MINHA OUTRA FACE
40 Jogo sujo
╔══════════════════✦✧❖✧✦════════════════╗
═══🎭✦✧ Em frente à casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Do lado de fora, Fabinho foi se aproximando da grade do portão. Sério e contido.
Ludmila respirava profundamente, os olhos marejados, presos nele.
— Você é completamente louca. — disse, seco. — O que você tá querendo com essa palhaçada?
Ludmila respirou fundo e encostou mais na grade do portão.
— Você. — respondeu, sem desviar o olhar. — A única coisa que eu quero agora é você.
A sinceridade vinha crua, sem defesa.
— Eu sei… sei que tô fazendo um papelão. Sei que tô errando, uma besteira atrás da outra. A Carla já me ligou, já me xingou… disse que eu tô sendo inconsequente.
Um sorriso nervoso escapou.
— Mas eu sou assim, né? Impulsiva. Eu ajo pelo que eu sinto. E agora… tudo o que eu sinto é a sua falta. Tudo o que eu quero é você.
A voz falhou.
— Fabinho… me perdoa. Vamos tentar de novo.
— E você acha que é fácil assim, Ludmila? — Fabinho rebateu, magoado. — Eu me entreguei pra você e você brincou comigo.
Deu um passo mais perto da grade.
— Eu correndo atrás de você… e você correndo atrás do Glauber.
Ela revirou os olhos, impaciente.
— Ai, garoto… deixa de ser fresco. Eu nem sei mais quem é esse Glauber!
Abriu os braços, apontando ao redor.
— Olha isso aqui! Olha a humilhação que eu tô passando!
Se aproximou ainda mais.
— Você acha mesmo que, se eu quisesse ele… eu estaria aqui fazendo tudo isso por você?
Fabinho desviou o olhar por um instante.
Respirou fundo.
Virou-se para a guarita.
— Abre o portão, Marcão.
O portão começou a deslizar.
Fabinho saiu. Caminhou até ela. Parou perto. Perto demais.
— Junta suas coisas… — disse, baixo e firme. — E some da frente da minha casa. Senão eu vou chamar a polícia.
Ludmila ergueu a mão e tocou o rosto dele com delicadeza.
— Ah, é? — murmurou, provocando. — Sua boca fala uma coisa… mas seu corpo tá aqui me desejando.
— Ludmila, para… — disse ele, balançado. — Eu não quero mais nada com você.
Ela encostou o rosto no dele, de leve.
— Será?
E começou a distribuir beijos rápidos, provocativos, quase sussurrados na pele dele.
— Então, isso quer dizer que você não quer mais meu beijo… não quer mais meu toque…
Por um segundo… ele vacilou.
Mas então segurou os braços dela e a afastou.
Virou-se novamente.
— Marcão. — chamou, duro. — Tira ela daqui. Se resistir, chama a polícia.
E saiu.
Sem olhar pra trás.
O desespero tomou conta de Ludmila. Ela correu, atravessando na frente dele, bloqueando seu caminho.
— Você não vai fazer isso comigo! — a voz saiu quebrada. — Fabinho, eu te amo! Por favor… só me dá mais essa chance.
Os olhos dela já transbordavam.
— Eu prometo que vou te levar a sério agora… do meu jeito, mas vou! Não me deixa assim…
Fabinho parou.
Os olhos dele também estavam cheios.
Mas a dor falou mais alto.
— Você não merece o amor de ninguém. — disse, frio. — Volta pro seu amante… e me deixa em paz.
Ele seguiu.
Dessa vez, sem parar.
Sem olhar.
Sem voltar.
Ludmila ficou imóvel por um segundo… até a ficha cair.
Marcão se aproximou, com cautela.
— Vamos, moça… vem comigo.
Ela afastou a mão dele com força.
— Me solta! Eu não preciso de ajuda. Já entendi… tô indo embora!
E gritou, com o pouco de orgulho que ainda restava:
— Cansei, Fabinho! Nunca mais vou te procurar.
Foi até suas coisas e começou a juntar tudo com violência — jogando, rasgando, amassando — enquanto as lágrimas escorriam sem controle.
═══🎭✦✧ Casa do Bira ✧✦🎭═══
O quarto ainda guardava o calor do que tinha acabado de acontecer. Lençóis amassados, roupas espalhadas pelo chão.
Soraia estava deitada sobre o peito de Bira. O corpo relaxado… mas o olhar distante, perdido em pensamentos.
Bira passava os dedos pelos cabelos dela, num carinho lento, automático.
— Tão bom ficar assim com você… — murmurou. — Se você não fosse casada com o Rodrigo… bem que podia casar comigo.
Soraia se afastou imediatamente, sentando-se na cama.
— Não fala besteira, garoto. — cortou, seca. — Casar com você e viver onde? Aqui nesse barraco?
Virou-se pra ele, direta.
— A gente precisa dar um jeito de despachar o Rodrigo logo. Senão… é ele que vai me matar.
Bira também se sentou, o semblante mais sério.
— É isso mesmo que você quer? — perguntou. — Virar uma assassina?
Soraia soltou um riso curto, sem humor.
— Eu não nadei, nadei pra morrer na praia, querido. — respondeu. — O Rodrigo tá acuado. E fera acuada é perigosa.
Se inclinou levemente, firme no que dizia.
— Eu sei bem onde tô pisando. Ele já deve tá planejando um jeito de se livrar de mim. Eu preciso dar o bote primeiro.
Bira balançou a cabeça, preocupado.
— Você tá falando com ódio, Soraia. E ódio faz a gente errar. — disse, cauteloso. — Você pode se encrencar de um jeito que não tem volta. Ainda dá tempo de sair disso.
Ela desviou o olhar, inquieta.
— Tem outra coisa… que eu ainda não te contei.
Bira franziu a testa.
— O que foi?
Soraia respirou fundo antes de falar.
— No caminho pra cá… eu vi uma pessoa que eu jurava que nunca mais fosse ver.
Fez uma pausa.
— Uma pessoa que deveria tá morta.
Bira arregalou os olhos.
— De quem você tá falando?
Soraia o encarou, intensa.
— O Gabriel tá vivo, Bira. Ele não morreu.
O impacto foi imediato.
— Isso não pode ser… — Bira murmurou, incrédulo. — Não tinha como ele sobreviver.
— E não é só isso. — continuou Soraia. — A canelinha de seriema sabe. Eu vi os dois juntos, na rua… como dois apaixonadinhos.
Bira passou a mão no rosto, tentando processar.
— Calma… você pode ter se confundido. — tentou argumentar. — Podia ser o Rodrigo com ela. Ouvi dizer que, antes de você voltar, ele chegou a sair com essa garota.
Soraia negou na hora.
— Não. Não era o Rodrigo. — afirmou. — Eu também pensei nisso. Mas liguei pra ele, na hora. Ele atendeu… e o outro continuou lá, do mesmo jeito.
A voz dela baixou:
— Era o Gabriel.
O silêncio caiu pesado no quarto.
— E agora? — Bira perguntou, por fim.
— É isso que eu quero saber. — respondeu Soraia. — O que eu faço com essa informação? Conto pro Rodrigo?
— Não. — disse Bira, imediato. — Melhor não.
Se levantou da cama, inquieto.
— Até porque… se o Rodrigo for preso, você tomará conta de tudo que é dele. Inclusive as ações da Mulambo.
Soraia sorriu, lentamente, gostando da ideia.
— E fico em liberdade. — completou. — Afinal, não cometi crime nenhum.
Se recostou, pensativa.
— Já pensou? Sócia majoritária da empresa do pai da canelinha…
— Você não seria presa… mas eu seria. — disse Bira, tenso. — Se o Gabriel tá vivo, ele pode me denunciar. Eu fui cúmplice do Rodrigo naquele atentado.
Soraia começou a roer a unha, inquieta.
— Só tem uma coisa que não encaixa… — murmurou. — Por que até agora eles não denunciaram? O que tão esperando?
Bira respirou fundo.
— Podem tá juntando provas. — respondeu. — Ainda mais porque o Gabriel continua sendo o principal suspeito pela morte do Antunes.
Olhou pra ela.
— O Rodrigo plantou as digitais dele na arma. Lembra?
Soraia soltou um riso frio.
— Ordinário… — disse. — Seguiu direitinho a minha ideia.
Ficou em silêncio por um instante, raciocinando.
— Pensando bem… se não fosse o fato de você rodar junto, Bira… — murmurou — o melhor cenário pra mim nesse momento seria o Rodrigo preso.
Os dois se olharam.
═══🎭✦✧ Restaurante Casa da Mãe Joana ✧✦🎭═══
No pequeno escritório, longe do barulho da cozinha, Joana andava de um lado para o outro, incapaz de ficar parada. As mãos inquietas, o coração acelerado.
Parou por um instante e olhou as horas no celular.
— Já tá quase na hora de abrir… — murmurou, aflita. — E se não aparecer ninguém, Kléber? E se essa inauguração for um fracasso?
Kléber, encostado na mesa, observava tudo com calma.
— Calma, meu amor. — disse, com um sorriso tranquilo. — Tem que pensar positivo. Vai dar tudo certo.
Joana virou-se pra ele, ainda tensa.
— Você distribuiu os panfletos?
— Espalhei panfleto por São Paulo inteiro. — respondeu, confiante. — Vai aparecer tanta gente que a comida nem vai dar conta.
Ela arregalou os olhos, preocupada.
— Se isso acontecer, é outro desastre! — rebateu. — Eu preciso ir lá na cozinha ver se estão preparando comida suficiente.
Já ia em direção à porta quando Kléber segurou seu braço com delicadeza, puxando-a de volta.
— Ei… — disse, com voz baixa. — Fica tranquila. Você tá muito ansiosa.
Olhou firme nos olhos dela.
— A gente tem um chef lá na cozinha. Ele já tá acostumado com isso. Confia na sua equipe. Eles são preparados.
Joana respirou fundo, tentando absorver aquelas palavras.
— Você tem razão… — disse, mais calma. — Vou tentar me controlar.
Fez uma pausa, o olhar suavizando.
— Mas você tem noção que esse é o meu sonho? — continuou, emocionada. — Finalmente eu vou poder tocar o meu negócio… do meu jeitinho.
A voz embargou levemente.
— Só faltavam meus filhos aqui… pra tudo ficar perfeito.
Os olhos marejaram.
Kléber a puxou para um abraço apertado, acolhendo aquele misto de alegria e nervosismo.
— Vamos. — disse. — Vamos lá fora ver como estão indo as coisas.
Os dois saíram do escritório e seguiram para o salão.
Ao entrarem no salão, Joana e Kléber se depararam com a equipe em plena correria. Garçons alinhavam mesas, limpavam as taças e ajustavam detalhes. No caixa, a atendente testava o sistema mais uma vez. Da cozinha, o vai e vem era intenso: panelas borbulhando, ordens sendo checadas, vozes coordenando cada etapa.
Tudo funcionava como um relógio acelerado — cada um focado, dando o máximo para que, quando as portas abrissem, tudo estivesse perfeito.
═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══
Ludmila estava encolhida na cama, abraçada ao travesseiro como se fosse a única coisa que ainda a sustentava. O rosto inchado, os olhos vermelhos de tanto chorar.
Carla estava sentada ao lado, olhando a amiga com um misto de irritação e pena.
— Ah não, piranha… — soltou, balançando a cabeça. — Sério mesmo que você vai ficar aí chorando por causa de macho?
— Ah, me deixa, Carla… — murmurou Ludmila, abafando a voz no travesseiro. — Que cara idiota. Fiquei lá passando frio, tomando sereno… pra ele me humilhar daquele jeito.
Virou o rosto, irritada consigo mesma.
— Ele é um idiota… e eu sou uma burra. Quem mandou eu ir lá?
Carla suspirou, cruzando os braços.
— Olha, Ludmila… vou te falar, viu. Você desceu demais o nível. Mulher, tenha compostura! Ficar se humilhando por causa de macho? Quem te viu, quem te vê.
— Pode falar o que você quiser. — respondeu Ludmila, sem nem encarar. — Eu tô triste demais pra dar ouvido.
— Eu tô falando sério. — Carla insistiu. — Foi um papelão. Ridículo mesmo. Desculpa, mas eu sou sua amiga. Tenho que te falar a verdade.
Se inclinou um pouco.
— A Ludmila do Antigo Testamento jamais faria uma coisa dessas.
Ludmila virou o rosto devagar. Os olhos vermelhos encontraram os de Carla.
— A Ludmila do Antigo Testamento nunca se apaixonou. — disse, com a voz fraca, mas firme.
O silêncio caiu por um instante.
— Eu tô apaixonada, Carla. — continuou. — E não dá mais pra esconder isso. O Fabinho fugindo de mim… me ignorando… isso tá me torturando. Eu não sei mais o que fazer.
Ela se sentou na cama, passando a mão no rosto.
— Aquilo lá… foi a forma que eu encontrei. — deu um riso sem graça. — Mas nem isso deu certo. Ele foi frio. Me tratou como se eu fosse um cachorro.
— Não tem coisa pior que piranha apaixonada… — disse Carla, tentando aliviar o clima. — Tô com pena de você, sim. Mas, no fundo… você sabe que é a única culpada por ter chegado nesse ponto.
Ludmila se soltou do abraço de repente, irritada. Levantou da cama.
— Chega pra lá! — disparou. — Não quero sua pena, não.
Passou a mão no cabelo, tentando se recompor.
— Vou tomar um banho, passar uma maquiagem… e vou pra boate. Arrumar um macho bem gostoso pra trepar comigo.
Carla levantou atrás dela, rindo.
— Mas é uma piranha descarada mesmo! — disse, divertida. — Você não vai fazer nada disso.
Apontou o dedo pra amiga.
— Porque hoje você vai lá, enche a cara, se joga… e amanhã tá aqui de novo, chorando, se lamentando... e ainda de ressaca.
Ludmila parou.
O ânimo que tentou forçar simplesmente… sumiu.
Voltou e sentou na cama, derrotada.
— Droga… — murmurou, frustrada. — Nem ser piranha eu consigo mais. Que feitiço foi esse que esse homem fez?
Carla não aguentou. Soltou uma gargalhada alta e se jogou na cama ao lado dela.
— Eu vivi pra ver isso! — disse, ainda rindo. — Ludmila apaixonada!
Ludmila revirou os olhos, tentando conter o riso.
— Para de rir, rapariga. — resmungou, jogando o travesseiro nela.
Carla segurou o travesseiro, ainda sorrindo.
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Fabinho estava jogado na cama, olhando pro teto como se procurasse resposta em algum lugar ali.
A porta se abriu devagar.
— Tem alguém vivo aí? — disse Daiana, entrando com um meio sorriso.
Fabinho virou o rosto, sem muita animação.
— Oi, Daiana… — respondeu. — Aconteceu alguma coisa?
Deu um passo à frente.
— Aconteceu, né. — disse. — Você trancado nesse quarto, nem quis comer direito. Minha mãe me contou da sua namoradinha que ficou acampada aqui na frente.
Fabinho soltou um suspiro, fechando os olhos por um instante.
— Uma garota completamente louca… desequilibrada… — murmurou. — Mas que, sem saber por que… eu sou completamente apaixonado por ela.
Daiana sorriu de canto.
— E desde quando suas paixões têm explicação? — provocou. — Você sempre foi assim. Romântico… se apaixona fácil.
Fabinho apontou pra ela, sentando-se na cama.
— Começa não…
Os dois acabaram rindo, quebrando um pouco o clima pesado.
Daiana se aproximou mais e se sentou ao lado dele na cama.
— Mas me conta… — insistiu. — Ela ficou mesmo acampada aí na frente até você ir falar com ela?
— Ficou. — disse Fabinho. — Porque eu bloqueei ela em tudo. Ela me traiu, Daiana. E aí teve essa ideia… de vir pra cá, fazer aquele espetáculo. Como se fosse conseguir meu perdão na base da pressão. O que ela fez foi sério demais. Não dá pra perdoar assim não.
Baixou o olhar.
— Mas mesmo assim… eu tô aqui sofrendo. Por que eu gosto tanto daquela praga?
— É, maninho… — Daiana disse, suave. — O coração da gente às vezes leva a gente pra umas armadilhas perigosas.
Fez uma pausa.
— E eu te entendo. Traição é coisa séria. Eu mesma não perdoo. Fiquei possessa quando o Rodrigo me traiu… e mais ainda quando achei que o Gabriel também tinha feito o mesmo.
Respirou fundo.
— Mas tem uma coisa que você não pode fazer…
Tocou levemente no braço dele.
— Deixar de viver por causa de dor de cotovelo.
Se levantou, puxando ele pela mão.
— Anda. Levanta. Vai tomar um banho, dar uma volta, espairecer essa cabeça.
Fabinho resistiu um pouco… mas acabou cedendo.
— Você não me deixa sofrer em paz, né? — resmungou.
Daiana sorriu.
— Não mesmo. — respondeu. — Um homem bonito desse sofrendo por quem não te deu valor.
Fabinho soltou um riso fraco, mas sincero.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══
Rodrigo estava sentado atrás da mesa, girando uma caneta entre os dedos, o olhar fixo nos documentos espalhados à sua frente. Pensava… calculava.
A porta se abriu sem cerimônia.
Xavier entrou e fechou atrás de si.
— E como estão as coisas aí fora? — perguntou Rodrigo. — Só o seu Meireles tava por aí. A Angelina já chegou?
— Não. Pelo o contrário, ele foi quem saiu. — respondeu Xavier, se aproximando. — Parece que foram prestigiar a inauguração do restaurante da sua mãe.
Rodrigo soltou um riso de deboche.
— Olha o nível desse povinho sem noção… largar a empresa pra ir em biboca lá no fim de Itaquera. Tô com alguns documentos pra assinar aqui. Ia aproveitar pra enfiar o contrato de cessão de ações no meio… ver se arrancava a assinatura deles.
Xavier puxou a cadeira e se sentou à frente dele.
— Arriscado. — disse, direto. — Eles não vão assinar nada vindo de você sem ler. Ainda mais agora. Deixa a poeira baixar. Depois você arma isso melhor.
Rodrigo ficou em silêncio por um instante, depois assentiu, contrariado.
— É… vou ter que concordar. Até procurei um jeito de enfiar no meio dos documentos do Dr. Rui, como havia te falado. Mas até ele tá cabreiro comigo.
Xavier então mudou o tom, mais sério.
— E tem outra coisa. Mais grave.
Rodrigo levantou os olhos.
— O que foi agora?
Xavier se inclinou levemente.
— Eu falei com o Mauro, da auditoria.
Fez uma pausa, medindo o impacto.
— O seu Meireles pediu uma varredura completa nas contas da empresa. Não é só rotina, não. Ele quer cruzar fluxo de caixa, contratos, notas fiscais, transferências de tudo.
Rodrigo engoliu seco, preocupado.
— Então ele tá desconfiado com a finança da empresa. Pior que eu sabia que isso poderia acontecer.
— Eles tão rastreando possíveis contas paralelas. — continuou Xavier. — Inclusive movimentações internacionais. Se tiver dinheiro saindo pra fora… eles vão encontrar. O cerco tá fechando, Rodrigo. Ele já desconfia que tem caixa dois na jogada.
Rodrigo apertou a caneta entre os dedos.
Então, um sorriso leve surgiu no canto da boca.
— Se ele quer cavar… — disse, frio — vamos dar alguma coisa pra ele encontrar.
Xavier franziu a testa.
— Como assim?
Rodrigo se levantou devagar.
— A gente cria um erro controlado. Eu já venho cuidando disso. — respondeu. — Algo pequeno… mas suficiente pra desviar a atenção do que realmente importa. Cabeças vão rolar, mas ainda não será a minha.
Deu a volta na mesa.
— Enquanto ele se ocupa com isso… a gente limpa o resto.
Parou diante de Xavier.
— E acelera o plano das ações.
O olhar dele endureceu.
— Mas temos que ser rápidos e precisos. Porque se esse relatório sair antes disso…
Fez uma pausa.
— Aí quem vai dançar sou eu.
╚═════════════════✦✧❖✧✦═════════════════╝

Fale com o autor