MIC 2
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Capítulo 34 — Punhal no peito
Narrado por Lukas:
Acordei na terça de manha, hoje teria aula de matemática e eu estava resolvido a entender aquela matéria. Ela quer um cara inteligente, com algum futuro, ela vai ter. Tudo bem, a escola não é tão chata assim. Eu posso aprender se eu quiser, e ainda com o incentivo dela...
Levantei da cama, fiz minha higiene, coloquei uma bermuda e a camiseta da escola, meu tênis e desci, sentei na mesa e como sempre ela já estava lá, linda e perfeita, com aquela blusa da escola e aquela calça jeans apertadinha. Delicia de prima.
– Bom dia. – falei bocejando.
– Bom dia! – ela sorriu.
Sentei e tomei meu café com ela, depois saímos, fomos para a escola e como sempre encontramos o pessoal no caminho, olhei para o Vini com uma cara de raiva, eu sabia que ele estava pegando a Tina na esquina ontem. Chegamos perto deles e ele começou com o joguinho.
– Isa, oi princesa, você está mais linda que ontem sabia?
– Para Vini, você é um fofo! – ela sorriu para ele.
– Daqui, eu levo suas coisas. — ele se fez de bom moço.
– Ah, não precisa... — Isa sorriu.
– Que nada, eu levo... – ele pegou as coisas dela e sorriu, ela sorriu de volta.
– Obrigada.
Esse foi o primeiro joguinho da manhã, e depois tiveram muitos outros. Mas fui levando, afinal eu não posso contar nada para ela, ela nunca ia me perdoar e ia sofrer muito já que ela está começando a gostar dele.
A aula passou rápido e eu até entendi bem as coisas de matemática, prometi que vou tirar um noventa no mínimo, nessa prova e aquele professor não vai ter chance para me rodar. Ele me odeia.
Bateu o sinal para o final das aulas, saímos todos juntos da escola.
– Então, hoje a tarde a gente vai lá para fazer o trabalho de geografia, ok? — Gio confirmou.
– certo. — Isa disse.
Fomos embora, logo chegamos, almoçamos e depois eu deitei no sofá, acabei cochilando lá, acordei com a campainha.
– Entra gente, o Lukas está ali no sofá roncando, mas eu já acordo ele. — escutei a voz da Isa.
Gio e Pedro entraram.
– Eu já estou acordado... – falei esfregando o olho.
– Dormindo como sempre esse vagabundo aí. — Pedro zoou.
– Fazer o que né... — Lukas deu de ombros.
Fomos para a cozinha na mesa porque tínhamos que fazer uns cartazes para a professora de geografia... Idiotice isso.
– A gente precisa fazer os cartazes e um resumo para entregar para ela, então eu e a Gio podemos fazer os cartazes e vocês dois a pesquisa. — Isa sugeriu.
– Querem a parte mais fácil né. — reclamei.
– Mais fácil... não é nada fácil desenhar mapas, mas como eu e a Gio somos expert’s em desenho, a gente faz. – ela disse rindo.
– Ta.. a gente faz a pesquisa. — Pedro concordou.
Subimos Pedro e eu para o meu quarto fazer a tal pesquisa, ainda bem que o Pedro é inteligente.
– Então, como é com a Gio? — perguntei puxando papo enquanto ligava o pc.
– Cara... ela é demais. — ele sorriu.
– Jura? Eu achando que ela não sabia nada sobre...
– Mas ela não sabia mesmo... só que aquele dia... nossa cara, eu pirei, fiquei louco com ela, ela era virgem, não tinha noção nenhuma e foi um milhão de vezes melhor que qualquer outra...
– Sério?
– Sério cara, até a Tina fica no chinelo perto da Gio. Mas tira o olho que essa tem dono para sempre. — Pedro falou.
– Eu nunca coloquei o olho nela, sempre soube que você era doido pela Giovana. — falei rindo.
– Eu pela Gio e você pela priminha né?
– Como assim? – falei espantado.
– Tá na cara que você está louco pela Isa. — ele disse.
– Da para notar tanto assim? — passei a mão nos cabelos.
– Cara, na escola você não tira o olho dela, vive implicando com ela, já beijou ela que eu sei, e ainda tem foto dela no quarto, uma do lado da cama inclusive... não está na cara?
– é... está na cara mesmo... mas eu fiz um negocio muito feio, Pedro. — confessei.
– O que?
– O Vini estava me chateando esses dias e apostou comigo qual de nós dois pegava ela primeiro até o final do ano.
– Você o que? – ele estava quase me batendo, sério.
– Calma cara, mas eu fiz isso porque eu sei que se ele não apostasse comigo ia apostar com qualquer outro... assim pelo menos eu tenho uma chance de proteger ela dele.
– Hum... mas isso é muito complicado eu Vini, eu sabia que ele estava aprontando alguma... ele pode ser meu cunhado agora, mas não é gente boa... nem sei como é irmão da Gio. — Pedro falou.
– Eu sei cara, mas não sei como sair dessa, então estou levando isso até o final do ano. O problema é que eu estou apaixonado de verdade por ela e ela está me fazendo ficar louco, mas eu jurei para mim mesmo que não vou fazer nada com ela.
– Está apaixonado mesmo, hein. — Pedro sorriu.
– To, completamente apaixonado, vou tirar cem na prova do Charles por causa dela.
– Sério? Duvido. — Pedro riu.
– Mas eu vou... ah, cara, sério, não fala nada sobre isso com a Gio, por enquanto não...
– Fica tranquilo, irmão... não vou falar nada, a vida é sua e você sabe o que faz.
– Valeu... bora fazer isso aqui logo.
Sentamos em frente ao PC e começamos o trabalho, um tempo depois Gio apareceu na porta.
– Lukas, desce lá ajudar a Isa, eu não tenho talento para desenho. — ela fez careta.
– beleza...
Saí do quarto e deixei os dois lá, desci as escadas para ajudar a Isa e quando cheguei na cozinha quase tive uma ataque, ela estava debruçada por cima da mesa, com a bunda toda empinada para mim, meu amiguinho acordou na hora, não consegui controlar, era de mais para ele aquilo.
– Ah, Isa, você faz isso de propósito, agora o meu amigo está ficando maluco aqui.
– Que foi? – ela se virou sem entender.
– Meu amiguinho, ele não aguenta... – olhei para o volume já visível no meu calção.
– Você está com isso aí duro de novo?! — Isa começou a rir.
Ela se estourou rindo de mim, mas eu não tinha mesmo conseguido controlar. Prensei ela contra a mesa.
– Você provocou, agora aguenta priminha. – falei perto do ouvido dela.
– Cala boca, Lukas, sai, sai, pode me soltar, anda, me larga! – ela falou me dando uns tapas no peito e aquilo me excitava mais ainda.
– Bate que eu gosto. — mordi o lábio.
– Me larga, Lukas, vamos logo fazer esse trabalho aqui!
Soltei ela e comecei a ajudar no cartaz. Ficou bem legal até. Modéstia parte, sou um bom desenhista.
Depois do trabalho, Gio e Pedro foram embora, ficamos sozinhos de novo, e depois do banho, ela me deu mais uma ''aula''. Eu descobri que sabia fazer coisas que achava impossível.
Depois fomos dormir. Quarta acordei e fiz o de sempre, na escola foi a mesma coisa, recreio com o pessoal e o Vini continuava com aquele joguinho cínico dele.
Eu estava cada dia com mais raiva, até que chegou a sexta feira. Acordei, fiz minhas higienes, desci, tomei café com a menina mais linda do mundo e fomos para a escola. Encontramos com a turma, como sempre.
– Oi! — eu e a Isa falamos juntos para o pessoal.
– Oi! — responderam.
Fomos para a aula e a tão temida prova de matemática seria depois do recreio, eu precisava muito ir bem se não...
Bateu para o recreio e pela primeira vez na vida levei um caderno comigo.
Chegamos e sentamos na mesa de sempre.
– O Lukas com um caderno? Vai fazer aviãozinho no recreio agora? — Gio disse zoando.
– Não... é por causa da prova mesmo... nessa eu tenho que ir bem. — falei e ri.
– Ta virando CDF agora... faz tempo que não vejo pegar ninguém... – Vini falou para me provocar, mas no fundo era verdade, fazia mesmo tempo que eu não pegava ninguém, mas eu não tinha vontade... eu queria ela, só ela. Olhei para a Isa e ela estava me encarando, quando ela me viu olhar para ela, ela desviou o olhar.
O sinal para o final do recreio soou, Gio e Pedro foram indo na frente, Vini disse que ia no banheiro, mas na verdade eu vi a Tina fazendo um sinal para ele... Voltei para a sala com a Isa, sentei e continuei revendo a matéria para ver se ainda tinha alguma duvida. Isa sentou na cadeira do Vini, que é do lado da minha e ficou me olhando, olhei para ela.
– Que? – sorri.
– O que? – ela sorriu de volta.
– Por que você está me olhando aí? — perguntei a ela.
– Sei lá, desde quando você começou a se interessar pelos estudos? – ela falou ainda sorrindo.
– Desde que você me disse que queria alguém inteligente. – falei e fiquei olhando no olho dela.
Ela ficou sem resposta para mim, acho que se surpreendeu com o que eu disse, mas era verdade. O professor entrou na sala e mandou todos para os lugares porque queria dar logo a prova. Ela sentou na classe dela, olhou para mim e sorriu, balançou a cabeça e voltou a olhar para frente. Aquilo me deu mais incentivo ainda. Aquele sorriso lindo, aquele olho brilhando com o que eu disse... não tem explicação.
O professor me deu a prova e fiz toda ela, primeira vez na minha vida que eu faço uma prova sem deixar nenhuma questão em branco, o professor vai se emocionar, pensei para mim mesmo. Demorei e fui o ultimo a entregar a prova, primeira vez que isso acontece também, normalmente sou o primeiro, eu chuto tudo mesmo.
Bateu o sinal e a ultima aula voou, acabou a aula e nós fomos para casa, combinamos um cinema para de noite.
– Cinema hoje galera? — convidei.
– Por mim, ta beleza. — Gio concordou.
– Ah, vamos sim. — Isa também aceitou.
Todos concordaram e combinamos de sair ali de casa as oito horas.
Entramos, almoçamos e eu fui olhar TV, cochilei como sempre e acordei pelas duas e meia, escutei barulho na piscina e fui lá olhar o que era. Vi a Isa, linda tomando banho, sozinha. Corri para o meu quarto e coloquei um calção, desci e fui para a piscina, ô calor...
Ela estava de costas e eu entrei na água.
– Que está fazendo ai? — Isa perguntou quando me viu entrando.
– Tomando banho de piscina ora. — falei e ri.
– Ah, jura... eu não percebi... — ela disse sarcástica.
– Então porque perguntou? — respondi do mesmo jeito.
Ela virou pra me dar uma patada, mas ficou quieta quando viu que eu estava parado bem atrás dela, quando ela virou ficamos cara a cara.
– É, hum, é... — ela começou a gaguejar com a proximidade.
– ''é, é''... o que? perdeu a fala priminha? Por mim?
– Te fode, Lukas, perdeu a fala uma ova! Eu estou falando agora!
– Seu gênio é contagiante, você esbanja simpatia sabia? – falei irônico.
– É, eu sei sim, e você esbanja burrice! Me larga! – ela falou brava, eu a segurava pela cintura por baixo da água.
– E se eu não soltar? — perguntei.
– Nem queira saber o que eu vou fazer!
– O que você vai fazer? – falei com nossas bocas perto.
– Eu vou, vou.... – ela mordeu meu lábio inferior e depois o canto da minha boca. – eu vou... fugir!
Isa se soltou de mim, foi mais rápida que eu e conseguiu sair da piscina, correu para dentro de casa, eu saí da água meio zonzo e fui atrás dela, subi as escadas e ela tinha se trancado no quarto.
– Abre isso aí, Isa, você fica brincando comigo, me provocando, eu não aguento mais!
– Te fode, eu não vou abrir essa porta, nem morta, você está maluco aí fora, vai querer me pegar ainda. — ela disse rindo e tirando com minha cara.
– Isa, por favor, eu vou ser bonzinho. – falei dando risada. – prometo!
– Te fode, eu não sou louca de abrir essa porta!
– Ah, é? Então ta... não vai abrir mesmo?
– Nem que a vaca tussa!
– Ta bom então.
Fiquei quieto para ver o que ela ia fazer, percebi pela sombra da fresta da porta que ela estava parada ali, provavelmente com o ouvido colado na porta, entrei no quarto ao lado e fiz o que tinha feito da ultima vez que queria falar com ela, pulei de uma sacada para a outra, bem quietinho, ela não percebeu, eu entrei no quarto na ponta dos pés, ela estava tentando ver pela fechadura, cheguei por trás dela e fiz o meu amiguinho tocar na bunda dela.
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, — ela deu o maior grito que já ouvi na vida.
– Calma priminha sou eu! — sorri mordendo o lábio.
– Eu sei que é você, por isso que eu estou gritando! — ela arregalou os olhos e voltou a gritar. — Aaaaaa!
Ela não parava de gritar, então tive que fazer ela ficar quieta antes que os vizinhos chamassem a policia, dei um beijo maravilhoso nela, e ela retribuiu, peguei ela pela cintura e ergui, ela colocou suas pernas na minha cintura. Grudei ela contra a parede e nós continuamos nos beijando, ela agarrou meus cabelos e começou a puxar minha camiseta, eu mordi ela no pescoço e a Isa se arrepiou toda, coloquei ela na cama e deitei por cima, fiquei olhando nos olhos dela por alguns segundos e lembrei da maldita aposta e do que eu tinha jurado, levantei da cama.
– Eu... eu.. não posso. — falei assustado.
– Não pode? Por quê? — ela perguntou confusa.
– Eu não... não posso fazer isso, desculpa, Isa. Eu não posso. – falei assustado e saí do quarto, eu não sabia o que fazer, então me tranquei dentro do meu quarto mesmo, ela bateu na porta.
– Lukas, agora é sério! Nunca mais, nunca mais chegue perto de mim, nunca mais me beije! Nunca mais diga nada! Evite olhar para mim, evite passar por mim! – eu sabia que ela estava chorando, e aquilo me doeu tanto, eu abri a porta do quarto e a abracei.
– Desculpa, me perdoa, por favor, mas eu não posso, não agora.
– Me solta! Eu já disse para evitar olhar para minha cara a partir de agora!
– Isa, não!
Ela se soltou de mim e se trancou no quarto, ouvi ela bater bem forte as janelas da sacada e fechar, então não adiantaria nada eu pular outra vez.
– Isa! – bati com a mão na porta e sentei no chão, no corredor mesmo.
Não aguentei, comecei a chorar ali, eu não conseguia conter as lagrimas que caiam e a dor que sentia. Entrei no meu quarto e me enterrei em baixo das cobertas, como uma criança indefesa.
Acabei dormindo. Acordei quando eram sete horas. Fui tomar um banho, porque o pessoal ainda viria ali para ir para o cinema, coloquei uma calça jeans e uma camiseta, saí do quarto e a porta do quarto dela estava aberta. Entrei.
– Isa? — chamei.
– O que? – ela falou do banheiro, parecia mais calma.
– Posso falar contigo?
– Está falando já.
–Desculpa? – falei atrás da porta do banheiro que estava fechada, senti que ela colocou a mão na maçaneta, me afastei um pouco.
– Está tudo bem, Lukas, você tinha razão e obrigada por não fazer nada, eu também acho que isso tem que acontecer com alguém que eu ame. – ela falou isso e aquelas palavras entravam no meu peito como um punhal sendo colocado aos poucos.
– Isa... você não entende... — tentei explicar.
– Lukas, eu já disse que está tudo bem. Não precisa dizer mais nada ta? Deixa eu me arrumar que o pessoal já deve estar chegando.
– Mas...
– Por favor, Lukas?!
Saí do quarto de cabeça baixa, agora eu sabia que a única coisa que ela sentia por mim era ódio mesmo. Mas como o beijo dela faz sintonia perfeita com o meu? Por quê isso então?! Eu não tenho mais resposta para nada. Voltei para o meu quarto e fiquei lá esperando o pessoal chegar.
Fale com o autor