chegou a hora do frei Otávio voltar às suas visitas de caridade.
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