MIC
15 Cachoeira
Notas iniciais
- O que? — ele disse confuso.
- Sair daquele jeito! eu... eu...
- Mas eu voltei ontem a noite Manu... você não percebeu que acordou na sua cama? — ele sorriu sem jeito e passou as mãos no cabelo do jeito que eu adoro. Soltei ele.
- Ah, é mesmo... mas como?
- Eu te coloquei lá ué.
O abracei novamente.
- Obrigada... — Olhei nos olhos dele, ele desviou o olhar.
- Não... não olhe nos meus olhos... — ele falou baixo.
- Porque?
- Não... só quando for sincero.
- Mas é sincero. Estou agradecida mesmo.
- Você agradece todo mundo com esse olhar?
- Felipe... porque? Não estou entendendo. — falei confusa.
- Porque ta me olhando exatamente como olhou pro Carlos ontem.
- O que? Ta doido?
- é... ontem quando o Carlos te ajudou, você também olhou assim pra ele.
- Que isso! Eu só agradeci o cara! Não olhei pra ele como olho pra você. — confessei.
- E como você olha pra mim? Qual a diferença? — ele me olhou.
- A diferença é o que eu sinto quando olho pra você. — respondi.
- E o que você sente?
- Bom dia maninho, bom dia amiga! — A Gabi chegou me salvando.
- Bom dia... — respondemos.
Ficamos em silencio.
- Porque você sumiu ontem maninho?
- Eu queria pensar.
- No que? — Gabi sorriu.
- Eita, curiosa! Em nada e em tudo. — ele respondeu.
- Credo, acordou meio pra filosofo hoje...''eu queria pensar'', ''em nada e em tudo''. — ela zoou.
- Oi pessoal. — Rafa chegou ali.
- Opa. — respondemos.
- Então, o que vamos fazer hoje? — Rafa perguntou.
- Vamos levar as meninas pra cachoeira? — Lipe sugeriu.
- Ta brincando? Me diz como a gente não foi pra lá ainda?! — falei.
- é! Como vocês não levaram a gente lá ainda? — Gabi ajudou.
Eu e Gabi estávamos quase batendo nos meninos.
- Calma, calma, a gente vai lá de tarde então... — Rafa riu se defendendo de um tapinha da Gabi.
- Como elas são brabas... — Lipe zoou.
Acabamos todos rindo. Depois tomamos café ali na varanda mesmo. Assistimos TV e depois almoçamos, esperamos até mais ou menos duas horas e depois arrumamos umas coisas e fomos pra cachoeira.
- Que maravilha, vamos pra cachoeira! — Gabi disse toda feliz nós rimos.
Ela parecia uma criancinha de tanta felicidade... Fomos andando e a Gabi logo cansou.
- Amor, me leva na garupa?
- Vem aqui minha linda. — Rafa respondeu, ela subiu nas costas dele.
- Maninho bem que você podia levar a Manu né...
Eu e ele nos olhamos.
- hã? — falei.
- Vem Manu... — Lipe riu. Eu estava começando a desconfiar da dona Gabriela e do senhor Rafael, eles andavam tentando deixar eu e o Lipe muito próximos...
Ele me pegou pelo braço e eu subi nas suas costas.
- tira uma foto Manu. — Lipe riu.
- ah, boa!
Peguei a câmera e tirei uma foto da Gabi e do Rafa, ficou perfeita, a Gabi pegou a câmera com a desculpa de que ia olhar a foto, eu dei né... Ai sem a gente ver ela tirou uma foto minha e do Lipe, ficou muito foda. Eu tava olhando pra ele e ele pra mim, ficou linda mesmo. Logo depois chegamos na cachoeira. O lugar era lindo. Muito lindo mesmo.
Tinha a cachoeira [silver][jura ¬¬][/silver], e ela era super alta, ai por baixo da queda d’água dava pra ver uma caverna, muito foda. Ao redor era cheio de arvores, e ali era bem raso, Rafa deu uma explicada de como era ali a água, e falou pra gente só não ir mais lá pra baixo porque é cheio de poço, mas aqui em cima onde estávamos não tinha perigo nenhum.
- Que lugar lindo! — sorri.
- Vamos entrar logo então! — Gabi disse indo pra água.
Entramos na água, ela estava fria, mas logo nos acostumamos, ficamos fazendo graça, rindo, jogando vôlei dentro da água, a tarde estava ótima, depois saímos para comer e deitamos nós quatro em cima de umas pedras que eram lisas e gigantes. Deitou o Rafa, a Gabi, eu e daí o Lipe. Cochilamos um tempinho, depois acordamos e voltamos pra água.
- Cara, eu queria morar num lugar assim... olha que maravilha isso aqui! — Eu praticamente falei isso só pro Lipe porque a Gabi e o Rafa estavam se agarrando pra variar...
- é legal aqui né... eu também gosto muito. — Lipe respondeu.
- Já pensou, morar uma vida toda aqui? Eu moraria. — sorri.
- Eu também. — ele disse.
Ficamos conversando eu e o Lipe enquanto o casal se agarrava... Entramos eu e ele na água, a Gabi e o Rafa tinham voltado pra pedra e estavam lá deitados namorando... O Lipe começou a jogar água na minha cara, e eu na dele, éramos duas crianças felizes... Ele chegou mais perto de mim, mergulhou e passou por mim, senti sua boca encostar nas minhas pernas, me arrepiei toda. Ele voltou e me agarrou por trás.
- Frio? – ele sussurrou no meu ouvido.
- O quê? Porquê?
- Porque você ta toda arrepiada...
Encarei ele.
- Também, você beija minhas pernas dentro da água e não quer que eu me arrepie? — falei com as mãos na cintura.
- Mas eu não beijei suas pernas. — ele disse me olhando sério.
- Que? Tem cobra aqui então?! — arregalei os olhos desesperada.
- Cala boca Manu. — ele riu — Fui eu que beijei sim...
- E quem deu permissão?
- é... desculpa... foi impulso, queria te da um susto... — ele segurou o riso.
- Conseguiu. — virou os olhos.
- Eu vi... a Gabi e o Rafa também...
A Gabi e o Rafa estavam rindo lá da pedra do susto que eu tinha levado, joguei água na cara do Lipe e comecei a rir, logo estávamos novamente como quatro crianças brincando na água...
Saímos da água e nos secamos, decidimos voltar pra casa pois já estava ficando tarde. No caminho de volta a Gabi e o Rafa ficavam se beijando, a me deu uma vontade de agarrar o Lipe, mas me segurei... Nós ficávamos trocando olhares. Chegamos na fazenda e encontramos com o Carlos.
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